As políticas neoliberais aplicadas pelo governo de Jair Bolsonaro devem provocar um rombo no bolso dos brasileiros que sonham com a casa própria. O novo presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, disse que o banco estatal vai começar a usar “juros de mercado” nos empréstimos de financiamento de imóveis.

De acordo com os dados do Banco Central, referentes a novembro de 2018, a Caixa tem a menor taxa de juros pós-fixados pela Taxa Referencial (TR) para pessoa física. O banco cobra 7% ao ano. Entre as demais instituições, a taxa varia entre 7,79% ao ano e 9,36% ao ano.

Para seguir a determinação do novo presidente, a taxa da Caixa saltaria de 7% para 8,5% ao ano, que é a média cobrada pelas demais instituições – uma alta proporcional de 21,4%.

Guimarães afirmou, na última segunda-feira (7), que as mudanças vão impactar na chamada "classe média" e que não haverá alteração nas regras para o programa ‘Minha Casa Minha Vida’ – que, segundo o executivo da Caixa, é direcionado aos “mais pobres”.

Para a ex-presidenta da Caixa Econômica Federal, entre 2006 e 2011, Maria Fernanda Coelho, o banco estatal abandonaria uma das suas características mais importantes ao deixar de oferecer as taxas de juros mais competitivas.

“A presença dessas instituições públicas federais de grande importância como a Caixa permitem exatamente favorecer a  concorrência bancária. Você tem aí a redução de juros e de spread e com isso, tem de fato uma concorrência bancária”, disse. Spread é a diferença entre a remuneração que um banco paga ao aplicador para captar um recurso e o quanto cobra para emprestar o mesmo dinheiro.

Segundo a assessoria de comunicação da Caixa, o presidente Pedro Guimarães afirmou, no dia 8, durante a transmissão de cargos no BNDES, que não haverá mudança nos juros do crédito imobiliário.

Um estudo realizado pela Fundação João Pinheiro sobre o déficit habitacional no Brasil aponta que são necessárias mais 6,35 milhões de imóveis para suprir a demanda pela casa própria. Por outro lado, existem cerca de 7 milhões de imóveis vazios que poderiam ser vendidos para moradia, caso houvesse uma política pública de financiamento imobiliário.

Quem é Pedro Guimarães?

Um dos nomes do mercado financeiro que aproximaram investidores de Bolsonaro, o novo presidente da Caixa é sócio do banco de investimentos Brasil Plural e é especialista em privatizações. O sogro dele é Leo Pinheiro, ex-executivo da empreiteira OAS, condenado por pagar propinas para receber favorecimento. Teve redução de pena após acordo de delação premiada usado na condenação do ex-presidente Lula no "caso triplex".

[Via Brasil de Fato]

Publicado em Economia

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) oficializou nesta segunda-feira (7) a nomeação de Pedro Guimarães como presidente da Caixa Econômica Federal (CEF). O economista, que se especializou em privatizações nos Estados Unidos, é genro de Léo Pinheiro, ex-executivo da OAS.

Pinheiro foi preso através de investigações da Lava Jato sob a acusação de pagar propina a políticos em troca de favorecimentos para sua empreiteira. Ele foi solto, no entanto, após fechar um acordo de delação premiada para incriminar Lula.

Em seu depoimento, que motivou o processo contra o ex-presidente, o ex-executivo afirmou que Lula era uma espécie de “proprietário oculto” de um apartamento triplex no Guarujá, em São Paulo. A delação dava conta de que o apartamento seria uma recompensa por Lula ter concedido benefícios para a OAS em seu governo, mas não há nenhuma prova de que o petista teria recebido, de fato, o imóvel ou que era seu proprietário. Tanto é que o apartamento, após a prisão de Lula, foi leiloado para pagar dívidas da própria OAS – o que comprovaria que a empreiteira é a verdadeira detentora do imóvel que levou o ex-presidente ao cárcere.

O genro de Pinheiro, em seu discurso de posse como presidente da Caixa, sinalizou prioridade para as privatizações, anunciou a saída do banco público do mercado de crédito e afirmou que a classe média terá juros do crédito habitacional de acordo com o mercado. 

Pedro Guimarães também afirmou que vai intensificar o processo de fatiamento da Caixa e confirmou a presença de militares em postos importantes no banco. Ele anunciou ainda que vai definir um cronograma para devolver ao Tesouro todos os aportes concedidos na modalidade Instrumento Híbrido de Capital e Dívida (IHCD), o que, de acordo com o último balanço trimestral, em setembro, somaria R$ 40,2 bilhões.

“Faremos isso (devolução do dinheiro ao Tesouro) via venda de participações de empresas controladas: seguros, cartões, assets (ativos) e loterias. Já começa agora, pelo menos duas neste ano”, disse Guimarães.

[Com informações das agências de notícias e das Revista Forum e Carta Capital]

Publicado em Política

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