Cadeiras suplementares colocadas às pressas no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) não foram suficientes para receber todas as pessoas que participaram da Audiência Pública “Impactos da Privatização da Petrobrás no Paraná”, realizada na manhã desta segunda-feira (11), em Curitiba. 

Muitos permaneceram em pé e outros tiveram que ficar pelos corredores da Alep. O Plenarinho ficou pequeno, tomado por muitas pessoas, a maioria com o uniforme laranja da Petrobrás ou com a camiseta da campanha em defesa da estatal, de mesma cor. 

A audiência foi convocada pelo Fórum de Defesa da Petrobrás e pelo deputado estadual Requião Filho. 

Os primeiros a falar foram os especialistas convidados. A geóloga e conselheira da Associação dos Engenheiros da Petrobrás do Rio de Janeiro, Ana Patrícia de Castro Laier, fez uma exposição sobre a atuação da estatal no Paraná, trazendo informações sobre cada unidade industrial e fez a seguinte conclusão sobre a venda de todo o patrimônio da empresa no estado: “É um desinvestimento que jamais poderia ser pensado. Os argumentos que a Petrobrás usa para vende-la são os mais importantes para você não vender. Por exemplo, que o sistema de refino é eficiente e competitivo”. 

O custo da privatização

PHD em Engenharia na área do Petróleo, Paulo César Ribeiro Lima foi engenheiro na área de Exploração e Produção (E&P) da Petrobrás e também consultor parlamentar. Autor do livro “A importância do refino para a Petrobrás e para o Brasil”, Paulão, como é mais conhecido, foi enfático: “A privatização da Repar vai aumentar o preço dos combustíveis ao consumidor”. 

Ele explicou que o parque de refino nacional não foi criado para haver competição, “mas sim para que cada refinaria tivesse sua área de atuação e desenvolvimento. A Repar tem basicamente sua atividade voltada para os estados do Paraná e Santa Catarina. Trata-se de monopólios regionais. Portanto, quem vai pagar o custo da privatização da Repar é o povo do Paraná e Santa Catarina. A venda da refinaria vai acabar com a possibilidade de ter um preço justo para os combustíveis”. 

Arrecadação Fiscal

A mestre em Ciências Socias Carla Ferreira, que também é pesquisadora do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), chamou a atenção para a contribuição econômica que a Petrobrás faz aos cofres do Estado do Paraná. 

“A estatal é de extrema importância para a arrecadação fiscal do Paraná. Somente em 2017 a estatal recolheu R$ 2,4 bilhões ao estado, o que representou mais de 8% do ICMS. Contribui com mais de 4% da arrecadação total do estado. Isso mostra o movimento econômico regional que a Petrobrás faz, gerando renda, emprego e consumo”, apontou.   

Ferreira ainda tratou dos royalties do petróleo. “É uma compensação financeira aos estados e municípios diante do impacto social e ambiental da produção de petróleo. Onde passa oleoduto, existem esses recursos. Tem importância significativa para os municípios de Santa Catarina, por conter instalação de embarque e desembarque de petróleo. Quando há aumento na capacidade de refino da Petrobrás, há aumento nos royalties dos municípios”. 

Exemplo da Fafen

A Araucária Nitrogenados (ANSA), antiga Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen/PR), foi citada por Santiago Santos, coordenador geral do Sindiquímica-PR, como exemplo do mau negócio que é a privatização. “Em 1993 privatizaram a Fafen, cinco anos mais tarde, em 1998 ocorreu o maior acidente da história da fábrica. As consequências do processo de privatização são o sucateamento dos equipamentos, precarização do trabalho e desemprego. Por isso, temos que sensibilizar a classe política para entrar nessa briga contra a venda do patrimônio público”. 

A ANSA voltou para a Petrobrás em 2013, numa operação de troca de ativos com a Vale. Porém, a nova privatização da unidade foi anunciada pelo atual governo logo no início deste ano. 

Risco de Acidentes e Venda de Mercado

O engenheiro, advogado e presidente do Sindipetro Paraná e Santa Catarina, Mário Dal Zot, alertou que o processo de sucateamento das instalações são consequências da intenção de privatização e traz sérios riscos de acidentes. “O presidente da associação de moradores de Araucária nos procurou para saber o que está acontecendo com a Repar. Os alarmes frequentes, nuvens de fumaça e tochas com chamas gigantes têm preocupado a população, e com toda razão. A refinaria está sendo sucateada e o que a gestão faz com relação à manutenção, apesar dos grandes esforços dos técnicos da área, parece uma reforminha em carro velho para poder vender melhor. O último simulado com a comunidade em caso de acidente foi feito lá em 2005. Hoje a população do entorno da refinaria é dez vezes maior, então a insegurança e os riscos são muito grandes. Falta fiscalização”, alertou.  

Com relação aos aspectos econômicos, Mário lembrou que não se trata da mera venda das estruturas industriais das unidades colocadas à venda. “Na verdade, estão vendendo o mercado que elas representam. Os impactos disso a gente já está vendo. De 2016 para cá, foi reduzido a capacidade de refino no Brasil, produzimos apenas 64% da nossa capacidade. De uma hora para outra, em 2017, os EUA se tornaram os maiores exportadores de diesel para o Brasil. Isso é uma grande perda para o estado. E tem governante que não se atém para isso”. 

Mário ainda chamou a atenção para o fato de o Paraná estar sendo deixado de lado. “A Petrobrás será concentrada na região sudeste do país. O Paraná já foi preterido na exploração do Pré-Sal e agora será novamente. Fica esse alerta à sociedade paranaense. Precisamos montar uma Comissão Parlamentar para discutir e barrar a saída da Petrobrás do estado do Paraná”. 

Mobilização Social

Nas exposições que sucederam as falas técnicas, um tema de concordância foi que a privatização só será evitada com mobilização social. 

Para o presidente da CUT Paraná, Márcio Kieller, os recursos da Petrobrás ajudam a financiar a educação e a saúde pública. “Estatal não tem que ter lucro, tem que ter função social. Esse é o verdadeiro papel de uma estatal. Entendemos o papel histórico da Petrobrás. Temos que fazer esse diálogo com a sociedade, em especial a juventude, para mostrar que a estatal é estratégica para o povo brasileiro”. 

O ex-governador do Paraná e ex-senador Roberto Requião fez um resgate histórico sobre o sistema capitalista e destacou a destruição do estado causada pelo liberalismo. “O sentido é o lucro imediato. Nós estamos diante desse tipo de situação. Não podemos negar o que está acontecendo. Precisamos fazer uma frente ampla para derrubar essa ideia absurda de liberalismo econômico para o Brasil. É preciso se opor. Apostar na revogação disso tudo que está sendo feito. Reuniões como essa audiência são importantes para aprofundar questões como essa da Petrobrás. Temos que criar uma Frente mista de defesa da soberania nacional, deixar no momento as questões partidárias de lado e derrubar tudo o que está aí colocado para o país”. 

Para o deputado federal Aliel Machado (PSB), a saída está na mobilização social. “A Petrobrás é de interesse de todos os brasileiros. Essa audiência é importante para debatermos, mas precisamos levar essa mobilização para as ruas e até mesmo nas redes sociais. Temos que aprofundar e discutir com as bases esses temas estratégicos para a nação”. 

Encerramento

A audiência pública ainda contou com intervenções dos deputados estaduais Arilson Chiorato (PT), Tadeu Veneri (PT), Professor Lemos (PT) e Requião Filho (MDB), que reafirmaram disposição de luta em defesa da Petrobrás estatal no Paraná. 

O encerramento do evento ficou por conta do petroleiro da Repar, diretor do Sindipetro PR e SC e secretário nacional de comunicação da CUT, Roni Barbosa, que lembrou que “a defesa da Petrobrás não é uma questão de direita, esquerda ou centro, mas um dever de todo cidadão brasileiro”.  

[Via Sindipetro-PR/SC]

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No próximo 11 de novembro, às 9h, no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), todos os petroleiros e petroquímicos, assim como toda a sociedade, estão convidados para Audiência Pública sobre os “Impactos da Privatização da Petrobrás no Paraná”

O objetivo é avaliar, de forma técnica e aprofundada, os prejuízos que a venda da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen – Araucária Nitrogenados e da Usina do Xisto (SIX) irão gerar em Araucária, Paranaguá, São Mateus do Sul e no estado.   

A audiência é de iniciativa da casa legislativa do Paraná, do deputado estadual Requião Filho e do Fórum em Defesa da Petrobrás. Toda a categoria petroleira, familiares, amigos e movimento socias de defesa da soberania nacional prometem lotar o Plenarinho da ALEP. 

O momento é de pressão pela defesa dos empregos e contra a privatização. Todos em defesa da Petrobrás estatal e soberana. 

Audiência 

A organização da audiência convidou todos os parlamentares para o debate. As palestras serão comandadas por técnicos e especialistas. Confira as presenças confirmadas: 

::Mário Dal Zoté presidente do Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina.  Petroleiro, engenheiro e advogado.

::Paulo César Riberio Limaé PHD em Engenharia na área do Petróleo e Especialista em Minas e Energia. Foi engenheiro da Petrobrás e consultor parlamentar. Autor do livro “A importância do Refino para a Petrobrás e para o Brasil”.

::Ana Patrícia Cavalcanti de Castro Laieré Geóloga e Conselheira da Associação dos Engenheiros da Petrobrás do Rio de Janeiro.

::Carla Ferreiraé socióloga, mestre em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), pesquisadora do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep).

Apoiadores: Sindipetro Paraná e Santa Catariana, Sindiquímica-PR, Federação Única dos Petroleiros (FUP), Ineep, Aepet, CUT-PR e sindicatos filiados, CTB, Força Sindical, Comitê Unificado de Lutas do Paraná, APP-Sindicato, entre outros.

Histórico 

No Paraná, cidades dependem da permanência da Petrobrás para continuar arrecadando impostos, gerando empregos e prestando serviços essenciais à sociedade.  Em junho deste ano, a atual gestão da companhia colocou a Repar, em Araucária, e a Usina do Xisto (SIX), em São Mateus do Sul, à venda. A Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen – Araucária Nitrogenados), unidade da Petrobrás também localizada em Araucária, está em processo de privatização há mais tempo. 

Trata-se de se desfazer completamente dos ativos de uma refinaria, com seu conjunto de oleodutos e terminais, uma mina de xisto e uma fábrica de fertilizantes.   

Só a Repar – Refinaria Presidente Getúlio Vargas, principal motor econômico do Paraná, arrecada na casa de dois bilhões de reais por ano em ICMS. Parte disso retorna ao município de Araucária e faz com que a cidade tenha a segunda maior cota de participação repassada pelo governo do estado entre os 399 municípios. 

Vale ressaltar que Araucária possui o maior parque industrial do estado. A expectativa é que a geração de impostos alcance, em 2019, a cifra de R$ 18,7 bilhões; desse montante, a Repar representa aproximadamente 70%. 

Diante desses números, é interessante para o Paraná perder a Petrobrás? 

E não para por aí, dentro do que se entende como “Complexo Repar”, há toda uma rede interconectada de oleodutos longos (>15km) que ligam a refinaria aos terminais e pontos de distribuição. 

São parte dessa estrutura o Tepar (Terminal Aquaviário de Paranaguá), os terminais catarinenses: Tefran – Terminal Aquaviário em São Francisco do Sul (SC); Temirim: Terminal Terrestre de Guaramirim; Tejaí: Terminal Terrestre de Itajaí (SC) e Teguaçu: Terminal Terrestre de Biguaçu. 

:: Serviço

AUDIÊNCIA PÚBLICA: “Impactos da Privatização da Petrobrás no Paraná”

Data: 11 de novembro de 2019

Hora: 9h

LOCAL: Plenarinho da ALEP (Assembleia Legislativa do Paraná) – Praça Nossa Sra. Da Salete, s/nº - Centro Cívico, Curitiba, PR. 

[Via Sindipetro-PR/SC]

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O processo de privatização da Refinaria Getúlio Vargas (Repar), da Petrobrás, já está em andamento. Em virtude desse cenário, o Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Araucária (SISMMAR) vem a público repudiar a ação dos governos que pretendem entregar mais uma estatal lucrativa nas mãos de empresários milionários.

Para entender a importância da Repar para o município de Araucária, é essencial ter conhecimento de alguns dados. A refinaria é responsável por 80% do valor total de impostos arrecadados pela cidade, sendo que todo esse dinheiro hoje é investido em serviços públicos, como educação, saúde e assistência social, entre outros.

Ou seja, a estatal atualmente é responsável por grande parte da verba que é destinada aos serviços que são essenciais para a população de Araucária, como escola pública e postos de saúde, entre outros. A partir do momento em que for vendida, é importante ter consciência que os empresários milionários não têm essa preocupação com a população, pois miram apenas na lucratividade.

Vivemos em um momento político no qual boa parte dos políticos que estão no poder tentam vender a ideia de que os serviços públicos não são bons e, por isso, as estatais devem ser vendidas. Mas, isso não é verdade, pois se hoje as famílias precisam da escola pública para que os filhos tenham uma chance de estudo, como poderiam ficar sem as creches e escolas gratuitas?

É uma grande ilusão acreditar que o Sistema Único de Saúde (SUS), por exemplo, pode ser vendido porque não atende à expectativa da população. Uma pessoa que procura atendimento público em hospitais pode até não ter o atendimento com a rapidez desejada, mas as camadas mais pobres da sociedade teriam como pagar por esses serviços? Não.

Assim sendo, é preciso ter em mente que dependemos desses serviços públicos e precisamos protegê-los, bem como devemos também proteger as estatais, como a Repar, que contribuem muito com o desenvolvimento dos municípios brasileiros.

Uma vez que essa empresa for entregue na mão de empresários, outro problema também é a precarização do trabalho. Atualmente a Repar é responsável por 12% da produção nacional de petróleo e emprega centenas de trabalhadores. Se for vendida, esses funcionários não terão mais a garantia de que seus direitos trabalhistas serão respeitados pelos empresários que só pensam em lucrar e não se importam com a saúde e dignidade do trabalhador.

Por todos esses motivos, o SISMMAR se manifesta contrário à privatização da Repar e de todas as outras estatais do Brasil, como é o caso dos Correios. Em defesa da soberania nacional, o sindicato também tem participado, por meio de sua direção sindical, de todas as mobilizações e atos em defesa da educação e contra a privatização. Não aceitamos a venda do Brasil. Queremos o dinheiro do petróleo para a educação!

[Via SISMMAR Araucária]

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Os sindicatos da FUP começaram esta semana as assembleias para que os trabalhadores do Sistema Petrobrás se posicionem sobre o Acordo Coletivo de Trabalho.

É o momento dos petroleiros definirem os rumos da campanha reivindicatória: mantêm a unidade da categoria e rejeitam os ataques da gestão Castello Branco ou permitem o desmonte de direitos e conquistas garantidos coletivamente pelos trabalhadores.  

As primeiras assembleias iniciadas na Bahia, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e em Minas Gerais estão reafirmando a unidade e a disposição de luta dos petroleiros.  Todos os indicativos da FUP estão sendo aprovados.

Como nas assembleias anteriores, as gerências da Petrobrás estão assediando vergonhosamente os trabalhadores, mas a categoria não está se deixando intimidar. Na Bahia, teve gerente que se sujeitou até a contar os votos um a um, disputando a assembleia com o Sindipetro. Os petroleiros responderam aprovando todos os indicativos da FUP.

O coordenador da FUP, José Maria Rangel, ressalta a importância da unidade da categoria nesse momento que é decisivo para o futuro dos petroleiros e de suas famílias:

“A palavra coragem significa o coração que age. Não podemos aceitar o assédio que a Petrobrás está cometendo sobre os trabalhadores. Não podemos aceitar que a empresa retire direitos históricos da categoria, nem segregue os trabalhadores das subsidiárias, como quer fazer. Vote com coragem e diga não ao assédio”. 

Indicativos da FUP: 

> Rejeição da proposta de Acordo apresentada pelo TST no dia 19/09

> Aprovação dos itens encaminhados pela FUP ao TST, em 26/09, como melhoria à proposta do Tribunal

> Condicionar a assinatura da eventual aprovação das propostas às assinaturas dos acordos coletivos de trabalho das subsidiárias e da Araucária Nitrogenados

> Caso não ocorra negociação, greve a partir do zero hora do dia 26/10 


Veja aqui a proposta de Acordo apresentada pelo TST no dia 19/09

Veja aqui o documento com os itens encaminhados pela FUP ao TST em 26/09


Calendário das assembleias nas bases da FUP:

Sindipetro Amazonas- de 14 a 17/10

Sindipetro Rio Grande do Norte – de 08 a 17/10

Sindipetro Ceará/Piauí – de 11 a 16/10

Sindipetro Pernambuco/Paraíba – de 10 a 17/10

Sindipetro Bahia – de 07 a 17/10

Sindipetro Espírito Santo – de 08 a 11/10

Sindipetro Minas Gerais – de 08 a 17/10

Sindipetro Duque de Caxias – de 11 a 17/10

Sindipetro Norte Fluminense – de 10 a 17/10

Sindipetro Unificado de São Paulo – de 08 a 17/10

Sindipetro Paraná/Santa Catarina – de 09 a 21/10

Sindiquímica Paraná - 16/10

Sindipetro Rio Grande do Sul – de 10 a 17/10

  • rn
  • minas
  • es2
  • es
  • bahia

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Quarta, 02 Outubro 2019 21:20

Manter a unidade e manter os direitos

Após dois dias de reunião do Conselho Deliberativo, a direção da FUP e seus sindicatos filiados decidiram por submeter a proposta do TST à apreciação dos trabalhadores, como é prática da Federação, com indicação de rejeição, em assembleias a serem realizadas entre os dias 7 e 17/10.

A FUP, desde o início, tem se colocado a disposição para negociar o Acordo Coletivo de Trabalho, mesmo após o abandono da mesa pela Petrobrás que, após passar a negociação para o Tribunal Superior do Trabalho, sequer apareceu para as mediações bilaterais em Brasília.

O indicativo de rejeição da proposta apresentada no dia 19/09, pelo TST, tem como objetivo a continuidade da negociação, seja por meio de mediação ou na Petrobrás, como sempre o foi. Em documento encaminhado à FUP, o próprio Ministro do TST, diz que as entidades sindicais podem aprovar, rejeitar ou criticar, a proposta apresentada. A crítica feita pela Federação se dará com a sugestão de algumas alterações. No dia 26/09, a FUP protocolou no TST itens que, se aceitos, melhoram significativamente a proposta do TST, mantendo os direitos da categoria. Sendo assim, a FUP construiu o calendário de apreciação da proposta de ACT com os seguintes indicativos:

• Rejeição da proposta apresentada pelo TST no dia 19/09;

• Aprovação dos itens encaminhados ao TST, em 26/09, como melhoria à proposta do Tribunal;

• Condicionar a assinatura da eventual aprovação das propostas às assinaturas dos acordos coletivos de trabalho das subsidiárias e da Araucária Nitrogenados;

• Caso não ocorra negociação, greve à partir do zero hora do dia 26/10.

A FUP sempre prezou pela manutenção da essência do ACT sem perda dos direitos da classe trabalhadora, que foram conquistados com muita luta ao longo dos anos. Por isso, em vídeo divulgado nesta quarta-feira (2), o coordenador geral da FUP, José Maria Rangel, lembra da importância da extensão do ACT para as subsidiárias e Araucária Nitrogenados. De acordo com ele, qualquer coisa diferente disto será considerado uma traição a esses companheiros e companheiras, que sempre contribuíram para o crescimento da Petrobrás.

“A unidade sempre foi um fator fundamental para a classe trabalhadora, principalmente no atual momento em que o país vive, onde a retirada de direitos tem sido uma constante por parte do grande empresariado”, afirma.

Agora é hora de cada petroleiro e petroleira lembrar quem é que está ao seu lado. Quem conquistou os direitos históricos da categoria petroleira ao longo de anos. Quem está assediando os trabalhadores, quem está vendendo o patrimônio público e servindo a um governo que não tem compromisso nenhum com a classe trabalhadora desse país.

Por isso, é indispensável a participação de todos e todas nas assembleias em suas bases. Pois, juntos vamos vencer este momento difícil que estamos passando e vamos fazer da nossa empresa, uma empresa cada vez mais forte para que seja indutora do desenvolvimento desse país.

[FUP]

 

 

 

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Trabalhadores da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR) se reuniram, em Assembleia Geral Extraordinária, nesta terça-feira, 27, na sede do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Petroquímica do Estado do Paraná (Sindiquímica-PR) para discutir o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

A assembleia ficou aberta e à disposição de todos, associados ou não. “Aqui todos são trabalhadores, independentemente da função. Todos sustentam suas famílias através de suas atividades na empresa. Participar da reunião de hoje é um interesse de todos nós”, apontou o diretor do sindicato, Gerson Castellano.

A reunião tratou, ponto a ponto, o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2019-2021, bem como a possível privatização da estatal e os prejuízos consequentes para a categoria. Assim como ocorrido na década de 1990, quando os petroleiros lutaram bravamente pela defesa e proteção de seus direitos, o momento atual exige união e apoio de todos.

A diferença na luta em relação àqueles anos está, agora, na situação política. Os trabalhadores petroquímicos estão seriamente ameaçados não apenas pela possibilidade de privatização, mas pelo modo como as tratativas do acordo são recebidas pela justiça e até pela sociedade, enganada pelas falsas narrativas atuais contra a luta sindical.

Frente aos desafios, o coordenador geral da entidade, Santiago da Silva Santos, convocou toda a categoria a aliança para que seja possível avançar nas conquistas de um ACT justo.Este acordo não é defendido apenas por nós desta sala, mas por mais 80 mil petroleiros espalhados pelo Brasil. A empresa apostou que os trabalhadores não seriam solidários, mas o pessoal entende e respeita nossa luta”, afirmou enfático.

Além de unidade, o avanço do acordo carece de harmonia: Não estamos sozinhos, mas temos de nos ajudar. Não adianta 80 mil petroleiros nos defender se nós estivermos divididos em relação ao ACT”, completou o coordenador.

A orientação é não ceder ao politivismo empresarial, como ameaças e assédios. “Sei que todos têm necessidades, mas tudo tem limites. Antes havia diálogo, mas hoje isso acabou por questões políticas e nós somos os maiores prejudicados”, finalizou.

Fechando o debate, o secretário de administração, organização e finanças, Otêmio Garcia de Lima, motivou os presentes quanto a força das históricas mobilizações de petroleiros: “Greve não tem que ser tabu. Ela é a única ferramenta que os trabalhadores têm e deve ser usada. É nas greves que a gente avança. Independe de quem assumir a empresa, nós todos continuaremos lá e vamos continuar tendo os mesmos embates. Mas, nosso dia a dia não pode sobrepor ao combate. As mobilizações não são apenas por nós, mas todo mundo”, declarou entusiasmado.

Na avaliação da diretoria do Sindiquímica-PR a assembleia mostrou sua força. “Ontem tivemos a casa cheia e a categoria acompanhou por grande maioria os indicativos do sindicato. Parabenizamos todos pelo entendimento dessa união. Essa é somente uma etapa da luta que teremos, muitas outras virão e precisamos nos manter participativos e coesos para vencer a guerra”, finalizou Santiago.

Nesta quarta-feira (28), a diretoria do Sindiquímica-PR se reunirá no Rio de Janeiro com demais lideranças da categoria para discutir os próximos passos rumo às resoluções do ACT. 

Pontos discutidos e votados na assembleia geral extraordinária de 27 de agosto:

  1. Manutenção da negociação coletiva sobre os pontos divergentes; 

Favoráveis: 90%

Contrários: 10%

Abstenções: 3

  1. Prorrogação dos efeitos do atual acordo coletivo de trabalho enquanto durarem as negociações, demonstrando boa-fé negocial; 

Favoráveis: 93%

Contrários: 7%

Abstenções: 1

  1. Rejeição da 3ª contraproposta da Petrobrás/Araucária Nitrogenados (Fafen-PR); 

Favoráveis: 86%

Contrários: 14%

Abstenções: 2

  1. Aprovação de greve em data a ser definida pela FUP e seus sindicatos, no caso de ataques ao patrimônio jurídico coletivo da categoria, durante o processo negocial.

Favoráveis: 80%

Contrários: 20%

Abstenções: 10

[Via Sindiquimica-PR]

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“A produção de fertilizantes nitrogenados se insere na cadeia de valor do gás natural, sendo uma alternativa economicamente atrativa para sua monetização. A demanda do mercado brasileiro de fertilizantes é maior que a produção nacional. Além disso, o segmento encontra-se em expansão tanto no Brasil quanto no mundo. Com o crescimento populacional e o aumento de renda, espera-se aumento no consumo de alimentos, principalmente de proteína animal, que requer mais grãos para sua produção e, por consequência, maior uso de fertilizantes. No Brasil, entre 2003 e 2012, o consumo de fertilizantes passou de 22,8 milhões de toneladas para 29,6 milhões, o que configurou crescimento de 30% no período. De acordo com a previsão da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), entre 2010 e 2020, somente no Brasil, a produção de alimentos crescerá 40%.”

O trecho que você acabou de ler faz parte do comunicado “Fatos e Dados”, de 2 de janeiro de 2014 (http://www.petrobras.com.br/fatos-e-dados/entenda-por-que-investimos-em-fertilizantes.htm). O que mudou nesses cinco anos, o cenário brasileiro e mundial ou a visão estratégica Petrobrás? Por que, em 2014, investir em fábrica de fertilizantes nitrogenadas era “uma alternativa economicamente atrativa” e agora a companhia tenta se desfazer das Fafens?

No dia 13 de agosto o presidente da empresa, Roberto Castello Branco, participou de audiência pública na Comissão de Infraestrutura do Senado para falar sobre a privatização de refinarias e das fábricas de fertilizantes contidas no plano de desinvestimentos. Segundo Castello Branco, o protocolo de intenções com a empresa russa Acron, maior produtora de fertilizantes do mundo, será assinado até o final de agosto.

Em documento de março deste ano, o Dieese analisa que “os investimentos da Petrobrás têm sido fundamentais para o processo de desenvolvimento do país. Até o ano de 2014, a empresa era responsável por 13% dos investimentos produtivos no Brasil e contribuía com 6% do Produto Interno Bruto-PIB. O atual cenário de desaquecimento e retração econômica pode ser creditado, em parte, à desaceleração dos investimentos da Petrobrás. O investimento da empresa em fontes alternativas de energia e a participação estratégica na produção de fertilizantes vinham sendo absolutamente importantes na consolidação de um modelo de crescimento econômico com desenvolvimento e autonomia”.

Alimentos ficarão mais caros

As fábricas de fertilizantes continuam a ser um bom negócio, tanto que a maior empresa do planeta nesse ramo está interessada em adquirir o que a Petrobrás está jogando fora. E por que a gestão da empresa faria isso? A resposta tem duas vertentes: a primeira, garantir o máximo retorno possível de dividendos para os acionistas em curto prazo, ou seja, pegar a grana da venda, injetar no balanço e pagar os acionistas, não se importando se isso irá afetar o projeto de desenvolvimento do país ou causar o aumento no preço do alimento.

Ainda segundo o relatório do Dieese “podemos perceber que a saída da Petrobrás do setor, através da venda das unidades da Fafen, pode ser um fator a mais para a elevação do custo de produção dos fertilizantes nitrogenados, uma vez que a empresa que comprar esses ativos (Fafens) não terá o mesmo acesso à matéria-prima. A Petrobrás, sem dúvida, possui uma enorme vantagem comparativa na produção de fertilizantes nitrogenados, por ser a produtora da matéria-prima principal para a produção dos mesmos, que é o gás natural.

A decisão de pagar mais dividendos a “meia dúzia” de acionistas será sentida no bolso de toda a população na hora de ir ao supermercado.

[Via Sindipetro Unificado-SP | Texto: Norian Segatto]

Publicado em Sistema Petrobrás

O primeiro passo para solucionar um determinado problema é identificá-lo em detalhes. Como o Sindiquímica-PR atua para garantir direitos e qualidade vida para os petroleiros e petroquímicos do Paraná, conhecer a fundo as dificuldades da categoria é fundamental para a construção de nossa luta.

Pensando nisso, o Sindiquímica-PR realizará uma profunda pesquisa sobre a realidade dos trabalhadores de sua base. A partir de segunda-feira (19), o sindicato entrará em contato com a categoria por telefone para aplicar um breve questionário.

As questões vão abordar as condições de trabalho, os direitos e os pontos que podem melhorar na rotina dos petroleiros e petroquímicos.

A iniciativa é muito importante para que o sindicato consiga formular a melhor estratégia de luta para a categoria.

Não deixe de participar!

[Sindiquímica-PR]

Publicado em SINDIQUÍMICA- PR

Em atendimento ao chamado da FUP e dos sindicatos, os petroleiros seguem mobilizados nacionalmente na luta por um Acordo Coletivo digno e contra o desmonte do Sistema Petrobrás

As mobilizações foram retomadas na terça (30), envolvendo os trabalhadores das unidades da Transpetro.

Nesta quarta (31), a luta foi concentrada nas refinarias e fábricas de fertilizantes nitrogenados, com ampla participação da categoria.

Os petroleiros lutam pela manutenção dos direitos e empregos, conforme assegurado pelo atual Acordo Coletivo.

A preservação do ACT está diretamente ligada ao enfrentamento contra a desintegração do Sistema Petrobrás e privatização das unidades, como querem os gestores da empresa.

Por isso, Castello Branco e sua turma insistem em um Acordo Coletivo rebaixado.

Nos atos e mobilizações, os petroleiros reforçaram que não aceitam a intransigência da gestão da Petrobrás, que mente para a categoria quando diz que houve "avanços significativos" nas negociações com a FUP e a FNP.

As mobilizações prosseguem ao longo da semana, nas áreas de E&P, termoelétricas, usinas de biodiesel e bases administrativas. 

 

[FUP]

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Publicado em Sistema Petrobrás

Desde quinta-feira, 18, dois navios cargueiros iranianos estão retidos no Porto de Paranaguá (PR), impedidos de seguir viagem devido à recusa da Petrobrás em abastecer as embarcações, que trouxeram ureia do Irã e retornariam ao país levando milho nacional. O motivo alegado é a ameaça do governo norte-americano de retaliar as nações e empresas que comercializarem com o Irã.

O embargo econômico foi imposto pelos EUA unilateralmente. Não há sanções do Conselho de Segurança da ONU contra o Irã. O problema deve agravar-se nos próximos dias, já que outros dois navios iranianos trazendo ureia estão se aproximando do Porto de Imbituba, em Santa Catarina.

Trump é meu amigo. Mexeu com ele, mexeu comigo

No domingo, 21, Bolsonaro reafirmou que o Brasil está alinhado com a política dos Estados Unidos. “Fazemos o que tem de fazer... Eu, particularmente, estou me aproximando, cada vez mais, do Trump”, declarou.

Ao impor ao Brasil a agenda autoritária do presidente norte-americano, Bolsonaro, que tanto prega a não ideologização do Estado, viola a soberania nacional e ainda impõe prejuízos bilionários aos exportadores brasileiros.

No ano passado, o Brasil exportou US$ 2,2 bilhões para o Irã, a maioria produtos agropecuários, como milho, soja e carne bovina. Só nos seis primeiros meses de 2019, essas exportações cresceram 22% e representaram US$ 1,3 bilhão na nossa balança comercial.

Saída da Petrobrás do setor de fertilizantes deixou o Brasil refém das importações

Além da vergonhosa submissão ao governo Trump, o boicote ao Irã traz à tona outro fato também relacionado à soberania nacional: o aumento da dependência das importações de ureia e de outros nitrogenados, em função do desmonte e privatização do setor de fertilizantes da Petrobrás.

Os navios iranianos estão trazendo cerca de 600 mil toneladas de ureia importadas pelo agronegócio. O produto é um insumo nitrogenado utilizado em fertilizantes agrícolas e em suplementos minerais para o gado. Segundo dados da Globalfert, importamos no ano passado 8,7 milhões de toneladas de fertilizantes nitrogenados, dos quais, 5,4 milhões foram ureia.  

O Brasil é o quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo e, com o desmonte da Petrobrás, tornou-se ainda mais dependente das importações, o que compromete a soberania alimentar. O país importa mais de 75% dos insumos nitrogenados, na direção contrária de outras grandes nações agrícolas, cujos mercados de fertilizantes estão em expansão.

“Com a Petrobrás saindo do setor de fertilizantes nitrogenados, e ainda se sujeitando aos movimentos políticos dos EUA, o Brasil corre o risco de desabastecimento de fertilizantes. E isso tem impacto direto na alimentação. A Ureia é utilizada na pecuária, na produção de cana, feijão e batata, que são alimentos básicos do povo”, alerta o diretor da FUP, Gerson Castellano, funcionário da Araucária Nitrogenados (PR), uma das fábricas de fertilizantes da Petrobrás que está sendo vendida.

Os governos Lula e Dilma trabalharam para reduzir a dependência externa a menos de 10%, através da implementação do Plano Nacional de Fertilizantes e da ampliação da participação da Petrobrás no setor.  As últimas gestões da empresa, no entanto, abortaram os projetos de novas fábricas, como a Fafen Uberaba e a Fafen Mato Grosso do Sul, que chegou a ter 85% das obras concluídas, mas está sendo vendida, junto com a fábrica de Araucária. As outras duas unidades de fertilizantes da Petrobrás - Fafen Bahia e Fafen Sergipe - estão praticamente paradas, em processo de hibernação.

[FUP]

Publicado em Sistema Petrobrás
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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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