Nesta sexta-feira, 27, dia de Black Friday, trabalhadores em diversas partes do mundo chamam atenção para o descaso com as leis trabalhistas por parte da poderosa Amazon. A empresa, uma das maiores em comércio eletrônico, também tem desrespeitado medidas de proteção contra a Covid-19 nos centros de distribuição, segundo denúncias.

O protesto global marcado tem como slogan “Faça a Amazon pagar”, o intuito é mostrar aos consumidores que a empresa paga muito mal seus trabalhadores, além de não garantir direitos nem condições dignas de trabalho. A corporação é comandada pela pessoa mais rica do mundo, o CEO Jeff Bezos, que durante a pandemia se tornou a primeira pessoa na história a acumular US$ 200 bilhões em riqueza pessoal.

De acordo com a  IndustriALL Global Union, uma das entidades organizadoras do protesto, ao mesmo tempo em que trabalhadores dos centros de distribuição da Amazon arriscam suas vidas em troca de um salário injusto, a empresa aumenta seu impacto ambiental em mais de dois terços em todos os países do mundo e paga praticamente 0% de impostos em muitos deles. 

“Nossa luta histórica sempre foi em defesa dos direitos dos trabalhadores e contra qualquer tipo de exploração e esse modelo adotado pela Amazon aprofunda a exploração do trabalhador. Por isso, todo nosso apoio a esse protesto e à busca por condições dignas de trabalho!”, declarou o diretor do Sindicato e presidente da IndustriALL Brasil, Aroaldo Oliveira da Silva. 

Principais reivindicações dos trabalhadores

• Aumento de salários, incluindo o pagamento de periculosidade e de prêmio por horários de pico;

• Tempo de pausa adequado para garantir um trabalho seguro;

• suspensão do severo regime de produtividade e vigilância;

• Permissão para que os trabalhadores em instalações sem representação local elejam independentemente comissões de saúde e segurança;

• Protocolo da corporação para rastreamento e relatório de casos da Covid-19;

• Fim de todas as formas de emprego informal;

• Acabar com a perseguição a sindicatos, respeitando o direito dos trabalhadores de se organizarem;

• Compromisso de zero emissão de carbono até 2030;

• Fim patrocínio de lobistas e políticos negacionistas das alterações climáticas;

• Pagamento integral dos impostos nos países onde ocorre a atividade econômica real, pondo fim ao abuso fiscal através da transferência de lucros, das brechas e do uso de paraísos fiscais;

• Acabar com as parcerias com as forças policiais que são institucionalmente racistas;

• Cessar práticas comerciais anticompetitivas que levam à monopolização;

• Garantir transparência sobre a privacidade e o uso de dados dos consumidores.

Como participar do protesto

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2. Compartilhe o cartaz em suas redes sociais

3. Use as hashtags #MakeAmazonPay e #OrganizeAmazon

[Com informações da IndustriAll Brasil e Sindicato dos Metalúrgicos do ABC]

Publicado em Trabalho

A IndustriALL Global Union, federação sindical global, enfatiza ação internacional contra a Amazon em plena Black Friday, cobra melhores condições de trabalho para os funcionários com protestos e greve em mais de 15 países. O objetivo é usar a data, normalmente bastante lucrativa para a companhia, para denunciar más condições de trabalho.  

Os trabalhadores exigem que a Amazon mude suas políticas e pague os trabalhadores de acordo com a riqueza crescente da empresa, introduza intervalos adequados para garantir um trabalho seguro, amplie a licença médica paga a todos os trabalhadores, acabe com a quebra sindical, respeite os direitos dos trabalhadores de se organizar e pare imediatamente com todas as formas de espionagem de trabalhadores e organizações.

Convocados pelo sindicato, cerca de 2.500 funcionários alemães da Amazon entraram em greve nesta quinta-feira (26). Protestos também estão marcados em alguns lugares no Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, México, Índia e Austrália.

A campanha #MakeAmazonPay que em tradução livre fica "Faça a Amazon Pagar" divulga manifesto com as exigências dos funcionários da Amazon. Segue abaixo:

A AMAZON DEVE PAGAR

A Amazon é uma das corporações mais poderosas do planeta, comandada pela pessoa mais rica do mundo, o CEO Jeff Bezos. A pandemia da COVID-19 expôs como a Amazon coloca os lucros à frente dos trabalhadores, da sociedade e de nosso planeta.

Durante a pandemia, a Amazon se transformou numa corporação de trilhões de dólares, com Bezos se tornando a primeira pessoa na história a acumular US$ 200 bilhões em riqueza pessoal. Enquanto isso, os trabalhadores dos armazéns da Amazon arriscaram suas vidas como trabalhadores essenciais, e só por um curto período receberam um aumento no salário.

À medida que o império corporativo da Amazon se expande, o mesmo acontece com sua pegada de carbono, que é maior do que a de dois terços dos países do mundo. As crescentes entregas da Amazon e os serviços de computação em nuvem estão acelerando o colapso do clima global.

Como todas as grandes corporações, o sucesso da Amazon seria impossível sem as instituições públicas que os cidadãos construíram juntos ao longo de gerações. Mas, ao invés de retribuir às sociedades que a ajudaram a crescer, a empresa se esquiva dos impostos e fragiliza as receitas tributárias que sustentam essas sociedades. Em 2019, a Amazon pagou apenas 1,2% de impostos nos EUA, o país onde está sediada, contra 0% nos dois anos anteriores.

Que a busca cega de Jeff Bezos pela riqueza privada em detrimento do bem público seja tão recompensada é uma prova do fracasso desse sistema econômico e político. Todos os dias vemos o impacto disso na desigualdade,  no colapso climático e na  mancha de decadência democrática em nossa era.

A Amazon toma muito e devolve pouquíssimo. Chegou a hora de fazer a Amazon pagar.

Somos trabalhadores, ativistas e cidadãos de todo o mundo que  nos unimos para fazer a Amazon pagar seus trabalhadores de forma justa, por seu impacto sobre o meio ambiente e por seus impostos.

Exigimos que a Amazon mude suas políticas e que os governos mudem suas leis de modo a:

1. Melhorar os locais de trabalho:

- aumentando os salários dos trabalhadores em todos os armazéns da Amazon, de acordo com a crescente riqueza da corporação, incluindo o pagamento de periculosidade e de prêmio por horários de pico;

- negociando tempo de pausa adequado para garantir um trabalho seguro;

- suspendendo o severo regime de produtividade e vigilância que a Amazon dispõe para pressionar os trabalhadores, o que viola seus direitos e põe em risco sua segurança;

- estendendo as licenças por doença pagas a todos os trabalhadores da Amazon, de modo que nenhum trabalhador tenha de escolher entre sua saúde ou seu trabalho;

- permitindo que os trabalhadores em instalações sem representação local elejam independentemente comissões de saúde e segurança, as quais negociariam com a Amazon para garantir um ritmo seguro de trabalho para evitar lesões recorrentes;

- divulgando o protocolo da corporação para rastreamento e relatório de casos da COVID-19, bem como listas atualizadas de casos de infecção e morte entre todos os trabalhadores, por instalação.

2. Proporcionar garantias trabalhistas a todos:

- acabando com todas as formas de emprego informal e com o falso emprego autônomo ou status de empreendedor;

- estabelecendo procedimentos decentes e transparentes através dos quais os trabalhadores possam expressar preocupações e críticas sem medo de represálias;

- reintegrando, imediatamente, todos os trabalhadores demitidos por manifestarem questões relativas à saúde e segurança dos trabalhadores e clientes da Amazon, por  se envolverem em esforços de organização coletiva ou devido à aplicação seletiva de políticas internas.
      
3. Respeitar o direito universal dos trabalhadores:

- acabando com a perseguição a sindicatos, respeitando o direito dos trabalhadores de se organizarem, dos sindicatos de promoverem os interesses dos trabalhadores, e interrompendo imediatamente todas as formas de espionagem de trabalhadores e organizadores;

- dando aos sindicatos acesso aos locais de trabalho da Amazon para informar os trabalhadores sobre os benefícios da sindicalização, e garantindo que todos possam escolher livremente se querem aderir a um sindicato, sem qualquer medo de retaliação;

- negociando com os sindicatos onde estes estiverem presentes, a fim de chegar a acordos coletivos sobre as condições e termos de emprego dos trabalhadores na Amazon;

- assegurando os direitos dos trabalhadores globalmente em todas as cadeias de fornecimento da Amazon;

- partilhar o poder de comando com os trabalhadores, por exemplo, acolhendo representantes dos trabalhadores eleitos em diferentes níveis de gestão, aumentando as opções para que os trabalhadores recebam não apenas ações da corporação, mas também direitos de voto, para que a empresa caminhe em direção a um modelo de governança democrática.

4. Funcionar de maneira sustentável:

- comprometendo-se a zero emissões até 2030;

- terminando todos os contratos de serviços Web personalizados da Amazon para empresas de combustíveis fósseis visando a extração de petróleo e gás;

- acabando com a cumplicidade da Amazon com o racismo ambiental, inclusive com a transição para veículos elétricos em primeiro lugar nas comunidades mais afetadas pela poluição da corporação;

- cessando o patrocínio de lobistas e políticos negacionistas das alterações climáticas;

- engajando trabalhadores, que têm o direito de saber como seu empregador irá atuar de forma sustentável, através de um processo de transição justa.

5. Retribuir à sociedade:

- pagando integralmente os impostos nos países onde ocorre a atividade econômica real, pondo fim ao abuso fiscal através da transferência de lucros, das brechas e do uso de paraísos fiscais, proporcionando total transparência fiscal;

- acabando com as parcerias com as forças policiais que são institucionalmente racistas;

- cessando as práticas comerciais anticompetitivas que levam à monopolização;

- garantindo transparência sobre a privacidade e o uso de dados dos consumidores, incluindo dispositivos Alexa/Echo, streaming e serviços em nuvem.

[Com informações da IndustriALL]

 
Publicado em Movimentos Sociais

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.