devastação da floresta amazônica é uma face assustadora da destruição da soberania nacional. É um crime de lesa-pátria cometido pelo governo Bolsonaro. A derrubada de árvores e as queimadas, sob a inoperância tolerante do governo, representam uma agressão à soberania nacional tão grave como a venda de empresas públicas estratégicas brasileiras como a Petrobrás, prevista para ocorrer até 2022. A catástrofe ambiental e as privatizações são perigosas, porque algumas decisões econômicas podem ser revistas e revogadas, mas a extinção da maior floresta tropical do mundo e a venda da sétima empresa de Petróleo do planeta são irreversíveis.

Não é coincidência que, num mesmo dia, o governo neofascista tenha acusado organizações sociais que defendem a Amazônia de autoras dos incêndios florestais e anunciado a privatização de 17 empresas públicas, acenando ainda com a venda da Petrobras, a maior empresa brasileira. Trata-se de um projeto de destruição do Brasil – tanto de suas empresas quanto de suas riquezas naturais.

A defesa da Amazônia ganhou caráter de urgência, questão imediata a ser enfrentada já, antes que seja tarde demais. Em um ano, foram registrados mais de 72 mil focos de incêndio na região ambientalmente mais rica do Brasil. Só esta semana, houve 68 grandes focos de incêndios em áreas indígenas e unidades de preservação, verificados por imagens de satélite – um aumento de 70% desde o ano passado.

Não é por acaso que grandes incêndios ocorram em áreas indígenas e de proteção ambiental. Também não é sem motivo que os incêndios atinjam as áreas de maior registro de desmatamento. Isto é efeito da política ambiental desastrosa do governo que acabou com a fiscalização e das manifestações de Bolsonaro contra a existência de reservas indígenas, de tolerância à grilagem e defesa da exploração mineral das terras que deveriam ser protegidas. Bolsonaro é exemplo de destruição e morte. Quando fala suas barbaridades sobre meio ambiente, autoriza a sua destruição por grileiros, invasores, contrabandistas e toda espécie de criminosos aproveitadores.

As insanidades pronunciadas por Bolsonaro, dia sim, dia também, estão levando o Brasil a perder mais do que os R$ 283 bilhões do Fundo Amazônia, que a Noruega e a Alemanha suspenderam por não confiar no governo. O Brasil perde credibilidade perante a comunidade internacional, perde riqueza ambiental para sua população e o mundo, assim como perde empresas estatais para investidores estrangeiros e perderá, sem dúvida, fatias relevantes de mercado para seus produtos de exportação.

Bolsonaro mente quando diz que o governo dele está fazendo sua parte em defesa do meio ambiente. Ele se apropria de dados antigos e de resultados que não são seus. O desmatamento aumentou 278% do ano passado até julho deste ano. Já havia crescido durante o governo que assumiu em 2016 por meio de um golpe de estado que me tirou do cargo para o qual havia sido eleita, sem que tivesse cometido qualquer crime. E se tornou praticamente incontrolável desde a posse de Bolsonaro.

Não era assim quando o Brasil tinha governos progressistas e populares. O governo Lula e o meu governo reduziram o desmatamento da Amazônia em 82%. Nosso esforço foi reconhecido pela ONU, em 2014, como um exemplo a ser seguido pelo mundo. “As mudanças na Amazônia brasileira na década passada e sua contribuição para retardar o aquecimento global não têm precedentes”, dizia o relatório das Nações Unidas.

A defesa da Amazônia é questão fundamental. Neste momento, o coração do planeta queima e sangra, precisa ser protegido de seus inimigos, entre os quais está, por mais espantoso que pareça, o atual governo brasileiro. Por isto, temos de ir às ruas para as manifestações marcadas para amanhã (23/08) à tarde em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e outras cidades do Brasil e do mundo.

Defender a Amazônia é defender a soberania nacional.

Lutar pela soberania é lutar pela Amazônia.

Dilma Rousseff, ex-presidenta do Brasil

[Artigo divulgado no portal do PT |Foto: Guilherme Santos/Sul21]

Publicado em Sistema Petrobrás

Imagens captadas pela Agência Espacial dos Estados Unidos (Nasa) mostram que é possível ver do espaço a fumaça causada pelo aumento no número de focos de incêndio na Amazônia. O satélite Suomi ainda registrou que a fumaça se espalhou por vários estados e atinge países vizinhos do Brasil, como a Bolívia.

As imagens foram divulgadas na noite desta quarta-feira 21. Em postagem feita nas redes sociais, a Nasa destacou que, por mais que essa época do ano seja propícia para queimadas, o número de queimadas é recorde. “No Brasil, quase 73 mil incêndios foram registrados até agora este ano. O Inpe está vendo um aumento de 83% em relação ao mesmo período de 2018″, publicaram.

A agência destacou dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão brasileiro que vem sendo atacado pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro do meio-ambiente, Ricardo Salles. Recentemente, ambos deram declarações que acusavam o Inpe de divulgar dados errados sobre o avanço do desmatamento no País, o que culminou na exoneração do diretor do Instituto, Ricardo Galvão.

De acordo com dados do Programa Queimadas, do Inpe, a Amazônia concentra 52,5% dos focos de queimadas de 2019. O Cerrado aparece em segundo lugar, com 30,1% dos focos de incêndio, seguido pela Mata Atlântica, com 10,9%.  Apesar da seca, há mais umidade na região amazônica hoje do que havia nos últimos três anos, conforme estudo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).

Organizações não-governamentais de todo o país dedicadas à proteção ambiental protocolaram, na última terça-feira (20), uma representação junto à Procuradoria Geral da União e Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, com o objetivo de investigar a improbidade administrativa praticada pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (Novo-SP), sobre a falta de ações para combater os incêndios.

Em nota técnica, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) explicou que o aumento no número de queimadas na região amazônica tem relação com a prática de “limpar” áreas recém-desmatadas e outros tipos de terreno. O estudo aponta que o desmatamento é o provável fator responsável por este cenário, e não a estiagem, como defendeu Ricardo Salles, em seu perfil no Twitter.

ONU: "A Amazônia deve ser protegida"

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, se manifestou nesta quinta-feira 22 sobre os incêndios que devastam a floresta amazônia. 

Em uma postagem no Twitter, Guterres disse estar "profundamente preocupado" com  áreas importantes da região no Brasil e que cidades brasileiras e peruanas foram cobertas por fumaça. 

"Estou profundamente preocupado com os incêndios na floresta amazônica. No meio da crise climática global, não podemos permitir mais danos a uma fonte importante de oxigênio e biodiversidade", disse ele no Twitter. "A Amazônia deve ser protegida", enfatizou.

Sem respostas, governo culpa as ONGs

Bolsonaro chegou a acusar as Organizações Não-Governamentais (ONGs) que atuam na região de estarem por trás das queimadas. Segundo ele, essas organizações estariam “se vingando” por perderem recursos provenientes do exterior por meio do Fundo Amazônia, que apoia mais de 100 projetos em prol da preservação ambiental.

Desde que Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, assumiram seus postos de governo, todas as políticas ambientais ficaram em xeque. Mesmo o fundo de recursos foi alvo de mudanças, o que desagradou seus principais doadores, Noruega e Alemanha que, nas últimas semanas, optaram por suspender os repasses diante do aumento do desmatamento no governo Bolsonaro. Na comparação com julho de 2018, neste ano, houve um aumento de 278% na taxa de devastação, segundo levantamento do Inpe.

“Dizer que o Fundo Amazônia era para as ONGs é uma balela. Na verdade, o Fundo atendia não só os poderes públicos estaduais e municipais, como também as próprias comunidades que vivem na Amazônia e que tinham o incentivo ao extrativismo sustentável, que é um saída econômica para aquela região”, afirma o presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam), Carlos Bocuhy, em entrevista nesta quinta (22) à Rádio Brasil Atual.

Sem os recursos internacionais do Fundo Amazônia, projetos dos corpos de bombeiros florestais do Pará, Tocantins, Mato Grosso, Acre, Rondônia, ou mesmo a fiscalização do Ibama são prejudicados.

Todo o panorama demonstra, de acordo com Bocuhy, que o diálogo com o governo está inviabilizado na área ambiental. “Isso me assusta porque, pior que fossem os governos anteriores, era possível dialogar, e agora só nos resta o Judiciário e a pressão internacional”, analisa. “A má imagem do Brasil traz uma perda econômica relativa às commodities, dos produtos certificados e desregula o mercado internamente já que se tem a perda de divisas no exterior. Acredito que o governo está cavando o seu próprio buraco”, destaca.

[Com informações da Carta Capital e da Rede Brasil Atual]

Publicado em Cidadania
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