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GREVES

GREVES (7)

A greve no sistema Eletrobrás entra na sua segunda semana. Os trabalhadores e trabalhadoras querem a definição do pagamento da PLR (participação nos lucros e resultados) relativa a 2014.

As empresas que compõem o grupo, que somam 22 mil trabalhadores, tiveram resultados operacionais positivos no ano passado. Resultados operacionais referem-se ao aumento da produção, transmissão e distribuição de energia elétrica.

Porém, o conjunto dos resultados financeiros (lucros e dividendos) foi negativo, em grande parte, segundo a FNU-CUT (Federação Nacional dos Urbanitários), que representa a categoria, por causa da redução das tarifas decidida em 2012 e a posterior diminuição da quantidade de águas nas represas.

 “A diminuição dos resultados financeiros não é responsabilidade dos trabalhadores. A produtividade cresceu, então precisamos discutir uma forma de remuneração extra pelo nosso trabalho”, explica Fernando Pereira, coordenador de Energia na FNU.

Outro ponto destacado pelo dirigente é que os resultados operacionais aumentaram apesar de o número de trabalhadores do sistema ter diminuído. Entre 2013 e 2014, 5 mil funcionários foram desligados através de um programa de demissão voluntária.

Reunião de 10 horas
No último dia 2, representantes da FNU e do sistema Eletrobrás realizaram reunião de negociação que durou 10 horas, em Brasília. Além da PLR deste ano, os trabalhadores querem que seja firmado termo para uma regra de transição que defina como ela será paga entre 2015 e 2017. Tal regra deve considerar cenários diferentes: quando houver aumento das três variáveis – lucros, dividendos e resultados operacionais – ou quando houver aumento em apenas duas ou uma das variáveis.

O pior cenário, que seria a queda das três variáveis, representaria o “apagão”, explica Pereira. “Se não houver aumento dos resultados operacionais, a produção de energia teria caído, o que produziria o caos”, explica o dirigente da FNU.  “Então, esse cenário nem consideramos”, completa ele.

Em 2018, haveria uma regra definitiva. Atualmente, a PLR precisa ser discutida ano a ano, e sempre em cima da hora.

Repasse de R$ 18 bilhões
Além disso, o governo federal tem R$ 18 bilhões, em recursos do Tesouro Nacional, a repassar para as empresas do sistema Eletrobrás como forma de cobrir perdas causadas por contratos deficitários ou pela redução das tarifas.

“Reivindicamos que esses R$ 18 bilhões, mesmo que não possam ser repassados de uma única vez, sejam injetados nas empresas aos poucos. Enquanto isso, é importante que as empresas tenham novos planos de operação para melhorar os resultados financeiros”, diz Pereira.

Esse mecanismo de repasse já estava previsto no momento em que foi decidida a redução das tarifas. É também utilizado quando certos leilões, que não interessam à iniciativa privada por não serem lucrativos, são assumidos pelas companhias energéticas do sistema para que certas regiões do País não fiquem desassistidas. Neste caso, trata-se da aplicação do conceito do Estado como cumpridor de função social.

A FNU aguarda uma proposta da Eletrobrás e do Ministério das Minas e Energia até o final desta semana, como ficou acertado ao final da reunião do último dia 2.

Como é a greve na Eletrobrás
A greve no sistema Eletrobrás funciona com a ampliação dos turnos de trabalho de quem atua nas áreas operacionais. Normalmente, os turnos são trocados de seis em seis horas. No início desta greve, dia 1º de junho, o turno foi elevado para 24 horas. Desde o dia 8, o turno passou a ser de 12 horas.

“A ampliação dos turnos coloca a empresa em alerta, pois o pessoal operacional, permanecendo mais tempo no local de trabalho, fica cansado. Então, no caso de necessitar de um reparo numa linha, por exemplo, o serviço pode ser mais lento e então a reposição do sistema demoraria mais tempo que o normal em determinada localidade”, explica Pereira.

Portanto, é uma greve em que os trabalhadores acabam trabalhando mais que o cotidiano. Isso porque, explica a FNU, o serviço não pode simplesmente ser abandonado, uma vez que não pode haver falta total de energia elétrica para o setor produtivo nem para as residências. “Isso demonstra a responsabilidade que os dirigentes e os trabalhadores têm para com o País”, encerra Pereira.

Fonte: CUT

Terça, 09 Junho 2015 13:14 Escrito por


1960 - Primeira greve dos petroleiros no Brasil. Os trabalhadores da Refinaria Landulfo Alves (RLAM), em Mataripe (BA), pararam por 15 dias, reivindicando equiparação salarial com os petroleiros das refinarias Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão (SP), e Duque de Caxias (RJ). Foi a greve do "Equipara ou Aquipara".

1977 - Movimento pela reposição do índice de inflação referente a 1973, que foi fraudado pelo então Ministro do Planejamento, Delfim Neto, durante a ditadura militar do governo Médici.

1980 - Durante a Campanha Reivindicatória Salarial deste ano, os petroleiros da Refinaria Planalto (REPLAN), em Paulínia (SP), fazem greve de fome em defesa de suas reivindicações.

1986 - Trabalhadores de várias unidades da Petrobras participam da greve geral convocada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT).

1988 - Os petroleiros participam de protestos em todo o país contra o congelamento das URPs. A categoria chega a fazer uma greve de 11 dias contra a decisão arbitrária do TST de conceder somente 4% de reajuste, obrigando o Tribunal a voltar atrás e a fechar o índice em 19%.

1989 - Os trabalhadores da Petrobras aderem à greve geral convocada pela CUT e CGT, em 14 e 15 de março.

1991 - Os petroleiros fazem greve de 24 dias, entre os meses de fevereiro e março, exigindo da Petrobras a reposição das perdas e reajuste salarial. O TST julga a greve abusiva e os trabalhadores desafiam o Tribunal, adotando o slogan "Cartão Vermelho para o TST".

1994 - A categoria entra em greve duas vezes neste ano, com adesão em todo o país. A primeira começou em 27 de fevereiro e durou nove dias. A Segunda greve teve início em 22 de novembro e terminou dois diad depois, quando a direção da Petrobras assinou um protocolo, garantindo o pagamento de 10% a 12% de reajustes relativos aos interníveis.

Quinta, 01 Dezembro 2011 17:12 Escrito por

Março de 2009: a retomada da luta unificada

Os trabalhadores do Sistema Petrobrás iniciaram o ano de 2009 enfrentando reduções de direitos e descumprimentos de acordos, sob a justificativa da crise financeira internacional. Tanto a Petrobrás, quanto as suas prestadoras de serviço cortaram e flexibilizaram uma série de direitos, tentando impor aos trabalhadores os ônus da crise criada pelo capitalismo neoliberal. A resposta dos petroleiros foi uma greve unificada de cinco dias, que mobilizou a categoria de norte a sul do país, entre os dias 23 e 27 de março. Apesar das ameaças e pressões das gerências da Petrobrás, os trabalhadores assumiram a produção em várias unidades de produção e distribuição de petróleo e gás.

A empresa reagiu com truculência e autoritarismo, desrespeitando o direito constitucional de greve, com uma avalanche de interditos proibitórios. Além disso, os gerentes da Petrobrás mantiveram trabalhadores sob cárcere privado em várias unidades; colocaram em risco a segurança ao tocarem a produção a qualquer custo, com equipes de contingência com efetivos reduzidos e despreparados; cortaram a comunicação dos trabalhadores embarcados nas plataformas; distribuíram cartas de demissão; desrespeitaram decisões judiciais, entre tantas outras ameaças e coações.

Os petroleiros não se intimidaram e resistiram bravamente às pressões e assédios das gerências. A força da greve em todo o país deixou claro para a Petrobrás a disposição da categoria continuar a luta.   Além dos petroleiros dos 11 sindicatos filiados à FUP, a greve teve adesão dos trabalhadores dos sindicatos do Rio Grande do Sul, Litoral Paulista, São José dos Campos, Rio de Janeiro e Sergipe/Alagoas. Os petroleiros que prestam serviço para a Petrobrás também se somaram ao primeiro dia do movimento (23/03), parando por 24 horas as atividades terceirizadas na empresa.

Ao final dos cinco dias de greve, os trabalhadores arrancaram uma proposta com avanços em relação à segurança, às horas extras dos feriados trabalhados nos regimes de turno e ao regramento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). A Petrobrás também assumiu compromisso na mesa de negociação de não perseguir nenhum trabalhador por participação na greve e a desistir dos interditos proibitórios movidos contra as organizações sindicais durante os cinco dias do movimento. A categoria saiu da greve vitoriosa e fortalecida para a campanha reivindicatória, em setembro, com a certeza de que as conquistas só ocorrem com luta e unidade.

Veja aqui o boletim da FUP sobre a greve

Quinta, 01 Dezembro 2011 16:41 Escrito por

A greve de outubro de 2001

Apesar dos recordes de lucro e dos excelentes resultados alcançados pelos petroleiros em 2001, a direção da Petrobrás não manifesta a menor disposição política em negociar a pauta de reivindicação. Após 52 dias de enrolação, a empresa apresenta uma proposta que não atende sequer a um dos pleitos dos trabalhadores. A FUP indica greve de cinco dias, com controle da produção.

Entre os dias 24 e 28 de outubro de 2001, os petroleiros realizaram a greve mais importante da categoria, desde o histórico movimento de maio de 1995. Os trabalhadores reduziram a patamares mínimos a produção de petróleo e gás na Bacia de Campos e pararam refinarias, terminais, unidades administrativas e demais áreas de E&P. Os petroleiros provaram que é possível realizar uma greve estratégica, com controle da produção e sem afetar a população.

A direção da Petrobrás, que desde 1995 de tudo fez para quebrar o espírito de luta da categoria, foi obrigada a admitir que os trabalhadores tinham o controle da produção e pela primeira vez aceitou negociar em greve. Mesmo após ter instaurado dissídio coletivo no TST. O Tribunal, historicamente um algoz dos petroleiros, foi mais uma vez derrotado.

Após cinco dias de greve, a categoria arrancou da Petrobrás uma proposta com avanços importantes, principalmente nas questões de segurança, além do compromisso da empresa de não demitir, punir ou descontar os dias parados. O acordo assinado garantiu o direito de recusa, o fim das discriminações entre novos e antigos no desconto da AMS, a participação de um representante da CIPA nas comissões de investigação de acidentes, cláusulas que asseguraram a discussão com os trabalhadores sobre recomposição do efetivo e revisão da política de terceirização, além de reajuste salarial acima da inflação.

Controle da produção

Garantir o controle da produção foi o grande desafio da greve. Pela primeira vez na história do movimento sindical petroleiro, o principal campo produtor de petróleo do país esteve desde o primeiro minuto do movimento sob controle total dos trabalhadores. Todas as plataformas da Bacia de Campos pararam. A produção de gás natural foi mantida em níveis mínimos, o suficiente para garantir o atendimento das necessidades imediatas da população. Segundo dados da Petrobrás, nos cinco dias de greve, a empresa deixou de produzir 4,5 milhões de barris de óleo.

Os petroleiros também controlaram a produção na maior unidade de refino do país e em um dos mais estratégicos terminais de distribuição da Petrobrás. Na Refinaria de Paulínia (Replan), dez dirigentes sindicais, dois grupos de turno e parte do pessoal administrativo permaneceram dentro da refinaria desde a manhã do dia 23, controlando a produção. O controle operacional do Terminal de Alemoa, na Baixada Santista, também esteve o tempo todo nas mãos dos trabalhadores durante os cinco dias de greve. O bombeio de produtos, que chegou a ser interrompido no início do movimento, foi criteriosamente controlado pelos petroleiros.

Quinta, 01 Dezembro 2011 16:40 Escrito por

Maio de 1995, a maior greve dos petroleiros

Os petroleiros terminam o ano de 1994 sem acordo de trabalho, mesmo após duas greves nacionais (em setembro e em novembro) para pressionar a Petrobrás a repor as perdas salariais da categoria, que já chegava a 100%. Intransigente, a direção da empresa nega-se a cumprir os termos de compromissos assinados pelo presidente Itamar e pelo ministro da Minas e Energia, Delcídio Gomes, e até mesmo o acordo que o próprio presidente da Petrobrás, Joel Rennó, assinou com a FUP, garantindo a negociação das perdas e reajustes entre 12% e 18% (o acordo dos interníveis).

Para piorar, a conjuntura política do país também se mostra desfavorável à classe trabalhadora. As eleições de 1994 endossam a política econômica neoliberal em andamento e dão vitória ao candidato das elites, Fernando Henrique Cardoso. A direção da Petrobrás segue à risca o projeto governamental de ataque aos trabalhadores: redução de direitos e arrocho salarial. As principais vítimas são o funcionalismo público e os trabalhadores de estatais.

Em plenária nacional convocada pela FUP, em janeiro de 1995, os petroleiros decidem unificar a luta com outras categorias do setor público: eletricitários, telefônicos, trabalhadores dos Correios e os servidores federais. Em abril, durante reunião com a direção da Federação, o presidente da Petrobrás admite não ter autonomia para cumprir o acordo dos interníveis. A greve unificada é marcada para 03 de maio.

Os trabalhadores do Sistema Petrobrás aderem em massa à mobilização convocada pela FUP. Além da recuperação das perdas salariais e da preservação dos direitos dos trabalhadores do setor público, a greve tem também um caráter político: a luta contra a quebra dos monopólios do petróleo e das telecomunicações. O movimento unificado, no entanto, vai perdendo força e os petroleiros acabam sustentando a greve sozinhos por 32 dias. Mais de 90% da categoria cruzam os braços nas refinarias, nas plataformas, nos terminais de distribuição e nas unidades administrativas da Petrobrás.

Os trabalhadores se revezavam nas refinarias para garantir o abastecimento básico da população e preservar os equipamentos. Mas a imprensa faz terrorismo, acusando os petroleiros pela falta de derivados de petróleo e, principalmente, do gás de cozinha. A FUP seguia firme na condução da greve, orientando os trabalhadores em seus boletins de que a redução e paralisação gradativa da produção devem ter como diretriz a "não penalização da população".

Apesar da legitimidade das reivindicações da categoria, que exigia o cumprimento dos acordos de 1994, o Tribunal Superior do Trabalho julga a greve abusiva em seu sétimo dia. Os petroleiros não se intimidam. Nem mesmo quando a direção da Petrobrás anuncia em 11 de maio a primeira lista de demitidos: Antônio Carlos Spis, coordenador da FUP, lidera a relação de 25 nomes divulgados pela empresa na mídia. A repressão do governo FHC estava apenas começando. No dia 24, o Exército ocupa as refinarias de Paraná (REPAR), Paulínia (REPLAN), Mauá (RECAP) e São José dos Campos (REVAP). No dia seguinte, os petroleiros recebem seus contracheques zerados.

A categoria continua impassível. Resistência é a palavra de ordem entre os trabalhadores. Quanto mais o governo endurecia, mais os petroleiros resistiam. O movimento ganha o apoio de centenas de sindicatos, estudantes, parlamentares, organizações civis nacionais e estrangeiras. O TST julga mais uma vez a greve abusiva no dia 26 de maio e impõe multas milionárias à FUP e aos sindicatos: R$ 100 mil por cada dia não trabalhado!

No dia 31 de maio, a CUT promove o Dia Nacional de Solidariedade: Somos todos petroleiros, bradavam as demais categorias em passeatas pelo país afora. No dia seguinte, uma frente parlamentar é formada por representantes de vários partidos, com o compromisso de intermediar a reabertura das negociações com a Petrobrás, em nome do Congresso Nacional. A direção da empresa aceita e compromete-se a cancelar as punições e a parcelar os dias parados. No dia 02 de junho, a FUP indica a suspensão da greve, o que é aprovado pela categoria em todo o país, com exceção da RPBC, em Cubatão, onde 300 trabalhadores ocupavam a refinaria desde o dia 05 de maio. No dia 03 de junho, cobertos por uma imensa bandeira nacional, os petroleiros de Cubatão deixam a refinaria e são saudados pela categoria em todo o país.

Mesmo com o fim da greve, os sindicatos e a FUP tiveram suas contas bloqueadas, o repasse das mensalidades dos associados retido e os bens penhorados. Cada um dos 20 sindicatos que participaram do movimento recebeu multas de R$ 2,1 milhões. Ao todo, 73 trabalhadores foram demitidos, entre eles vários dirigentes sindicais. Mais de mil petroleiros são punidos, a maioria com suspensões de até 29 dias. Para manter-se em funcionamento, alguns sindicatos são obrigados a atuar quase que em clandestinidade. Tamanha repressão sofrida pelos trabalhadores e pela organização sindical só havia ocorrido no Brasil durante a ditadura militar.

A máscara social democrática do sociólogo Fernando Henrique Cardoso é derrubada pelos petroleiros no primeiro grande enfrentamento dos trabalhadores contra o projeto neoliberal. O caráter repressivo do seu governo ficou evidente na criminosa demissão dos dirigentes sindicais e nos canhões dos tanques do Exército apontados contra os trabalhadores nas refinarias. Mas, apesar da truculência de FHC, dos julgamentos viciados do TST, da campanha mentirosa da mídia, da manipulação dos estoques de combustíveis pelas distribuidoras, entre tantos outros ataques, a greve de 32 dias dos petroleiros, em maio de 1995, foi essencial para a história do sindicalismo no Brasil. A categoria fomentou junto à opinião pública importantes discussões políticas, como o direito de greve, a livre negociação, o papel da Justiça do Trabalho e a liberdade de organização sindical.

A armação do gás - Em novembro de 1995, o Tribunal de Contas da União conclui que as distribuidoras foram responsáveis pelo desabastecimento de gás durante a greve dos petroleiros. Fato que já era, inclusive, de conhecimento da própria Petrobrás, segundo admitiu três anos depois o superintendente de Recursos Humanos da empresa, José Lima Neto: "Não era de interesse da Petrobrás na época acionar as distribuidoras por terem sonegado o gás de cozinha", informou em entrevista ao jornal do DCE da USP.

Anistia das multas - Após ter vetado em abril de 1996 o projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, que anistiava as multas arbitrárias impostas pelo TST, o presidente Fernando Henrique tenta novamente barrar a anistia, dois anos depois. Alguns sindicatos já estavam na iminência de terem seus bens leiloados pelo Tribunal, em mais uma das explícitas demonstrações de abuso de poder por parte do governo tucano. FHC, no entanto, recua e sanciona, parcialmente, a lei de anistia, em julho de 1998, vetando o artigo que dava direito aos sindicatos de receberem de volta os valores retidos pelo TST desde 1995.

Demitidos são reintegrados nove anos depois - O primeiro Congresso Nacional da Federação Única dos Petroleiros é realizado em agosto de 1995, dois meses após a greve histórica protagonizada pela categoria. Uma das principais resoluções do Congresso é a luta pela reintegração dos 85 trabalhadores demitidos nas greves de 94 e de maio de 95. Mais do que um objetivo implacável, o retorno destes companheiros transformou-se em questão de honra que a FUP perseguiu incansavelmente ao longo de todos esses anos. Do primeiro ao nono CONFUP, esta sempre foi a principal bandeira de luta dos petroleiros, estampada em todas as pautas de reivindicação saídas dos congressos da categoria. Seja na mesa de negociação com a Petrobrás, seja através de ações judiciais ou ainda nas idas e vindas a Brasília, em um trabalho incansável de convencimento e aliança com os parlamentares para aprovação da Lei de Anistia, a FUP jamais abandonou a luta pela reintegração dos trabalhadores arbitrariamente demitidos nas greves de 94 e de 95.

Mas foi preciso que os trabalhadores implementassem um novo projeto político no país, para que a tão esperada Lei de Anistia dos petroleiros se transformasse em realidade. Entre julho e dezembro de 2003, o projeto de lei do deputado Luciano Zica (PT/SP) nasceu, ganhou corpo nas discussões com os parlamentares e o movimento sindical, foi aprovado no Congresso Nacional e sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ou seja, em cinco meses, o governo Lula começou a saldar a maior dívida do governo Fernando Henrique Cardoso com a categoria. Uma pendência que se arrastou pelos oito anos de seu mandato. Nem mesmo os constantes questionamentos da Organização Internacional do Trabalho (OIT), acusando o governo tucano de violação dos direitos de greve e de livre negociação foram capazes de fazer FHC recuar em sua tentativa de desmonte da organização sindical dos petroleiros. Às vésperas de deixar o governo (em junho de 2002), ele ainda fez questão de vetar um outro projeto de anistia que havia sido aprovado no Congresso, após um árduo processo de negociação da FUP com os parlamentares.

Foi o último golpe sofrido pelos petroleiros no enfrentamento com o governo tucano. Em março de 2004, os trabalhadores de Cubatão, demitidos após a greve de maio de 1995, voltam a cruzar os portões da refinaria, reintegrados pela Lei de Anistia. Um a um, os petroleiros que tiveram seus empregos usurpados por FHC ao exigirem seus direitos em uma greve legítima estão retornando à Petrobrás. Foi preciso quase uma década de luta da categoria para que erros históricos começassem a ser corrigidos.

Quinta, 01 Dezembro 2011 16:38 Escrito por

Uma das primeiras greves no período da Ditadura Militar a ser assumida pelos trabalhadores como essencialmente política, a moblização dos petroleiros em julho de 1983 representou um novo marco na história recente do movimento sindical brasileiro. A categoria desafiou a Lei de Segurança Nacional, parando a produção na Refinaria Landulfo Alves (RLAM), em Mataripe (BA) e na Refinaria Planalto (REPLAN), em Campinas (SP). Era o estopim para a primeira greve geral no Brasil, decretada após o golpe militar de 1964, e que parou o país no dia 21 de julho de 1983, abrindo caminho para a criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

O cenário econômico em 1983 era favorável à série de mudanças políticas que estavam por acontecer. A crise econômica do governo Figueiredo fervilhava. Atendendo às determinações do FMI, o governo aumentava os juros para conter a inflação e cortava despesas, chegando ao ponto de baixar em maio o Decreto-Lei 2.025, que extingüia todos os benefícios dos empregados das empresas estatais. A reação dos trabalhadores foi imediata. No dia 16 de junho, 35 entidades sindicais e associações de funcionários públicos, incluindo os petroleiros da RLAM, aprovam o estado de greve, em protesto contra o decreto. Diversos setores da sociedade estudantes, partidos de esquerda, OAB, ABI, entre outros se solidarizaram com os trabalhadores, manifestando-se publicamente contra o decreto. Várias bases de petroleiros aderem ao estado de greve Campinas, Rio Grande do Sul, Pará, Minas Gerais, Cubatão e Duque de Caxias.

O governo recuou, mas no dia 29 de junho, o general João Batista Fiqueiredo, assinou um novo decreto, o 2.036, atacando diretamente os direitos dos funcionários das estatais acabou com o abono de férias, as promoções, os auxílios alimentação e transporte, o salário adicional anual e a participação nos lucros, só para citar alguns. Menos de uma semana depois, em 05 de julho, os trabalhadores do turno da noite da REPLAN entram em greve, desafiando a truculência do regime militar. A pauta de reivindicações era essencialmente política contra o arrocho salarial, à manipulação do INPC, o Decreto-Lei 2.036, o entreguismo governamental e o acordo com o FMI. No dia 07 de julho, interventores, acompanhados de agentes da Políca Federal, invadem o sindicato de Campinas, cassando os seus dirigentes.

A reação dos trabalhadores não tardou, com a greve se alastrando e atingindo a RLAM. Os metalúrgicos, químicos e trabalhadores em transporte do ABC paulista também param. Na Refinaria do Vale do Paraíba (REVAP), o movimento já estava prestes a ser deflagrado, mas a polícia agiu rápido, frustando a ação dos grevistas. O governo intervem nos sindicatos dos metalúrgicos em São Bernardo do Campo e Diadema e no sindicato dos petroleiros em Mataripe (BA).

O Exército entra de prontidão no ABC e, no dia 9 de junho, 153 trabalhadores foram demitidos em Paulínia e 205 em Mataripe. Diante de tamanha repressão, a unidade dos trabalhadores começa a ser enfraquecida. No dia 11 de julho, os metalúrgicos e os petroleiros suspendem a greve. Se por um lado os trabalhadores não tiveram naquele momento as suas reivindicações atendidas, por outro deram o passo decisivo para impulsionar a primeira greve geral da ditadura militar, no dia 21 de julho. Em 28 de agosto, os trabalhadores criavam a Central Única dos Trabalhadores. Nascia alí um sindicalismo autêntico e combativo, que mudaria para sempre as relações trabalhistas travadas no Brasil até então.

Quinta, 01 Dezembro 2011 16:36 Escrito por

A greve é o instrumento utilizado pelos trabalhadores nas lutas políticas e econômicas em defesa dos direitos trabalhistas.

Protegido pela Constituição, o direito à greve não é um favor do patrão ou uma permissão do Estado.

Foi necessário quase um século de luta sindical para que a greve evoluísse de crime punido com morte para um direito exercido legalmente.

Greve - 2009

Greve - 2001

Greve - 1995

Greve - 1983

Outras Greves

Quinta, 01 Dezembro 2011 16:17 Escrito por

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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