Crise dos combustíveis: dados da ANP desmentem direção da Petrobrás

Quinta, 21 Outubro 2021 17:35

No cálculo do FUT (fator de utilização) apresentado pela gestão da empresa, não estão computadas, deliberadamente, as unidades hibernadas bem como as unidades de craqueamento e coque. A utilização deste parâmetro, portanto, camufla a real possibilidade produtiva das refinarias.

[Da imprensa do Sindipetro Bahia]

Na última segunda (18), a direção da Petrobrás emitiu nota ao mercado para explicar os motivos no corte do fornecimento de gasolina e diesel para o mês de novembro denunciado pelas distribuidoras de combustíveis em todo país.

No comunicado, a Petrobrás alega que a demanda desses combustíveis no Brasil aumentou na comparação com 2019 e reconhece que vem operando seu parque de refino abaixo da capacidade total.


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Pior ainda, no cálculo do FUT (fator de utilização) apresentado pela companhia, não estão computadas, deliberadamente, as unidades hibernadas bem como as unidades de craqueamento e coque. A utilização deste parâmetro, portanto, camufla a real possibilidade produtiva das refinarias.

Na Refinaria Landulpho Alves, na Bahia, por exemplo, uma unidade hibernada pelo governo Bolsonaro (U-6) respondia por 1/3 da produção de gasolina e gás de cozinha da refinaria. Se essas unidades fossem computadas no cálculo, o FUT cairia ainda mais, revelando a ociosidade deliberada para forçar a importação pelos players privados.

Gestão da Petrobrás mente e omite informações

Por outro lado, a Petrobrás omitiu no comunicado que faturou, só em 2021, US$ 5 bilhões com exportação de combustíveis, o que equivale ao faturamento de todo o ano de 2020 com exportações de derivados de petróleo. Até agosto desse ano foram exportados 11,2 milhões de m3 de combustíveis, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP).

Os dados da ANP revelam ainda que em 2020 o Brasil exportou 17 milhões de m3 em derivados gerando receita de US$ 5,3 bilhões à Petrobrás. Essa receita convertida em lucro saiu do país por meios de pagamento de dividendos aos acionistas internacionais. Em outras palavras, os acionistas privados internacionais lucram com a exportação de combustíveis da Petrobrás e levam esse dinheiro para fora do país.

Através dos dados apresentados, a ANP desmente a Petrobrás e confirma que a companhia poderia manter o fornecimento de combustíveis no país se não estivesse privilegiando a exportação de combustíveis ao invés de fornecê-los ao mercado interno, o que força a subida dos preços no Brasil.

Última modificação em Sexta, 19 Novembro 2021 18:47

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