Greve na Eletrobrás tem mobilizações nas redes, no Senado e no TCU contra a MP 1031

Quinta, 17 Junho 2021 14:34

Luta contra a aprovação da MP que autoriza a privatização da estatal é pelo Brasil e pelos brasileiros. Se o Senado provar, setor de energia terá menos investimentos, mais apagões e reajustes nas contas de luz

[Da redação da CUT, cm informações da FNU]

O segundo dia da greve de 72 horas dos trabalhadores e trabalhadoras do Sistema Eletrobras, que tem 80% de adesão da manutenção e da área administrativa, foi intenso e teve mobilização nos locais de trabalho, no Senado e no Tribunal de Contas da União (TCU).

A greve, que é contra a privatização da estatal, não prejudica a prestação de todos os serviços à população porque os operadores estão trabalhando em escala especial, de acordo com o comando de greve do Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE).

A luta é pelo Brasil e pelos brasileiros. Se o Senado aprovar a privatização da Eletrobras, o setor de energia terá menos investimentos, aumentarão os riscos de apagões e de reajustes ainda maiores nas contas de luz.

A Medida Provisória (MP) nº 1.031, encaminhada ao Congresso Nacional pelo presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL), autorizando a privatização da Eletrobras, não foi votada no Plenário do Senado nesta quarta-feira (16), como estava previsto. A votação ficou para esta quinta-feira (17). 

Um dos motivos é que o relatório do senador Marcos Rogério (DEM-RO) sobre a MP só foi entregue perto das 18h e a votação estava marcada para ter início às 16h .

Outro motivo é que texto, que caduca na próxima terça-feira (22), enfrenta resistência da maioria das bancadas. E as chances da MP perder a validade são enormes. O relator alterou a proposta  aprovada na Câmara para atender a pedidos de senadores da base do governo. Se as alterações foram aprovadas, a MP tem de voltar Câmara para ser apreciada e votada novamente pelos deputados.

Para especialsitas da área, os parlamentares usaram o texto da MP, que deveria tratar apenas da privatização da Eletrobras, para ampliar privilégios de grupo privados da área de energia,  gerando custos bilionários adicionais, que serão inseridos, no futuro, na conta de luz de todos os brasileiros.

A luta é para evitar o prejuízo para o Brasil e para os brasileiros e se intensifica a cada hora, dizem os dirigentes da CNE, que estão atuando nos locais de trabalho e onde for possível para evitar essa tragédia.

Um crime contra o país e contra o povo

Para a ex-presidenta Dilma Rousseff, a privatização da Eletrobras é um crime contra o país e o povo brasileiro. Em seu perfil no Facebook, Dilma disse: "Um crime está em vias de ser cometido contra a nação e o povo brasileiro: a privatização da Eletrobras".

"A energia produzida pelas grandes hidrelétricas cujo investimento os brasileiros já pagaram vai ser privatizada. Vamos pagar outra vez essa energia em nossas contas de luz", afirmou Dilma.  

"Agora que, por falta de planejamento, estamos outra vez diante do colapso no setor elétrico, com ameaça de racionamento e apagão. Os senadores não devem aprovar a proposta de privatização da Eletrobras feita pelo governo. Isto elevará a conta de luz a valores astronômicos", acrescentou.

De acordo com a ex-presidente, "no setor elétrico brasileiro o planejamento é plurianual: horizonte de 5 anos para construir hidrelétricas e 3 anos para termoelétricas".

"A falta de chuvas em 1 ano só leva a racionamento se não tiver ocorrido monitoramento adequado e planejamento efetivo nos anos anteriores", continuou. "Privatizar a Eletrobras é tirar do país um instrumento para evitar a falta de energia e os racionamentos"

Confira nove motivos para ser contra a privatização da Eletrobras

Além dos piquetes nas portas das empresas do Sistema Eletrobras, a luta dos trabalhadores e trabalhadoras da estatal tem sido travada nas redes sociais, no Senado e até no TCU. 

No Senado Federal, os dirigentes do CNE estão conversando com os senadores, levando dados e estudos que apontam o erro gigantesco que é privatizar uma empresa estratégica para o país,  altamente rentável e com capacidade de investimentos.

Nos locais de trabalho, nesta quinta-feira, desde cedo, os piquetes foram reforçados. A Eletrobras é do povo. Sua privatização não passará, dizem os trabalhadores.

No Tribunal de Contas da União (TCU), a Associação dos Empregados da Eletrobras (AEE) questiona a constitucionalidade da MP de privatização da Eletrobras.

Em denúncia apresentada ao Tribunal, a Aeel defende que a MP fere dez artigos da Constituição Federal e gera riscos de desnacionalização do capital da empresa e de elevar os preços da energia ao consumidor final. 

Entre os principais questionamentos, estão a votação do projeto sem um estudo de valorização da companhia e o fato de que o assunto está tramitando em regime de urgência.

Segundo a associação, o pleito é motivado pelo "excesso de vícios de origem, o potencial de danos ao erário, a renúncia de receita com dividendos futuros", além dos "reflexos para a segurança energética".

4 principais mentiras do governo Bolsonaro sobre a privatização da Eletrobras: 

  1. Mentira: A privatização vai trazer preços “competitivos” ao setor.
    Verdade: A conta de luz vai aumentar.
  2. Mentira: A Eletrobras dá prejuízo.
    Verdade: O país pode abrir mão de uma das empresas mais lucrativas do Brasil e entregar ao capital estrangeiro.
  3. Mentira: A privatização da Eletrobras é necessária para a retomada do crescimento.
    Verdade: A privatização da Eletrobras aumenta o risco de apagão e aprofundamento da crise econômica
  4.  Mentira: Com a privatização, a Eletrobras vai se tornar mais moderna e eficiente.
    Verdade: O governo abre mão de décadas de pesquisa e produção tecnológica que poderiam colocar o Brasil na vanguarda da transição energética.

Como lutar contra a privatização da Eletrobras

Uma das formas da população lutar contra a privatização da Eletrobras é por meio do Twitter. Use as hashtags #VoteNãoMP1031 e #VaiAumentarAContaDeLuz, mande seu recado, marque o senador do seu estado.

Voccê pode pressionar seu senador também acessando a  ferramenta Na Pressão, clicando na campanha “Salve a energia - diga não à privatização da Eletrobras” e seguindo os passos indicados. Você encontrará logo abaixo a lista dos senadores a favor e contrários à privatização e também os indecisos.

Pressione os parlamentares, mandando seu recado pelo  NaPressão:

Clique aqui e acesse a plataforma Na Pressão 

Depois:

  1. Escolha o seu senador ou sua senadora nas listas abaixo (a favor, contra e indecisos)
  2. Depois defina por qual meio deseja pressionar (WhatsApp, Facebook, Twitter ou E-mail) e clique no ícone, logo abaixo da foto do parlamentar
  3. Uma nova janela será aberta para você enviar a mensagem

Você pode repetir isso com quantos senadores/as desejar

Crise hídrica e racionamento estão no horizonte

Os eletricitários alertam: Estamos diante da maior crise hídrica das últimas décadas, com risco real de racionamento e um aumento expressivo da conta de luz é inevitável. A privatização da Eletrobras vai acarretar ainda mais aumento para os consumidores.

Além disso, sem uma Eletrobras pública, será extremamente difícil para este ou o futuro governo coordenar um programa de investimentos para superar a crise energética!

Lute contra a privatização, conclamam os eletricitários, que orientam a população a mandar recados par a os senadores rejeitarem a MP nº 1.031/2021 para salvar a energia e o futuro do Brasil.

De acordo com eles, o Brasil precisa de mais investimentos em energia limpa e barata e a Eletrobras é uma empresa lucrativa e saudável, capaz de comandar um robusto programa de investimentos no setor Elétrico.

“Nenhum país sério do mundo privatiza suas hidrelétricas. Canadá, Noruega, China, Rússia, EUA e todos os grandes produtores de hidroeletricidade do mundo mantém esses setor nas mãos de Empresas públicas. O Brasil não pode ser a exceção”, diz trecho da convocação.

“Vote pelo Brasil, vote contra a privatização da Eletrobras!”

 

Publicado em Movimentos Sociais

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.