Gestores da Petrobrás têm pandemia de contradições ao tentar explicar ações diante do COVID-19

Quarta, 25 Março 2020 15:47

A crise mundial do COVID-19 escancara a vulnerabilidade e a psicopatia do mercado financeiro. Esse “monstro supremo e onipotente” tem se ajoelhado diante das ameaças de paralisação geral da classe trabalhadora. Afinal, os engravatados estão longe de ser os heróis nesse cenário de distopia. Diferente do servidor público da saúde ou do petroleiro nas refinarias, usinas, terminais e plataformas, além de outras categorias essenciais para a sociedade, os acionistas da Petrobrás agem como parasitas e pretendem saciar suas respectivas necessidades com muito dinheiro. 

Essa é a lógica da atual gestão da Petrobrás. Por isso, enquanto se busca soluções para lidar com a pandemia do novo coronavírus, os engravatados propuseram aos seus acionistas triplicar o teto para pagamento de bônus à diretoria (Leia mais AQUI). Significa dizer que a empresa propõe aumentar em 26,6% a projeção de gastos com salários e benefícios dos executivos. 

No documento da Petrobrás aos seus acionistas está sinalizado o desembolso de R$ 43,3 milhões para pagar salários, benefício por desempenho e encargos a seus administradores no período entre abril de 2020 e março de 2021. No mesmo período do ano anterior, foram R$ 34,2 milhões.  

Realidade 

Voltando ao chão de fábrica, os gerentes da atual gestão da Petrobrás, interessados nos planos e metas para receber bônus, pedem aos trabalhadores que tenham compreensão neste momento de pandemia. Dizem também que nessa situação é preciso que todos sejam “voluntários” em casos de jornada de trabalho aumentadas, sobreaviso e horas extras. 

O que acontece hoje na Petrobrás é uma contradição. Quem se expõe para manter os serviços essenciais à sociedade está tendo que trabalhar “excessivamente e de forma voluntária” enquanto acionistas em quarentena monopolizam os resultados? Se nada mudar a greve sanitária será inevitável. 

Os petroleiros estão mantendo a produção, mas tudo tem limite. Nas áreas offshore, por exemplo, a FUP informou que os trabalhadores estão confinados por sete dias em um quarto de hotel, afastados da família, antes de embarcar para as plataformas, onde são obrigados a permanecer por 21 dias. 

Além disso, a gestão corporativa da Petrobrás tem se recusado a discutir com a FUP e seus sindicatos propostas para garantir a segurança dos trabalhadores. 

Para o Sindipetro PR e SC a Petrobrás subestima o coronavírus ao:  

:: Demitir ou punir trabalhadores que participaram da greve nacional do petroleiros com alegações falsas e sem provas.

:: Impor jornadas de trabalho que os levarão à exaustão física e ao esgotamento emocional justamente quando a pandemia estiver próximo do pico no país. 

:: Agir da mesma forma que o Governo Federal ao menosprezar os efeitos devastadores da pandemia. 

:: Sacrificar os trabalhadores para proteger os setores econômicos que ainda lhe dão sustentação política. 

:: Submeter, nas refinarias e terminais, os trabalhadores aos turnos ininterruptos de 12 horas, à revelia de discussão prévia e das medidas de controle sanitário que as entidades sindicais vêm cobrando. 

:: Desconsiderar a situação dos terceirizados, cujas condições precárias de trabalho são ignoradas pelas gerências. Além de não ser dada qualquer garantia de emprego e tratamento igualitário nas condutas de prevenção para esses trabalhadores 

:: Ter nas gerências alguns aproveitadores que, como vírus, em situação de vulnerabilidade dos trabalhadores tentam intimidá-los com anúncios de demissões e punições dos grevistas. 

:: Descumprir o acordo que foi chancelado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) há menos de um mês. 

O Sindipetro PR e SC deixa claro que quer participar das discussões e da defesa dos trabalhadores no combate a pandemia do novo coronavírus. As próximas semanas poderão ser mais críticas e o sindicato não vai permitir que a categoria trabalhe em local que não garante condições adequadas.

[Via Sindipetro-PR/SC]

Mídia

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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