Petroleiros estão em Brasília buscando destravar impasse na Petrobras

Quarta, 12 Fevereiro 2020 08:34

Na corrida contra o tempo para impedir a demissão de mais de mil trabalhadores da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen-PR), de Araucária, no Paraná, o presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, o secretário de Comunicação da CUT, Roni Barbosa, e uma delegação de petroleiros fizeram uma série de conversas com ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST) nesta terça-feira (11).

A intenção é que o impasse entre a direção da Petrobras e a categoria, em greve há 11 dias, seja mediado pelo TST.

“Em um país que tenha o mínimo de democracia, esses tipos de conflitos têm que ser resolvidos na mesa de negociação. A Petrobrás não pode fazer o que tá fazendo, tomando medidas arbitrárias e autoritárias”, afirma Sérgio Nobre.

Para ele, a decisão da estatal de demitir os trabalhadores e fechar a Fafen é “perversa”. Segundo ele, “além de estar destruindo uma empresa determinante para o crescimento do Brasil, a Petrobras atinge trabalhadores que têm filhos que fazem tratamento de leucemia, por exemplo”.

“São trabalhadores com 10, 20, 30 anos de casa, que, se demitidos, muito certamente não conseguirão arrumar outro emprego”, afirma o presidente da CUT, lembrando que ainda existe o risco do governo de Jair Bolsonaro privatizar a Petrobras, a maior empresa estatal do Brasil.

O fechamento da Fafen, segundo a empresa, é consequência do aumento do preço da matéria prima utilizada pela fábrica, sendo que produto final não consegue cobrir esse valor. Entretanto, a matéria prima é repassada à Fafen-PR pela própria Petrobrás, sem qualquer prejuízo à estatal.

“A Petrobrás não foi construída para dar lucro, embora dê”, rebate Roni Barbosa, que também é petroleiro. Ele alerta que as demissões anunciadas pela Petrobrás vão impactar gravemente a economia local. “Não são só mil trabalhadores sem emprego. Esse número se transformará em 3, 4, 5 mil pessoas sem emprego, já que impacta diretamente no comércio e serviços da região”, explica.

Nesta quarta-feira (12), a CUT e a delegação de petroleiros seguirão articulando com outros interlocutores para tentar remediar a ação arbitrária da direção da Petrobrás. Estão agendadas reuniões com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

O que está por trás do fechamento da Fafen-PR

Ao contrário do que muita gente pensa, a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná não produz apenas fertilizantes. Também são produzidos pela empresa ureia, enxofre, gás carbônico e metanol. Esses produtos são utilizados na indústria farmacêutica, na indústria química, em cosméticos, para ração animal e até mesmo para reduzir a emissão de poluentes.

“Hoje, a Fafen é a única fábrica do país a produzir esses compostos. A Fafen-Sergipe e a Fafen-Bahia foram arrendadas e não voltaram a produzir essas substâncias. E eles querem simplesmente fechar a Fafen-PR, não é nem vender. Com isso, vamos ficar totalmente dependentes do mercado internacional”, denuncia Gerson Castellano, dirigente da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e técnico de manutenção da Fafen-PR há 18 anos.

“A resistência é o caminho para impedir esse processo criminoso, lesa pátria”, avalia Castellano.

[Via Brasília]

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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