PT denuncia 'escandalosa' pressão da Rede Globo para prender Lula

Quarta, 04 Abril 2018 13:40

A presidenta do PT, senadora Gleisi Hoffman (PR), o senador Lindbergh Farias (RJ) e o deputado federal Paulo Pimenta (RS), respectivamente líderes do partido no Senado e na Câmara, divulgaram nota nesta quarta-feira (4) para denunciar a Rede Globo por,  com ameaça de golpe militar, pressiona o Supremo Tribunal Federal (STF) a negar ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva o habeas corpus preventivo, cujo mérito será julgado também hoje.

Segundo as lideranças, "colunistas amestrados", "porta-vozes do fascismo" e "oficiais da reserva", ameaçam o país com um novo golpe militar, caso o STF conceda o habeas corpus a Lula, restituindo assim seus direitos infringidos por condenação "ilegal e injusta" do juiz Sérgio Moro, confirmada e agravada em segunda instância pelo Tribunal Federal de Porto Alegre.

Eles destacam os 23 minutos do Jornal Nacional desta terça-feira (3) dedicados exclusivamente a influenciar os ministros, manipulando inclusive manifestação do comandante do Exército, general Villas Boas

"A Globo quer repetir o que fez em 1964, quando incitou chefes militares contra o governo constitucional de Jango Goulart. E o faz agora para pressionar o Supremo. A Globo tem sido historicamente um veneno à democracia", criticam os parlamentares.

Confira a nota na íntegra

Rede Globo incita o golpe militar 

É escandalosa a pressão da Rede Globo para que o Supremo Tribunal Federal negue ao ex-presidente Lula o direito constitucional de se defender em liberdade da condenação ilegal e injusta, sem crime nem provas, imposta por Sérgio Moro e agravada em decisão previamente combinada da 8a. Turma do TRF-4. 

Chegaram ontem (3/4) ao cúmulo de encerrar o Jornal Nacional associando uma declaração do comandante do Exército, general Villas Boas, ao julgamento marcado para hoje do habeas corpus em defesa de Lula no STF. 

Não é natural da democracia que chefes militares se pronunciem sobre questões políticas ou jurídicas, como vem ocorrendo nos últimos dias. Mais estranho ainda é que uma manifestação do comandante do Exército, general Villa Boas, em rede social, seja divulgada e manipulada no decorrer de uma edição do Jornal Nacional especialmente dedicada (23 minutos) a pressionar os ministros do STF. 

Nos governos do PT, prestigiamos as Forças Armadas como nenhum outro desde a redemocratização do País. Em nossos governos, não faltou fardamento nem rancho para os recrutas. Investimos na defesa das fronteiras terrestres, das águas territoriais e do espaço aéreo, devolvendo a dignidade aos militares. 

E assim como defendeu o general Villas Boas nas redes sociais, nós do PT sempre combatemos a impunidade e respeitamos a Constituição, inclusive no que tange ao papel das Forças Armadas definido na Constituição democrática de 1988. 

A defesa da Constituição implica em reconhecer a presunção da inocência, conforme definida no parágrafo 57 do artigo 5o. É o que esperamos que seja ratificado hoje pelo plenário do STF. 

A Globo quer repetir o que fez em 1964, quando incitou chefes militares contra o governo constitucional de Jango Goulart. E o faz agora para pressionar o Supremo. A Globo tem sido historicamente um veneno a democracia. 

Colunistas amestrados da imprensa, porta-vozes do fascismo e até oficiais da reserva vêm brandindo a ameaça de um novo golpe militar contra o reconhecimento dos direitos de Lula. São as vozes do fascismo e da intolerância. 

A saída para a crise política, econômica e social está na realização de eleições livres e democráticas, com a participação de todas as forças políticas e sem vetos autoritários a Lula. E no respeito ao pacto político consagrado na Constituição de 1988. É este pacto, democrático, que o STF tem o dever de proteger.

Senadora Gleisi Hoffmann
Presidenta do Partido dos Trabalhadores

Senador Lindbergh Farias
Líder do PT no Senado Federal

Deputado Paulo Pimenta
Líder do PT na Câmara dos Deputados

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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