Formigueiro da CUT quer falar aos ‘não convertidos’

Segunda, 26 Setembro 2016 13:43

 

 

Logo de cara é preciso explicar que o título dessa reportagem não traduz perfeitamente o tema que aborda. Isso porque o programa Formigueiro, lançado pela CUT em São Paulo, não é exclusivamente da Central.

Mas uma iniciativa que tem como construtores também a Marcha Mundial de Mulheres (MMM), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Mídia Ninja, o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) e a União Nacional dos Estudantes (UNE), Rede Unida e Mobilis.

O kit de formação popular contém dois cadernos, um itinerário formativo (o caderno do formador) e o caderno formativo (do educando), além de um pen drive com materiais de divulgação e vídeos das canções que fazer parte do Formigueiro.

A partir daí, os educadores populares, nos espaços onde desejarem, aplicam o processo de debate e formação em que o educador e o educando aprendem juntos. Leia abaixo como conseguir o kit.

A ideia, ao unificar tantas mãos, é construir uma proposta atemporal e que possa ser utilizada em espaços como associações de bairro, igrejas e escolas. E não apenas para formar dirigentes sindicais.

Conforme explica a secretária de Formação da CUT, Rosane Bertotti, o objetivo é ‘perder o controle’ sobre o processo.

“Se nós queremos construir unidade nos movimentos sociais, é necessária uma construção política unitária também. Se a CUT quer mudar o país, é importante que tenhamos uma proposta para além da Central Única dos Trabalhadores, que dialogue com as bases, com a massa, com os bairros, com o lugar onde vivem os trabalhadores. A ideia é que o projeto vá para além de nós e permita a construção de novos sujeitos na defesa dos direitos”, explicou Rosane.

Como será

O Formigueiro é organizado por ciclos e terá quatro encontros em cada estação do ano. Na Primavera, época de florescer ideias, os debates tratarão do direito à educação, à saúde, ao transporte público e à moradia, cada um dos temas em um encontro.

Os textos que relacionam questões atuais como a ocupação das escolas e canções de artistas como Emicida (“8”, música que trata da resistência dos estudantes em São Paulo contra a reorganização escolar proposta pelo governador Geraldo Alckmin-PSDB/SP), contém ainda um roteiro autoexplicativo para orientar o educador popular na condução do processo.

O próprio termo, ‘cartilha’, foi substituído por caderno, justamente para fugir das barreiras de estrutura fechada escolar, explica a assessora da Secretaria de Formação da CUT (SNF), Conceição Oliveira.

“Não é uma cartilha que deva ser seguida rigidamente, mas um itinerário para permitir, inclusive aos movimentos, que voltem a ser espaços amplos de formação e aproximam o sindicato da comunidade, que passa a entender a importância dessas organizações. O desafio é construir pontes”, defendeu.

Ampliar os horizontes com os pés nas raízes

Para construir essa organização popular, a ideia é ir além da formação do dirigente sindical para unificar pessoas ao redor de ideias comuns.

“Na formação da CUT, partimos sempre do trabalho como princípio formativo e o Formigueiro dialoga mais com as questões da sociedade. Evidente que o mundo do trabalho se insere nisso, mas se amplia mais para fazer diálogo com outros segmentos. A Ideia é construirmos juntos uma ação de enfrentamento, identificando quem é nosso adversário. Que é o patrão, no mundo do trabalho, mas também o dono da fazenda, o governo golpista e outras personagens ideológicas que estão diante de todos os cidadãos”, explicar o assessor da SNF, Pérsio Plensack.

Com isso, recorda ele, apesar de olhar para frente e para as conexões da atual conjuntura, a Central também resgata algo que está em sua raiz.

“Nos anos 1980, não tínhamos escola de formação, nossa redes de formação eram incipientes, mas havia um profundo trabalho nas comunidades de base, nos processo de nucleação. E esses materiais, pequenos livretos, eram auto explicativos sobre a atuação participativa, colaborativa, inspirados na ideia de Paulo Freire de que todo sujeito pode fazer educação”, explica.

Para saber mais sobre o Programa Formigueiro

Secretaria Nacional de Formação – Conceição Oliveira
(11) 2108 9281

Secretária de Formação da CUT-SP – Márcia
(11) 2108 9176

Escola Sindical São Paulo
(11) 5084 2131

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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