Reeleito com 83% dos votos, o coordenador do Sindipetro Unificado SP avalia o processo eleitoral e comenta as prioridades da nova gestão

Domingo, 20 Julho 2008 21:00

Em entrevista ao Jornal Petroleiros-SP, o coordenador do Sindipetro Unificado do estado de São Paulo, Itamar Sanches, reeleito na última semana para o período 2008/11, avalia o processo eleitoral, explica as prioridades da nova gestão e os desafios que aguardam os trabalhadores. A chapa 1 Unidade Nacional apoiada   pela FUP e CUT, obteve 83,1% dos votos válidos. Segundo Itamar, esse expressivo resultado comprova a provação da atual gestão.

Pela primeira vez desde a unificação do sindicato, duas chapas disputaram a eleição, mas os trabalhadores responderam nas urnas que a unidade em torno da FUP e da CUT continua sendo a principal base de sustentação e fortalecimento da categoria petroleira.

Itamar, por que o cargo de coordenador e não de presidente, como é mais comum nos sindicatos?

No estatuto do Unificado, assim como o da FUP e de outros sindicatos de petroleiros, não consta a figura do presidente, mais do que um aspecto simbólico, queremos reforçar a idéia de que a direção de uma entidade classista é colegiada, isto é, é de responsabilidade de todos, dirigentes e sindicalizados. Hoje, o Itamar está como coordenador, mas outro companheiro(a) pode assumir; a coordenação é uma função dentro da estrutura do sindicato e não um cargo.

Pela primeira vez duas chapas concorreram. Qual é a sua avaliação sobre a expressiva votação da Chapa 1.

Creio que foram diversos fatores que fizeram a categoria votar e apoiar a chapa 1. Primeiro, a atual direção desenvolveu um trabalho sério e com resultados concretos tanto para a melhoria das condições de trabalho quanto à remuneração dos trabalhadores. Segundo, creio que a categoria soube entender que mesmo cometendo erros aqui e ali, essa é uma direção que não foge da luta e trata todas as questões com transparência, levando as decisões da base. Pesou também o conhecimento que a categoria tem dos dirigentes, sabe que são pessoas comprometidas com a luta e com a unidade nacional, mesmo nessa semana corrida que foi a da eleição, não deixamos de realizar atos e mobilizações definidos pelo calendário nacional da FUP. E destaco, ainda, o fato de a chapa 1 ter sido comporta por companheiros de todas as bases, enquanto a outra tinha basicamente representantes da Replan.

Não é estranho uma categoria que recebe acima da média nacional fazer greve por PLR?

A mídia vai bater nessa tecla para tentar desgastar o movimento, mas a situação é bem mais complexa. Primeiro, temos que parar de achar que PLR é um favor que a empresa faz, não é! É um direito do trabalhador, garantido por lei e vamos buscar o máximo que a lei permite. Historicamente, há distorções na PLR paga pela Petrobrás para os “peões” e para os gerentes, queremos rever essa matemática, assim como estabelecer uma nova metodologia de negociação. Hoje a empresa privilegia acionistas e gerências em detrimento da maioria dos trabalhadores e a greve é um instrumento legítimo para buscarmos corrigir essas distorções.

De certa forma, uma greve no início de agosto é uma antecipação da campanha salarial.

Não necessariamente, mas é claro que outras reivindicações históricas, como mais segurança e o apoio a reivindicações específicas de outras bases, como a dos companheiros da Bacia de Campos, permeiam as mobilizações, mas a campanha salarial será uma outra etapa de luta.

A diretoria que agora assume irá até 2011. Quais os principais desafios desse período?

Do ponto de vista nacional estaremos na passagem do governo Lula para um outro, que ainda não sabemos qual será. A Petrobrás cresceu e os trabalhadores foram valorizados no governo Lula e precisamos ter uma sólida base de organização para aguentar uma rebordosa, caso o governo volte para os neoliberais privatistas. Temos divergências com o governo Lula, mas temos espaço democrático para sentar na mesma mesa e negociar, o que nunca aconteceu em governos anteriores.

No aspecto da nossa base, essa diretoria vai procurar estruturar cada vez mais o Sindicato, encaminhar todas as demandas da categoria e incentivar a participação dos novos trabalhadores e a formação de novas lideranças.

Um outro ponto que já mereceu atenção destacada nesta gestão e continuará na próxima é em relação aos aposentados. Nesta gestão o Daesp se estruturou, tem um boletim mensal específico e está desenvolvendo diversas atividades. Vamos, também, dinamizar o Departamento Jurídico para que todo sindicalizado possa ter um atendimento cada vez melhor.

Por fim, mas não menos importante, vamos continuar lutando pela unidade nacional da categoria, que sempre foi o grande trunfo dos petroleiros. Vamos fortalecer a FUP e desenvolver campanhas nacionais pelo fim dos leilões do petróleo, por uma nova lei do petróleo, por mais segurança em todo o sistema Petrobrás, pela reincorporação da Transpetro entre muitas outras bandeiras de luta de nossa grande categoria.

 

 

Ler 982 vezes
Publicado em ENTREVISTAS

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.