No sábado (04/04), recebemos a notícia que a gestão da REFINARIA DE MANAUS (REMAN) está reduzindo a carga de produção. As unidades  UFCC e U-2111 estão em procedimento de parada. 
 
Queremos deixar claro que todo este processo esta acontecendo de forma UNILATERAL. Em nenhum momento o sindicato foi convocado para participar de reunião e nem muito menos comunicado oficialmente pela empresa. Resumindo, não houve nenhum processo de negociação com sindicato. 
 
ESTÃO IMPONDO!
 
Não bastasse, reforçando, sem negociação com os sindicatos, nem qualquer tipo de consulta à categoria, a Petrobrás vai desimplantar trabalhadores de turno, que perderão gratificações adicionais de 60% nas refinarias e de 95% nas plataformas. Isso significará perdas de até 50% em suas remunerações.
 
Os petroleiros do regime administrativo também serão penalizados com cortes de um quarto dos salários.
 
As medidas, que irão impactar cerca de 46 mil trabalhadores da Petrobrás e 7 mil da Transpetro, deixam milhares de famílias vulneráveis, neste momento em que a crise da Covid-19 avança no Brasil.
 
A gestão da Petrobras, a mando do Castelo Branco, vem demostrando claramente a  incompetência de gerir a estatal pois está indo na contramão de todo um processo de desenvolvimento.
 
De gigante do setor energético, que atuava de forma integrada, do poço ao poste, a Petrobrás foi reduzida a uma exportadora de óleo cru. Agora, quando o valor do barril do petróleo desaba, a empresa está totalmente vulnerável no momento em que o setor sofre uma redução drástica na demanda e quando o povo brasileiro mais precisa de investimentos estatais. 
 
Zé MARIA, Coordenador da FUP, deixa claro:
 
“Vamos demonstrar as barbaridades que a Petrobrás está cometendo neste momento. A empresa deveria chamar para ela a responsabilidade da grandiosidade que ela tem e ajudar na crise e não aprofundar a crise”, afirma.
 
[Via Sindipetro-AM]
Publicado em SINDIPETRO-AM

Os pesquisadores do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo (Ineep) Rodrigo Leão e William Nozaki foram ouvidos pelo jornal Valor Econômico sobre a decisão da Petrobras de reduzir sua produção em 200 mil barris/dia. Os 200 mil barris/dia cortados representam mais do que tudo aquilo que a companhia produz em águas rasas e em terra. Isso dá a dimensão de que a queda abrupta do preço começa a afetar não só os campos menos rentáveis, mas também aqueles em águas profundas e ultrapofundas, o “core business” da empresa, onde estão tanto as áreas maduras do pós-sal quanto os ativos do pré-sal. A decisão levou em conta  a sobreoferta no mercado em momento de forte contração da demanda global da commodity.

O economista Rodrigo Leão pontuou que as empresas com atuação em refino e petroquímica devem se sair melhor. Por não ficarem totalmente dependentes do preço do óleo cru, terão um colchão para esses momentos de crise. A Petrobras vem fazendo exatamente o caminho oposto.

Para Rodrigo Leão, diretor do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo (Ineep), vinculado à FUP, é preciso que a Petrobras comece a se preparar para o “novo mundo do petróleo”. “As petroleiras que estiverem em petroquímica e refino provavelmente se sairão melhor dessa crise, porque esses negócios servem como colchão em momentos de volatilidade do petróleo. O projeto da Petrobras não pode continuar sendo vender ativos, como as refinarias, se ninguém sabe neste momento para onde o mercado caminhado. A Petrobras se vende para o mercado, hoje, como exportadora de petróleo. É natural que as ações da companhia sofram mais do que a das demais petroleiras”, disse.

Já o cientista político William Nozaki, a estatal falha por não se preparar para o longo e médio prazos.

William Nozaki, também do Ineep, disse que as medidas da maior estatal brasileira podem ter efeitos sobre a macroeconomia. Para ele, o pacote de resiliência da Petrobras peca por se concentrar em medidas de curto prazo. “Ela tem usado as oportunidades de crise para fazer ajustes microeconômicos que vão deixar impactos macroeconômicos indesejáveis.”.

Leia a íntegra da reportagem

[Via Ineep]

Publicado em Petróleo

O mercado de fertilizantes está em alta e segundo analistas a tendência é de crescimento para 2020 e 2021, apesar do coronavírus.

De acordo com a Scot Consultoria, em São Paulo, o preço da uréia agrícola subiu 6,5% desde o inicio do ano. Só em Março o aumento foi de 3,2% em relação a fevereiro. Já os adubos fosfatados teve um reajuste médio de 0,5% no mesmo período e o cloreto de potássio um aumento, de 0,1% na cotação em março.

A valorização desse segmento tão importante para a economia de qualquer país põe em xeque a política da atual gestão da Petrobrás que, na contramão de outras grandes petrolíferas estatais, foca seu negócio em apenas um segmento de serviço: o pré-sal.

Enquanto isso, acelera o desinvestimento, vendendo e hibernando unidades importantes da companhia como as refinarias e as fábricas de fertilizantes.

Em meio à crise, agravada pelo coronavírus e diante de uma demanda cada vez mais crescente, a Petrobrás permanece com as suas três fábricas de fertilizantes fechadas – a de Camaçari, na Bahia, a de Laranjeiras, em Sergipe e a de Araucária, no Paraná.

Com isso, o Brasil deixa de produzir 8 mil toneladas de fertilizantes por dia para importar o produto mais caro.

Mais uma vez a gestão da Petrobrás caminha na contramão da realidade, pois se a demanda de fertilizantes nitrogenados só aumenta, porque estamos com a nossa produção parada e comprando de outros países?

O segmento de fertilizantes encontra-se em expansão tanto no Brasil quanto no mundo e a demanda do mercado brasileiro de fertilizantes é maior que a produção nacional. Temos as fábricas, temos o know how e trabalhadores prontos para assumir os seus postos e colocar as fábricas para funcionar. Afinal, o Brasil é um dos maiores produtores de grãos e proteínas no mundo e o investimento na produção de fertilizante é fundamental para garantir a continuidade do crescimento do setor e a soberania nacional.

A parada da FAFEN-BA e das demais Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados do país, coloca em risco também a nossa Soberania Alimentar e o Agronegócio, uma vez que a produção agrícola passa a depender totalmente da importação de fertilizantes. Mais um crime lesa pátria que está sendo cometido pela gestão entreguista da Petrobrás.

De acordo com reportagem publicada no Canal Rural (www.canalrural.com.br) “a empresa {Scot Consultoria}  afirma que para os próximos meses, a expectativa é de preços firmes para os fertilizantes, em reais. Além do dólar valorizado e em patamar mais alto, as altas das commodities agrícolas em 2020, principalmente a soja e o milho, deverão aumentar a demanda interna por adubos para a temporada 2020/2021”.

A gestão da Petrobras precisa assumir as responsabilidades com a população brasileira e garantir o alimento em condições acessíveis num momento tão dramático no mundo.

[Via Sindipetro Bahia]

Publicado em Sistema Petrobrás

Entre 2003 e 2012, a Petrobrás viveu um dos períodos de maior valorização de sua história: seu valor de mercado saltou de R$ 54 bilhões para R$ 254 bilhões e os investimentos anuais passaram de R$ 18,9 bilhões para R$ 84,1 bilhões, respectivamente. Com isso, a Petrobrás se tornou a maior empresa da América Latina e a quarta maior do mundo.

Esse período de ascensão coincidiu, justamente, com a atuação de José Sérgio Gabrielli de Azevedo na Petrobrás. Mais especificamente entre 2005 e 2012, o professor aposentado de economia da Universidade Federal da Bahia (UFBA) ocupou o cargo de presidência da companhia – a gestão mais longeva da história.

Entretanto, as posições assumidas pela petroleira, discutidas nessa entrevista exclusiva, parecem estar mais distanciadas por escolhas políticas do que propriamente o lapso temporal que as separam da gestão de Gabrielli, em que vigorava a máxima: “do poço ao posto, passando pelo poste”.

Para o economista, a retirada do caráter de empresa integrada é um contrassenso do que está sendo realizado internacionalmente. “A Petrobrás atual, desintegrada sem sua distribuição, vendendo sua presença no gás natural, desfazendo-se da rede logística, saindo da petroquímica, biocombustíveis, fertilizantes e refino de derivados, vai na contramão das outras grandes petroleiras”, opina.

Em consonância com o governo federal, que se difere completamente dos executivos estaduais, a direção da Petrobrás anunciou medidas para enfrentar a pandemia da covid-19 que penalizam “demasiadamente os trabalhadores”, com pouca efetividade na redução de gastos.

De acordo com Gabrielli, o cenário atual mostra “o Estado se apropriando das rendas de muitos e distribuindo para poucos”. Com a Petrobrás, detentora da maior descoberta deste século, o pré-sal, não é diferente.

Confira abaixo a entrevista completa, concedida ao jornalista Guilherme Weimann, para o Sindipetro Unificado de São Paulo:

> Atualmente, o principal debate presente na sociedade brasileira coloca a economia e a vida em dois lados opostos. É possível construir uma política econômica na qual a vida esteja em primeiro lugar?

A disputa pelos recursos públicos se tornou um dos principais componentes da luta de classes no capitalismo moderno, com o Estado se apropriando das rendas de muitos e distribuindo para poucos. No momento atual de pandemia, as contradições sobre os usos dos fundos públicos se tornam ainda mais evidentes espraiando-se também para a exploração direta do trabalho. Há aqueles que desprezam a vida e só querem que a economia funcione. Há aqueles que, mesmo com custos econômicos, escolhem que a vida seja preservada. Este conflito, permanente no regime capitalista, está agora mais evidenciado nas formas de combate ao coronavírus. Uma economia que se preocupe primeiramente com a vida é possível, mas não na sociedade atual.

> Qual a sua avaliação sobre as medidas que o governo tomou para o enfrentamento da crise causada pelo coronavírus?

Primeiro se pergunta: qual governo? O do Bolsonaro, um irresponsável que arrisca distribuir o vírus passeando pelas feiras, propondo o fim da quarentena e minimizando os riscos? Ou o do ministro da Saúde, que afirma a importância do isolamento social, os riscos da pandemia, especialmente sobre o sistema de saúde? Ou dos governadores, especialmente os do Nordeste, que vêm tomando medidas para garantir a redução da velocidade de proliferação, aumentando a capacidade de atendimento para os momentos críticos de aumento da demanda dos serviços de saúde?

> Qual a sua avaliação sobre as medidas anunciadas pela Petrobrás relacionadas ao covid-19, que incluem desde o cancelamento de direitos trabalhistas, até desinvestimentos e diminuição da produção?

Há uma combinação de objetivos, que poderiam ser diferenciados. De um lado algumas medidas para fortalecer o caixa da empresa frente aos preços baixos do petróleo e a queda da demanda. De outro, as medidas de proteção à vida para reduzir os riscos de contaminação dos trabalhadores. Neste último objetivo acho que a Petrobrás foi tímida na redução das aglomerações e na diminuição dos riscos de contato nos locais de trabalho e de transporte. No que se refere ao reforço do caixa, acho que penalizou demasiadamente os trabalhadores, sendo pouco efetiva na contração de alguns gastos de custeio. Não ficaram claras as medidas e prioridades para os adiamentos de projetos estratégicos dentro da redução do CAPEX [despesa de capitais].

>Na sua opinião, qual o papel que a Petrobrás deveria desempenhar nesse período, de duração ainda incerta, de profunda crise econômica?

A crise econômica internacional que se aprofundará, e que terá rebatimentos no Brasil, será mais um desafio para as empresas de petróleo. Aquelas mais integradas “do poço ao posto, passando pelo poste” estarão em melhores condições de passar pela tempestade minimizando os prejuízos entre os vários setores e aproveitando-se da oportunidade de ganhos em outros. A Petrobrás atual, desintegrada sem sua distribuição, vendendo sua presença no gás natural, desfazendo-se da rede logística, saindo da petroquímica, biocombustíveis, fertilizantes e refino de derivado  vai na contramão das outras grandes petroleiras. Ficará muito mais vulnerável às flutuações dos preços do petróleo cru. Em suma, a atual Petrobras abriu mão de seu papel estratégico para enfrentar a crise.

> No acumulado do ano, a Petrobrás diminuiu os valores dos combustíveis cobrados nas refinarias, mas isso não se refletiu aos consumidores. Qual o motivo desses descontos nas tarifas não chegarem à população?

Os preços nas bombas dependem dos preços nas refinarias, mais às margens da logística, da distribuição e do varejo, além da tributação indireta, federal e estadual, fatores que separam os preços da Petrobrás dos preços nos postos de combustível.

> Nesta segunda-feira (30), a Petrobrás justificou a importação de GLP pelo aumento do consumo provocado pelos estoques que a população está fazendo da mercadoria. Esse argumento explica todo esse cenário?

Não acredito que a importação do GLP tenha sido em resposta a uma eventual maior estocagem domiciliar do gás de cozinha. Temos uma limitação na capacidade de produção e a importação é necessária para atender ao mercado, principalmente com a política de reduzir as cargas das refinarias e das unidades de processamento do gás natural.

> Desde 2016, a Petrobrás implementou a Política de Paridade Internacional (PPI) dos preços dos derivados como uma das medidas para desintegrar a Petrobrás? Com a queda no barril internacional do petróleo, essa política será seguida à risca?

Difícil dizer se será seguida à risca. Para manter a coerência com a estratégia de venda das refinarias e dos terminais, precisará ser seguida, implicando em provável queda, ainda que em proporções menores do que os preços do petróleo cru, nos derivados de petróleo para o mercado doméstico.

[Via Sindipetro Unificado SP]

Publicado em Sistema Petrobrás

Via INEEP

A Petrobras divulga nesta quarta (19/02) o resultado anual de 2019. Segundo estimativas do Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), a expectativa é de que a empresa registre um expressivo aumento nos lucros, que devem alcançar cerca de R$ 38 bilhões. Esse montante é cerca de 42% superior em relação ao ano de 2018. 

Todavia, esse resultado somente será alcançado se os gastos realizados (bônus de assinatura e despesas com a aquisição da cessão onerosa) pela Petrobras na aquisição de novos blocos exploratórios de cerca de R$ 35 bilhões não impactarem as despesas da companhia (tabela 1). 

Na avaliação do Ineep, por conta de as despesas com bônus de assinatura serem lançadas como ativos e depreciadas ao longo do tempo, a partir da comprovação da viabilidade técnica e comercial da produção de óleo e gás nas áreas leiloadas, estas não afetarão os gastos da companhia. 

Cabe observar que esse expressivo resultado nos lucros e na geração de caixa (EBITDA estimando em R$ 122 bilhões – Tabela 1) da Petrobras em 2019 foi, em boa medida, influenciado por receitas não recorrentes de venda de ativos que totalizaram R$ 44,5 bilhões. Entre os ativos vendidos, destacaram-se a TAG, a BR Distribuidora e os campos maduros na Bacia de Campos. 

Tabela 1 – Estimativas do Balanço da Petrobras

 

Além das receitas não recorrentes, o provável resultado positivo da Petrobras se deve ao aumento de 6,4% na produção de petróleo e gás em 2019, na comparação com 2018, registrando uma média 2,77 milhões de barris equivalentes de petróleo. A produção no pré-sal, que se expandiu em 28%, foi a área que mais impulsionou esse resultado, já representando cerca de 59% da produção de petróleo no Brasil. 

Esse aumento da produção ocorreu em virtude de novas unidades de produção e, principalmente, devido ao ramp-up dos 8 novos sistemas que entraram em produção em 2018 e 2019. Cabe observar que as decisões de investimentos para que essas unidades produtivas entrassem em operação ocorreram há pelo menos cinco ou seis anos atrás. 

A plataforma P-68, por exemplo, que iniciou sua produção em novembro de 2019, foi contratada pelo consórcio Petrobras e Galp, em 2012, junto à subsidiária da Sembcorp Marine, Jurong do Brasil Prestação de Serviços Ltda (JDB). Na época, o estaleiro fechou um contrato de US$ 674 milhões “para a construção de um total de oito módulos e integração do módulo funciona para dois Navios Plataformas de Produção, Armazenamento e Transferência (FPSO)”, entre estes a P-68. Ou seja, a entrada da P-68 para produzir os campos de Berbigão e Sururu, em 2019, somente foi possível em razão de uma decisão de investimento tomada em 2012. 

Os resultados positivos da produção de petróleo e gás são, portanto, o resultado de decisões de investimento iniciados em períodos anteriores que requerem um elevado montante de recursos que, após a produção, irá gerar retornos e geração de caixa por longos períodos. 

Com o avanço da produção de petróleo e a estagnação no nível de utilização das refinarias, as estimativas do Ineep mostram que a Petrobras tem aumentado de forma expressiva suas receitas oriundas da exportação de petróleo cru. Entre 2018 e 2019, as exportações cresceram cerca de 25,2% (de 428 para 536 mil barris/dia), sendo que a receita com a exportação de petróleo já representa mais de 15% da receita total da Petrobras. 

Por outro lado, a utilização da capacidade das refinarias da Petrobras em 2019 ficou em 77%, praticamente igual ao nível do ano anterior, mesmo com o aumento da demanda de derivados no mercado consumidor brasileiro. Segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o consumo de combustíveis cresceu 2,9%, entre 2018 e 2019, saltando de 2,35 milhões de barris/dia para 2,41 milhões de barris/dia. Todavia, a queda de 2,7% do volume total de vendas dos derivados fez com que a Petrobras perdesse ainda mais participação no abastecimento para o mercado interno. Tal participação caiu de 76,2% em 2018 para 72,0% em 2019, uma expressiva queda de quatro pontos percentuais em apenas um ano. 

Considerando a segunda metade dos anos 2010, a perda de participação foi ainda maior (cerca de dez pontos percentuais), saindo de 82,9% em 2015 para os mesmos 72,0% de 2019. Nesse período, a produção de derivados se reduziu de 2,03 milhões de barris/dia para 1,74 milhões de barris/dia (uma queda de 14,2%). 

Isso evidencia que a redução do market share da Petrobras no mercado de derivados, fruto de sua política de preços alinhada com o preço paridade internacional (PPI) e da estratégia de subutilização das refinarias, possibilita a entrada de novos competidores (importadores) sem que essa concorrência tenha significado uma diminuição dos preços dos derivados. Isso é explicado pelo fato de todo o mercado estar “alinhado” ao preço de importação. 

Pelo lado do endividamento, os resultados do balanço devem reforçar a política em curso de acelerada desalavancagem (trajetória de redução da relação dívida líquida/LTM EBITDA). Com as receitas oriundas das vendas de ativos, a Petrobras deve adiantar o pagamento de dívidas junto aos seus credores, reduzindo o seu nível de endividamento, mas num montante menor do que nos trimestres passados em virtude dos gastos com bônus de assinatura de novas áreas de exploração. 

Os resultados operacionais e financeiros do balanço anual 2019 da Petrobras devem evidenciar a estratégia de desinvestimentos, que gera caixa no curto prazo, mas pode afetar as condições produtivas da empresa no médio e longo prazo. Todavia, cabe ressaltar que, para além da venda de ativos, os resultados positivos estão ancorados na descoberta do pré-sal e nos investimentos passados que visaram acelerar o desenvolvimento da produção dessa fronteira. 

Por isso, não há dúvidas de que as perspectivas na produção de petróleo devem garantir um futuro promissor à empresa, principalmente por conta do pré-sal, desde que permaneçam os investimentos na exploração e produção (E&P). Todavia, a concentração das atividades da estatal somente neste segmento traz riscos de longo prazo, principalmente numa eventual turbulência no mercado internacional que reduza bruscamente o preço do barril do petróleo. A atual desverticalização da empresa – que tende a se aprofundar em 2020 – pode comprometer a capacidade futura de geração de receitas tendo em vista a eliminação de várias atividades que poderiam “atenuar” eventuais dificuldades no setor de E&P.

Publicado em Sistema Petrobrás

Os trabalhadores do Sistema Petrobrás de Santa Catarina deram mais uma demonstração de união e disposição de luta. Na manhã desta quarta-feira (19), petroleiros em greve de várias unidades da empresa participaram de um protesto em frente ao Terminal Transpetro de Biguaçu (Teguaçu), na região metropolitana de Florianópolis.   

A manifestação conseguiu atrair mais adesões ao movimento e mostrou a coragem dos petroleiros catarinenses, que definirem coletivamente que vão seguir firmes na luta e aguardar as orientações da FUP e sindicatos sobre os rumos da greve. “Mesmo com os cortes de salários que já ocorreram, todos estão com a folha de pagamento zerada, com vários descontos, e as cartas com ameaça de demissão sendo entregues nas suas residências, os petroleiros decidiram se manter em luta enquanto aguardam instruções para construir uma saída ou a manutenção da greve”, disse Jordano Zanardi, diretor do Sindipetro PR e SC. 

O ato no Teguaçu é o terceiro que reúne petroleiros de vários terminais durante esta greve. Antes, ocorreram manifestações semelhantes nas unidades da Transpetro de Guaramirim (Temirim) e São Francisco do Sul (Tefran).

Vídeo: Grito de Guerra na Manifestação 

 

[Sindipetro-PR/SC]

Publicado em Sistema Petrobrás

[Atualizado às 18h]

Nesta quinta-feira, 13, quando os petroleiros completam 13 dias em greve, a FUP e seus sindicatos realizaram novas ações solidárias para que a população possa ter acesso a combustíveis com preços justos. O objetivo foi alertar os consumidores sobre os prejuízos causados pela política de preços que a Petrobras adota desde 2016 e que faz parte do pacote de desmonte e privatização da empresa.

Ao longo da manhã do dia, os sindicatos subsidiaram descontos de botijões de gás e gasolina em sete estados do país – Amazonas, Pernambuco, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul.

Na sexta, também haverá subsídios de combustíveis no Rio Grande do Norte e Ceará. 

Desde o início da greve, os petroleiros já realizaram ações semelhantes no Paraná, em Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Espírito Santo e Rio Grande do Sul. 

Apesar de extrair petróleo com um dos custos mais baixos do planeta, a Petrobrás reajusta os preços dos derivados nas refinarias de acordo com as variações do mercado internacional e, consequentemente, do dólar, que já chegou a R$ 4,30.

Além disso, a empresa vem reduzindo o uso de suas refinarias, que operam hoje abaixo de 70% da capacidade. Há seis anos, as refinarias operavam com 95% de capacidade.

Ou seja, o Brasil está importando combustíveis que poderiam ser produzidos no país, o que nos deixa ainda mais expostos aos efeitos das crises internacionais. A situação ficará ainda mais grave com a venda de oito das 15 refinarias da Petrobrás.

> Confira os locais das ações solidárias dos petroleiros nesta quinta:

Belford Roxo (RJ)

Horário: 9h Local: Rua Padre Egídio, 78 - bairro Lote 15 (Paróquia São Simão) Combustível: Gás de cozinha – 50 botijões

Salvador (BA)

Horário: 11h Local: Posto BR – Avenida Vasco da Gama, em frente à antiga Coca-Cola Combustível: Gasolina – 100 vouchers

Manaus (AM)

Horário: 10h Local: Avenida José Lindoso (antiga Avenida das Flores), s/n, Loteamento das Orquídeas Combustível: Gás de cozinha – 200 botijões

Esteio (RS)

Horário: 10h Local: Rua Rio Grande, 2092, Centro Combustível: Gás de cozinha – 100 botijões

Jaboatão dos Guararapes (PE)

Horário: 10h Local: Rua Boa Esperança, s/n - em frente à Escola Estadual Nestor Gomes de Moura - bairro Vila Rica Combustível: Gás de cozinha – 200 botijões

São Mateus (ES)

Horário: 8h Local: BR-101, km 67,5 (portaria da Base 61, sede da Petrobrás em São Mateus) Combustível: Gás de cozinha - 100 botijões

Cosmópolis (SP)

Horário: 17h Local: cruzamento entre a Avenida do Trabalhador e a Avenida da Saudade Combustível: Gás de cozinha - 100 botijões

> Ações solidárias dos petroleiros na sexta:

Natal (RN)

Horário: 8h30 Local: Sede Administrativa da Petrobrás em Natal (Av. Euzébio Rocha, 1000 ) Combustível: Gás de cozinha - 200 botijões

Fortaleza (CE)

Horário: 8h30 Local: Portão B da Lubnor (Av. Leite Barbosa, S/N - Mucuripe ) Combustível: Gás de cozinha - 200 botijões.

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[FUP] 

 

 

 

Publicado em Sistema Petrobrás

Os trabalhadores e as trabalhadoras da Casa da Moeda do Brasil (CMB) fizeram nesta segunda-feira (3) uma greve de advertência de 24 horas contra a privatização ou extinção da estatal planejada pelo governo de Jair Bolsonaro e o corte de benefícios trabalhistas conquistados pela categoria.

A greve, que parou a produção de moedas e cédulas, passaporte, medalhas de premiações especiais e selos postais, é pela manutenção das regras das cláusulas sociais garantidas no acordo coletivo de 2019, como plano de saúde e auxílio-transporte, e também contra a privatização da estatal que vem sendo colocada entre as empresas que podem ser vendidas desde o governo do ilegítimo Michel Temer.

Esta não é a primeira mobilização dos trabalhadores e das trabalhadoras da Casa da Moeda do Brasil em defesa da estatal e dos empregos. No dia 10 de janeiro, a categoria ocupou por cerca de 10 horas a entrada do gabinete da presidência da Casa da Moeda e só saiu após a chegada da Polícia Militar.

Assim como a Petrobrás, ao invés de sentar para negociar a direção da Casa da Moeda recorre às forças policiais.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Moedeiros, Aluizio Junior, em dezembro, a direção da Casa da Moeda comunicou os trabalhadores as modificações que estava fazendo nas cláusulas do acordo coletivo, entre elas o aumento do percentual descontado do salário pelo plano de saúde e do auxílio-transporte, além do fim do seguro de vida.

Isso tudo, afirma o presidente, foi feito enquanto o Tribunal Superior do Trabalho (TST) tenta mediar o impasse que envolve a renovação do acordo coletivo de 2019 e no momento em que a categoria se prepara para negociar a data-base de 2020, que é em janeiro.

Segundo a direção do Sindicato dos Moedeiros, os cortes representam perda salarial média de R$ 2.500 e que parte dos funcionários virá com contracheque zerado no fim do mês. Eles rejeitaram a proposta de acordo provisório com vigência até o julgamento do dissídio pelo TST, marcado para março deste ano.

“A luta é pelo restabelecimento das cláusulas sociais e do nosso poder econômico, mas a luta maior é contra a privatização e nos juntamos aos petroleiros, bancários e outras categorias para formar uma grande resistência para salvar a soberania nacional e expulsar este governo que não tem amor pelo Brasil nem pelo povo brasileiro”, disse Aluizio Junior durante o protesto realizado ontem em frente à Casa da Moeda.

A privatização da Casa da Moeda

A privatização da Casa da Moeda, empresa pública vinculada ao Ministério da Economia, fundada em 8 de março de 1694, há 326 anos, está entre as 17 estatais incluídas no programa de desestatização do governo.

Entenda como a privatização da estatal coloca em risco a economia e a soberanria do país.

 

 

Publicado em Trabalho

Com ampla aprovação nas assembleias, a GREVE por tempo indeterminado no Sistema Petrobrás terá início no primeiro minuto de sábado (01/02).

O momento é de unidade, solidariedade e de reação.

Nem quem amargou perdas de direitos nos anos 90 passou por tanta humilhação e truculência, como acontece hoje no Sistema Petrobras. Nada chega perto da destruição que esse governo está fazendo.

A vida que tínhamos antes não existe mais. E vai piorar, se não reagirmos. São MIL DEMISSÕES sumárias na Fafen-PR. Uma fábrica 100% Petrobras. Gerente, supervisor, peão, sejam próprios ou terceirizados, TODOS foram chutados para o olho da rua. Com uma mão na frente e outra atrás.

Fizeram algo semelhante na BR Distribuidora, cuja privatização resultou em centenas de demissões e reduções drásticas de salários e direitos para os que ficaram.

Os próximos serão os trabalhadores das refinarias e terminais, que já estão com os dias contados.

O próprio gerente executivo de Gestão de Pessoas já havia avisado, em fevereiro do ano passado, que não terá lugar para todo mundo na Petrobrás. “Todo quadro de trabalho da companhia será reduzido. Dá para absorver todo mundo? Não dá. Algumas pessoas não ficarão na companhia”, afirmou na época, ao anunciar a desativação do Edisp.

Só a LUTA garantirá nossos empregos.

Esqueça qualquer teoria de salvação que os gestores e até mesmo alguns colegas repetem como mantras para tentar te acalmar.

Não há saída individual. Só JUNTOS poderemos mudar o rumo dessa história.

Ou reagimos agora ou será tarde demais. Não haverá uma segunda chance.

Vamos converter em luta toda a nossa indignação com os abusos desta gestão.

À greve, companheiros!

Federação Única dos Petroleiros - FUP

 

Publicado em Sistema Petrobrás

Os trabalhadores do Sistema Petrobrás encerraram nesta terça-feira, 28, as assembleias nas bases da FUP, onde aprovaram o indicativo de greve por tempo indeterminado, contra as demissões na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen) e o descumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

A Federação e seus 13 sindicatos já enviaram nesta terça comunicado à gestão da Petrobrás e das subsidiárias, informando o início da greve, a partir do primeiro minuto de sábado (01/02).

Os petroleiros, como sempre fizeram, irão garantir o abastecimento da população durante todo o movimento grevista.

A luta da categoria é em defesa dos empregos e da Petrobrás a serviço do povo brasileiro.

Demissões no rastro da desindustrialização

A política agressiva do atual governo de privatização e fechamento de unidades estratégicas da Petrobrás impacta os petroleiros, com demissões em massa e ataques a direitos pactuados em acordos, e também prejudica a população.

A destruição da cadeia produtiva de óleo e gás é um dos principais motivos pelos quais a economia do país segue estagnada. A Petrobrás, que era uma das locomotivas do desenvolvimento nacional, reduziu em mais de 50% os investimentos no Brasil. Os R$ 104,4 bilhões investidos pela empresa em 2013 despencaram para R$ 49,3 bilhões, em 2018. Uma queda de 53%.

Sem os investimentos da Petrobrás, o setor deixou de gerar mais de R$ 100 bilhões para o PIB nesse período. Como consequência, 2,5 milhões de postos de trabalho foram fechados, o que representa 19% da atual taxa de desemprego. Só no Sistema Petrobrás, foram mais de 270 mil demissões, entre trabalhadores próprios e terceirizados. 

Preços de combustíveis abusivos

O aumento dos preços da gasolina, do gás de cozinha e do diesel também faz parte do pacote de desmonte da Petrobras. Os gestores alteraram não só a forma de reajuste dos preços dos derivados, como colocaram à venda oito refinarias, 13 terminais marítimos e terrestres, 2.226 quilômetros de dutos e ainda privatizaram as distribuidoras de combustíveis. Ou seja, a população está refém do sobe e desce do mercado e exposta às crises internacionais de petróleo.

Quem ganha com isso são as importadoras de combustíveis, que estão lucrando milhões de dólares, enquanto a Petrobrás exporta óleo cru e coloca à venda metade do seu parque de refino. Quem perde é o povo brasileiro, que paga uma das gasolinas mais caras do planeta.

Descumprimento do Acordo Coletivo

As demissões e transferências em massa que estão ocorrendo no Sistema Petrobrás em função das privatizações e fechamento de unidades ferem os Acordos de Trabalho pactuados com as representações sindicais.

É o caso da Cláusula 26 do ACT da Araucária Nitrogenados que impede a empresa de promover demissões em massa, sem negociação prévia com o sindicato. A despeito do Acordo Coletivo, a Petrobrás anunciou a demissão sumária dos trabalhadores da Fafen-PR, que souberam do fato pela imprensa. Nem o sindicato, nem a FUP foram sequer informados sobre essa decisão arbitrária.

Esse não é um caso isolado de descumprimento de acordo. Menos de três meses após a assinatura do ACT, os gestores da empresa seguem reiteradamente desrespeitando o que pactuaram com as representações sindicais. Além disso, atropelam legislações e o próprio processo de negociação ao impor decisões unilaterais, à revelia dos sindicatos e da vontade dos trabalhadores.  

Exemplos não faltam: tabela de turno, banco de horas, hora extra na troca de turno, relógio de ponto, interstício total, PLR, mudanças na AMS, transferências arbitrárias de trabalhadores... e agora a demissão em massa em uma empresa 100% Petrobrás, sem que fosse dada qualquer alternativa aos trabalhadores.

A indignação da categoria com tantos abusos será convertida em luta, através de uma greve forte e coesa em todo o Sistema Petrobrás.

Em defesa dos empregos e contra a privatização da maior empresa nacional.

Resultado das assembleias

Sindiquímica-PR  – 100% de aprovação

Sindipetro Unificado de São Paulo - 88% de aprovação

Sindipetro Paraná e Santa Catarina – 87% de aprovação

Sindipetro Pernambuco e Paraíba  – 87% de aprovação

Sindipetro Minas Gerais – 86% de aprovação

Sindipetro Duque de Caxias – 86% de aprovação

Sindipetro Rio Grande do Norte – 84% de aprovação

Sindipetro Rio Grande do Sul – 74% de aprovação

Sindipetro Espírito Santo – 75% de aprovação

Sindipetro Amazonas – 74% de aprovação

Sindipetro Norte Fluminense – 73% de aprovação (atualizado às 18h49 de 29/01)

Sindipetro Bahia – 56% de aprovação (34% de abstenção e 10% de rejeição)

Sindipetro Ceará – 37% de aprovação (42% de abstenção e 21% de rejeição)

[FUP | Foto: Paulo Neves]

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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