[Da imprensa da FUP]

Na reunião desta quarta-feira, 22, com o grupo de Estrutura Organizacional de Resposta (EOR), a FUP tornou a criticar a gestão da Petrobrás por insistir em manter nas áreas trabalhadores que testam positivo para o coronavírus, entre outras medidas da empresa que estão na contramão da contenção da proliferação da covid-19.

Na Termelétrica de Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, por exemplo, devido a um problema no fornecimento de água, os trabalhadores estão tendo que usar baldes para fazer a higienização. Mesmo assim, a gestão insiste em realizar uma parada de manutenção, que aumentará exponencialmente os efetivos de trabalhadores na área. Só isso já colocaria em risco os trabalhadores, por conta da aglomeração. Imagine sem água para lavar as mãos e outros procedimentos de higienização que são determinantes para evitar a contaminação?

A FUP tornou a cobrar a suspensão de obras e paradas de manutenção em todo o Sistema Petrobrás até que haja real melhoria nas condições das unidades, controle da pandemia e o retorno seguro de trabalhos que envolvam grandes contingentes de empregados.

A FUP também criticou a falta de transparência da gestão da Petrobrás em relação ao plano de retomada das atividades, que está sendo implementado unilateralmente pela empresa em meio à pandemia, quando vários estados do país apresentam curvas crescentes de casos de contaminação e óbitos por covid-19. O RH disse que a FUP será comunicada previamente sobre as retomadas, o que não condiz com a realidade dos fatos, já que os trabalhadores já estão recebendo mensagens da empresa com orientações para a chamada “fase 1” de retorno. 

Números divergentes

A Petrobrás continua omitindo informações sobre o avanço da covid-19 entre os trabalhadores terceirizados, que não têm sido poupados da exposição e são os mais vulneráveis à contaminação. Segundo o EOR, no dia 21 de julho foram contabilizados 192 casos ativos de covid-19 entre os trabalhadores próprios, uma informação que não revela a quantidade efetiva de trabalhadores contaminados no Sistema Petrobrás.

A diferença dos dados informados à FUP e aos sindicatos em relação aos números divulgados pelo Ministério das Minas e Energia (MME) tem sido uma constante. O mais absurdo é o fato do MME informar a ocorrência de 3 óbitos na Petrobrás, quando temos informações das bases de que esse número é muito maior e já ultrapassa 14 casos, infelizmente.

 

[Da imprensa do Sindipetro Unificado-SP]

Na próxima terça-feira (28), no Dia do Agricultor, o Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro Unificado-SP) lança um mini documentário denominado “O elo da semente”. O curta-metragem de nove minutos apresenta a parceria construída com integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), com o objetivo de contribuir com a venda e distribuição de alimentos orgânicos cultivados em assentamentos da região de Campinas (SP).

A partir do diagnóstico de que a distribuição era o gargalo da cadeia de produção da reforma agrária, petroleiros e voluntários decidiram criar um grupo de WhatsApp, desde agosto de 2017, para potencializar a venda de orgânicos da Cooperativa da Agricultura Familiar de Americana, Cosmópolis, Limeira e Piracicaba (Cooperflora).

Semanalmente, os participantes se inscrevem para comprar uma cesta com cinco quilos e uma variedade de sete verduras e legumes orgânicos, selecionados a partir da colheita, pelo valor de R$ 28. Os alimentos podem ser retiradas na sede do Sindipetro Unificado-SP ou recebidos em casa, por meio de um serviço de entrega.

Em todas as etapas (produção, distribuição e consumo) desse processo, destaca-se o papel das mulheres. Uma delas é a agricultora do Assentamento Milton Santos, Ariele Caroline Contrigiani, que explica o significado da frase “se o campo não planta, a cidade não janta”, comum de ser escutada nas marchas do MST.

“Eu defendo muito que o alimento tem um papel fundamental nessa batalha das ideias. Hoje a logística é difícil, não é uma coisa simples. As pessoas da cidade não entendem o quanto são importantes para todo esse processo. Isso é uma tarefa de todo mundo”, opina Ariele.

Publicado em Trabalho

[Da imprensa da FUP]

Com o tema "Democracia, emprego, revolução digital", o 18º Congresso Nacional da FUP prossegue neste sábado, 18, quando as delegações debatem questões relacionadas à campanha reivindicatória e às lutas contra as privatizações no Sistema Petrobrás. Essa parte do Confup funciona através de grupos de trabalho, que irão definir as reivindicações, eixos de luta, estratégias e calendários de mobilização durante a negociação do Acordo Coletivo de Trabalho.

Grupo 1 - Pendências de Regimes

Grupo 2 - Novas Tecnologias e Teletrabalho

Grupo 3 - AMS e Petros

Grupo 4 – Combate à privatização

As deliberações serão submetidas à plenária final, que será realizada na manhã de domingo.

Debates virtuais

Todos os debates do 18º Confup estão sendo feitos de forma virtual, através de plataformas digitais. Ao todo, 481 trabalhadores participam do congresso, sendo 272 delegados, 40 suplentes e 32 observadores, além de assessores e jornalistas.

Eleição da Diretoria

Os petroleiros e petroleiras elegeram na quarta-feira a nova diretoria e Conselho Fiscal da FUP, através de uma chapa única, com representações de todas as forças políticas que integram a Federação. O petroleiro da Bahia, Deyvid Bacelar, é o coordenador geral da FUP, com mandato até 2023.

Youtube e Facebook

Além dos debates em salas virtuais fechadas, o Confup teve cinco painéis transmitidos ao vivo pelos canais da FUP no Youtube e no Facebook. Os petroleiros receberam convidados como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Sila; a ex-ministra de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello; o ex-coordenador da FUP, José Maria Rangel; a socióloga do trabalho, Selma Venco, professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); a pesquisadora Marilane Teixeira, professora do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho da Unicamp; o historiador Flávio Gomes, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); a quilombola ativista da Via Campesina, Selma Dealdina; a socióloga política Katucha Bento, professora da Universidade de Leeds, na Inglaterra; a drag queen Ruth Venceremos, do Distrito Drag e do coletivo LGBT Sem Terra; o petroleiro aposentado Hermes Rangel, facilitador do “E agora José?" - grupo socioeducativo de responsabilização de homens; o advogado e gestor de projetos culturais, Gustavo Seraphin, idealizador do Fio da Conversa - iniciativa que investiga os fazeres manuais têxteis e as masculinidades.

Todos os painéis transmitidos pelo youtube podem ser acessados no canal da FUP e também no facebook:

> https://www.youtube.com/fupbrasil

> https://www.facebook.com/fupetroleiros

Livro do Ineep

Os pesquisadores do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep) também participaram do 18º Confup, com uma live de lançamento do livro “Desinvestimento e desregulação da indústria de óleo e gás: o caso brasileiro e as lições internacionais”.

Live show

Na sexta à noite, o instrumentista e cantor baiano Gerônimo foi a atração cultural do 18 Confup. Fiilho de petroleiro, ele é um dos expoentes mais proeminentes da musicalidade baiana, com mais de 20 discos gravados.

 

 

Publicado em 18 CONFUP

[Da Imprensa do Sindipetro-NF] 

Os homens precisam conversar mais entre si sobre o que significa ser homem. E não no sentido proposto por movimentos conservadores de reafirmação de uma postura patriarcal, como tem sido estimulado entre alguns grupos reacionários e ou religiosos. O desafio é justamente o oposto: entender as possibilidades de novas masculinidades.

A necessidade foi debatida em mesa que durou duas horas neste final de tarde no 18º Confup (Congresso da Federação Única dos Petroleiros), o evento nacional de uma categoria eminentemente masculina e que também se sente desafiada a enfrentar a pauta sobre o que é ser homem na atualidade. Somente na Petrobrás, dos cerca de 57 mil empregados, 48 mil são homens, de acordo com dados de 2019.

Moderada pelo diretor da FUP e do Sindipetro-NF, Tadeu Porto, a mesa contou com as exposições de Ruth Venceremos, artista drag queen do Distrito Drag e do coletivo LGBT Sem Terra, do petroleiro aposentado Hermes Rangel, facilitador do programa “E agora José?", e do advogado e gestor de projetos culturais, Gustavo Seraphim, idealizador do "Fio da Conversa", uma iniciativa que investiga os fazeres manuais têxteis e as masculinidades.

O painel foi pensado e organizado pelo Coletivo Nacional de Mulheres Petroleiras da FUP.

Combate ao patriarcado

"Na atualidade, discutir masculinidade é um exercício necessário para avançarmos na discussão de novas relações sociais e de gênero. Para isso é imprescindível que os homens possam conversar entre si sobre diversas questões que envolvem as relações patriarcais de gênero e de como estas implicam na manutenção de um sistema de opressão masculina", defende Ruth.

Ela avalia que os homens também devem pensar os papéis de gênero, provocando-se a enfrentar questões como "o que é ser homem nessa sociedade", "qual o papel dos homens nas relações patriarcais de gênero" e "o que são as novas masculinidades".

Ruth, que atua como artista em Brasília e teve grande protagonismo nas eleições de 2018 — quando comparecia como drag queen nas manifestações para colocar a pauta identitária em questão — associa a sua luta ao combate ao próprio capitalismo, e elogiou a iniciativa dos petroleiros em colocar o tema em debate. "No fundo estamos discutindo que sociedade queremos. Temos que combater o patriarcado, mas também temos que combater o capitalismo que utiliza o patriarcado como forma de se manter. E essa discussão é coletiva, por isso é importantíssimo quando um coletivo tão importante para o país, como o dos petroleiros, faz essa discussão", disse.

A artista e militante levantou temas como a divisão de tarefas domésticas  - "a gente sabe que não cai o pinto se lavar o prato", provocou -, o modo como a maioria dos homens ainda vêem as mulheres -"é tida como objeto, ora santa, ora puta" - e desafiou os homens a fazerem uma autocrítica, defendendo que é papel masculino refletir sobre os privilégios que ainda mantêm na sociedade.

Para ser humano

Esta necessidade de conversar sobre masculinidades também foi defendida por Gustavo Seraphim, que se apresentou com tendo lugar de fala na condição de "homem cis [cisgênero, que se apresenta e se identifica com o seu gênero biológico], heterossexual, branco e de classe média". Para ele, este diálogo é vital até mesmo para os próprios homens.

"Essa masculinidade tida como hegemônica, esse estereótipo de masculinidade, é prejudicial não apenas para as mulheres, para os homens homossexuais, para toda a comunidade LGBTQ+, mas também para os próprios homens, que acabam tendo que se encaixar dentro desse estereótipo, uma armadilha que aprisiona esses homens dentro de uma caixa de padrões pré-definidos e impossibilitam uma diversidade maior de possibilidades de ser homem. Principalmente dificulta uma possibilidade de ser humano mesmo", defende Seraphim.

O projeto "Fio da Conversa", que funciona desde o início de 2019 em Curitiba, reúne homens em ciclos para aprenderem a fazer tricô, enquanto conversam sobre a condição masculina na sociedade. A proposta é quebrar os estereótipos sobre ser homem. "Não há uma masculinidade, há masculinidades. O que há é um padrão hegemônico que tem sido construído há muito tempo, que chega a nós como única possibilidade de existir como homem", complementa Seraphim.


Saiba mais sobre o Fio da Conversa: baixe a edição eletrônica da revista do projeto


Programa "E agora, José?"

Hermes Rangel, que é diretor do Sindipetro Unificado de São Paulo, expôs a experiência do programa "E agora, José?", em Santo André (SP), que atende a homens encaminhados pela Justiça por terem praticado violência de gênero. O projeto nasceu como resposta ao previsto no artigo 35 da Lei Maria da Penha, que determina a criação de centros de educação para homens que sejam condenados por violência de gênero.

"O programa existe desde 2014, começou com o atendimento a 27 homens. Hoje já são mais de 300 homens atendidos. E nenhum deles retornou para o grupo. Então, em tese, a gente acredita que eles estão repensando as suas masculinidades, as suas violências. Pelo menos saíram do programa com alguma motivação, com algum questionamento para tomarem cuidado com as suas atitudes", explica.

O programa prevê 26 encontros: dois para entrevistas individuais, 20 em grupo, e quatro quadrimestrais após o encerramento para avaliação sobre como os homens estão se sentindo e se comportando. Atualmente, em razão da pandemia, os encontros estão sendo realizados em três salas virtuais, com dois facilitadores em cada uma delas.

Assista a íntegra do debate: 

Aprenda mais sobre masculinidades

Durante a live, os convidados deram dicas de filmes e documentários que debatem masculinidades.

O silêncio dos homens

Esse filme é parte de um projeto que ouviu mais de 40 mil pessoas em questões a respeito das masculinidades e desembocou num documentário e num livro-ferramenta baseado nesse estudo com dados públicos por meio de um convênio com o Consórcio de Informações Sociais (CIS) da USP.

Precisamos falar com os homens? 

 No âmbito do movimento #ElesPorElas (HeForShe), o documentário "Precisamos falar com os homens? Uma jornada pela igualdade de gênero" procurará aproximar os homens desse tema tão importante. O objetivo é mostrar que a igualdade de gênero é uma questão que afeta a todos e todas e que, portanto, é benéfica a homens e mulheres. Nele investigamos como se formam, se sustentam e de que modo podemos desconstruir os estereótipos de gênero nocivos, que perpetuam o nosso cenário atual. O documentário é resultado de uma pesquisa qualitativa que rodou o Brasil e será complementado pela pesquisa quantitativa online ainda em curso.

 

Publicado em 18 CONFUP

Em videos enviados aos delegados e delegadas do 18º Congresso Nacional da FUP, diversas lideranças de movimentos sociais, sindicais e partidos políticos do campo da esquerda destacam a importância da organização sindical petroleira e das lutas da categoria em defesa da soberania e da democracia.

Assista aos videos: 

 

 

Publicado em 18 CONFUP

[Da imprensa da FUP]

Iniciado na quarta-feira, 15, com a eleição da nova diretoria da FUP, o 18º Confup prossegue até domingo, 19, com debates que serão estratégicos para as lutas que a categoria petroleira enfrentará na campanha reivindicatória e também junto à sociedade, na defesa da democracia e do Sistema Petrobrás.

Na sexta, 17, as delegações retomaram os debates em salas fechadas e participaram no final da tarde do último painel aberto, que tratou do tema masculinidades, com transmissão ao vivo pelo canal da FUP no Youtube e também pelo facebook. A programação do dia inclui também uma live com o músico baiano, Gerônimo, que terá início às 20h.

Com o tema "Democracia, emprego, revolução digital", o 18º Confup está sendo realizado inteiramente em plataformas digitais, com participação de 272 delegados, 40 suplentes, 32 observadores, além de assessores, jornalista e convidados, num total de 481 participantes. Os debates prosseguem até domingo, 19, com uma intensa programação, que inclui cinco painéis com transmissão ao vivo pelos canais da FUP no Youtube e no Facebook.

Acompanhe as próximas atividades do 18º Confup:

17/07 - sexta-feira

15h – Painel “Gestão Petrobras, relações sindicais e pendências das últimas negociações sob a mediação do TST” – com o assessor jurídico da FUP, Normando Rodrigues, e o assessor econômico e técnico do Dieese, Cloviomar Cararine.

[atividade fechada, somente para as delegações e assessorias]

17h – Painel “Masculinidades” – com Ruth Venceremos, Drag Queen do Distrito Drag e do coletivo LGBT Sem Terra; o petroleiro aposentado Hermes Rangel, facilitador do “E agora José?" - grupo socioeducativo de responsabilização de homens; e o advogado e gestor de projetos culturais, Gustavo Seraphin, idealizador do Fio da Conversa - iniciativa que investiga os fazeres manuais têxteis e as masculinidades.

[transmissão ao vivo pelo Youtube e Facebook]

20h – Live show com Gerônimo

[transmissão ao vivo pelo Youtube e Facebook]

18/07 – sábado

14h – trabalhos em grupo sobre ACT e pendências relativas a banco de horas/efetivo/HETT; novas tecnologias e teletrabalho; AMS e Petros; combate às privatizações.

[atividade fechada, somente para as delegações e assessorias]

19/07 – domingo

09h – plenária final para deliberar sobre pautas, calendários de lutas e moções.

[atividade fechada, somente para as delegações e assessorias]

11h – encerramento do Congresso Nacional da FUP.

[atividade fechada, somente para as delegações e assessorias]


> Veja aqui a programação completa: https://18confup.com.br/

 

 

 

Publicado em 18 CONFUP

[Da imprensa da FUP, com rádio NF]

O último painel com debate aberto do 18º Congresso Nacional da FUP discutirá novas masculinidades e também os efeitos nocivos da masculinidade tóxica. O mediador será o diretor da FUP, Tadeu Porto, que receberá a drag queen Ruth Venceremos, do Distrito Drag e do coletivo LGBT Sem Terra, o advogado Gustavo Seraphin, do “Fio da Conversa”, e o petroleiro aposentado, Hermes Rangel, que participa do projeto “E agora José?”.

“Na atualidade, discutir masculinidades é um exercício importante e necessário. Devemos pensar o que são os papéis de gênero, o que sé ser homem nesta sociedade, qual o papel dos homens na superação das relações patriarcais de gênero, o que são as novas masculinidades”, destaca a drag queen.

O projeto “E agora José?” é um grupo socioeducativo de responsabilização e reabilitação de homens agressores, que atua em consonância com a Lei Maria da Penha. “O grupo existe desde 2014 e já atendeu mais de 300 homens que chegam, encaminhados pela justiça. Ao longo desse tempo, nenhum dos agressores que atendemos retornou ao grupo, o que nos faz acreditar que eles estejam repensando suas masculinidades”, explica Hermes Rangel, que é um dos facilitadores do grupo.

O Fio de Conversa reúne homens em encontros de aprendizagem de tricô e conversas sobre masculinidades. “Esse olhar restrito e estereotipado para as masculinidades são totalmente prejudiciais, tanto para as mulheres, como para os homens homossexuais, toda a comunidade LGBTQI+, mas também são prejudiciais para os homens que acabam tendo que se encaixar dentro desses estereótipos. É um modelo de dominação para os homens cis heterossexuais, mas também uma armadilha, porque aprisiona uma grande parte dos homens dentro de uma caixa de padrões pré-definidos e impossibilita uma diversidade maior das possibilidades de exercer suas masculinidades e, principalmente, de ser humano”, afirma Gustavo, um dos idealizadores do projeto. 

Serviço:

Painel “Masculinidades”

Quando: sexta, 17, às 17h

Ao vivo pelo Youtube e Facebook:

> https://www.youtube.com/fupbrasil

> https://www.facebook.com/fupetroleiros

Publicado em 18 CONFUP
Quantas petroleiras ou petroleiros negros há na categoria? Você sabe dizer? Transferindo para sociedade, a regra desigual da injustiça por acesso ao mercado de trabalho, por exemplo, não é clara, é negra. 

[Da imprensa da FUP e do Sindipetro-PR/SC]

A crise sanitária e social gerada pela pandemia da covid-19 é o maior exemplo de como a população negra continua sendo segregada no Brasil. Durante o painel “Racismo estrutural e a classe trabalhadora”, que encerrou a programação desta quinta-feira, 16, do 18º Congresso Nacional da FUP, o historiador Flávio Gomes, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, afirmou que estudos recentes indicam que mais de 60% dos óbitos causados pelo coronavírus no país são de pessoas negras. A quilombola ativista da Via Campesina, Selma Dealdina, e a socióloga política, Katucha Bento, professora da Universidade de Leeds, também enfatizaram em suas falas como a pandemia tem um impacto muito mais cruel sobre a população negra.

O Brasil é o país do mundo onde mais morrem profissionais do setor de saúde em consequência da covid-19. E as maiores vítimas são mulheres negras. Nas filas para receber o auxílio emergencial na Caixa Econômica Federal, a maioria são negros. E isso é reflexo de um sistema historicamente racista, hoje chamado de racismo estrutural. Uma forma de dizer que o sistema brasileiro tem preferência e privilegia uma parcela branca da sociedade. Um problema secular.

Um assunto urgente e pertinente, como as falas dos convidados que participaram da live, que se estendeu por mais de duas horas e, até o início da noite desta quinta, já havia tido mais de 800 visualizações. “Temos uma estrutura que está pronta para matar as pessoas negras, seja ela quem for. As pessoas que estão dentro do sistema, reproduzem o discurso colonial, porque é uma questão que continua fluindo”, disse Katucha Bento. 

Ela ainda provocou: “Como os petroleiros vão se comprometer em modificar o racismo estrutural? Como vamos ser antirracistas?”. A questão foi prontamente atendida pelo petroleiro mediador, Jailton Andrade, que já articulou um grupo para fazer o debate dentro da própria Federação Única dos Petroleiros. 

Trabalho e escravidão

O historiador Flávio Gomes enfatizou que os direitos trabalhistas conquistados no século XX, como a jornada de oito horas, e a consolidação das formas de organização da classe trabalhadora são resultado das lutas diárias dos trabalhadores, desde a escravidão. Ele criticou a falsa ideia de que há uma desvinculação da escravidão com o mundo do trabalho, pensamento que durante muito tempo foi reproduzido pelos manuais de história no Brasil. “É como se o trabalho só tivesse passado a existir após a abolição, como se a história do trabalho só pudesse estar vinculada à experiência do trabalhador livre”.

Flavio chamou também a atenção para as experiências de organizações de trabalhadores escravizados que ocorreram tanto nas áreas rurais, quanto nas áreas urbanas, citando o exemplo do movimento grevista que houve na Bahia, em 1857, denominado pelos historiadores de greve negra. “A imagem de que os trabalhadores negros não estavam preparados para o trabalho fabril, para o trabalho nas indústrias, após a abolição foi muito mais uma imagem da produção de um pensamento social e de uma historiografia, do que uma experiência do mundo do trabalho”, afirmou. 

Quilombo 

Selma Dealdina enfatizou que o sistema brasileiro conta uma história única e racista. Disse que a reforma agrária começou no quilombo, mas que essas terras nunca foram protegidas. “E assim, foram traçadas nossas linhas para que nós estivéssemos aqui. E dentro dessa estrutura há um crime perfeito: o racismo. Porque as pessoas o cometem, mas quem sofre o crime é que precisa provar!”. 

Historicamente o Brasil racista impede a igualdade desde o fim do século XIX, quando, por lei, impediu que os quilombolas tivessem suas terras. O resultado dessa linha desigual na história é a desigualdade, escancarada na pandemia. “A covid-19 só veio para acentuar ainda mais esse problema. Lembre-se que a primeira vítima do vírus foi uma mulher negra e doméstica. Esse é o racismo estrutural e as chibatadas não vão cicatrizar”, completou Dealdina. 

O que é racismo estratural, afinal?

Trata-se de uma questão que está mais nas instituições e dentro de uma retórica. É o estado autorizando no discurso ações excludentes. “Isso vem da ideia do colonizador. Do patrão. Do imperialista. Eles querem que quando a gente fala de raça, pensemos em divisão de classes. Ideia de hierarquizar as raças, mesmo que essas que já existiam antes”, disse Katucha.   

Essa raiz, essa cultura, dentro da sociedade, naturaliza a violência que veio depois. “Não são as pessoas, mas as instituições que têm essa raiz. E é lógico que isso reflete na classe trabalhadora. Não é uma coisa romântica, o racismo mata. Sempre matou”, completou a pesquisadora.   

Flávio Gomes tem a mesma opinião: “No Brasil, o racismo é algo muito mais institucional, estrutural, do que um preconceito de dimensão individual”. Ele chamou a atenção também para o fato do racismo ser visto como um problema que deve ser debatido pelos negros e não pela sociedade brasileira. 

Selma Dealdina finalizou enfatizando que é sempre necessário discutir o racismo. “Precisamos falar cada vez mais. Nesse exato momento uma pessoa está sendo vítima de racismo em qualquer parte do planeta. Dentro disso, a luta quilombola é o reflexo da luta negra no país”. 

 

 

 

 

Publicado em 18 CONFUP

[Da imprensa do NF e do RS]

O segundo painel de debates desta quinta-feira, 16, do Congresso Nacional da FUP tratou das transformações em curso no mundo do trabalho, que foram ainda mais aceleradas pela pandemia.

Através de uma live no youtube da FUP, que teve início às 15h, a socióloga do trabalho, Selma Venco, e a pesquisadora Marilane Teixeira, professora do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho da Unicamp falaram sobre o impacto das novas tecnologias na vida do trabalhador e as mudanças nas relações trabalhistas.

Selma Venco fez uma breve recuperação histórica do mundo do trabalho citando dois momentos:  o Taylorismo e o Fordismo. “O Taylorismo se caracterizou pelo controle do tempo dos trabalhadores, os ganhos por produtividade que acabavam causando diferenças salariais e a chamada seleção científica” – explicou.

Em sua visão, o Fordismo pegou os princípios do Taylorismo e intensificou, com a máquina determinando a velocidade do trabalho. “ Nesse período as grandes concentrações de trabalhadores no mesmo ambiente facilitaram a organização da classe trabalhadora e a realização de greves por férias e melhoria das jornadas de trabalho. Um período de muito avanço para o movimento sindical, que não agradava aos capitalistas” – disse.

A globalização aparece depois com amplificando a lógica da competitividade, a flexibilização da forma da produzir e das relações de trabalho. Nesse contexto aparece a terceirização que se caracteriza pela forte dispersão dos trabalhadores e a perda de muitos direitos e dos vínculos com sua categoria original. Inicia aí um período de muito desemprego e de intensificação do trabalho, com um recuo nas organizações dos trabalhadores que passam a se afastar dos sindicatos por medo de perder seu emprego. 

Uberização

“Quando a gente pensa que as relações já estão aprofundadas surgem inovações e inicia o fenômeno da uberização, que é baseado na economia compartilhada” – explica. “Surge como um modelo econômico baseado nas plataformas colaborativas, onde a pessoa “divulga” o seu trabalho”

Existem pontos na uberização que do ponto de vista socióloga já existiam em outros modelos como o trabalho desprotegido de direitos, as jornadas de trabalho estendidas, o cadastro de autônomo, a necessidade de estar disponível e de ser avaliado.

A novidade é que elas funcionam através de plataforma digitais e as pessoas “pagam” para trabalhar. No caso do Uber, 25% do serviço vai para a empresa e o trabalhador ainda tem que arcar com todos os custos desse trabalho.

Para a socióloga a lógica da uberização veio para ficar e vai se alastrar para muitas outras ocupações e profissões, como acontece em outros países.

Ela alerta que o serviço dos entregadores segue a mesma linha do uber. “Na lógica de trabalho dos entregadores, há obrigações de trabalho fixo, mas sem nenhum tipo de direito” – disse Selma Venco. 

Capitalismo e organização do trabalho

Venco explicou que a relação entre a organização do trabalho e a organização dos trabalhadores caminharam ao longo da história de mãos dadas. “Já estava em curso uma forte dispersão dos trabalhadores pelo local de trabalho e isso ajudou no esfacelamento dos coletivos que é um dos grandes objetivos do capitalismo” – comentou.

A crença na resistência por parte da classe trabalhadora é muito forte para a socióloga exemplificando através de ações organizadas de trabalhadores do Uber e a greve dos entregadores no Brasil.

Ela alerta para o que está por vir na o pandemia, por isso a necessidade de atenção. “O capitalismo não entra no distanciamento social, ele não tira férias. A crueldade desse sistema vai se aproveitar da fragilidade da vida para usurpar ainda mais” – chamou atenção lembrando como será a situação em nosso país.

“O capitalismo no Brasil tenta impor perdas de direitos e medo. Com isso quem mais sairão perdendo são as mulheres, os negros e infelizmente, as mulheres negras serão as que mais sofrerão” – encerrou reforçando que “É importante saber que sempre vão tentar nos explorar, mas nós temos formas de resistir”. 

O pós-pandemia

A economista e professora da Universidade de Campinas (Unicamp), Marilane Teixeira, apontou para a necessidade de enfrentamento de uma das maiores crises vivenciadas no país e com impactos gigantes nas relações trabalhistas, desemprego e flexibilização de direitos.

Em sua apresentação, a economista trabalhou com duas dimensões: o cenário da pós pandemia do mercado de trabalho e o avanço tecnológico pós crise.

“A pandemia evidência a realidade social e acelera o movimento já em curso na sociedade e no trabalho, estamos vindo de uma crise ligada as reformas, o trabalho informal e o aumento da pobreza e desigualdade social, representando um período de profundas incertezas. Não sabemos quando vamos retornar aos nossos trabalhos com segurança, quando as atividades econômicas serão normalizadas e os desempregados inseridos no mercado de trabalho. Atrelados a isso, no Brasil existe uma combinação de várias crises, a sanitária, a econômica, ambiental, social e política” – comentou.

Novas Tecnologias

Dentro deste contexto, Marilane falou que as revoluções históricas muitas vezes se deram a partir das crises e que não será preciso optar entre o avanço tecnológico e a exclusão da mão de obra: “As mudanças tecnológicas transformam a realidade, mas são determinadas fundamentalmente pela relação de poder. Apesar das novas tecnologias, o trabalho nunca teve tanta centralidade. Precisamos discutir o lugar do trabalho frente às novas tecnologias ou as novas tecnologias dentro do mundo do trabalho. Não existe uma substituição, esse fundamento de que está se perdendo a importância do trabalho não se confirma”.

Marilane finalizou sua apresentação comentando sobre uma possível antecipação de décadas com a crise pós pandemia e do processo de inserção de novas tecnologias – como é o caso do teletrabalho, experiência já vivenciada por alguns petroleiros. “Isso tudo é um processo de disputa política, a tecnologia pode ser disputada e equilibrada do ponto de vista do interesse do nosso trabalho. Vai depender da forma como a gente realiza essa disputa na sociedade”, concluiu.

O debate foi mediado pelo diretor da FUP, Alexandro Guilherme.

Publicado em 18 CONFUP

[Da imprensa do Sindipetro-BA]

O cantor, compositor e instrumentista baiano Gerônimo é a atração cultural do 18º Confup. A live, com a apresentação do cantor, acontece nesta sexta (17), às 20h e pode ser vista nas páginas do facebook e youtube da Federação Única dos Petroleiros e do Sindipetro Bahia.

A escolha do cantor para a live da Federação que representa petroleiros de todo o pais, busca valorizar a Bahia, estado onde o petróleo foi descoberto e a Petrobrás nasceu. Gerônimo é também filho de petroleiro – o pai trabalhou na Refinaria Landulpho Alves – e o artista já compôs uma música (Abafabanca) onde, em sua letra, revela  que por volta do ano de 1961 na Bahia “só quem tinha geladeira era petroleiro”, relatando a ascensão econômica de  negros operários do setor de petróleo, “quando o peão virou burguês e até pensou que fosse o rei”.

Uma das figuras mais proeminentes da musicalidade baiana, Gerônimo já tem mais de 20 discos gravados e é um daqueles compositores que conseguem imprimir um toque bastante pessoal em tudo o que faz.

Com um trabalho peculiar e muito criativo, popularizou ritmos como o Ijexá, o Aguerê, o Afoxé e o Adarrum, misturando influências africanas e caribenhas. Suas músicas caem facilmente no gosto popular. “É D’Oxum” e “Eu Sou Negão” são dessas composições sagradas e consagradas na cultura baiana. Outras composições de Gerônimo que marcaram época são “Agradecer e Abraçar”, “Jubiabá” e “Menino do Pelô”.

Mesmo em casa, ninguém vai conseguir ficar parado ao som do merengue, lambada e fricote, ritmos sempre presentes nas músicas do artista, que também é conhecido pela sua excelente presença de palco.

Publicado em 18 CONFUP
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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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