25 de novembro é o Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher. A data foi escolhida durante o I Encontro Feminista da América Latina e do Caribe, realizado em Bogotá, na Colômbia, em 1981, em homenagem as três irmãs ativistas políticas, Pátria, Minerva e Maria Teresa, as irmãs Mirabal, conhecidas como Las Mariposas, que foram perseguidas e mortas em 25 de novembro de 1960 pelo governo do ditador Trujillo, da República Dominicana

[Da imprensa do Sindipetro-BA]

Hoje é dia de luta, denúncia e de mobilização em repúdio à violência que destrói a vida de milhares de mulheres em todo o mundo.

Quando se fala em violência contra mulher, a primeira relação feita é com a agressão física, aquela que deixa marcas internas e externas nas vítimas. E tem-se razão para isso, já que o Brasil ocupa o 5° lugar no ranking mundial de feminicídio, de acordo com dados divulgados pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Mas a violência contra a mulher não é só a que deixa marcas no corpo. Ameaças, ridicularização, humilhação, constrangimento, manipulação, limitação do direito de ir e vir, vigília constante, perseguição e chantagens são exemplos de violência contra a mulher que também devem ser denunciadas e combatidas.

Durante este período que estamos vivendo, diante de uma pandemia, o isolamento social faz com que as famílias permaneçam em casa, o que agrava o problema, pois o lar é o local onde a violência, na maioria das vezes, acontece, afinal, costuma-se ter menos testemunhas por perto.

Entre os meses de março e abril deste ano, os casos de feminicídio aumentaram em 22,2%, quando analisados dados fornecidos por 12 estados, o que demonstra um alarmante crescimento quando comparados ao ano de 2019.

Por isso, é muito importante chamar a atenção sobre índices e ausência de registros confiáveis; estimular a informação sobre o feminicídio e atuar contra a impunidade.

Importante chamarmos atenção também para o fato de que a mulher negra, segundo o Mapa da Violência, é a principal vítima da violência, com o maior número de homicídios.

Sigamos combatendo, não nos calando, não nos omitindo, mas sim, denunciando qualquer tipo de violência contra as mulheres!

Publicado em Cidadania

O Encontro com a categoria desta terça, 24, transmitiu a live do Sindipetro-NF sobre representação da mulher negra nos ambiente de trabalho, na academia, na política, na cultura, entre outros espaços de poder na sociedade brasileira.

Participaram do debate a diretora do Sindipetro-NF, Conceição de Maria, que também é escritora, formada em Letras e Pós Graduada em Literatura, a técnica em química, petroleira e também diretora do sindicato, Jancileide Morgado, a cientista social e mestranda em Ciências Políticas, Carine Passos, e a arquiteta e vereadora eleita do Rio de Janeiro, Tainá de Paula.

Veja abaixo a íntegra: 

Desigualdade na Petrobrás

Estudo feito pela subseção do Dieese na FUP revela a baixa representatividade de mulheres e homens pretos em cargos de gerência no Sistema Petrobrás. Segundo os relatórios da empresa e balanços financeiros e sociais analisados, o percentual de trabalhadores negros que ocupam cargos de gerência na holding e subsidiárias vem caindo. Em 2008, cerca de 30% das gerências eram ocupadas por petroleiras e petroleiros pretos. Em 2019, esse número caiu para 19,3% e chegou a 17,7% em 2018, o mais baixo índice desde o início da série histórica, revela o Dieese em entrevista dada à revista Carta Capital.

Analisando só a holding Petrobrás, dos 46.416 trabalhadores, 9,42% (4.374) são homens brancos em cargos de gerência, e 1,95%  (907) são mulheres brancas em cargos de gerência. Enquanto isso, somente 0,54% (252) são homens pretos em cargos de gerência, e 0,07% (31) são mulheres pretas nesses postos.

Segundo Cloviomar Cararine Pereira, técnico do Dieese na subseção da FUP e autor da análise, o objetivo foi mostrar que a tendência desigual no mercado de trabalho brasileiro entre brancos e negros se repete de forma pior no alto escalão da Petrobras.

Para isso, ele faz uma comparação com dados da Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Enquanto, na Petrobras, somente 0,54% do quadro de funcionários total é de homens negros em cargos de gerência, o Brasil aponta percentual médio de 2,4%. No caso das mulheres negras, se na Petrobras é de 0,07%, o país tem média de 1,9%.

“Se, no Brasil, os cargos de decisão são ocupados, em sua maioria, por homens brancos e mulheres brancas, no caso da Petrobras isso também acontece, com uma diferença ainda maior”, comenta Cararine.

 

[Com informações da Carta Capital]

Publicado em Sistema Petrobrás

Reportagem da Revista Marie Claire, publicada nesta terça-feira, 27, dá visibilidade às lutas das trabalhadoras petroleiras em um "ambiente absolutamente machista", como relata Andressa Delbons, operadora da Reduc e diretora da FUP. Coordenadora do Coletivo Nacional de Mulheres Petroleiras, ela é uma das cinco trabalhadoras da Petrobrás que foram ouvidas pela revista.

Leia a íntegra da reportagem:

Em alto mar ou terra firme, petroleiras enfrentam solidão, assédio e precarização
[Reportagem e ilustração: Revista Marie Claire]

Ao chegar para o primeiro dia de trabalho como técnica de operação da Petrobras em uma refinaria em Manaus, Elita Balbino Azevedo, 34 anos, realizava um sonho. Depois de seis meses de curso de formação, a engenheira de produção não via a hora de ir a campo. "Na primeira vez que entrei em um laboratório químico da Petrobras, meus colegas falaram que eu parecia uma criança na Disney", diz. "Sou apaixonada por química industrial e é um privilégio poder contribuir diretamente para o PIB do país."

Apesar do deslumbramento, logo de cara percebeu que enfrentaria dificuldades. Elita ouviu do supervisor que ele era obrigado a recebê-la ali, mas que não concordava com a presença de mulheres no ambiente."Respondi que eu tinha sido aprovada em um concurso público, então não era ele que ia me impedir de fazer nada", conta.

Apenas em 2000 foram abertos concursos públicos para o posto de técnico de operação, o que aumentou o espaço para mulheres nessa função. "Até então só homens eram contratados, por ser uma função que exige esforço físico: subir e descer escada de marinheiro, abrir e fechar válvulas pesadas. Para você ter uma ideia, quando as primeiras mulheres chegaram na refinaria, cinco anos antes de mim, nem banheiro feminino tinha", recorda Elita. Ainda hoje, mulheres são apenas 16% do quadro de funcionários da Petrobras.

A empresa, por meio de sua assessoria de imprensa, diz que o registro mais antigo de admissão de mulheres no cargo de técnico de operação data de 1975 e que não há qualquer restrição à contratação das profissionais: "A representatividade feminina na Petrobras de 16% ocorre principalmente em função do desequilíbrio, presente na sociedade como um todo, entre homens e mulheres nas carreiras STEM (da sigla em inglês: Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Há avanços recentes, principalmente nos cargos da alta administração. Na diretoria executiva, mulheres ocupam duas das oito cadeiras. E, nos últimos dois anos, o número de gerentes executivas aumentou de cinco para onze".
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A função de técnica de operação é considerada perigosa e envolve diversos riscos: a exposição ao benzeno, um composto tóxico e cancerígeno, e ao alto ruído das máquinas. Além disso, trabalhar na exploração de gás e petróleo significa lidar com produtos inflamáveis. "Estamos literalmente trabalhando em cima de uma bomba", diz Elita, que está há 10 anos no polo de Urucu, no meio da floresta amazônica. "A minha atribuição é extremamente técnica. Trabalho em uma planta de processamento, onde o gás natural é separado em porções que podem virar o gás de automóvel ou de cozinha, por exemplo. Tomo conta do processo da unidade, monitoro equipamentos como bombas, compressores, verifico as temperaturas de cada processo", explica.

Elita já passou por inúmeras situações de assédio ao longo dos quase 15 anos de carreira. Desde episódios como o de um chefe que pediu a ela que passasse um cafézinho para a equipe ou então o de um colega que foi entregar um documento e aproveitou para alisar sua coxa em direção à sua vulva. Teve também a vez em que Elita criticou o enxugamento do quadro de funcionários durante uma reunião e o chefe reagiu de forma violenta: "Ele ficou muito nervoso e veio para cima, quase encostando a cabeça dele na minha. Aí foi uma confusão grande". Depois disso, Elita foi afastada e ficou três anos em uma função administrativa – como uma forma de punição, diz ela. Desenvolveu crises de ansiedade e precisou de acompanhamento psicológico por seis meses.

Quem trabalha em plataformas passa temporadas longe de casa. A escala geralmente é em turnos de 8h, de 14 dias de trabalho em alto mar para 21 de folga. Com a pandemia, foi aumentado para 21 dias de trabalho e o mesmo período para descanso, em turnos de 12h. Esse regime de trabalho é especialmente difícil para as mulheres com filhos.

É o caso de Monique*, 34, que atua como técnica de segurança em uma unidade na Bacia de Campos, litoral de São Paulo. Mãe de um menino de 3 anos e de uma menina de 2, afirma que o maior desafio é ficar longe deles. Com a pandemia, passou a ficar mais dias embarcada e as crianças, em casa sem escola. Os familiares que ajudavam a cuidar deles moram longe e, por causa da Covid-19, não podem mais se deslocar. O marido trabalha à noite. Da embarcação, e pelo celular, Monique entrevista possíveis babás e administra as demais necessidades da casa. "É uma sobrecarga imensa", diz ela. "Hoje sei que preciso de ajuda psicológica. Sinto vontade de quebrar uma perna para não ter que embarcar de novo e deixar meus filhos. Sou dona de casa à distância. Minha filha fica bem, mas tem medo de qualquer pessoa sair de perto dela. Meu filho não fala comigo, fica com raiva de mim enquanto estou aqui. Tento fazer chamada de vídeo e ele fala que não quer conversar comigo, nem me ver."

Monique conta que quando entrou na profissão, com 22 anos, era tratada pelos colegas como "boneca" até conseguir se impor pela primeira vez – e aí passar a ser vista como "louca", "mal amada" e "chiliquenta". "É um caminho muito longo até propor uma ideia e ser escutada, não arregar só porque estão todos contra você. Ficam todos comendo pipoca e esperando que eu cometa algum erro", diz ela.

"Teve uma vez que embarcou um colaborador para fazer manutenção nos equipamentos da minha área. Eu precisava acompanhar esse serviço e ele já chegou com má vontade de trabalhar, ficava perguntando se era eu que precisava acompanhar, visivelmente incomodado. No fim faltavam alguns equipamentos no relatório dele. Questionei e ele disse que simplesmente não deu tempo e que não ia fazer. Falei que então não ia assinar o relatório e aí ele subiu o tom, ficou agressivo. Falei que não adiantava gritar, não ia chancelar o serviço feito pela metade. Aí ele saiu da sala me xingando, fazendo escândalo", conta.

Monique diz também que "cantadas" por parte dos colegas são frequentes. "Um rapaz me achou no Facebook e ficou me mandando mensagem. Essa vez foi ruim, me deu medo. Ele ficava falando que não conseguia trabalhar porque pensava em mim o dia inteiro, que sonhava comigo. Falei para ele parar e ficar longe de mim. Aí ele continuou, eu bloqueei ele, e ele desembarcou logo depois. Muito desconfortável."

Segundo Andressa Delbons, 33, técnica de operação na refinaria de Duque de Caxias (Reduc), RJ, dirigente do Sindipetro Caxias e coordenadora do Coletivo de Mulheres da FUP (Federação Única dos Petroleiros), a entidade não recebeu nenhuma denúncia formal de assédio e por isso não há um levantamento dos casos. "Quem te disser que nunca foi assediada está mentindo. É um ambiente absolutamente machista. Quando comecei, recebia diversos convites desnecessários. Ouvi de colegas que eu não precisava trabalhar, que podia ficar enfeitando o ambiente."

Andressa conta que a principal conquista do coletivo, criado em 2012, foi a extensão da licença paternidade de 5 para 20 dias. Agora lutam para que seja equivalente à licença maternidade, de 6 meses. Também conseguiram assegurar espaços de amamentação em boa parte das unidades da Petrobras e a redução de jornada para lactantes. "Criar o coletivo foi importante porque o ambiente sindical é ainda mais masculino do que o petrolífero. Até pouco tempo atrás, não tinha mulher dentro do sindicato. Hoje, já temos um número proporcional de mulheres na direção. As políticas de gênero passaram a ganhar mais importância".


> Leia também: Petroleiras mandam o recado: "Fresca é água, mulher aqui é trabalhadora e merece respeito"



Paula*, técnica de segurança de uma empresa terceirizada em uma plataforma na Bacia de Campos, fez parte de uma equipe com outras três mulheres por 4 anos. Em uma reunião com o gerente, reivindicou melhorias nas condições de segurança e ouviu como resposta que ele deveria então simplesmente trocar aquela equipe por uma formada somente por homens. "Nesse século acontecer algo assim foi a coisa mais ridícula que já ouvi de um líder", diz.

As petroleiras entrevistadas pela reportagem denunciam uma piora drástica nas condições de trabalho ao longo dos últimos anos e um quadro de adoecimento mental generalizado dentre os trabalhadores, agravado na pandemia da Covid-19. A maior parte preferiu falar sob anonimato por temer retaliações da Petrobras. Elas descrevem uma "caça às bruxas" dentro da empresa. Um dirigente sindical do Sindipetro Caxias foi punido com uma suspensão após conceder entrevista ao jornal O Globo em junho deste ano, na qual afirmou que a explosão ocorrida na Reduc naquele mês foi causada por falhas de manutenção e inspeção na tubulação da unidade de destilação.

A Petrobras alega que o funcionário foi punido por descumprir a norma de confidencialidade de informações relativas a investigações do acidente.

A empresa também nega a precarização das condições de segurança das unidades: "Pelo contrário, podemos citar o aprimoramento do programa de auditorias internas de segurança operacional com o objetivo de combater desvios de segurança. Também tornamos mais rígidos os padrões de segurança para atividades de mergulho e de aviação, entre outras. As manutenções preventivas, realizadas justamente para evitar acidentes, são realizadas em intervalos de tempo definidos conforme regulamentação e as características de cada unidade".

Foram registrados ao menos dois suicídios de trabalhadores do setor neste ano: um petroleiro de uma refinaria da Bahia em setembro e outro no Rio de Janeiro em outubro, que estava em isolamento no quarto de hotel um dia antes de embarcar, conta Marcelo Juvenal Vasco, da secretaria de saúde da FNP (Federação Nacional de Petroleiros). "Temos muitos casos de trabalhadores depressivos e dependentes químicos. Não só pela condição do trabalho em si, mas também pela exposição a substâncias químicas que absorvem pelas vias aéreas e cutâneas. Existem estudos que evidenciam que essa exposição pode levar a transtornos mentais", diz.

A Petrobras afirma possuir um programa de treinamento e palestras com enfoque em saúde mental, e uma equipe multidisciplinar para atendimento. No período de pandemia, a empresa disponibilizou um canal interno para atendimento psicológico de forma remota e individual. Elita, no entanto, diz que as equipes de atendimento foram reduzidas e praticamente não embarcam mais, e o canal é pouco divulgado. O mesmo é dito por outra entrevistada, sob anonimato: "O serviço é absolutamente insuficiente, principalmente nas áreas operacionais. Esse programa de treinamento e as palestras com esse enfoque eu desconheço".

Monique conta que já viu uma colega desembarcar de uma plataforma com camisa de força, em surto. Foi afastada e nunca mais voltou ao trabalho. Também já passou por uma unidade, no ano passado, em que quatro funcionários estavam com síndrome do pânico.

Segundo ela, o começo da pandemia foi particularmente difícil: "Não tenho nem palavras para descrever. Todo mundo em casa e a gente tendo que embarcar, sem máscara, sem vacina, sem saber quem está contaminado. Não tinha transporte para irmos e voltarmos das plataformas. Hoje estamos bem, me sinto segura. Mas no começo ninguém sabia que tipo de medida de proteção tínhamos que tomar".

Elita foi contaminada com a Covid-19 no primeiro embarque. Ao contrário de alguns colegas infectados, ela não precisou ir para a UTI, mas ainda hoje sofre com as sequelas da doença. "Sentia muita dor no peito, na cabeça, no corpo todo. Precisei de repouso constante. Depois tive uma crise renal, fiz tomografia, expeli as pedras, mas os médicos suspeitam que tenha sido efeito colateral da doença."

Paula conta que os espaços de lazer nas plataformas foram fechados por questões sanitárias, prejudicando ainda mais a saúde mental dos trabalhadores. "A gente passa 12 horas trabalhando e 12 horas dormindo. Trabalhamos com metas, com prazos, sob muita pressão o tempo inteiro. Com esse desgaste, o trabalhador começa a sentir incapacidade, nessa carga excessiva de trabalho de 12 horas. Um bom profissional não quer atingir meta, quer o serviço feito com qualidade. O trabalho em confinamento não é para qualquer um. Vai acumulando até chegar no nível de estresse limite. O cliente não quer saber disso, só das metas. Você é só mais uma peça. Se não trabalha feito robô, não serve. Essa desvalorização que nos adoece."

Os cortes de gastos na estatal provocaram a diminuição no quadro de funcionários mas não no volume de trabalho, o que leva a situações de acúmulo de funções, denunciam os sindicatos. Com a pandemia, trabalhadores do grupo de risco foram afastados, diminuindo ainda mais o pessoal. Em meio à privatização de unidades da empresa, vivem sob a incerteza de serem transferidos para outras localizações e áreas de atuação.

Entre janeiro de 2019 e julho de 2020, a Petrobras abriu 48 processos de vendas de ativos, uma média de 2,5 por mês, de acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos). A média era de 1,4 por mês durante o governo Michel Temer e 0,4 por mês no último mandato de Dilma Rousseff, segundo reportagem da Folha de S. Paulo.

Sandra*, que trabalha como técnica de operação na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, conta que, com a implementação do chamado estudo de O&M (Organização e Método), em 2017, a equipe foi reduzida em 40%. A metodologia do modelo, segundo ela, é questionada por especialistas da área de segurança do trabalho, e foi utilizada pela direção da Repar para justificar a redução do pessoal. Por causa disso, ela passou a monitorar mais operações ao mesmo tempo.

Em uma ocasião, percebeu e conseguiu conter por uma questão de minutos o aumento repentino na pressão de gás sulfídrico em um equipamento. "O risco de acidentes geralmente é controlado, no entanto com a sobrecarga esse tipo de evento torna-se mais frequente. Acidentes na indústria química têm um alto potencial de risco e uma possível contaminação poderia ter matado não só os funcionários, mas também quem vive nos arredores da refinaria", diz Sandra.

Para Elita, é uma questão de tempo até um acidente grave acontecer: "Faltam materiais, manutenções são declaradas mesmo sem a troca de todos os componentes, as unidades estão sucateadas. Equipamentos estão envelhecendo. Uma tubulação corroída, com vazamento, pode levar a uma explosão. A gente pode perder uma vida e todas ao mesmo tempo".

*Nomes foram trocados a pedido das entrevistadas

Publicado em Sistema Petrobrás

Você sabia que tem supervisor e até gerente na Reduc que, apesar do código de ética e de toda informação corporativa contra a discriminação, ainda acha que a operação não é lugar de mulher? 

[Da imprensa do Sindipetro Duque de Caxias]

Na Petrobrás, do efetivo total de trabalhadores, cerca de 16% são mulheres. Na área operacional, a quantidade de mulheres é ainda menor – chegando a 10% ou menos dependendo da unidade. Uma das possíveis razões talvez seja esse mesmo preconceito que atinge as mulheres, antes mesmo de realizar o concurso para preenchimento de vagas em cargos técnicos.

“Quando entrei ouvi alguns homens falarem que ali não era lugar de mulher, que deveria estar em casa cuidando do marido ou estudar para estar num lugar melhor. Estou há 12 anos provando o contrário. São sempre comentários revestidos de um caráter de cuidado por parte dos homens”, critica Andressa Delbons, técnica de operação da Reduc, diretora do Sindipetro Caxias e da Federação Única dos Petroleiros, além de coordenadora do Coletivo de Mulheres Petroleiras da FUP.

A diferença de tratamento é reforçada em períodos de retrocesso democrático, como esse que o Brasil e outros países do mundo enfrentam. E se afirma como uma reação do conservadorismo à conquista de direitos.

Quando a mentalidade predominante é de submissão, ela irá transparecer em todos os setores da nossa vida, negando não só a autonomia das mulheres mas também do país. Por isso vemos o Estado voltando a abrir mão da soberania nacional com ideais de privatização e sucateamento da educação, saúde… e isso também nos afeta.

Foi sob a gestão Temer que o subcomitê de diversidade – que é um requisito para que Petrobrás mantenha o selo pró-equidade de gênero, e que tinha uma representante das trabalhadoras, foi totalmente esvaziado. Um retorno desse fórum no governo Bolsonaro seria uma utopia, dada a ideologia do novo governo. Esse pensamento tacanho e retrógrado impacta no dia a dia das trabalhadoras e dificulta o avanço em questões fundamentais para a classe trabalhadora, como por exemplo o direito à amamentação. A partir desse fórum foi, por exemplo, expandida e facilitada a utilização das salas de amamentação em diversas unidades do Sistema Petrobrás.

Se você é homem e está parado no tempo, se atualize! Mas se você é mulher e se identificou ou já sofreu qualquer tipo de assédio dentro do local de trabalho, participe do Coletivo Nacional de Mulheres Petroleiras e vamos juntas combater este pensamento!


> Leia também: Revista destaca luta das trabalhadoras petroleiras contra assédio e precarização na Petrobrás


 

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Em tempos de pandemia, o 8º Encontro Nacional de Mulheres Petroleiras da FUP (ENMP) será inteiramente online, no domingo. Os debates serão transmitidos ao vivo, nas redes da FUP e dos sindicatos.

Com o tema “Petroleiras na linha de frente: pandemia, resistência e nossos próximos passos” o evento será dividido em duas partes. A primeira, aberta ao público, será realizada em forma de webinários, que serão transmitidos no Facebook (https://www.facebook.com/fupetroleiros/). Não será necessária a inscrição. Todxs poderão fazer perguntas via chat que serão selecionadas e respondidas ao final de cada apresentação.

Na segunda parte do encontro, que será de deliberações, as delegadas inscritas deverão ingressar na reunião via chave enviada pela comissão organizadora. Cada participante deve fazer a inscrição conforme orientação de seu sindicato.

Esta será a primeira vez que o ENMP acontece 100% online devido à quarentena e isolamento social da pandemia do coronavírus. A participação dos homens também é bem-vinda, porém o público-alvo são as mulheres petroleiras.

"O ENMP tem como objetivo organizar as trabalhadoras, traçando estratégias políticas de forma a enfrentar uma conjuntura cada vez mais reacionária, machista e ultraliberal. Todo ano, definimos uma comissão organizadora para planejar o encontro e escolhemos em conjunto um tema atual que julgamos pertinente ao momento político. Esse ano, não poderíamos deixar de falar de COVID-19 e da resistência necessária frente aos ataques ferozes deste governo à classe trabalhadora”, destaca Andressa Delbons, coordenadora do Coletivo Nacional de Mulheres Petroleiras da FUP. 

Andressa ressalta que o formato virtual não substitui a importância de um encontro presencial. "É claro que nenhum encontro virtual substitui plenamente o olho no olho, a troca de afeto e a energia de renovação que ocorre anualmente nos nossos encontros presenciais. Chegamos a cogitar postergar a realização do evento para um período de pós-pandemia, mas, infelizmente, a condução política dessa crise sanitária está nos levando para um horizonte de total indeterminação. Assim, não sabemos ao certo quando poderemos nos reunir presencialmente com segurança. Ao mesmo tempo, é imprescindível manter a organização permanente das mulheres, e da classe trabalhadora em geral, especialmente nos momentos de crise. Como diria Simone de Beauvoir: basta uma crise política, econômica e religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Precisamos estar atentas”. 

Ouça a convocatória: https://soundcloud.com/user-830660142/andressa-delbons-convida-para-8-encontro-nacional-de-mulheres-petroleiras


Confira a programação e os links para participar das lives:

8º Encontro nacional de mulheres petroleiras da FUP

Ao vivo via https://www.facebook.com/fupetroleiros/

09 - 10:30h

Petroleiras na linha de frente: resistência em tempos de pandemia 

Mesa de abertura com a participação de Deyvid Bacelar (FUP), Lucineide Varjão (CNQ), Carmem Foro (CUT) e Valéria Morato (CTB)

Facebook - https://www.facebook.com/fupetroleiros/videos/261442398290569/

Youtube - https://www.youtube.com/watch?v=pT1Lp653sQQ

11 - 12:30h

Entendendo a conjuntura do setor petróleo e o papel das mulheres no enfrentamento às políticas neoliberais 

Análise de conjuntura com a participação do DIEESE e INEEP

Facebook - https://www.facebook.com/fupetroleiros/videos/819945015503853/

Youtube - https://www.youtube.com/watch?v=WrlkaQ6hiFc

14 – 15:30h

Debate: As petroleiras estão onde elas quiserem!

Bate-papo com as pré-candidatas Priscilla Patrício e Conceição de Maria

Facebook - https://www.facebook.com/fupetroleiros/videos/1176764772716228/

Youtube - https://www.youtube.com/watch?v=M_4q9MQjXy8

16 às 19h

Nossos próximos passos: um bate papo com as mulheres petroleiras 

Reunião do Coletivo Nacional de Mulheres Petroleiras (somente para delegadas inscritas)

[FUP] 

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Com o tema “Petroleiras na linha de frente: pandemia, resistência e nossos próximos passos” o VIII Encontro Nacional de Mulheres Petroleiras da FUP acontece no próximo domingo, 21/06.

"Todo ano definimos uma comissão organizadora para planejar o ENMP, e escolhemos em conjunto um tema atual que julgamos pertinente ao momento político que vivemos. Esse ano não poderíamos deixar de falar de COVID-19 e da resistência necessária frente aos ataques cada vez mais ferozes à classe trabalhadora”, destaca Andressa Delbons, diretora da FUP e Sindipetro Caxias. Segundo ela, o encontro tem como objetivo organizar as trabalhadoras, traçando estratégias políticas de forma a enfrentar uma conjuntura cada vez mais neoliberal, machista e retrógrada, instaurada pelo atual governo.

O encontro será dividido em duas partes. A primeira, aberta ao público, será realizada em forma de webinários, que serão transmitidos no Facebook (https://www.facebook.com/fupetroleiros/). Para esta parte não será necessária a inscrição. Todos poderão fazer perguntas via chat que serão selecionadas e respondidas ao final de cada apresentação.

Para a segunda parte, as delegadas inscritas deverão ingressar na reunião via chave enviada pela comissão organizadora. Cada participante deve fazer a inscrição conforme orientação de seu sindicato.

Esta será a primeira vez que o ENMP acontece 100% online devido à quarentena e isolamento social da pandemia do coronavírus. A participação dos homens também é bem-vinda, porém o público-alvo são as mulheres petroleiras.

Andressa ressalta que o online não substitui a importância de um encontro presencial. "É claro que nenhum encontro virtual substitui plenamente o olho no olho, a troca de afeto e a energia de renovação que ocorre anualmente nos nossos encontros presenciais. Chegamos a cogitar postergar a realização do evento para um período de pós-pandemia, mas infelizmente a condução política dessa crise sanitária está nos levando para um horizonte de total indeterminação. Assim não sabemos ao certo quando poderemos nos reunir presencialmente com segurança. Ao mesmo tempo, é imprescindível manter a organização permanente das mulheres (e da classe trabalhadora em geral), especialmente nos momentos de crise. Como diria Simone de Beauvoir: basta uma crise política, econômica e religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Precisamos estar atentas”.

Confira a programação:

8º Encontro nacional de mulheres petroleiras da FUP
Ao vivo via https://www.facebook.com/fupetroleiros/

09 - 10:30h
Petroleiras na linha de frente: resistência em tempos de pandemia 

Mesa de abertura com a participação de Deyvid Bacelar (FUP), Lucineide Varjão (CNQ), Carmem Foro (CUT) e Valéria Morato (CTB)

11 - 12:30h
Entendendo a conjuntura do setor petróleo e o papel das mulheres no enfrentamento às políticas neoliberais 

Análise de conjuntura com a participação do DIEESE e INEEP

14 – 15:30h
Debate: As petroleiras estão onde elas quiserem!

Bate-papo com as pré-candidatas Priscilla Patrício e Conceição de Maria

16 às 19h
Nossos próximos passos: um bate papo com as mulheres petroleiras 

Reunião do Coletivo Nacional de Mulheres Petroleiras (somente para delegadas inscritas)

Participe! 

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setor de Gênero, Etnia e Juventude do Sindipetro Bahia, juntamente com a Setor de Aposentados e Pensionistas e  setor Jurídico, realizam nos próximos dias 16 e 17 de junho, o I Encontro de Mulheres Petroleiras da Bahia.

Com o tema “Os Desafios das Mulheres Petroleiras em Tempos de Pandemia”, o evento será transmitido virtualmente e terá a participação de mulheres petroleiras de todo o Brasil.

Estão previstas sete salas de palestras e bate-papo com temas atuais e de interesse não só das mulheres, mas também de todos os homens que queiram se somar a essa luta entendendo e apoiando o papel protagonista das mulheres.

O link de acesso às salas de debates serão publicados nas redes sociais do Sindipetro Bahia e enviados através de listas de mensagens do whatsApp. Na hora marcada, basta clicar no link para acompanhar as palestras.

O evento é aberto a todas pessoas que queiram participar, sejam profissionais liberais, de movimentos sociais ou da juventude.

As diretoras do Sindipetro, Marise Sansão e Jailza Barbosa e a representante sindical, Olga Natalita explicam que a ideia inicial era abordar diversos temas “que sabemos ser de grande interesse, mas como não haveria tempo suficiente para isso, optamos por assuntos que julgamos ser muito importantes nesse momento pelo qual estamos passando, onde um vírus (covid-19) expôs muitas faces e necessidades”.

Desta forma, o encontro trará temas como “Mulheres Antifascistas e Antirracistas”, “Políticas Públicas e o enfrentamento da violência”, “Análise de conjuntura, direitos trabalhistas e Previdenciários (ACT, AMS, Petros)”, “Espaços de poder: a mulher na política e no movimento sindical” e “Saúde do Trabalho e COVID-19: a prevenção nos locais de trabalho”, “Vulnerabilidade e Sofrimento Psíquico frente a Pandemia” e “Educação Popular, Formação Acadêmica e a Juventude – Soberania ,Ciência e Cultura” .

Também haverá espaço para que as petroleiras possam fazer propostas que serão encaminhadas ao 9° Congresso dos Petroleiros e Petroleiras da Bahia, ao CONFUP e ao Coletivo de Mulheres da FUP. O evento será encerrado ao som da banda de percussão feminina Didá.

Estarão à frente das mesas de debate a Secretária Estadual das Mulheres, Julieta Palmeira; a advogada e presidenta da ONG TamoJuntas, Laína Crisóstomo; a supervisora técnica do DIEESE, Ana Georgina Dias, o advogado e assessor jurídico do Sindipetro Bahia, Clériston Bulhões, a epidemiologista e médica do trabalho, Dr Rita Fernandes, a Diretora de Formação do MPA e professora da UFBA; Marli Fagundes; a professora associada do Departamento de Fonoaudiologia do Instituto de Ciências da Saúde da UFBA e diretora da CUT Bahia; Luciene da Cruz Fernandes, a socióloga e Secretaria de Juventude da CUT Bahia, Iana Aguiar; a pesquisadora, Mestre em Estado Governo e Políticas Públicas, Fátima Fróes; a assistente Social, psicóloga e psicanalista, Isabel Maria Freitas Reis, a professora e a pesquisadora da UCSAL, Vanessa Ribeiro Simon Cavalcanti a diretora da FUP e do Sindipetro NF, Fátima Viana ( Fafá), a Historiadora/UNEB e ativista pelos direitos das mulheres, Juci Cardoso e Conceição de Maria P A Rosa, diretora licenciada do Sindipetro NF e Pós graduada nos Estudos Históricos e Culturais da Diáspora Africana

A escritora, ativista política e feminista, Simone de Beauvoir, costumava alertar que “basta uma crise política, econômica e religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados”. A afirmação de Beauvoir vem sendo provada ao longo da história e, agora, diante da crise econômica e sanitária que vivemos, agravada no Brasil pelo presidente Bolsonaro, negacionista e inimigo da ciência e da educação, a situação das mulheres tende a se agravar”, afirma a Christiane Barroso, diretora do setor de Gênero, Etnia e Juventude do Sindipetro Bahia.

Para Christiane realizar um encontro das mulheres petroleiras nesse momento é “tão urgente quanto imprescindível”. O objetivo é reunir o maior número de mulheres petroleiras possível. Petroleiras de todo o Brasil que podem dar a sua contribuição, se reciclar e falar sobre as necessidades do dia a dia de trabalho. “É importante nos fortificar e estarmos juntas para garantir que nenhum direito será retirado seja no mundo do trabalho ou na vida social”.

Veja a programação com os nomes dos palestrantes que já confirmaram presença

Dia 16 de junho (terça-feira)

Manhã

9h30 – Abertura – Saudação do coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar e do coordenador geral do Sindipetro Bahia, Jairo Batista 

9h40 – “A história e a importância da luta do coletivo de mulheres petroleiras”

Fátima Viana ( Fafá) –  Diretora  da FUP e do Sindipetro-RN , técnica em Química industrial, graduada em Ciências Sociais, Advogada e militante do PCdoB

Mediadoras – Christiane Barroso, Jailza Barbosa e Marise Sansão – Diretoras do Sindipetro Bahia 

10h30 – “Mulheres antifascistas e antirracistas” –

Fátima Fróes – Feminista, Pesquisadora, Mestre em Estado Governo e Políticas Públicas

Conceição de Maria P A Rosa–  Diretora licenciada do Sindipetro NF, Pós graduada nos Estudos Históricos e Culturais da Diáspora Africana e ativista do movimento  feminista e negro do município de Macae/RJ

Mediadora – Christiane Barroso – Diretora do Sindipetro Bahia 

Tarde

14h – “Políticas Públicas e o Enfrentamento da Violência”

Julieta Palmeira  – Secretária Estadual das Mulheres

Laína Crisóstomo – advogada e presidenta da ONG TamoJuntas

Mediação –  Christiane  Barroso e Marise Sansão – diretoras do Sindipetro Bahia 

16h – “Espaços de poder: a mulher na política e no movimento sindical”

Vanessa Ribeiro Simon Cavalcanti –  Professora e pesquisadora da UCSAL no Doutorado e Mestrado em Família na Sociedade Contemporânea (Interdisciplinar, CAPES 5).

Juci Cardoso – Historiadora/UNEB e ativista pelos direitos das mulheres 

*Dia 17 de junho (quarta-feira)

 Manhã

09h30 –  Análise de conjuntura, direitos trabalhistas  e Previdenciários  (ACT, AMS, Petros) –

Ana Georgina Dias – Supervisora Técnica do DIEESE na Bahia

Clériston Bulhões – Advogado e assessor jurídico do Sindipetro Bahia

Mediação- Jailza Barbosa – Diretora do Sindipetro Bahia 

10h30 –  “Educação popular, formação Acadêmica e a juventude  – Soberania ,Ciência  Cultural”

Marli Fagundes –  Coordenadora Estadual e Nacional no Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)

Luciene da Cruz Fernandes– Professora associada do Departamento de Fonoaudiologia do Instituto de Ciências da Saúde da UFBA e diretora da CUT Bahia

Iana Aguiar – Psicóloga e  Secretaria de Juventude da CUT Bahia

Mediação – Christiane  Barroso-  Diretora do Sindipetro Bahia 

Tarde

14h – “Saúde do Trabalhador, da trabalhadora e  COVID-19: a prevenção nos locais de trabalho”

Dra. Rita  Fernandes –  Epidemiologista, médica do trabalho e professora da UFBA 

15h- “Vulnerabilidade e Sofrimento Psíquico frente a Pandemia”

Isabel Maria Freitas Reis – Assistente Social, Psicóloga, Psicanalista 

16h – Encerramento

Propostas para o 9° Congresso dos Petroleiros e Petroleiras da Bahia e para o Coletivo de Mulheres da FUP e CONFUP/ Aprovação da carta aberta das mulheres petroleiras da Bahia

17h – Apresentação da Banda Didá

[Via Sindipetro-BA]

Durante as rodadas de julho de negociação do Acordo Coletivo de Trabalho, as mulheres diretoras da FUP e da FNP reuniram-se para pensar formas de articulação, mobilização e luta conjunta em defesa da Petrobrás e das trabalhadoras e trabalhadores.

A reunião foi uma iniciativa das petroleiras em uma conjuntura de ataques ao povo brasileiro, como o corte nas verbas dos serviços públicos e a reforma da Previdência. Vários dos ataques atingem diretamente as trabalhadoras, como o corte de verbas para as creches,  para os programas de saude e de combate à violência contra a mulher, redução do valor de benefícios previdenciários entre outros. Até o direito de interromper uma gravidez em caso de estupro, através da PEC 181, foi pauta do Congresso Nacional. 

Os desafios para as mulheres nas entidades sindicais também foram pauta do rápido e produtivo encontro que já apontou para novos encontros entre mulheres das Federações e sindicatos, envolvendo também as petroleiras de base.

[FUP e FNP]

Publicado em Sistema Petrobrás

Inspiradas no lema “somos todas irmãs”, mulheres petroleiras realizam sétimo encontro nacional com propósito alcançado: tomar consciência de que o empoderamento já é real, agora é se apropriar dele. Durante os três dias do encontro, o Coletivo Nacional de Mulheres Petroleiras da FUP, apresentou a análise de conjuntura, contou a trajetória histórica de conquistas, chamou para a luta, e sobretudo, reafirmou o quanto as mulheres são fortes e estão preparadas para resistir diante do difícil momento em que se vive. 

Acompanhe abaixo o resumo das homenagens, mesas, painéis e palestras que aconteceram nos dias 5, 6 e 7 de abril de 2019 em Vitória ES.

Abertura, dia 5

Com emocionante abertura no Cine Metrópoles da Universidade Federal do Espírito Santo, o Encontro Nacional de Mulheres Petroleiras começou com as falas políticas do coordenador geral do Sindipetro-ES, Paulo Rony; da secretária da Mulher Trabalhadora da CUT/ES, Maria da Penha Barreto; da deputada estadual Iriny Lopes; do diretor da CTB/ES, Wallace Overney; da representante do Fórum de Mulheres do Espírito Santo e diretora do Sindibancários, Evelyn Flores, da Secretária Nacional de Mulheres da CUT nacional, Graça Costa; do deputado federal Hélder Salomão e de José Maria Rangel, coordenador da FUP. Em suas falas eles destacaram a necessidade do empoderamento feminino, da união da classe trabalhadora para manutenção de direitos e defesa do patrimônio público.

José Maria Rangel, comparou o sétimo encontro nacional de mulheres petroleiras da FUP, a um grande desafio, diante da conjuntura e da reforma da previdência que prejudica ainda mais as mulheres, e completou, “as mulheres têm a capacidade de encorajar e ter coragem. ”

Já é tradição do Encontro Nacional de Mulheres Petroleiras homenagear uma mulher que se destacou na sociedade por seus feitos progressistas, este ano a homenagem foi para a educadora capixaba Zilma Coelho, conhecida como "A louca do Itapemirim" por causa de seu projeto de erradicação do analfabetismo, que, para muitos, era algo extremamente ousado. A homenagem contou com a exibição de um documentário sobre Zilma Coelho, a entrega do documentário para a família da educadora e uma fala de Deane Monteiro, biógrafa de Zilma Coelho.

Duas palestras sobre feminismo

Por, Sindipetro MG

O feminismo foi tema do debate conduzido pela professora do Núcleo Interinstitucional de Pesquisa em Gênero e Sexualidades da UFES, Erineusa Silva, e pela deputada federal pelo Distrito Federal, Erika Kokay (PT-DF). Ambas destacaram o quanto a sociedade ainda é machista e patriarcal, mas lembraram o quanto as mulheres têm coragem e foram e são essenciais nas lutas por direitos no Brasil e no mundo. Erineusa fez uma retomada história sobre o conceito de feminismo no Brasil e no mundo e também explicou como o feminismo é algo crescente dentro de cada uma das mulheres – ainda que elas não se reconheçam como tal.

“O feminismo surgiu para mim quando via meu pai tratando diferente o meu irmão de mim, quando ele podia sair mas eu tinha que ficar em casa. Foi nas coisas cotidianas que o feminismo surgiu pra mim e acredito que para a maioria das mulheres, mas eu não sabia naquela época e, até hoje, tem muita gente que não sabe que é feminista”.

Ela também reforçou que o significado de feminismo nunca foi o contrário de machismo e que consiste, na verdade, em um movimento de luta por direitos e contra as injustiças sociais. Ela retomou a luta das mulheres pelo voto, a conquista do direito ao divórcio, a aprovação da Lei Maria da Penha e outras importantes conquistas que só se deram pelo que depois passou a ser chamado de feminismo.

Porém, mesmo diante de tantos avanços, as mulheres ainda são sub-representadas na política brasileira, ainda recebem salários menores que os homens e estão em menor número nos cargos de chefia – apesar de estudarem mais e serem maioria entre a população brasileira.

Também as mulheres têm uma carga horária de trabalho maior a dos homens (em média 51 horas semanais contra 40 horas semanais dos homens) em função dos cuidados com a casa, os filhos e a família que vão além do trabalho formal, como bem lembrou a deputada Érika Kokai.

No entanto, apesar dessa diferença, a proposta de Reforma da Previdência recentemente apresentada pelo governo Jair Bolsonaro ao Congresso quer acabar com o reconhecimento que hoje a atual previdência tem ao garantir à mulher o direito de se aposentar mais cedo que os homens. “Uma das poucas políticas que temos no sentido de enfrentar essa desigualdade é a previdência e agora querem nos tirar até o direito à aposentadoria”.

Ainda segundo a deputada Erika Kokai, há uma luta que precisa ser feita que é contra a desumanização simbólica que, segundo ela, é “quando não somos donas das nossas próprias vidas ou quando não somos donas dos nossos corpos”. Isso ainda acontece nos dias de hoje em razão da opressão, do machismo e da desigualdade de gênero.

É no contexto da desumanização simbólica que a violência contra a mulher é naturalizada no Brasil. “A mulher não tem direito à cidade. Ela não pode sair a qualquer hora, ou vestida como quiser pois pode ser alvo de assaltos ou outros crimes. Isso é a violência sendo naturalizada pela desumanização”.

Ela lembrou ainda que o Brasil é o quinto País onde mais se mata mulheres no mundo e que, a maior parte dessa violência, acontece dentro de casa. “Temos milhares de mulheres que têm medo de voltar para suas próprias casas ou, quando voltam são controladas e moldadas por um homem”.

E também no esteio da construção da desumanização simbólica e do papel histórico da mulher na sociedade surge ainda outro conceito: a ditadura da perfeição. “A culpa é a maior forma de dominação das mulheres e elas sempre se sentem culpadas quando quando não são perfeitas, quando são agredidas, quando o casamento acaba, quando não conseguem deixar a casa limpa, ou estar disponíveis aos seus maridos, ou quando têm que sair pra trabalhar e deixam o filho chorando”.

E completou: “Se hoje temos poucas mulheres no Parlamento isso é fruto dessa sociedade. Lutar contra as desigualdades de gênero e a desumanização simbólica na sociedade é estruturante de qualquer luta. Não é a toa que o maior movimento por direitos no mundo, que foi a Revolução Francesa, teve a pauta feminina decapitada. Mas, isso não é mais permitido hoje: ou a gente avança na equidade de gênero e no empoderamento feminino ou simplesmente não avançamos em nada.

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Segundo dia, 6 de abril

O segundo dia do Encontro Nacional de Mulheres Petroleiras da FUP começou com a análise do setor de petróleo e gás no Brasil e no Espírito Santo, com uma mesa composta pela diretora do Sindipetro-ES Patrícia Jesus, a pesquisadora Ana Maria Leite de Barros, a representante do Dieese/ES, Sandra Bortolon; e a militante do Movimento dos Atingidos por Barragem, Tchenna Fernandes.

Segundo Tchenna Fernandes, os recursos do petróleo devem ser destinados para o desenvolvimento social, e não para o fortalecimento do imperialismo norte americano.

 Para a representante do Dieese/ES, Sandra Bortolon, os elementos para compreensão da crise pela qual o Brasil está passando são extremamente importantes e por isso ela traça o processo histórico da geração desse problema para promover um debate com aspectos que nem a imprensa em geral e nem os analistas de mercado abordam quando falam da crise atual.

A pesquisadora Ana Maria Leite de Barros apresentou para as participantes do Encontro Nacional de Mulheres Petroleiras da FUP sua pesquisa "Efeitos do Dinamismo Econômico e Regional do Setor de Petróleo e Gás Natural no Espírito Santo".

A segunda mesa com o tema "A luta contra a privatização: o papel dos trabalhadores e trabalhadoras" trouxe Rita Serrano, Coordenadora do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas; Fabiana dos Anjos, Representante dos Trabalhadores no CA da Transpetro; e Danilo Silva, Representante dos Trabalhadores no CA Petrobras.

Fabiana dos Anjos, destacou em sua fala a importância de haver representantes dos petroleiros e petroleiras no Conselho. Esses representantes, segundo Fabiana, buscam a defesa dos interesses dos trabalhadores e trabalhadoras junto à alta administração, além de levar para a sociedade a importância das estatais para o bem comum.

Rita Serrano, explicou como funciona o Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, que surgiu em 2015, por causa de um projeto de lei que facilitava a privatização das empresas estatais. O projeto foi derrubado, mas o comitê continua, pois, a luta contra a privatização das estatais é constante.

Danilo Silva falou sobre a realidade atual da Petrobrás com a dinâmica das relações dentro da estatal, uma discussão sobre o processo de recuo que se vem enfrentando nas pautas minoritárias, como as maiorias são tratadas como minorias.

Impactos da Reforma Trabalhista e Previdenciária na vida das trabalhadoras e os direitos ainda preservados na lei foi o tema da mesa seguinte que contou com a participação de Euci Santos Oss, Advogada Trabalhista assessora do Sindipetro-ES; Lujan Miranda, Especialista em Direito Constitucional /Núcleo Auditoria Cidadã da Dívida/ Sindiprev/ES; e Jossandra Rupf, Advogada especialista em Gestão de Politicas Publicas de Gênero e Raça / CTB-ES.

Euci Santos, recordou a luta dos trabalhadores e trabalhadoras até a conquista da Consolidação das Leis do Trabalho. Lujan Miranda, apontou a necessidade de fazer com que as pessoas compreendam o que é a dívida pública e como ela afeta a classe trabalhadora. E, Jossandra Rupf, mostrou em sua palestra os impactos da reforma da Previdência na vida das mulheres.

Terceiro dia, 7 de abril

A trajetória do Coletivo de Mulheres da FUP foi contada por Mônica da Silva Paranhos, pesquisadora associada do Arquivo da Memória Operária do Rio de Janeiro IFCS-UFRJ, juntamente com a Marbe, uma das criadoras do Coletivo de Mulheres da FUP.

Ao final, Priscila Patrício, Sindipetro ES, Andressa Delbons, Sindipetro Caxias e Cibele Vieira do Sindipetro São Paulo receberam os encaminhamentos, resoluções e moções das petroleiras presentes no 7° Encontro Nacional de Mulheres Petroleiras.

Andressa Delbons, coordenadora geral do coletivo encerrou o evento lembrando que o lema “somos todas irmãs” remonta à luta operária de meados do século XIX, e nós do coletivo pensamos que agora é um momento propício para fazer esse resgate histórico de valores do movimento das trabalhadoras e trabalhadores. E afirmou, “Precisaremos de muita coragem, força e união para atravessar mais esse momento político desfavorável. Só assim conseguiremos êxito nas lutas contra as privatizações, retiradas de direitos trabalhistas.” 

 

Publicado em Trabalho

A capital do Espírito Santo recebe nesta sexta-feira (05) trabalhadoras de todo o país para o 7º Encontro Nacional das Mulheres Petroleiras da FUP.  A solenidade de abertura será realizada no Cine Metrópoles, no Campus da Universidade Federal do Espirito Santo. Os debates prosseguirão no sábado (06) e domingo (07), no Hotel Aruan, na Praia de Camburi. Cerca de cem pessoas são esperadas para o evento, que reunirá as principais lideranças sindicais, dos movimentos de mulheres e de organizações populares do país e do Espírito Santo.

Com o tema central “Somos todas irmãs”, o encontro ressaltará a necessidade de unidade das mulheres para resistir aos ataques contra os direitos e conquistas do povo brasileiro, que atingem principalmente a trabalhadora. Os debates irão girar em torno da importância das lutas feministas na defesa do patrimônio público, da soberania nacional e dos direitos dos trabalhadores.  

“É um espaço de formação, acolhimento, fortalecimento e estreitamento de laços entre nós mulheres. Vivemos um momento político muito difícil. O acirramento dos ataques à classe trabalhadora sempre impacta as mulheres de maneira mais feroz e precisaremos de coragem e muita união para enfrentar mais essa tormenta”, ressalta Andressa Delbons, diretora da FUP e coordenadora do Coletivo Nacional de Mulheres Petroleiras.

Como nas edições anteriores, as petroleiras homenagearão uma mulher que fez história no país. A escolhida é a professora capixaba Zilma Coelho Pinto, que enfrentou o analfabetismo nos 40, e desafiou as autoridades e a alta burguesia do interior do Espírito Santo para que os pobres, negros e mulheres tivessem acesso à escrita e à leitura. Durante a abertura do encontro, será exibido um documentário sobre ela.

Andressa destaca a importância do evento, que apesar de organizado por mulheres, para mulheres, interessa a toda a classe trabalhadora.  “A decisão pela manutenção do evento, imediatamente após a Petrobrás anunciar o corte do repasse das mensalidades aos nossos sindicatos, que talvez não coincidentemente ocorreu durante o  mês da mulher, traduz o compromisso com o coletivo e reafirma a importância que a FUP dá à organização das mulheres”, ressalta.

Acompanhe os debates pelas redes sociais da FUP e de seus sindicatos.

Recreação para as crianças

Durante todo o Encontro, as mulheres que têm filhos até 10 anos terão à sua disposição um espaço de recreação com profissionais que irão desenvolver diversas atividades. O objetivo é envolver as crianças de forma lúdica na luta pelos direitos das mulheres petroleiras. Por isso, foi pensado um espaço especialmente desenvolvido para elas.

No sábado pela manhã, haverá uma oficina de experimentações e integração, com brincadeiras e práticas artísticas que dialogam sobre respeito, inclusão e liberdade . Uma das atividades será a construção de estampas em camisas que as famílias poderão trazer de casa. Na parte da tarde, as atividades incluem música, tatuagem, bolamania, oficinas de gesso, slime, miçangas, pinturas, desenhos e brincadeiras diversas, com distribuição de brindes.  O espaço infantil prossegue no domingo e contará também com um cantinho do bebê.

 Programação do Encontro

Sexta-feira (05/04)

Local: Cine Metrópoles (Campus de Goiabeiras, UFES)

17h30 – Recepção com Feira de produtos da agricultura familiar e exposição de artistas locais

18h – Abertura oficial do VII Encontro Nacional das Mulheres Petroleiras da FUP, que reunirá movimentos feministas e sociais do estado do Espírito Santo

18h30 – Homenagem à educadora Zilma Coelho Pinto com exibição de documentário

19h – Palestra: “Por que ser feminista?”

Convidadas: Deputada Federal Erika Kokay (PT-DF) e Professora Dra. Erineusa Silva, Núcleo Interinstitucional de Pesquisa em Gênero e Sexualidades – Ufes/Estácio, Praxis/Nepe (Ufes)

21h – Apresentação Cultural

Sábado (06/04)

Local: Hotel Aruan, Praia de Camburi

(Av. Dante Michelini, 1497 – Jardim da Penha, Vitória – ES)

7h30 – Atividade ao ar livre com Marli Zordan

8h às 9h – Credenciamento

9h – Painel: Análise do Setor Petróleo e Gás no Brasil e no Estado do Espírito Santo

Convidadas: Msc. Carla Borges Ferreira, Pesquisadora do INEEP e Msc. Ana Maria Leite de Barros, pesquisadora da UFES;

10h40 – Painel: A Luta contra a Privatização: o papel das trabalhadoras e trabalhadores

[email protected]: Rita Serrano, Coordenadora do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas; Fabiana dos Anjos, Representante dos Trabalhadores no CA da Transpetro; Danilo Silva, Representante dos Trabalhadores no CA Petrobrás

12h30 – Intervalo de Almoço

14h – Ginástica Laboral, com Claudete Roseno

14h30 – Painel: Impactos da Reforma Trabalhista e Previdenciária na vida das trabalhadoras e os direitos ainda preservados na lei

Convidadas: Euci Santos Oss, Advogada Trabalhista assessora do Sindipetro-ES; Lujan Miranda, Especialista em Direito Constitucional /Núcleo Auditoria Cidadã da Dívida/ Sindiprev/ES; Jossandra Rupf, Advogada especialista em Gestão de Politicas Publicas de Gênero e Raça / CTB-ES; Sandra Bortolon, Coord. Dieese ES.

16h– Debate e Reflexões

17h – Bingo

Domingo (07/04)

7h30 – Aula de defesa pessoal com a Campeã Mundial de Jiu-jitsu, Ariane Guarnier

9h – Painel “A trajetória e as conquistas do Coletivo de Mulheres Petroleiras da FUP”

Convidadas: Mônica da Silva Paranhos, pesquisadora associada do Arquivo da Memória Operária do Rio de Janeiro IFCS-UFRJ; Andressa Delbons, coordenadora do Coletivo de Mulheres da FUP

 [FUP]

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.