As comemorações pela passagem do Dia da Consciência Negra – 20 de novembro promovidas pelo Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense chegam ao seu décimo sétimo ano. Dessa vez a atividade será diferente por conta da pandemia de COVID. O NF está organizando uma live para o dia 24 de novembro, cujos detalhes serão divulgados na semana.

“ Ter consciência negra é ter consciência de ser e de estar. Ser alguém em suas raízes e estar inserido historicamente. O Sindipetro-NF consolidou a comemoração do Dia da Consciência Negra em Macaé através dos eventos que promove há anos em seu teatro” – comentou a diretora, Conceição de Maria, em entrevistas anteriores concedidas ao boletim Nascente.

Atividades do NF fizeram história

O Sindipetro-NF já realizou durante cinco anos o Desfiles da Beleza Negra que lotavam o auditório da entidade e tinha a intenção de fortalecer a identidade de homens e mulheres pretos. O evento foi referência na cidade de Macaé durante alguns anos.

A exposição Sorriso Negro que apresentou um novo conceito para essa data, através do sorriso da criança marcou as comemorações de 2014.

Em 2012 foi um ano cheio de atividades! O NF promoveu um show popular na Praça Veríssimo de Mello, em Macaé com o grupo Makala Música e Dança, que fazia parte do projeto AfroRegggae e era composto por 20 jovens da comunidade de Vigário Geral. No mesmo ano, fez um cine debate na mesma praça com a exibição do filme Besouro e organizou um Seminário sobre a Lei 10639 que trata do ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Africana nas escolas e faculdades; oficinas de artesanato e da história do Jongo e show com Lene Moraes na sede de Campos.

Paralelo a tudo isso promoveu uma exposição de arte africana do Museu Odé Gbomi intitulada “Mulheres Negras que contribuíram para a construção do nosso país”, composta de 150 peças da cultura Yorubá, entre elas totens, máscaras, instrumentos musicais, tecidos ferramentas e joalheria africana, que mostram o que existe de africano no Brasil e conta uma parte da história da África ainda pouco conhecida da população.

A palestra “O Negro e o Poder” aconteceu em 2011 e teve como palestrantes a diretora Conceição de Maria, que era Subsecretária Municipal de Educação na Saúde, Cultura e Esporte de Macaé, e a secretária de Combate ao Racismo da CUT/RJ na época, Glorya Ramos. Junto a artista plástica, Beth Medeiros fez uma exposição no hall do NF em tributo ao ator, diretor e professor de teatro, Josias Amon.

Todas as atividades do Dia da Consciência Negra foram muito marcantes na história do sindicato, já aconteceram também na sede de Macaé  espetáculo de danças afro, resgatando todo o clima das senzalas, intercâmbio com jovens estudantes de Cabo Verde que vieram apresentar sua cultura. Os meses de novembro sempre foram de muita música, dança, teatro, poesia e debates nas sedes do Sindipetro-NF.

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

Publicado em SINDIPETRO-NF

A pandemia no Brasil acentuou a desigualdade entre negros e brancos no mercado de trabalho, afirma o Dieese em estudo divulgado nesta semana da Consciência Negra.

"A persistente desigualdade entre negros e não negros no mercado de trabalho ficou ainda mais acentuada durante a pandemia. Homens e mulheres negros sentiram, com maior frequência, os danos do isolamento e da redução do nível de atividade econômica", ressalta o documento, ao analisar as pesquisas do IBGE que mostram que "mais de 6,4 milhões de homens e mulheres negros saíram da força de trabalho – como ocupados ou desempregados, entre o 1º e o 2º trimestre de 2020, isto é, perderam ou deixaram de procurar emprego por acreditar não ser possível conseguir nova colocação".

"Entre os brancos, o número de pessoas nessa mesma situação chegou a 2,4 milhões. Na comparação entre o 4º trimestre de 2019 e o 2º trimestre de 2020, entre os negros, o número subiu para 7,4 milhões. Para os não negros e não negras, o total pouco se alterou, chegando a 2,7 milhões de pessoas (...) Dos 8 milhões de pessoas que perderam o emprego entre o 1º e o 2º trimestre de 2020, 6,3 milhões eram negros e negras, o equivalente a 71% do total", revela o estudo do Dieese.

"Homens e mulheres negros, ocupados em situação de informalidade, no trabalho doméstico e sem vínculo legal, foram os que mais sofreram os efeitos da crise do coronavírus. A mobilização do movimento sindical conseguiu proteger parte dos empregos formais, com a MP 936, mas cerca de 8 milhões de pessoas (a maioria negra) ficaram sem trabalho e sem renda. O Auxílio Emergencial de R$ 600, conquistado também por intensa pressão sindical e social, garantiu certa dignidade a muitos, mas muitos outros não conseguiram receber a ajuda ou tiveram o pagamento liberado com atraso. Aos que ficaram sem proteção, coube escolher entre a fome ou ir para rua buscar trabalho mesmo com a possibilidade de encontrar o vírus", explica o economista e técnico do Dieese, Cloviomar Cararine, que assessora a FUP.


> Acesse aqui a íntegra do Boletim Especial do DIEESE para o Dia Nacional da Consciência Negra

[Imprensa da FUP, com informações do Dieese |Foto: Andre Coelho/Bloomberg/Getty Images]

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.