Operadores de Rádio GMDSS que prestam serviço nas plataformas da Petrobras na Bacia de Campos denunciaram ao Sinttel-Rio que a MSL Serviços do Brasil quer reduzir o piso salarial de R$ 2.731,28 para R$ 1.900,00. De acordo com as denúncias, os trabalhadores foram contactados pela gerência de contratos da MSL que teria ganhado a licitação para assumir a Operação de Rádio de várias plataformas – entre elas a P31, P52, P50, P55, P25, P62 e PRA 1 – em substituição a empresa Green World.

Assim que soube das denúncias, o Sinttel-Rio procurou a MSL e alertou que existe uma Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) (https://sinttelrio.org.br/acordo-e-convecoes/) em vigor até 30 de abril de 2021, que prevê o piso para a categoria de R$ 2.731,28 e deve ser cumprida rigorosamente pela empresa em todo o estado do Rio de Janeiro. A direção da MSL afirmou que não cumpriria a CCT porque existe um acordo da categoria preponderante. Porém, para o Sindicato, a empresa pode até cumprir o acordo da categoria principal, mas também precisa aplicar o piso salarial previsto na CCT.

É importante destacar que a Convenção foi discutida pelo Sinttel-Rio, Sinttel NNF, empresas e a Petrobras em uma mesa redonda no Ministério Público do Trabalho há cerca de cinco anos, o que torna ainda mais evidente a necessidade do cumprimento de todos os pontos da Norma Coletiva.

A orientação do Sinttel é de que os companheiros aceitem o trabalho. No caso de descumprimento do que está previsto na CCT, haverá necessidade de intervir junto à Justiça. Sobre as denúncias, todas foram encaminhadas ao nosso Departamento Jurídico e também ao sindicato patronal, Sinder.

[Da imprensa do Sinttel Rio]

Publicado em Setor Privado

A ação argumenta que os dois campos têm alto potencial de produção no pré-sal, admitido pela própria Petrobrás, e que sua venda num momento de alta volatilidade do mercado mundial de petróleo causará prejuízos não somente à empresa mas à cadeia de fornecedores de bens e serviços e à população

O Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), representado por seu coordenador geral, Tezeu Bezerra, ajuizou ação popular com pedido de tutela de urgência na 1ª Vara da Justiça Federal de Campos dos Goytacazes (RJ) contra a Petrobrás e a União para impedir a venda dos campos de Albacora e Albacora Leste, na Bacia de Campos, e suas instalações. O pedido afirma que o ato da estatal “põe em risco o patrimônio público em razão de falta de análise de gestão de crise e de alienação da participação em setores altamente lucrativos”. Além da suspensão liminar da venda dos campos, a ação solicita a anulação definitiva do processo, uma vez que, além da lesão ao patrimônio do país, “dá-se de forma ilegal ao ignorar a necessidade de licitação”.

Entre os argumentos que baseiam a ação estão o atual cenário econômico global provocado pela pandemia de Covid-19, que vem impactando negativamente os preços do petróleo e tendem a jogar para baixo o preço de venda das áreas, causando prejuízos não apenas à empresa, mas à União; o potencial de produção no pré-sal dos referidos campos, admitido pela própria Petrobrás; e a desobrigação do comprador de cumprir regras de conteúdo local, impactando as cadeias de fornecedores de bens e serviços local, regional e nacional.

A ação aponta que, “até o momento, a estatal vendeu campos com a produção relativamente pequena e com baixa perspectiva de crescimento; é o caso de, por exemplo, Pargo, Carapeba e Vermelho. Entretanto, Albacora e Albacora Leste estão entre os maiores produtores da Bacia de Campos”.

Nos primeiros sete meses deste ano, Albacora Leste produziu, em média, 30,7 mil barris diários de petróleo, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Já Albacora registrou produção média de 15,8 mil barris por dia.

No teaser de venda dos campos, cada um deles com cerca de 500 km2 de área, a Petrobrás chama a atenção para a quantidade de óleo original estimada em cada campo (OOIP) no pós-sal – 4,4 bilhões de barris em Albacora e 3,8 bilhões de barris em Albacora Leste. Mas destaca que as áreas tem um potencial significativo no pré-sal. Somente com projetos de revitalização – ou seja, sem considerar novas possibilidades tanto no pré como no pós-sal das áreas –, a empresa aponta que, em Albacora, é possível triplicar a produção atual, e em Albacora Leste, de “desenvolvimento de acumulações não produtivas já descobertas e alvos de exploração já identificados”.

“É um absurdo a Petrobrás vender ativos lucrativos e já amortizados, com capacidade de dar retorno financeiro para a empresa e para os cofres públicos. São campos que geram milhares de empregos, diretos e indiretos. São mais de 1.500 trabalhadores diretamente impactados. Albacora e Albacora Leste são campos gigantes, que têm reservatórios de pré-sal, um patrimônio brasileiro, e estão sendo colocados à venda num momento de baixa do preço do petróleo. Quem comprar vai comprar a preço mais baixo do que o que as áreas valem”, explica Bezerra.

A Petrobrás detém 100% de Albacora e 90% de Albacora Leste e anunciou o teaser de venda das áreas no início desta semana. Albacora Leste abriga a plataforma P-50, que, em 2006, garantiu a autossuficiência de petróleo ao Brasil.

[Da comunicação do Sindipetro-NF]

Publicado em Sistema Petrobrás

A Petrobras anunciou na sexta-feira, 25, a venda de dois campos de petróleo localizados em águas profundas da Bacia de Campos, Albacora e Albacora Leste. A empresa quer vender a totalidade de sua participação nesses campos, que incluem as plataformas de P-25, P-31 e P-50.

Com a venda desses dois campos altamente produtivos cerca de 1500 trabalhadores diretos e indiretos serão impactados de alguma forma. Com transferência de base ou com a perda de seus empregos.

O Coordenador do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra, denunciou nas redes sociais os impactos dessa venda para o país. “O governo Bolsonaro não tem mais critério sobre o que vende, se é um ativo lucrativo ou não. Como anunciado em uma reunião ministerial ele quer aproveitar a pandemia para passar a boiada e fazer o que bem entender” – denuncia.

Bezerra criticou também os absurdos que a atual gestão está fazendo na Petrobrás. “Acabaram de anunciar a venda de ativos super lucrativos, assim como as refinarias e a BR Distribuidora, que sempre deu lucro ao Estado Brasileiro. Vão vender campos gigantes que tem pré-sal na Bacia de Campos e já chegaram a representar o sonho de uma Petrobrás para o futuro de todos os brasileiros” – disse.

Os campos

O campo de Albacora, que a Petrobras tem a totalidade da operação, produziu em agosto deste ano, uma de média 38,7 mil barris de petróleo e 716 mil metros cúbicos de gás por dia. Esse campo foi descoberto em 1984 e foi o primeiro campo gigante em águas profundas do país.

Já em Albacora Leste, a Petrobras é operadora com 90% de participação, enquanto a Repsol Sinopec Brasil detêm os 10% restantes. O campo produziu, em agosto deste ano, uma média de 33,3 mil barris de óleo por dia e 707 mil metros cúbicos diários.

Quando foi anunciada a entrada em operação da plataforma de P-50, sua produção de 1,8 milhão de barris diários representava a auto-suficiência em termos de petróleo para o Brasil e foi comemorada em todos os cantos do país.

Os empregos

Em julho de 2017 havia cerca de 300 trabalhadores próprios da Petrobrás na plataforma P-50, além de cerca de 1,2 mil trabalhadores terceirizados. E nas plataformas P-25 e P-31havia cerca de 500 trabalhadores próprios da Petrobrás, além de cerca de 2 mil trabalhadores terceirizados. Todo esse pessoal será impactado com as vendas dessas unidades.

“Questiono o que será da vida desses trabalhadores e de suas famílias se essa venda for efetivada. chegamos em um momento em que não temos mais saída e precisamos lutar em defesa dos nossos empregos e de nosso futuro” – afirma indignado o coordenador do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra.

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

Publicado em Sistema Petrobrás

A diretoria do Sindipetro-NF realizou na última quinta-feira, 24, às 19h uma reunião setorial com trabalhadores das plataformas que estão sendo hibernadas ou vendidas pela Petrobrás: Namorado, Garoupa, Cherne, P-07, P-08, P-12, P-15, P-26, P-33 e P-37.

Na reunião foi apresentado um panorama dos desinvestimentos na Bacia de Campos e as medidas jurídicas e administrativas que o Sindipetro-NF tem tomado para tentar barrar esse processo.

[Na sexta-feira, 25, a direção da Petrobrás anunciou o início do processo de venda de sua participação nos campos Albacora e Albacora Leste]

Os trabalhadores que participaram expuseram a situação que cada um tem vivido, os impactos em suas vidas e de suas famílias. Também denunciaram casos de transferências arbitrárias. O Sindipetro-NF orienta que a categoria não assine nenhum documento sem consultar o sindicato e a assessoria jurídica.

Na avaliação do diretor do NF, Johnny Souza, a setorial foi positiva. “A reunião foi muito boa, com ampla participação da força de trabalho que atua nas plataformas que estão em descomissionamento, sendo vendidas. É muito importante a participação de todos na reunião e setoriais do sindicato, porque é o momento que a gente tem para juntar nossas ideias e tocar a luta coletiva. Juntos somos mais fortes!” – comentou para o site do NF.

Os fatos

A empresa está hibernando diversas plataformas na Bacia de Campos e anunciou na última semana um cronograma de transferências estabelecido por ela. Inicialmente essas transferências serão para as refinarias, inclusive aquelas que estão à venda, para depois realocá-los onde a empresa decidir. Em paralelo foi aberto um Plano de Demissão Voluntária específico para quem está lotado nas plataformas de Namorado, Garoupa, Cherne, P-07, P-08, P-12, P-15, P-26, P-33 e P-37.

No início da pandemia a FUP e o Sindipetro-NF já haviam exigido a imediata suspensão das transferências de trabalhadores que estavam sendo realizadas em plena pandemia. A empresa descumpria a Cláusula 41 do Acordo Coletivo de Trabalho 2019, que tratava da transferência de petroleiros de unidades hibernadas, sem discussão prévia com os sindicatos, que sequer foram comunicados a respeito dessas medidas.

A empresa segue com as movimentações de trabalhadores durante a pandemia, sem cumprir protocolos de segurança da Organização Mundial de Saúde e na contramão das recomendações de órgãos fiscalizadores, que  orienta os empregadores a não realizar transferências de trabalhadores durante a pandemia, até que haja sinalização das autoridades sanitárias de redução de riscos e controle epidemiológico.

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

Publicado em Sistema Petrobrás

Gestão Castello Branco iniciou processo de venda dos campos de Albacora e Albacora Leste, na Bacia de Campos, limitada a empresas petrolíferas e bancos. Produção chega a 72 mil barris de petróleo por dia

[Da Revista Fórum | Texto: Plínio Teodoro]

O desmonte prometido por Jair Bolsonaro, Paulo Guedes e Roberto Castello Branco segue a todo vapor na Petrobras, que na manhã desta sexta-feira (25) entregou vendeu sua participação de 40% na GNL Gemini Comercialização e Logística de Gás (Gás Local), empresa de distribuição e transporte de gás natural liquefeito (GNL) via caminhão para a empresa White Martins, que pertence ao grupo transnacional Linde (saiba mais aqui).


Leia também: >  Grupos estrangeiros dominam compras de ativos da Petrobrás

Também nesta sexta, a Petrobras divulgou que deu início ao processo para venda da totalidade de suas participações nas concessões de Albacora e Albacora Leste, localizadas em águas profundas na Bacia de Campos, no litoral fluminense.

“A Petróleo Brasileiro S.A. (“Petrobras”) informa sobre a oportunidade de aquisição de 100% de sua participação (WI) como operadora do campo em águas profundas de Albacora (“Albacora”) e 90% de sua participação como operadora do
campo em águas profundas de Albacora Leste (“Albacora Leste”, e coletivamente os “Ativos”), localizados na Bacia de Campos, Brasil (a “Potencial Transação”)”, diz o documento distribuído aos “investidores”, reduzidos a “empresas de petróleo e gás com patrimônio ou valor de mercado mínimo de 500 milhões de dólares e “instituições financeiras” com ativos de pelo menos 2,5 bilhões de dólares.

O campo de Albacora possui uma área de 455 km² e está situado na área norte da Bacia de Campos. Em agosto de 2020, Albacora produziu 38,7 mil barris de óleo por dia e 716 mil m3/dia de gás.

Já o campo de Albacora Leste possui uma área de 511,56 km² e está situado na mesma região. Em agosto de 2020, Albacora Leste produziu 33,3 mil barris de óleo por dia e 707 mil m3/dia de gás. A Petrobras é operadora do campo com 90% de participação e os 10% restantes pertencem à Repsol Sinopec Brasil.

Publicado em Sistema Petrobrás

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

Os petroleiros que embarcariam nesta terça, 22, estão enfrentando um dia de caos aéreo na região devido a falta de gestão da Petrobrás. No heliporto do Farol, além do o saguão ficar lotado, trabalhadores que saíram de madrugada da cidade de Macaé para embarcar estão há mais de oito horas sem se alimentar, apenas com o lanche fornecido pela empresa no ônibus. Segundo os petroleiros no local, a gestão da empresa não fornece sequer alimentação e proíbe que os trabalhadores saiam para comprar qualquer alimento.

Semana passada o Sindipetro-NF denunciou a situação que esses trabalhadores estão sendo submetidos por conta do protocolo COVID adotado de forma unilateral pela empresa, sem conversar com o sindicato, que já alertou diversas vezes sobre a necessidade de levar em conta a realidade dos trabalhadores.

Com quase 60% dos vôos transferidos por conta das péssimas condições meteorológicas, os trabalhadores e trabalhadoras aguardam nos aeroportos por respostas da Petrobrás sobre onde ficarão alojados e onde se alimentarão.

“O que percebemos sempre nesses momentos de crise é que a logística não funciona e a Petrobrás não dá os devidos esclarecimentos à categoria. A desinformação é geral” – afirma o Coordenador do Departamento de Saúde, Alexandre Vieira, que disse já ter entrado em contato com a gestão para informar o problema.

A diretoria do Sindipetro-NF atesta que a falta de planejamento e infraestrutura, que há anos tem causado transtornos para a categoria petroleira, piorou com a nova gestão e intensificou ainda mais com a pandemia.  A empresa insiste na adoção de um protocolo para a COVID-19 sem ouvir a direção sindical e causa ainda mais sofrimento à categoria petroleira.

O sindicato exige um posicionamento urgente da Petrobrás, porque os trabalhadores encontram-se em uma situação difícil e de abandono. Também solicita a categoria que mantenha o sindicato informado sobre esse ocorrido e quaisquer outros acontecimentos que  trabalhadores e trabalhadoras considerem graves através dos celulares dos diretores ou do e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Publicado em Sistema Petrobrás

Quase no final da tarde de sexta-feira, 18, mais precisamente às 16h48, a diretoria do Sindipetro-NF foi contactada pela gestão da Petrobrás para indicar até o dia seguinte um representante para compor o grupo de análise de um acidente ocorrido em P-31.

O acidente ocorrido em P-31 no dia 15 de setembro foi um vazamento de 400 litros de sequestrante de H2S no turret do FPSO. Segundo a empresa o vazamento “ficou contido na instalação. A área foi isolada e foi realizada a limpeza do local. Não houve vítimas ou dano ao meio ambiente”.

O sindicato considera que a comunicação enviada pela empresa foi incompleta, já que não informou a data do acidente. O NF entende que apesar do prazo de comunicação estar garantido em Acordo Coletivo da categoria e em Norma Regulamentadora 37, a empresa não deu ao sindicato o prazo máximo de 72 (setenta e duas) horas para encaminhar o nome de seu representante na comissão.

Por conta disso, o NF entrou em contato com a empresa que reconheceu a falha e se comprometeu em melhorar o envio de informações dentro dos prazos estabelecidos. O Sindipetro-NF  indicará o diretor Jônathas Emanoel Maia França para compor a comissão de investigação.

No sábado, 19, o sindicato também recebeu diversos relatos dos trabalhadores a bordo da P-69 relatando um grave incêndio ocorrido na última madrugada na plataforma.

Segundo os petroleiros o incêndio teve início no 1º piso do módulo 13, na sala de transformadores. O sistema de combate a incêndio automatizado de CO2 não funcionou, fazendo com que houvesse o combate ao fogo com pó químico, porém também não conseguiu debelar. Fez-se necessário o uso de água para conseguir evitar com que o incêndio tomasse maiores proporções. Não há relato de feridos.

O informe inicial da gestão da empresa procura minimizar o grave acidente ocorrido, tratando como “princípio de incêndio”. Tal “princípio” ocasionou a parada total de uma das maiores plataformas de produção da Petrobrás com cerca de 162 mil boe.

Apesar da P-69 não estar localizada na área de atuação do NF, reforçamos o pedido para que a categoria petroleira envie mais informações e possíveis denuncias para o email Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

A diretoria do Sindipetro-NF solicita a categoria que mantenha o sindicato informado sobre esse ocorrido e quaisquer outros acontecimentos que  trabalhadores e trabalhadoras considerem graves através dos celulares dos diretores ou do e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

[Via Sindipetro-NF]

Publicado em Sistema Petrobrás

Entre 2010 e 2019, a receita da participação especial caiu 79,20% para Campos dos Goytacazes e 95,54% para Macaé


Por Carla Borges Ferreira, pesquisadora do INEEP | Artigo publicado originalmente no Brasil de Fato


A Agência Nacional de Petróleo (ANP) divulgou recentemente os dados de distribuição de participação especial referentes ao segundo trimestre de 2020 e, pela primeira vez desde que começou a ser paga, os municípios de Campos dos Goytacazes e Macaé, localizados na região Norte do estado do Rio de Janeiro, não foram beneficiários desta participação governamental.

A participação especial é uma compensação financeira – como os royalties – extraordinária gerada em decorrência de grande volume de produção e lucratividade do campo de petróleo e gás natural. O cálculo para seu recolhimento é baseado em uma alíquota determinada a cada trimestre a partir da localização, o número de anos e o volume de produção, aplicada à receita líquida, também trimestral, do campo.

Historicamente os municípios do norte fluminense foram grandes beneficiários de recursos fiscais provenientes da exploração do petróleo justamente por se situarem em área de confrontação com a Bacia de Campos que – antes da descoberta do pré-sal – era a principal fronteira de produção de hidrocarbonetos do Brasil.

Campos dos Goytacazes e Macaé são os principais beneficiários da região. Nos últimos 20 anos, entre 2000 e 2019, acumularam respectivamente R$ 7,2 bilhões e R$ 1,02 bilhão somente em participações especiais.

Esta compensação financeira já chegou a representar mais de 33% da receita total do município de Campos dos Goytacazes em 2010, quando somou R$ 615,41 milhões, e quase 7% da receita total de Macaé, quando registrou de R$ 91,31 milhões.

Em 2019, em função da queda brusca na arrecadação da participação especial na região, houve significativa redução de sua parcela no orçamento destes municípios, chegando a 7,12% e 0,18%, respectivamente. Entre 2010 e 2019, a receita da participação especial caiu 79,20% para Campos dos Goytacazes e 95,54% para Macaé, atingindo R$ 128,02 milhões e R$ 4,07 milhões, respectivamente.

Como dito, no segundo trimestre de 2020, pela primeira vez desde a criação da compensação financeira, Campos dos Goytacazes e Macaé, entre outros municípios menores da região, não receberam participação especial.

“Como dito, no segundo trimestre de 2020, pela primeira vez desde a criação da compensação financeira, Campos dos Goytacazes e Macaé, entre outros municípios menores da região, não receberam participação especial.

A receita recebida no primeiro trimestre já havia sido muito pequena, de forma que o acumulado do primeiro semestre ficou em R$ 1,11 milhão para Campos dos Goytacazes e 313,28 mil para Macaé, valores praticamente insignificantes quando se considera a dimensão dos orçamentos destes municípios.

O motivo desta considerável redução se funda em dois aspectos principais: o ciclo da produção dos campos de petróleo combinado à um processo de desinvestimento; e a recente crise do setor petróleo. Portanto, uma conjunção de questões estruturais e conjunturais.

Em relação ao primeiro aspecto apontado, a Bacia de Campos é formada por campos maduros, que naturalmente vão perdendo seu vigor de produção. Associa-se a isso o fato de não haver grandes movimentos de investimentos com vistas a recuperação ou exploração de novos campos na região. Este arranjo implicou em queda de produção. E, para os campos mais robustos, que historicamente vinham gerando quantias significativas de participação especial, implicou no volume de produção abaixo dos limites mínimos para apuração da participação especial.

Por outro lado, em relação ao segundo aspecto, a queda abrupta do preço do barril de petróleo desde março deste ano, impactou a rentabilidade dos campos de petróleo e gás e, de forma ainda mais profunda, nos campos maduros, tendo em vista que seus custos de extração serem maiores. Tal impacto gerou, em alguns casos, receita líquida negativa, o que inviabiliza a cobrança da participação especial.

Diante desta realidade, as possibilidades de que Campos dos Goytacazes e Macaé voltem ao posto de grandes beneficiários das participações especiais, hoje ocupado por Maricá e Niterói, é remota.

“Diante desta realidade, as possibilidades de que Campos dos Goytacazes e Macaé voltem ao posto de grandes beneficiários das participações especiais, hoje ocupado por Maricá e Niterói, é remota.

Sem investimentos que possam promover recuperação dos campos maduros, ou exploração de novas áreas na bacia é pouco provável que a produção volte a crescer de forma a gerar arrecadação de participação especial significativa.

Por fim, em relação ao aspecto conjuntural, uma retomada dos preços do barril de petróleo pode vir a rebater positivamente nas receitas dos campos, provocando algum fôlego de retomada da arrecadação desta compensação financeira no próximo período.

[Artigo publicado originalmente no Brasil de Fato | Carla é  socióloga, mestre em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). É pesquisadora do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis -Ineep]

Publicado em Petróleo

A plataforma de P-12 apresentou nos últimos 14 dias um surto de casos de COVID-19 a bordo da unidade. Quinze trabalhadores tiveram suspeita de contaminação, sendo que seis apresentaram o resultado de testagem positivo para Covid-19. Sete pessoas ainda aguardam os resultados do exame, duas delas já apresentaram sintomas.

No dia 10 de agosto, dez trabalhadores desembarcaram normalmente na troca de turma e nenhum deles apresentava sintomas. Só que em casa três trabalhadores apresentaram sintomas, dois com resultado positivo para Covid-19 e 1 aguardando resultado de testagem.

Uma reivindicação dos trabalhadores é que seja feita testagem também no desembarque, para que os trabalhadores não levem o vírus para casa. Existem evidências suficientes do perigo da transmissão por assintomáticos, só que a empresa insiste em agir só nos casos quem que a pessoas apresente sintomas.

Em reunião de CIPA, realizada no dia 11 de agosto, os cipistas solicitaram a redução do POB (número de pessoas a bordo) da plataforma.  O POB normal da plataforma que estava sem produzir era de 60 pessoas. Segundo relatos dos trabalhadores, com as atividades de desmobilização feita às pressas, esse número subiu para 79 e no entendimento dos trabalhadores, o máximo deveria ser de 62 pessoas na unidade.

Outro pedido da CIPA foi o embarque de uma empresa para a testagem de todos a bordo. Essa solicitação foi encaminhada à EOR, que informou que não é o protocolo que está sendo aplicado e que faz o monitoramento adequado da força de trabalho quanto a condição de saúde e sintomas da Covid-19. Entretanto, diante do grande número de casos, uma empresa está embarcando hoje, 17, para a testagem de todos, o que só comprova a demora da Petrobrás agir em tempos de pandemia.

Há uma denúncia grave de que trabalhadores que tiveram COVID estão sendo demitidos após receber alta. Isso está provocando constrangimento entre a categoria na hora de relatar que está com sintomas e muitos nem relatam com medo de perder seus empregos. Por isso a necessidade do cumprimento da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determina a emissão de CAT para os trabalhadores contaminados. Isso já foi solicitado a gestão que não respondeu.

Como mais um agravante da situação de P-12, a empresa afastou, em menos de uma semana, o cipista que fez fortes cobranças durante a reunião de Cipa, contrariando a orientação da própria Petrobrás sobre a necessidade de manter os trabalhadores a bordo por 21 dias, para diminuir a movimentação do pessoal.  Para a diretoria do sindicato ficou clara a intenção de afastar o cipista da unidade, porque cobrava posições mais firmes em relação ao combate da pandemia.

O Sindipetro-NF tem pressionado as autoridades ligadas à Operação Ouro Negro para que tomem atitudes concretas exigindo das empresas de petróleo ações para enfrentamento à pandemia do novo coronavírus.

Além disso, entre março e junho passados, o Sindipetro-NF enviou 18 ofícios, à gestão da Petrobrás e a instâncias do poder público, para cobrar ações de prevenção à Covid-19. Na maioria dos casos não houve resposta e as medidas, quando adotadas, foram muito lentas. 

Plataforma leiloada

A P-12 é uma das plataformas que foi leiloada e ainda está ancorada, então a Petrobrás está correndo para entregar a unidade, porque o custo de todo o processo de retirar a plataforma deve passar de R$ 100 mil por dia.

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

O Sindipetro-NF recebeu informação de que, ontem, um princípio de incêndio foi controlado na sala dos operadores da plataforma P-50, a mesma que passa por momento de muita apreensão com um grande número de infectados pelo novo coronavírus.

De acordo com relatos iniciais, o fogo começou em um computador e foi eliminado pelos trabalhadores com extintores. Não houve feridos. A emergência, no entanto, provocou a aglomeração dos petroleiros e petroleiras a bordo na sala de reunião — o que gerou preocupação em razão da condição sanitária crítica da unidade.

O sindicato orienta aos petroleiros e petroleiras da unidade a manterem a entidade informada sobre a situação a bordo. Trabalhadores e trabalhadoras de outras unidades marítimas e bases de terra também devem enviar relatos para o NF sobre as condições de saúde e segurança no trabalho para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

 

Publicado em Sistema Petrobrás
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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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