Apesar de diversas reuniões realizadas a pedido do Sindicato com a gestão da Refap, antes do início da Parada de Manutenção, a situação continua gerando preocupações para a entidade. A Parada iniciou dia 19 de novembro.
Uma das principais preocupações é em relação a possibilidade de aumento dos casos de Covid-19. Apesar dos protocolos, a realidade aponta para muita gente circulando nos mesmos ambientes, trabalhos em espaço confinado, entre outras situações.
Antes de iniciar a Parada, o Sindicato fez uma primeira vistoria nos containers, nas áreas de convivência, no restaurante para atender o contingente de trabalhadores e no QG de organização. Na ocasião, foi elencada uma série de situações. A empresa encaminhou algumas e deixou outras sem resposta.
No último dia 25, em nova vistoria, algumas questões causaram preocupação, especialmente por que ainda não estamos no “pico” do trânsito de pessoas, já que algumas unidades estão em liberação. Este “pico” deve acontecer esta semana.
Estas preocupações foram apresentadas à empresa para que tenham solução, especialmente as que podem gerar aglomerações.

ALERTA AOS TRABALHADORES

Segundo a diretora Miriam Cabreira, que tem participado das reuniões e vistorias, da mesma forma que faz cobranças à empresa, o Sindicato alerta aos trabalhadores quanto ao comportamento e a responsabilidade de cada um em relação a proteção à Covid-19. “Depende muito da consciência de cada um de se proteger e proteger aos seus”, alertou ela.
Miriam destacou que os trabalhadores que tiverem dúvidas, denúncias ou sugestões com relação a Parada, entrem em contato com o Sindicato, para que a entidade possa dar os devidos encaminhamentos às demandas.

[Da imprensa do Sindipetro-RS]

O Sindipetro-RS protocolou no último dia 13, um ofício junto ao RH da Refap, cobrando a questão do efetivo e a segurança dos trabalhadores.

Desde agosto o Sindicato vem questionando sobre a reposição das pessoas que estão saindo no PIDV. O RH segue sem apresentar um plano de reposição.

Outras questões também foram levantadas, como "qual o número mínimo previsto para cada um dos setores da operação na Refap e qual o quantitativo de pessoas estão em atividade, nos setores operacionais, neste momento?"; "Com as saídas programadas até o final de 2020 qual será a situação a partir de janeiro de 2021?" e "quantos, de onde, quais e, a partir de quando, trabalhadores serão transferidos de outras bases da Petrobrás para a Refap, de forma a operar de acordo com o O&M vigente, apresentado ao MPT e a Justiça, que segundo a empresa considera de forma segura, adequada e operacionalmente correta?"

Estamos no aguardo das respostas.

A íntegra do ofício está aqui

[Via Sindipetro-RS]

Gestão da empresa diminui número de técnicos de segurança no regime de turno. Pressão por transferências para outras unidades aumenta ainda mais a sensação de insegurança na Usina

[Da imprensa do Sindipetro-PR/SC]

Reduzir investimentos, sucatear instalações e precarizar as relações de trabalho. A direção da Petrobras segue à risca o plano para atender interesses privados e entregar o patrimônio do povo brasileiro. 

Assim como acontece na Refinaria do Paraná (Repar) e foi denunciado pelo Sindipetro PR e SC (leia aqui!), a Usina do Xisto (SIX), em São Mateus do Sul, também passa por um processo de desmonte com requintes de crueldade e irresponsabilidade. Começou por setores como a Casa de Força, Laboratório, Utilidades e agora atinge a SMS (Segurança, Meio Ambiente e Saúde), departamento responsável pelas vidas dos trabalhadores. 

O roteiro é exatamente o mesmo da Repar. Ambas gestões locais substituem profissionais experientes por bombeiros civis nas brigadas de incêndio, ainda com o agravante de sequer terem o treinamento adequado para atuar em situações de emergência em parques industriais de produtos inflamáveis. 

Com esse processo de terceirização e redução de recursos na SMS, um problema que assolou a SIX durante anos volta à tona: a falta de efetivo de técnicos de segurança em turno ininterrupto de revezamento. No contexto atual, trata-se de mera decisão política e ideológica da empresa, uma vez que os técnicos estão disponíveis, mas simplesmente foram retirados do regime de turno.   

Em 2004, um acidente que levou à morte de um terceirizado na área de mineração escancarou a ausência de profissionais de segurança na Usina. A Comissão de Investigação que foi instalada na SIX, da qual o Sindipetro fez parte, trabalhou por dois anos e o resultado foi a ampliação para dois técnicos de segurança por turno. 

Agora, com as terceirizações na SMS, a SIX voltará a contar com apenas um técnico por turno. Cabe destacar que o cenário anterior a 2004 era de acidentes em série na Usina. Algo que a gestão da Petrobrás parece querer retomar nas suas instalações. No último mês, vários acidentes foram registrados, inclusive uma explosão na mina. Falta de efetivo, sucateamento e operações complexas realizadas por terceirizados sem o devido treinamento são as causas apontadas pelos profissionais de segurança. É o presente repetindo o passado. 

Outro fator que aumenta a sensação de insegurança generalizada na SIX é a pressão que trabalhadores de todos os setores sofrem para aceitar transferências a outras unidades da Petrobrás. Tudo parte de um plano sórdido para acabar com a Petrobrás no Paraná, na região Sul do país e, mais tarde, extinguir de vez com a maior empresa da América Latina. É sempre bom lembrar: não há saída individual, a luta é coletiva!

"Os trabalhadores que estão desembarcando com suspeita de COVID-19 e aqueles já diagnosticados com a doença estão ficando isolados e sem acompanhamento médico num hotel de Vitória. E, pasmem, nem medicamentos são disponibilizados para os trabalhadores", denuncia o coordenador geral do Sindipetro ES, Valnisio Hoffmann. 

Segundo o sindicato, a Petrobrás alega que nenhum profissional da saúde pode ter contato com os trabalhadores no hotel, mesmo quando apresentam dor de cabeça, dor de garganta ou outros sintomas. Segundo a empresa informou, caso algum trabalhador tenha algum sintoma mais grave, é chamado uma ambulância, que o leva para um hospital.

"A Petrobras brinca com a saúde do trabalhador. Essa omissão e negligência pode custar a vida desses colegas que estão isolados no hotel. A desorganização é tamanha que mesmo aqueles trabalhadores cujo diagnóstico foi negativo acabam ficando até cinco dias no hotel aguardando liberação do setor médico", denuncia o coordenador.

O Sindipetro-ES informou que está tomando todas as medidas cabíveis para auxiliar os trabalhadores, que, além de contaminados pelo coronavírus, ainda sofrem com a negligência da Petrobrás.


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[FUP, com informações da Coordenação do Sindipetro-ES]

Sindipetro-MG alerta que a capacidade da refinaria de responder às emergências será prejudicada com a saída de trabalhadores mais capacitados e preparados

[Da imprensa do Sindipetro-MG]

Na primeira quinzena de dezembro o quadro de trabalhadores do setor de Segurança, Meio Ambiente e Saúde da Regap será reduzido pela metade. A terceirização do setor da SMS está a pleno vapor. Justamente o setor responsável pela segurança industrial e pelo combate a emergência na Refinaria.

Hoje, são 25 empregados próprios capacitados para preservar a vida da comunidade externa e interna. Cada turno possui equipe de segurança industrial de quatro técnicos. Mas com a mudança denunciada, cada equipe terá apenas dois técnicos de segurança para atender toda a demanda da unidade.

Cabe lembrar que este é o setor responsável pela segurança industrial e pelo combate à emergência na Refinaria. Com a terceirização, é evidente que a capacidade de responder às emergências será prejudicada. Pois os bombeiros civis não são preparados para atuar no mesmo nível de conhecimento técnico e prático dos profissionais da Petrobrás.

O Sindipetro alerta que com essa manobra, que só visa a redução dos custos, a gerência está se desfazendo de trabalhadores mais capacitados e preparados, substituindo esses profissionais por funcionários sem experiência específica na área, colocando em risco a vida e a segurança dos trabalhadores e das populações do entorno na Regap.

Nas três primeiras semanas de novembro, já houve 463 casos confirmados de Covid-19 entre trabalhadores da Petrobrás, segundo cálculos do Sindipetro-NF com base nos boletins do MME. Em outubro, os casos confirmados foram 163, o que mostra que as medidas da companhia não estão evitando contaminações

[Da assessoria de comunicação do Sindipetro-NF]

Nas três primeiras semanas de novembro, os casos confirmados de Covid-19 entre trabalhadores da Petrobrás já são mais que o dobro do registrado nos dois meses anteriores. De acordo com cálculos do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (SindipetroNF), filiado à Federação Única dos Petroleiros (FUP), o número de casos confirmados até a última segunda-feira (23/11) é de 463, ante 163 confirmados em outubro e 178 em setembro. Os cálculos foram feitos com base no Boletim de Monitoramento Covid-19, publicado semanalmente pelo Ministério de Minas e Energia (MME).

De acordo com Alexandre Vieira, coordenador de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS) do SindipetroNF, o cálculo toma como referência a soma do número de casos recuperados e o de confirmados em quarentena em cada mês, o que permite obter o registro mensal. O MME não divulga a contaminação por mês, apenas o número geral de confirmados naquela semana, embora divulgue o total de recuperados desde o primeiro boletim.  

Neste mês, foram registrados surtos de Covid-19 em pelo menos duas plataformas da Bacia de Campos, a P-56, no campo de Marlim Sul, e a P-25, em Albacora. Houve cerca de 50 pessoas afetadas, entre contaminados e suspeitos, com confirmação de 22 casos até a última semana. Cada unidade tem, em média, 120 pessoas a bordo cada uma. Segundo informações do Sindipetro Litoral Paulista (Sindipetro LP), também houve um surto na P-69, que opera no campo de Lula, na Bacia de Santos, com 17 trabalhadores já confirmados até meados da semana passada.

Para Vieira, os recentes surtos e os números de novembro reforçam que é urgente a revisão de protocolos de segurança pela Petrobrás, o que vem sendo reivindicado pela FUP e seus sindicatos há tempos.

“Enquanto a Petrobrás não fornecer EPI (equipamento de proteção individual) a trabalhadores e trabalhadoras desde sua chegada aos hotéis, nos transportes e nas próprias unidades, e não alterar o protocolo de testagem, realizando também a devida investigação epidemiológica, pode estar contribuindo para aumentar a contaminação entre as pessoas. Afinal, a empresa não está oferecendo equipamentos de proteção, conforme manda a Norma Regulamentadora NR 06, vem utilizando um protocolo falho e permitindo que o vírus se espalhe devido à falta de investigação dos casos”, explica o coordenador de SMS do SindipetroNF.

COVID ENTRE PETROLEIROS É O DOBRO DA MÉDIA NACIONAL

Parecer técnico da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado em outubro, comprova que a frequência dos casos de Covid-19 (expressa na incidência contaminados por 100 mil) entre os petroleiros é mais que o dobro da frequência registrada na população brasileira. Tomando como base os dados do Boletim de Monitoramento da Covid-19 do MME de 14 de setembro – números que estão subnotificados, apontam a FUP e seus sindicatos –, o parecer da ENSP/Fiocruz destaca que o “total de casos de Covid-19 na Petrobrás equivale a uma incidência de 4.448,9 casos /100 mil, o que corresponde a uma incidência maior do que o dobro (2,15) da incidência registrada em todo o Brasil (2.067,9), até a mesma data (14/09)”.

Além disso, o parecer da Fiocruz aponta que a resistência da Petrobrás em emitir Comunicações de Acidente de Trabalho (CATs) para trabalhadores contaminados por Covid-19 é uma estratégia para manipular a Taxa de Acidentes Registráveis (TAR), indicador observado para determinar o desempenho internacional de companhias de petróleo e que pode desvalorizar as empresas se mantida em patamares altos.

 > Acesse aqui a íntegra do parecer científico da Fiocruz sobre contaminação de petroleiros por Covid-19

 

No último dia 20, os dirigentes do Sindipetro NF foram informados por diversos petroleiros sobre um naufrágio ocorrido na Bacia de Campos, próximo à P-31, no Campo de Albacora.

O navio Carmen, de propriedade da empresa OceanPact Serviços Maritimos, saiu de Niterói no dia 15/11 e realizava serviços de oceanografia, vindo a afundar hoje às 04:50h, aproximadamente. Os 18 tripulantes foram resgatados com vida, sendo um trabalhador resgatado pelo navio OP Coral, a caminho do Porto do Açu e os demais trabalhadores resgatados pelo navio SeaCor, a caminho do Rio de Janeiro.

O SindipetroNF cobrou à Petrobrás o devido suporte aos trabalhadores resgatados além de exigir o cumprimento do ACT com a participação do sindicato na comissão de investigação de acidentes. Estamos a disposição dos trabalhadores envolvidos no acidente para todo o apoio necessário através do email Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

“A falta de fiscalização em algumas embarcações contratadas pela Petrobrás assim como a precarização das equipes de fiscais a bordo acende um alerta para a necessidade de fortalecimento das equipes de fiscalização “in loco””, ressaltou o diretor de saúde e segurança do SindipetroNF, Alexandre Vieira.

Agradecemos a cada petroleiro e petroleira que atuou no resgate dos trabalhadores, demonstrando a importância da união da categoria petroleira e do alto preparo que cada um de nós tem para atuar em situações adversas.

[Com informações do Sindipetro-NF]

Publicado em Sistema Petrobrás

Bombeiros civis contratados, sem treinamento adequado, serão responsáveis por comandar equipes de combate às emergências em refinarias de petróleo precarizadas

[Da imprensa do Sindipetro-PR/SC]

O desprezo à vida virou regra para os gestores da Petrobrás. Vale tudo, absolutamente tudo, para deixar as refinarias sucateadas e, portanto, mais suscetíveis à privatização. 

O que está para acontecer nos setores de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS) das unidades colocadas à venda revelam a profunda irresponsabilidade daqueles que estão no comando da maior empresa da América Latina. 

Refinarias de petróleo são locais de altíssimo risco para se trabalhar, pois processam milhões de litros de produtos inflamáveis por dia. Por óbvio, as equipes de empregados responsáveis por atuar em situações de emergência devem ter amplo conhecimento da área e treinamento adequado. Entretanto, a atual gestão da Petrobrás não pensa dessa forma. 

Ao longo dos seus 43 anos de atividade, a Repar passou por várias ocorrências emergenciais que só não tomaram proporções maiores devido à atuação em conjunto da uma equipe experiente de segurança com os integrantes da EOR (Estrutura Organizacional de Resposta). O setor de segurança e a equipe de combate às emergências sempre foram formados por trabalhadores do efetivo próprio, e necessitam de melhores condições de treinamento e efetivo para que possam ser consideradas adequadas, mas ocorre justamente o inverso com o desmonte da SMS. 

Agora, com o processo de sucateamento pelo qual a unidade passa (o mesmo ocorre com a Usina do Xisto – SIX), a fim de facilitar sua venda, tudo mudou. Segurança industrial virou coisa supérflua na cabeça dos gestores, uma vez que resolveram terceirizar o setor para reduzir a folha de pagamento. Substituem, sem nenhum pudor, empregados com muitos anos de experiência por pessoas que passam apenas por um treinamento relâmpago. 

A Repar tem capacidade instalada para processar 33 mil m³ de petróleo por dia, em uma área física total de 10 milhões de m². Para isso, conta com cinco técnicos de segurança (TS) próprios por turno. Parece pouco, não é? Não para os gestores. O plano de terceirização do setor de segurança reduz para dois o número de TS’s próprios por período (1 supervisor e 1 subordinado) e indica a contratação de três bombeiros civis. 

O Sindipetro PR e SC questionou a gestão da Repar sobre os riscos de terceirizar um setor tão importante para a segurança dos trabalhadores, da comunidade do entorno e dos equipamentos, mas só obteve respostas evasivas. Um processo atabalhoado, feito às pressas e sem respostas adequadas sobre temas cruciais, como plano de treinamento, futuro dos técnicos do setor e a segurança da refinaria. 

Cabe ainda ressaltar que o Sindicato há tempos demonstra publicamente a preocupação com a redução do efetivo de trabalhadores da Repar. Desde 2017, quando foi implantada unilateralmente a metodologia de O&M (Organização e Método) na refinaria, o número de empregados próprios foi diminuído em 40%. Naquela época, um levantamento feito pelo Sindipetro junto aos empregados da Repar já apontava efetivo insuficiente. 

Um dossiê que trata do efetivo da Repar foi apresentado na forma de denúncia junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e ainda está em trâmite. 

A terceirização da segurança somada à drástica redução do efetivo não aponta para outra direção senão a de um acidente de grandes proporções sem a resposta emergencial adequada. 

Em 2000, um acidente ampliado na Repar causou o vazamento de 4 milhões de litros de petróleo nos rios Barigui e Iguaçu. Naquela época a segurança também era negligenciada e aconteceu a tragédia. Custou muito caro para os cofres e também para a imagem da empresa o atendimento e reparo daquele acidente. As ações judiciais ainda estão em andamento somam mais de R$ 1 Bilhão em multas e ressarcimentos. Parece que os gestores não aprenderam nada com aquele triste episódio e também não sabem fazer as contas de quanto custará um acidente de grande proporção. O risco das pessoas é imenso. O Sindicato continuará com as denúncias sobre todo esse descaso e torce muito para que nada grave aconteça. 

Equipe de Combate às Emergências

Outro ponto de conflito entre a gestão da Repar e o Sindipetro PR e SC é a composição da equipe de combate às emergências. Por muito tempo a empresa bateu na tecla de que a participação dos empregados no grupo de brigadistas é obrigatória. O Sindicato, por sua vez, aponta que tal determinação não está prevista em contrato de trabalho, portanto a posição da companhia não se sustenta. 

Para além desse debate, é plausível lembrar que em situação de emergência a equipe será liderada pelo motorista da viatura. Na nova realidade, a valer a partir de novembro ou dezembro, o chefe da equipe será o bombeiro civil terceirizado, sem treinamento adequado e sem amplo conhecimento da área. A pergunta que fica é “ficarão tranquilos os componentes da equipe sob tal subordinação?” 

Com todo respeito aos bombeiros civis, o treinamento insuficiente para atuar em área industrial tão perigosa é alarmante. Durante exercício realizado na Repar nesta semana, um caminhão ficou pelo caminho. Vidas estarão em risco se isso acontecer em situação de atendimento à emergência.

O Sindipetro-NF realizou, na manhã de quinta, 22, uma fiscalização surpresa em ônibus que transportam petroleiros e petroleiras entre hotéis em Campos dos Goytacazes e o Heliporto do Farol de São Thomé. Logo nas primeiras horas do dia, diretores estiveram em um dos hotéis do município para verificar o ônibus que seria utilizado pelos trabalhadores.

De acordo com o coordenador do Departamento de Saúde do Sindipetro-NF, Alexandre Vieira, a situação do primeiro ônibus verificado comprovou denúncias que vinham sendo feitas pela categoria: foi constatado que não houve higienização do veículo. A entidade também questiona a lotação, que não tem permitido o distanciamento entre os ocupantes — embora a Petrobrás afirme que esta lotação é permitida em nota técnica interna.

Depois da constatação de ausência de higienização, o sindicato acionou a empresa de ônibus, Autoviação 1001, e a própria Petrobrás. A 1001 enviou outro ônibus para os trabalhadores, desta vez com modelo mais novo e higienizado. A gerência da companhia afirmou que o contrato prevê a higienização e prometeu fiscalizar as condições do transporte.

O sindicato também relatou ao Ministério Público do Trabalho e à Anvisa a exposição dos petroleiros e petroleiras ao risco de contaminação pelo novo coronavírus no transporte oferecido pela Petrobrás.

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

Estudo mostra que mulheres têm três vezes mais chances de ter depressão e ansiedade durante a pandemia e aponta como causa a preocupação com o futuro e a sobrecarga de responsabilidades em casa e no trabalho

[Da imprensa da CUT]

Um estudo realizado pela ONG Care Internacional, publicado em setembro deste ano, mostrou que as mulheres apresentaram três vezes mais chances de adoecimento mental durante a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), em decorrência dos impactos na renda e na alimentação, que atingiu mais a população feminina, além de da sobrecarga emocional por serem elas, na grande maioria dos casos, as responsáveis por ter que cuidar da casa e da família.

Com escolas e creches fechadas, elas também viraram orientadoras e ajudam os filhos maiores nas aulas virtuais e tarefas escolares e os menores que querem brincar e não entendem que muitas têm trabalho remoto, com tarefas, metas e cobranças.

Este cenário levou a CUT a planejar, organizar e realizar, nesta quarta-feira (21), o Seminário “Os Impactos da Pandemia na Saúde Mental das Trabalhadoras”. O evento, inciativa das secretarias da Mulher Trabalhadora e de Saúde do Trabalhador da CUT, será transmitido pelas redes sociais da Central a partir das 14h e tem como objetivo conhecer mais a fundo a realidade das mulheres durante a pandemia e debater ações para protegê-las.

Participam do seminário a pesquisadora do Centro de Estudos em Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana da Fundação Osvaldo Cruz (Cesth/Fiocruz), Dra. Fátima Rangel e a Profª. Dra. Thais Augusta Cunha de Oliveira Máximo, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

No centro do debate, temas como os problemas relacionados à saúde física e mental das trabalhadoras em ocupações feminizadas, como trabalho doméstico e na área da saúde, e quais políticas públicas poderiam minimizar os impactos para a saúde da população feminina.

Outros temas que serão tratados pelas especialistas são o desemprego, o trabalho em home office, assédio e os efeitos desses fatores na saúde mulher.

Saúde em questão

Para a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, Juneia Batista, a desigualdade de gêneros e o predomínio do machismo na estrutura da sociedade trouxeram como consequência uma sobrecarga emocional às mulheres que contribuiu para o crescimento de casos de saúde mental.  

A realidade delas envolve diferentes situações e todas com prejuízo para a saúde das mulheres, diz a dirigente, que explica: todas as mulheres trabalham, de uma forma ou de outra. Aquelas que trabalham fora fazem parte de um grupo chamado produtivo. As outras mulheres estão no chamado trabalho reprodutivo porque cuidam da casa, da família e até de idosos. 

Em casa

“Em geral, as mulheres que não trabalham fora, apesar de já estarem mais acostumadas, também tiveram de enfrentar a nova realidade de ficarem confinadas, respeitando o isolamento social, cuidando da casa, dos filhos, organizando os equipamentos que têm em casa (celular e computador) para as aulas virtuais, cuidando  de idosos, porque a nossa sociedade patriarcal ainda impõe essas condutas”, afirma Juneia.

A secretária também aponta que a falta de perspectiva de uma sustentação financeira é motivo para agravar quadros de adoecimento mental nesses casos. “Ainda que necessário, é um cerceamento da liberdade, mas que no caso das mulheres, causa um impacto emocional maior. Elas estão presas dentro de casa, com filhos, com o companheiro e com a preocupação de ter o que comer amanhã”, diz. 

Home office

Outro grupo, prossegue Juneia, é o das mulheres que têm um emprego e acabaram sendo colocadas em home office. Para elas, estar em casa o tempo todo, junto dos filhos, que poderiam estar na escola ou nas creches, significa necessariamente ter um aumento das responsabilidades e da carga de trabalho. 

Trabalho presencial

Mulheres que continuaram trabalhando presencialmente em seus empregos, ainda enfrentam os riscos da contaminação em transportes públicos e até nos locais de trabalho.

“E se você olhar para esse grupo, há um grande número de trabalhadoras domésticas, por exemplo, que já não tem com quem deixar os filhos e vão para o trabalho com medo de serem contaminas transmitirem A Covid-19 para seus familiares”, diz Juneia.

Há ainda as mulheres que perderam o emprego. Além de sofrerem o impacto não ter mais uma renda, também tiveram que ficar em casa e com as responsabilidades domésticas.

“De qualquer jeito, a vida das mulheres durante a pandemia, com a situação social, política e econômica que vivemos, piorou muito”, afirma a dirigente. 

Panorama

Neste cenário de adoecimento das mulheres, de acordo com Juneia Batista, surgiu a necessidade de um debate sobre o tema para detectar mais causas e pensar em ações para proteger as mulheres.

De acordo com a dirigente, a questão da saúde mental, na verdade, afetou pessoas ao redor do mundo, sem olhar gênero, cor, raça ou idade, mas as mulheres foram as mais afetadas.

“Várias questões afetaram. Primeiro o isolamento social, depois a falta de renda, com mães olhando para os filhos sem condições de dar comida. Ela não tem emprego, tem criança pequena que não está na escola por causa do isolamento, enfim, tudo isso acaba sobrecarregando a mulher”, afirma a dirigente. 

Violência doméstica

Christiane Ribeiro, médica psiquiatra, membro da Comissão de Estudos e Pesquisa da Saúde Mental da Mulher, da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) aponta como causa de adoecimentos a violência doméstica.

De acordo com a psiquiatra, as mulheres estão mais expostas a situações de violência doméstica, traumas e, também, a casos de abuso sexual, em tempos de pandemia. A afirmação é comprovada pelo estudo Violência Doméstica durante a Pandemia de Covid-19, realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O estudo indica que os casos de feminicídio cresceram 22,2%, entre março e abril deste ano, em 12 estados do país, comparativamente ao ano passado. 

Doenças

O estudo realizado pela ONG Care Internacional ouviu mais de 4 mil homens e 6 mil mulheres de 38 países diferentes da América, da Ásia e do Oriente Médio. O objetivo era entender como a Covid-19 impactou suas vidas e como eles estavam enfrentando os desafios que surgiram com o isolamento social. Os principais transtornos psiquiátricos relatados foram o stress, a depressão e a ansiedade.

Emily Janoch, uma das autoras do relatório afirma que desde o início da pandemia a desigualdade entre gêneros aumentaria e traria problemas. “Seis meses atrás, alertamos que a crise global de saúde apenas aumentaria a lacuna de gênero e regrediria décadas de progresso na saúde, nutrição e estabilidade econômica das mulheres. E, agora, nosso alarme está tocando mais alto do que nunca”, ela diz.

De acordo com o estudo, o motivo para tanta diferença entre os resultados das populações masculina e feminina (mulheres adoecem três vezes mais) acontece porque as mulheres são submetidas a estressores específicos que a maioria dos homens não precisa enfrentar. Um deles está relacionado à educação das crianças e a trabalhos não remunerados, por exemplo, o doméstico. 

Outro estudo, realizado pela ONG Kaiser Family Foundation, dos Estados Unidos, aponta que as mulheres se sentem emocionalmente mais abaladas em meio à pandemia do que os homens. O levantamento mostra que 53% das mulheres, que responderam à pesquisa, declararam que o estresse e a preocupação, neste período, têm relação com o novo coronavírus. Entre os homens, esse índice chega a 37%. 

Publicado em Trabalho
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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.