Atos já foram realizados na Replan, Revap, Recap e RPBC, refinarias da Petrobrás no estado de São Paulo, em protesto contra a privatização e a terceirização de setores estratégicos, como o de tratamento de água e detritos industriais

[Da imprensa do Sindipetro MG]

Para fazer frente aos diversos ataques que os trabalhadores da Petrobrás e a soberania popular têm sofrido, diversos sindicatos de petroleiros realizam, desde o mês de agosto, uma caravana contra a terceirização. Depois das refinarias de São Paulo – Replan (em Paulínea), Revap (em São José dos Campos), Recap (em Mauá) e RPBC (em Cubatão) -, o próximo ato acontece em Minas, na Regap, no dia 24, às 7h. Assim como os demais, devem participar petroleiros de outros estados, além de representantes da FUP e da FNP.

“O ato de Minas Gerais segue o ocorrido nos atos anteriores de combater a terceirização do tratamento de água e detritos industriais. Temos a concepção que a falta de efetivo se combate com concurso público e lutamos para que os atuais terceirizados tenham os mesmos direitos e condições dos trabalhadores diretos”, explica Leonardo Auim, diretor do Sindipetro MG. “Porém, temos agravantes  locais que não esquecemos: sempre defendemos que a Regap não seja vendida e somos contra a chantagem atual da empresa no dia a dia e na tabela de turno”, reforça o diretor.


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Outro tema destacado no ato é o processo de privatização do sistema Petrobrás e a venda das refinarias, como a Regap. “Nosso ato também é para dialogar com a sociedade sobre os riscos da privatização da Regap. O que a população tem sofrido com a alta do gás e da gasolina é fruto do processo de venda das refinarias da Petrobrás e da política de preços criminosa adotada pelo governo Bolsonaro”, diz o diretor Anselmo Braga.


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“Hoje, com a privatização batendo na porta, é fundamental construirmos lutas conjuntas. A categoria petroleira é forte, mas às vezes tem de agir para mostrar sua força, e agir nacionalmente assusta o inimigo”, complementa Auim. 

Demissões e desemprego

No governo Bolsonaro, até final do ano passado, perdemos 37.610 postos de trabalho na Petrobrás. Foram desligados 23.299 terceirizados e houve redução de 22,6% dos trabalhadores próprios. Enquanto o Brasil tem 15 milhões de desempregados, a última vez que houve concurso na Petrobrás foi em 2018. E não é por falta de necessidade, mas por uma política de precarizar o trabalho, poucos fazerem mais, perdendo descanso e em constante tensão.

Em meio à pandemia e distraindo o público com fake news, o governo Bolsonaro/Guedes põe em curso seu plano de vender o país para grandes grupos dos EUA, França, China… No nosso dia a dia, vemos setores com número mínimo reduzido, aceleração da terceirização (com funcionários ganhando salários menores e jornadas maiores), intensificação de trabalho (trabalhadores tendo de fazer um número maior de tarefas num mesmo intervalo de tempo), aumento das jornadas (além das mudanças de forma unilateral de jornada e tabela feitas pelo empregador, assédio para fazer o funcionário trabalhar na folga) e, como consequência, acidentes e o aumento do risco nas unidades atmosfera de risco.

Terceirização na Regap

Na Regap está em curso a terceirização de atividades operacionais em alguns setores, como Coque, Utilidades e Transferência e Estocagem. Também no Laboratório e no SMS há um processo já avançado.

 

Publicado em Sistema Petrobrás

A falta de efetivos e de treinamentos adequados coloca em risco diário os trabalhadores das unidades do Sistema Petrobrás. Na Regap, uma sucessão de acidentes evidencia o quadro de insegurança operacional, como denuncia o Sindipetro MG

[Da imprensa do Sindipetro MG]

No dia 4, na parte da tarde, a categoria ficou em alerta diante de mais um grave acidente na Regap. Durante serviço com maçarico no costado do tanque 27-TQ-96F, houve falha de uma mangueira, associada à falha do sistema de segurança do equipamento, o que ocasionou em um incêndio que atingiu dois trabalhadores terceirizados. Segundo informações que chegaram ao sindicato, eles ficaram com queimaduras de primeiro e segundo grau.

“A precarização da manutenção e também da mão de obra, que não passa por treinamentos necessários e muitas vezes trabalha com menos gente do que o necessário, expõe os vários riscos a que os trabalhadores estão submetidos. Isso precisa mudar”, sublinha Alexandre Finamori, coordenador do Sindipetro MG.

Gerente ordena que acidentados trabalhem enfaixados

Além das graves consequências para a saúde dos trabalhadores terceirizados que tiveram queimaduras após acidente no tanque 27-TQ-96F, a gerência da Regap tentou subnotificar o acidente. Na tentativa de tratar o acidente como sem afastamento, a gestão da empresa obrigou que os acidentados voltassem a trabalhar, mesmo com o rosto enfaixado!

Dessa forma, em uma clara tentativa de subnotificação do acidente, o evento não foi classificado na categoria 3, mas na 1, que é de acidente sem afastamento. “Sabemos que essa maquiagem no número atende apenas ao interesse da empresa, que não quer ficar com imagem ruim. Isso mostra como a gerência está mais preocupada com o PPP, sua remuneração variável, do que com a saúde dos trabalhadores”, afirma Alexandre Finamori.

Ele critica também a presença da gerente-executiva Elza, que não é da unidade, mas teria sido responsável pela mudança na classificação do acidente. “É um absurdo a presença de uma pessoa que nem é da Regap influenciando em questões internas da empresa, extrapolando todos os limites. Ela é figura presente em processos de venda de refinarias e repudiamos veementemente esse tipo de interferência, que agora chega ao cúmulo de prejudicar a saúde e a vida de trabalhadores”, critica Finamori.

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Denúncia apresentada pelo Sindipetro MG à Procuradoria-Geral do Trabalho há mais de um ano foi atendida com atraso, após diversos recursos feitos pelo Sindicato e com mais de 400 trabalhadores contaminados e nove mortos em decorrência do avanço da Covid-19 na refinaria

[Da imprensa do Sindipetro MG]

A Assessoria Jurídica do Sindipetro/MG comunica que a Procuradoria-Geral do Trabalho (PGT-MPT) determinou que a Petrobrás deve acatar pedido do sindicato de investigação do aumento do número de casos de Covid-19 entre os trabalhadores da Refinaria Gabriel Passos. 

A denúncia original, apresentada em março de 2020, foi arquivada pela Procuradoria Regional do Trabalho em Minas Gerais, sob o argumento de que a Petrobras estaria adotando todas as medidas necessárias para conter a disseminação do novo coronavírus (SARS-Cov-2) entre os trabalhadores da refinaria.

Em razão do crescente aumento do número de casos, o sindicato apresentou novas denúncias ao Ministério Público do Trabalho, sendo a mais recente por ocasião da parada obrigatória de manutenção, por meio da qual o sindicato buscou a interrupção imediata da parada diante do risco iminente de surto de Covid-19 entre os trabalhadores.

Mesmo com a constatação de irregularidades na conduta da empresa para a contenção do novo coronavírus, a PRT-3 determinou novamente o arquivamento do procedimento, por entender que, com a interrupção da parada de manutenção, a situação estaria controlada.

Inconformado, por meio da sua Assessoria Jurídica, o Sindipetro/MG entrou com recurso contra a decisão de arquivamento sob o argumento de que, em que pese a empresa não ter apresentado toda a documentação referente à parada de manutenção, a análise dos documentos evidenciou um aumento significativo de casos de contaminação pelo SARS-Cov-2 entre trabalhadores próprios e terceirizados desde o início da pandemia.

Em seu recurso, o sindicato pediu a continuidade das investigações sobre a disseminação da Covid-19 entre a força de trabalho, bem como a emissão das CAT’s para todos os trabalhadores contaminados, próprios e terceirizados.

Decisão

No dia 15 deste mês, o sindicato foi notificado que a Procuradoria-Geral do Trabalho deu provimento ao recurso interposto para determinar a continuidade das investigações sobre a contaminação dos trabalhadores petroleiros, próprios e terceirizados, pelo novo coronavírus (SARS-Cov-2).

A decisão determina, dentre outras medidas, que os médicos do trabalho indiquem imediatamente o afastamento de casos confirmados e sob suspeita, bem como de seus contatantes, e que diante da confirmação do diagnóstico de Covid-19, solicitem à Petrobras a emissão da Comunicação de Acidente do Trabalho (CAT), ainda que na suspeita de nexo causal com o trabalho, por obediência do artigo 169 da CLT.

A Petrobrás foi notificada para cumprir em 30 dias as determinações constantes na decisão. A Assessoria Jurídica continuará acompanhando o andamento do processo.

“Infelizmente, tivemos quatrocentos e trinta colegas contaminados e perdemos nove para a covid. Os petroleiros e o sindicato brigaram em todas as frentes: greve sanitária, pressão sobre a empresa, reuniões de sms e a disputa jurídica. Foram vários recursos, e quase um ano e meio depois a justiça reconhece nosso direito: queremos investigação da disseminação do vírus e que a empresa reconheça que é um caso de acidente de trabalho, que precisa ser tratado assim. Queremos também que se cumpra a determinação de fornecimento adequado de máscaras e EPIs”, diz o coordenador do sindicato, Alexandre Finamori, em vídeo para a categoria.

Confira aqui a íntegra da decisão:

PGT – denúncia covid 000861.2020

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[Da imprensa do Sindipetro MG]

Leia nesta matéria exemplos de famílias que se sentem desamparadas pela empresa, quase três meses depois do falecimento de trabalhadores. A situação dos funcionários da Petrobras e a pandemia. Relembre a luta do sindicato, desde a greve sanitária até a pressão pela vacina. E os cuidados que ainda são necessários, pois o pesadelo ainda não acabou. 

“A Petrobrás lidou com a pandemia igual o governo federal fez: menosprezando a doença e não protegendo os trabalhadores”, resume e lamenta o diretor do Sindipetro/MG Leopoldino Martins. Aposentado, Leopoldino tem acompanhado de perto a situação de duas famílias. Em comum, elas enfrentam o luto e a imensa dificuldade de receberem seus direitos da Petrobras.

Um dos casos é o de Márcia das Dores Fonseca Brandão, viúva de Wandeir dos Santos Brandão, que trabalhou por 32 anos na Refinaria Gabriel Passos, a Regap, em Betim. Wandeir foi contaminado com coronavírus em férias, e avisou a empresa da situação. Sua esposa conta que seu adoecimento foi rápido: ele foi hospitalizado no dia 23 de maio e no dia 17 de junho faleceu. “Todos os dias eu passava o boletim médico para a assistente social da Petrobrás”, lembra Márcia.

Numa quinta-feira ela perdeu o marido e pai dos seus dois filhos, uma de 12, outro de 18. Numa sexta, foi o enterro. Logo na terça seguinte Márcia já providenciou os documentos para enviar para a empresa. No entanto, apesar de seus esforços, até hoje, quase 90 dias depois, ela não recebeu nada do que tinha direito.  

Foram solicitados muitos documentos para Márcia, que tentou garantir todos. Por fim, a empresa pediu uma carta de concessão da pensão por morte do INSS. Márcia conseguiu a carta, que veio sem os dados de seus filhos, e de novo a Petrobrás não ajudou em nada: ela não conseguiu acessar nem a parte que dizia respeito a ela, como viúva e inventariante de Wandeir.

“Expliquei pra moça que o INSS havia feito a carta só que não incluiu os meus filhos. Passei para a Petrobras, para ela avaliar se, diante do que estou vivendo, se poderia acertar pelo menos a minha parte, para eu conseguir quitar minhas dívidas. E a empresa tem no RH dela que nossos filhos são dependentes de Wandeir. Estão colocando empecilho numa coisa que  tem me deixado angustiada”, relata Márcia, que tem recorrido a parentes para conseguir pagar suas contas. 

Há cerca de 15 dias, ela conseguiu uma reunião on line com uma empresa terceirizada da Petrobras que tem cuidado disso para a empresa. A dificuldade de saber a quem recorrer é mais um agravante na situação, pois o RH de Minas é pequeno, e os casos são remetidos ao Rio de Janeiro ou a essa empresa terceirizada.

“A empresa tem colocado empecilhos que eu realmente não entendo. Ela poderia ter um olhar mais carinhoso diante do que as famílias estão vivendo, as famílias enlutadas. Meu marido trabalhou na empresa 32 anos e a gente agora tendo que passar por essa situação”, lamenta.

Leopoldino Martins relata que o sindicato tem tentado auxiliar como pode as famílias, tanto a de Márcia como os parentes dos outros oito petroleiros que faleceram de Covid-19 desde o início da pandemia. 

Um outro exemplo que ele retoma para ilustrar a falta de “respeito e humanidade” é o da família de Geraldo Moraes, que também era trabalhador próprio da Petrobras e contraiu o vírus na empresa, durante uma polêmica parada de manutenção, realizada em março, que aumentou muito o número de contaminações na refinaria. 

Os trabalhadores da Petrobras e a Covid-19

Segundo boletim da FUP, publicado no começo de setembro, são 7.943 petroleiros contaminados em todo o país, e 53 mortes. Apesar de o número de novos casos ter caído (uma queda de 5% em relação à semana anterior), ainda há mais contaminados na Petrobras do que em outras empresas da energia – enquanto a média móvel da Petrobras estava em 82, na última semana de agosto, nas outras estava na média de 36 casos por semana. 

Os dados revelam que quase 20% – 19,7% – do total de trabalhadores da Petrobras Holding foram contaminados. 

Em Minas Gerais, foram registrados 430 casos e nove mortes, apenas na Regap. O número é grande, mas pode ser ainda maior, visto que os sindicato não tem acesso com transparência total aos dados de cada unidade. Essas informações são cobradas sistematicamente nas reuniões nacionais com a EOR da Petrobrás e nas reuniões locaisi de SMS.

Um dos momentos mais tensos dessa situação foi a já citada parada de manutenção, em março, em período em que o estado passava pela onda roxa, ou seja, um dos momentos mais graves da pandemia. Na ocasião, mais de 200 trabalhadores testaram positivo e o sindicato deflagrou uma greve sanitária para denunciar a situação e defender a vida dos trabalhadores. 

Na ocasião, o Sindipetro/MG também realizou denúncia relativa ao surto de Covid-19 na Regap ao Ministério Público do Trabalho (MPT); Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE – TEM – MG); Ouvidoria do Estado de Minas Gerais; Conselho Estadual de Saúde – MG; Centros de Referência em Saúde do Trabalhador – Betim (CEREEST-Betim) e Conselho Municipal de Saúde – Betim. A denúncia foi encaminhada, também, para parlamentares da Câmara Federal, Assembleia Legislativa de Minas Gerais e para vereadoras e vereadores da Região Metropolitana.

O Sindipetro/MG denunciava o surto de Covid-19 e condições críticas de segurança em relação à prevenção ao coronavírus, destacando o aumento de 2 mil novos funcionários no contingente presencial, devido à Parada de Manutenção. O documento também solicitava a “atuação de órgãos competentes, parlamentos e governos locais para a interdição imediata da Parada de Manutenção da Refinaria Gabriel Passos, diante do risco de aumento exponencial de contaminações e do iminente colapso do sistema de saúde da Região Metropolitana de Belo Horizonte”.

Outra luta do sindicato foi pela garantia da vacinação aos trabalhadores das unidades da Petrobras. Assim como em outros estados, não houve empenho da empresa para garantir a imunização a seus funcionários e partiu da categoria e seus sindicatos a iniciativa de articular junto a prefeituras e secretarias de saúde a vacina dos trabalhadores.

Sindicato luta para conquistar vacina da categoria

“Mesmo com tantas perdas, a Petrobras segue surda para a reivindicação da categoria. A empresa poderia pressionar e garantir vacinas para os trabalhadores, que fazem parte dos essenciais. Mas prefere seguir a política genocida da presidência e recomendar a farsa do tratamento precoce”, denuncia Alexandre Finamori, coordenador do sindicato.

Assim, o Sindipetro MG pressionou para garantir a vacinação, o que acabou ocorrendo na Regap e na termelétrica de Ibirité

Situação da Covid hoje 

O Brasil registra mais de 584 mil vítimas fatais da Covid e é o terceiro país com mais mortes no mundo, atrás dos Estados Unidos e da Índia, apenas. Mesmo com a vacinação de boa parte da categoria e da sociedade, especialistas alertam que a pandemia ainda não acabou, especialmente com novas variantes em circulação, como a delta. 

Alguns cuidados e garantias ainda são necessários, como o uso de máscaras, testagem constante, evitar aglomerações.

Publicado em Sistema Petrobrás

O Sindipetro MG, por meio de seu Departamento Jurídico, ajuizou, no dia 30/07, uma ação de execução de obrigação de fazer, com pedido de tutela de urgência, para que sejam implantadas as tabelas de turno de 12h escolhidas pela categoria, conforme mediação do TST na greve de fevereiro de 2020

No entanto, no dia 3 de agosto, a juíza responsável pela ação extinguiu o processo por meio de um despacho simples, alegando que o procedimento utilizado foi inadequado. O jurídico do Sindipetro-MG vai entrar com um Embargo de Declaração  solicitando esclarecimento, uma vez que que o Sindipetro Caxias obteve êxito no pleito da tutela antecipada utilizando a mesma tese usada por Minas.

Os próximos passos do Sindipetro-MG é convocar a categoria para setoriais com o objetivo de dialogar com a base acerca dessa situação. Também será ajuizada novamente a ação, alterando-se a classe processual no sistema, uma vez que a juíza alegou erro de procedimento.

“Ademais, desde a última sexta-feira, a direção da Regap vem ameaçando implantar a tabela 3×2, contrariando a escolha da tabela de 12h eleita pela categoria”, relata Alas Castro, diretor do sindicato. Assim, será solicitada na nova ação uma tutela de urgência/inibitória para determinar a não implantação da tabela 3×2 enquanto não houver o julgamento de mérito do processo.

“Importante dizer que quem está interrompendo o processo é a empresa. Desde o início o sindicato respeitou a decisão da maioria e tocou o processo de forma transparente”, complementa Alexandre Finamori, coordenador do Sindipetro MG.

Na quinta (11), o Sindicato realizou um bate-papo no Instagram para tirar dúvidas da categoria. Confira aqui.

[Da imprensa do Sindipetro MG]

 

Acidente aconteceu menos de uma semana após outra ocorrência grave na Regap. Sindipetro MG denuncia riscos causados por redução drástica dos efetivos e pela precarização do trabalho em meio ao preocesso de privatização da unidade

[Da imprensa do Sindipetro MG | Imagem: Sindipetro-MG]

No dia 23 de julho, foi registrado mais um acidente na Regap. Uma gaveta da 03-P-08B instalada na subestação PT-02 explodiu. Ainda não se sabe ao certo a causa do incidente, mas as evidências indicam que vários sistemas de proteção não funcionaram como deveriam. O incêndio provocou a atuação da proteção de outros painéis elétricos, levando a parada do CCF1 em emergência, agravando assim o cenário de risco na refinaria. 

“A bomba 03-P-08A, que seria a reserva da bomba que tripou, estava com indicação que só poderia funcionar em emergência. Casos como este expõem a precarização da manutenção, que coloca todo o pessoal e o entorno em risco”, alerta Alexandre Finamori, coordenador do Sindipetro MG .


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Essa situação é muito grave e poderia ter sido evitada.O equipamento está atualmente instalado numa dupla de painéis ainda remanescentes da época de construção do CCF-01, espaço conhecido por “Corredor da Morte”. O apelido é devido à disposição das gavetas, feitas apenas para garantir o funcionamento dos equipamentos a qualquer custo, com pouca ou nenhuma segurança para pessoas, ideia comum daquela época. A solução para evitar esse risco parece próxima. Segundo o sindicato apurou, o painel novo, que substituirá o ‘Corredor da Morte’, está montado ao lado, porém a obra está parada. 

O QUE ACONTECEU DEPOIS E O QUE ESTÁ EM RISCO

Após a ocorrência, foi realizada uma limpeza e testes do painel, para colocá-lo em operação novamente. Isso foi feito mesmo sem que suas grandezas elétricas se enquadrassem nos limites seguros aceitáveis, o que a idade dele já não permite mais alcançar. Algumas gavetas permanecem ainda fora devido ao evento.

Mesmo com os altos riscos envolvidos e a necessidade de experiência e qualificação, a gerência da Regap pretende tirar os especialistas em energia elétrica da operação nas subestações e passar para outros operadores. 


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O Arex é conhecido por atender uma rotina relacionada à água potável, água da barragem de Ibirité e inspeções nas dezenas de subestações e casas de controle da refinaria. Além disso, ele libera permissões de trabalho e atende manobras elétricas em toda área da refinaria, incluindo a barragem de Ibirité e, eventualmente, o terminal de Imbiruçu. 

Centenas de equipamentos, com algumas décadas de diferença de idade entre eles, estão sob sua responsabilidade e as solicitações  de atendimentos são inúmeras. No cenário da refinaria com investimento reduzido, o que se traduz em sucateamento, a demanda pelo Arex cresce tanto em número quanto no tempo necessário para a conclusão de cada serviço.

Alta gerência da Petrobras visita refinaria após série de ocorrências, mas gerência local mascara problemas

Nos últimos meses, foram vários acidentes envolvendo riscos graves. A redução de efetivo e a precarização da manutenção pioram a situação. “Percebemos que está se repetindo o modus operandi da década de 1990, quando FHC fez de tudo para privatizar a Petrobras. É a cartilha: precarizar pra vender barato”, critica Alexandre Finamori.

Um dos últimos acidentes – o vazamento do dia 17 de julho – foi tema de uma matéria da Record. Depois disso, a alta gerência da Petrobras começou uma série de visitas na refinaria. Foram feitos alguns consertos dos problemas mais visíveis, mas os mais graves continuaram lá.

Publicado em Sistema Petrobrás

Neste mês, uma demissão injustificada de oito trabalhadores da Manserv – empresa terceirizada que há anos presta serviço para a Petrobras – provocou inseguranças. Segundo as informações que chegaram ao sindicato, foram demitidos oito funcionários que atuavam na Regap e, na mesma semana, um trabalhador da Usina termelétrica de Ibirité, após retorno de licença médica.

Dos oito trabalhadores da Regap, ao menos quatro tinham muitos anos de experiência na área de manutenção. Segundo o diretor do Sindipetro Paulo de Tarso Vieira, que é fiscal e ajuda na avaliação do pessoal que tabela com os funcionários próprios da refinaria, não houve explicação para as demissões, que foram feitas repentinamente.

“Um dos trabalhadores tinha 34 anos de experiência. É um acúmulo que a própria empresa perde. Claro que com isso há uma queda na qualidade da prestação do serviço, e também na relação de confiança. A gente não sabe o motivo, e pode ter a ver inclusive com a fiscalização. Ou pode ser perseguição, não tem como saber”, lamenta Paulo de Tarso.

Ele também destaca que há já havia um problema com a terceirização da manutenção, que deveria ser feita pela Petrobras. E demissões como estas deixam a situação ainda mais insegura. 

O Sindipetro MG alerta que outras empresas terceirizadas também têm realizado demissões injustificadas. “Essas ações injustificadas ou tratadas de forma obscura são mais uma marca da gestão bolsonarista na Petrobras,  que infelizmente vemos acontecer em várias esferas do governo federal”, destaca Alexandre Finamori, coordenador do sindicato. 

Congresso pauta tema das terceirizações

No 35º Congresso, a categoria decidiu acompanhar mais de perto o tema, e foi criado um GT para discutir os detalhes. “Sabemos que as terceirizações precarizam as condições de trabalho e que o justo seria todas as funções serem primarizadas e garantidas pela Petrobras. Além de boas condições de vida para as pessoas que atualmente trabalham como terceirizadas – as vezes até quarteirizadas, o sindicato defende também que haja maior zelo com a segurança, formação e condições de trabalho”, diz Finamori. 

[Imprensa do Sindipetro MG]

Publicado em SINDIPETRO-MG

Na Regap, princípio de incêndio foi evitado por operadores que trabalhavam na parada de manutenção e não fazem parte do quadro efetivo da unidade

[Da assessoria de Comunicação da FUP | Foto: Washington Alves/Agência Petrobras] 

A Unidade de Hidrotratamento de Diesel (U-310) da Refinaria Gabriel Passo (Regap), em Betim (MG), registrou um vazamento de óleo na saída do forno. No momento do incidente, apenas um operador era responsável por toda a unidade. O trabalhador teve de chamar reforços para controlar a situação e paralisar a unidade. O evento ocorreu na madrugada do último sábado (17/7), e coloca em evidência a precarização do trabalho e os riscos de acidentes em unidades da Petrobrás, decorrentes da escassez de efetivo de pessoal de segurança. Não houve feridos ou danos às instalações da Regap, segundo informações do Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro-MG), filiado à Federação Única dos Petroleiros (FUP). 

O Sindipetro-MG vem denunciando os riscos do baixo efetivo e mostrando o descaso com a manutenção na Regap. Nos últimos anos, a manutenção tem sido feita de forma menos criteriosa, com alterações na rotina de inspeção dos equipamentos. Segundo a entidade, a produção e a exigência de trabalho são as mesmas, em alguns casos até aumentaram, mas o número de pessoas reduziu muito nos últimos dois anos, levando profissionais a trabalharem em dias de folga, com jornada diária elevada e sem entrar em acordo com o sindicato”. 

O resultado disso é que em junho último foram registradas diversas ocorrências na Regap, como fogo em um conversor, devido ao vazamento de uma linha de gasolina; trincas no reator do craqueamento 1, onde foi necessário parar a unidade para realizar manutenção; e acidente com queimadura de vapor. 

“A redução de efetivo de pessoal e a intensificação da carga de trabalho estão ocorrendo em toda a Petrobrás, aumentando os riscos de acidentes nas unidades e no meio ambiente. Essa lógica é base do sucateamento que precede a privatização de ativos da empresa”, critica o coordenador do Sindipetro MG, Alexandre Finamori. 


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O Sindipetro-MG enviou ofício (Ofício 043.2021) à gerência da Refinaria Gabriel Passos (Regap), questionando sobre essas questões e ressaltando a preocupação com o baixo número de efetivo da refinaria e suas consequências à segurança. Em resposta burocrática ao ofício, a Regap disse que “a Refinaria Gabriel Passos – REGAP, em conjunto com outras unidades da Companhia, adota metodologia desenvolvida especificamente para o estabelecimento de critérios e parâmetros técnicos para dimensionamento do número de postos de trabalho de operação para as refinarias da Petrobras”. 


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Em fevereiro deste ano, a FUP já havia denunciado a precarização do trabalho e da segurança das operações do refino, quando a Unidade de Hidrotratamento e Hidrossulforização (UHDS) U-2631 da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária (PR), registrou um princípio de incêndio após vazamento de óleo diesel em uma área de alta pressão. No momento do acidente, também apenas um operador era responsável por toda a unidade. O episódio revelou, já naquele período, a falta de efetivo na Repar – que vem ocorrendo também em outras refinarias da Petrobrás, que integram o plano de privatização da atual gestão da empresa. 


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Deyvid Bacelar, coordenador geral da FUP, alerta para os riscos da redução de pessoal nas refinarias, que vem aumentando sistematicamente o risco das operações de uma indústria que já é de alto risco, tanto para trabalhadores, quanto para as comunidades do entorno. “Se a Petrobrás, uma empresa controlada pelo governo e com papel social, vem cortando pessoal para aumentar seus ganhos, mesmo que isso signifique aumentar o risco operacional, o que podemos esperar de um ente que adquira suas refinarias e que precisará dar retorno em menor prazo a seus acionistas?”, questiona ele.


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Na madrugada do dia 17 de julho, por volta das 3h30, um operador percebeu uma quantidade muito grande de fumaça, uma fumaça branca, muito densa, próximo ao forno do Diesel 2 (U-310). Ele entrou em contato via rádio com operadores da área, que foram fazer uma avaliação e perceberam  um vazamento de diesel na saída desse forno. Imediatamente eles fizeram as ações operacionais para parar a unidade reduzir o vazamento e iniciou uma prevenção para que não ocorresse um incêndio. 

A ação foi muito rápida, garantindo que a unidade fosse parada e voltasse à condição de segurança em poucos minutos e evitando um incêndio, de possíveis consequências perigosas para os trabalhadores e para os equipamentos. Importante ressaltar que a ação foi possível porque havia reforço de outros três operadores na área, devido a uma parada de manutenção na U-513 e pela qualidade técnica dos trabalhadores envolvidos no momento da ocorrência. Com esse efetivo adicional que estava no setor no momento da ocorrência foi possível ter um reforço da equipe da área e também no painel, demonstrando mais uma vez que o número mínimo adequado amplia de forma significativa a segurança do processo.

O Sindicato chama a atenção para o fato de que o baixo efetivo em trabalho leva a um risco maior de acidentes, que podem ser graves! Além disso, há um descaso com a manutenção em todas as unidades da Petrobras, inclusive na Regap. Nos últimos anos, a manutenção tem sido feita de forma bem menos criteriosa e também não existe mais a mesma rotina de inspeção nos equipamentos.

A produção e a exigência de trabalho é a mesma, em alguns casos até aumentaram as rotinas, mas o número de pessoas reduziu muito nos últimos dois anos. Sendo assim, houve intensificação do trabalho: na prática número mínimo reduzido, trabalhadores sendo assediados a trabalhar na folga, jornada diária elevada sem entrar em acordo com o sindicato, demissões de diversos terceirizados.

Não se trata somente da HDT e sim de toda a planta. No CCF, no último mês houve diversas ocorrências fruto deste cenário. Alguns exemplos: – Fogo no conversor devido vazamento de uma linha de gasolina para o riser; – Trincas no reator do craqueamento 1,  onde foi necessário parar a unidade para realizar manutenção; – acidente com queimadura de vapor.

“A redução de efetivo e a intensificação do trabalho está ocorrendo em toda a Petrobrás, aumentando a chance de virarmos uma nova Vale e termos crimes ambientais. Essa lógica é base do sucateamento que precede a privatização e vai ao encontro do desrespeito a vida do governo genocida Bolsonaro”, critica o coordenador do Sindipetro MG, Alexandre Finamori.

Em relação ao efetivo, no dia 13 de julho o Sindicato mandou um ofício para a Regap com diversos questionamentos. Ainda não houve respostas, mas o Sindipetro está atento e alerta que é urgente a recomposição dos quadros da refinaria. “A questão do efetivo é essencial para as boas condições de trabalho e também para a empresa, que só assim pode entregar um serviço final de excelente qualidade. O reforço da manutenção vai no mesmo sentido, pois garante a segurança de quem trabalha na Regap, mas também de quem mora na região e todos que de alguma forma se relacionam com a refinaria”, destaca Alexandre Finamori, coordenador do Sindipetro MG.

Veja a resposta da Petrobrás à solicitação do Sindipetro-MG

Qual a previsão de saída dos trabalhadores do PIDV que estão hoje na refinaria? E quando chegam novos trabalhadores?

Essas são algumas das perguntas que o Sindicato enviou à gerência da Regap em ofício, na segunda (12).

A categoria está preocupada com o baixo número de efetivo da refinaria, e muitos trabalhadores relatam que tem crescido o número de convocações em dias de folga para garantir a cobertura durante os turnos. 

O sindicato se soma às preocupações, ainda mais sabendo que a questão do efetivo será um problema dos próximos anos, visto a política de desmonte da Petrobras promovida pelo atual governo. 

Confira o ofício enviado:

Ofício 043.2021 – Número do efetivo – REGAP

[Da imprensa do Sindipetro MG]

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.