Replan tem situação de emergência e tifon não é acionado

Segunda, 18 Novembro 2019 15:24

Uma contaminação por óleo no sistema de vapor que passa pela tubovia principal, malha central da tubulação da Refinaria de Paulínia, colocou os petroleiros em alerta e reacendeu a discussão sobre a necessidade de ser acionado o alarme (tifon) em casos como esse, considerados de emergência. O problema ocorreu na manhã do dia 11 de novembro, com evacuação da área pelos terceirizados, mas sem o aviso sonoro.

A emergência foi identificada por trabalhadores do setor de Transferência e Estocagem (TE) ao longo da tubovia, na região da casa de controle (CO5). Ao invés de eliminar da rede somente vapor condensado, um dos purgadores também estava expelindo fumaça de óleo, cuja origem ainda não havia sido confirmada até a tarde de quinta-feira (14). Foi observado ainda vazamento no flange (conexão) das tubulações, em válvulas e trechos de linha com furos. Segundo relatos de trabalhadores, havia fumaça e forte cheiro de óleo em toda tubovia central oriunda da linha que compreende a rede de vapor de 13kgf/cm² (V-13). Para drenar o óleo dessa rede, foi necessário abrir uma das linhas de condensado, na área da CO6.

A segurança industrial da Replan foi acionada para acompanhar o evento e avaliar os riscos. A situação era de emergência. O coordenador de turno (cotur) orientou pelo rádio que as frentes de trabalho fossem desmobilizadas para os canteiros, mas o tifon não foi acionado. As áreas administrativas e operacionais não foram informadas sobre o que estava acontecendo.

Indignados, os petroleiros afirmam que foi uma ocorrência de alto risco na tubovia e questionam quais são os critérios da empresa para soar o alarme de emergência. Segundo eles, logo que foi constatada a contaminação, a Brigada 1 já estava posicionada com viatura de combate a incêndio na região da CO5, onde havia maior parte de óleo fervendo e fumaça. 

Segurança em risco

O vapor é produzido na Casa de Força (Cafor) e distribuído para todas as unidades da refinaria, através da tubovia. No fim do processo, as partículas retornam para a Cafor na forma de condensado. A contaminação da malha principal da tubulação é um perigo para a refinaria, porque poderia ter danificado uma caldeira, em função da alta temperatura, e causado um grave acidente, com riscos à segurança dos trabalhadores. A contaminação do vapor também poderia ter comprometido os processos de refino, causando sérios prejuízos à unidade. 

Omissão para garantir bonificação

Na opinião de muitos petroleiros, a omissão de casos como esse, de emergência, é resultado do PRV (Programa de Remuneração Variável). A gestão omite o problema para garantir uma bonificação gorda. O PRV, aponta trabalhadores, tem sido o motivador de subnotificações, a fim de que a refinaria não tenha impactos em sua pontuação (Balanced Scorecard), que determina o valor dos prêmios.

[Via Sindipetro Unificado-SP/Por Alessandra Campos]

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