Auditoria feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU) confirma o que a FUP e especialistas vêm alertando há quase dois anos: as privatizações em curso de nove refinarias da Petrobrás colocam em risco o abastecimento do país, o desenvolvimento e a reorganização do mercado de refino. 

Em sessão plenária realizada na quarta-feira (4/8) pelo órgão de controle, foram apresentados os riscos de desabastecimento do mercado brasileiro, sobretudo de mercados regionais, conforme os petroleiros vêm apontando desde a assinatura do duvidoso Termo de Compromisso de Cessação (TCC) assinado entre a Petrobras e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Segundo informou a agência de notícias Reuters, o TCU "verificou haver risco ao pleno abastecimento de todos os mercados regionais de combustíveis, tendo em vista os desinvestimentos da Petrobras, após realizar uma auditoria sobre o tema, conforme nota publicada em seu site. O órgão federal disse ainda que as vendas de ativos da petroleira estatal colocam em risco o desenvolvimento e a reorganização do mercado de refino de petróleo no Brasil".

A FUP e seus sindicatos vêm alertando que, além da falta de gás de cozinha, gasolina e óleo diesel, a privatização das refinarias vai gerar ainda mais aumentos dos preços do que já estão ocorrendo, devido à equivocada política de reajustes da gestão da Petrobrás, baseada no Preço de Paridade de Importação (PPI).

"Como mencionamos diversas vezes, a criação de monopólios privados regionais com a venda dessas refinarias e sua infraestrutura de escoamento e tancagem – e, com isso, todos os problemas envolvendo preços e abastecimento – não se trata de uma ilação da FUP. Ela foi constatada tanto por especialistas do BNDES, em artigo publicado em 2018, como por estudo feito pela PUC do Rio, publicado em 2020", afirma o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar.

A própria ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) já tinha reconhecido que não há estrutura regulatória para, num prazo curto, passar de um único agente econômico, como a Petrobrás, para diversas refinarias privadas. Ou seja, não há regulação para isso, o que pode gerar crise de abastecimento nos estados.

Com o relatório do ministro Walton Alencar Rodrigues, do TCU, que ‘verificou haver risco ao desenvolvimento e à reorganização do mercado de refino de petróleo no Brasil’, o órgão de controle parece, enfim, constatar que a venda das refinarias não irá nem aumentar a concorrência, nem garantir preços mais baixos. "Esta é umal narrativa mentirosa que vem sendo alimentada por uma visão rentista tanto da gestão da Petrobrás como do governo de Jair Bolsonaro", alerta Deyvid.

A FUP espera que a decisão do TCU leve à revisão da política de privatização das refinarias e considera positivo o fato de o parecer do tribunal ter sido divulgado antes da consolidação da venda dessas plantas.

[Da comunicação da FUP]

Publicado em Sistema Petrobrás

Em artigo publicado nesta quinta-feira, 05, na revista Carta Capital, Rafael Costa, pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustiveis (Ineep), chama atenção para três dados que merecem destaque nos resultados financeiros da Petrobrás: o aumento de 117,5% na receita total de vendas, em comparação ao segundo trimestre de 2020, o aumento de 123,3% da receita de vendas no mercado interno e o aumento de 106,2% na receita com exportações de petróleo. Leia aíntegra:

[Por Rafael Rodrigues da Costa, pesquisador do INEEP |Foto: André Mota de Souza/Agência Petrobras]

A Petrobras divulgou na quarta-feira (04/08) os resultados operacionais e financeiros do segundo trimestre de 2021. Segundo a companhia, o lucro líquido foi de R$ 42,9 bilhões, resultado do aumento de vendas para o mercado interno e pelas maiores margens no refino.

O resultado também foi particularmente beneficiado pelos ganhos com variações cambiais, revertendo o resultado negativo do trimestre passado de R$ 18,7 bilhões e tiveram um impacto positivo de R$ 23,6 bilhões. Outro fator foi o ganho complementar com a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, de R$ 2,5 bilhões.


Leia também: Petrobrás pagará dividendos bilionários para acionistas, às custas do povo brasileiro


O lucro foi explicado, em boa parte, pela elevação de 117,5% na receita total de vendas em comparação ao mesmo período do ano passado, contabilizando 110,7 bilhões de reais. Esse resultado positivo foi puxado principalmente pelo aumento no volume de vendas de diesel e gasolina para o mercado interno – que registraram altas no trimestre de, respectivamente, 28,8% e 36,6%. Também houve significativo aumento nas vendas de gás natural e energia elétrica, que obtiveram uma expansão de, respectivos, 46,4% e 207,0%.

Além do aumento nas vendas, a receita de vendas da Petrobras também foi impulsionada pelo aumento do preço dos seus derivados no mercado interno em 102,9%. Reflexo da política de preços de paridade de importação (PPI) adotada pela estatal, que reajusta o preço dos derivados a partir de mudanças nas cotações internacionais do petróleo, na taxa de câmbio e custos logísticos, o crescimento das vendas da Petrobras no mercado brasileiro, somado as altas nos preços dos derivados, fizeram com que a receita de vendas da companhia para o mercado interno saltasse 123,3% no 2T21, ficando em R$ 75,3 bilhões.

No mercado externo, as receitas da Petrobras tiveram um resultado semelhante, expandindo 106,2% em comparação ao 2T20. Isso se deu sobretudo pela forte valorização do preço do Brent, que obteve um salto anual de 135,7%, ao mesmo tempo em que houve aumento nas exportações de petróleo cru, de 8,0%.

O crescimento nas receitas de vendas com exportações sinaliza que a Petrobras tem se aproveitado das condições externas para diversificar os destinos das suas vendas de petróleo cru e derivados para além da China, avançando para outros mercados como Estados Unidos, Índia, Portugal e Holanda. Tendo em vista que a demanda de petróleo voltou a crescer nos principais mercados internacionais, acrescido pelo aumento dos preços do barril, corroboraram duplamente o resultado positivo.

A elevação da receita total de vendas foi o item que mais afetou positivamente o lucro antes do resultado financeiro e impostos (cerca de 61 bilhões), no 2º trimestre de 2021. Esse lucro foi beneficiado em virtude do resultado financeiro positivo de 10,8 bilhões de reais, particularmente favorecido pelos ganhos com variações cambiais, refletindo a valorização do real frente ao dólar. Com isso, o lucro antes dos impostos foi de R$ 57,0 bilhões.

Ainda sobre as finanças, a Petrobras no último trimestre reduziu consideravelmente o seu nível de endividamento, alcançando uma relação dívida líquida/EBITDA de 1,49 – valor mais baixo do que a meta de 2,5 que a empresa havia sinalizado em 2017 como principal motivo para a venda de seus ativos.

Essa redução do endividamento foi possível com a ampliação de 26,5% na geração de recursos operacionais no 2T21 frente ao 2T20. Isso permitiu a Petrobras, ao mesmo tempo, pagar suas despesas financeiras, sem grande necessidade de capitação de novos financiamentos.

Os dados em tela, portanto, reiteram a importância do mercado interno para a Petrobras, principalmente neste período em que a economia brasileira dá os seus primeiros sinais de recuperação pós-pandemia. Mostram, também, que a Petrobras no último trimestre obteve um ganho significativo com o encarecimento dos preços dos combustíveis.

Esse ganho é resultado da agressiva política de preços nos derivados, fruto da escolha da Petrobras de repassar a variação internacional do petróleo aos consumidores brasileiros. O repasse reforça o compromisso da atual gestão em privilegiar acionistas – uma vez que no mesmo dia em que divulgou os seus resultados do 2º Trimestre, a Petrobras aprovou a antecipação da remuneração aos acionistas relativa a 2021, no valor total de R$ 31,6 bilhões – enquanto o restante da população sente os efeitos perversos dessa administração.

Publicado em Sistema Petrobrás

Acionistas da Petrobrás receberão antecipação de R$ 31,6 bilhões, o maior montante de dividendo já pago pela empresa, resultado das privatizações e do aumento abusivo dos combustíveis

[Da imprensa da FUP| Foto: Tânia Rego/Agência Brasil]

Com a venda do patrimônio público e os preços abusivos dos combustíveis, a Petrobrás registou no segundo trimestre de 2021 lucro líquido de R$ 42,855 bilhões e vai antecipar para os acionistas pagamento de R$ 31,6 bilhões em dividendos. Será a maior distribuição de dividendos já feita pela empresa. O valor mais alto já pago até então foi referente ao exercício de 2011, quando a Petrobrás distribuiu R$ 12 bilhões em dividendos.

Os bilhões que estão sendo apropriados pelos acionistas privados – sendo que 40,6% deles estão fora do Brasil – são resultado direto do desmonte do Sistema Petrobrás e dos custos que isso representa no bolso dos consumidores. Segundo levantamento feito pela subseção Dieese que assessora a FUP, só este ano, a empresa já registrou em caixa o equivalente a R$ 14,7 bilhões obtidos com vendas de ativos, concretizadas entre 01 de janeiro e 03 de agosto.

Deste montante, R$ 11,6 bilhões foram obtidos com a privatização da BR Distribuidora. Ou seja, só a venda da subsidiária vai bancar mais da metade da primeira parcela da antecipação de dividendo que a Petrobrás pretende pagar aos acionistas ainda em agosto. Segundo a empresa anunciou, R$ 21 bilhões serão antecipados este mês e a segunda parcela dos dividendos, R$ 10,6 bilhões, será paga em dezembro.

“A maior empresa nacional, que gerava emprego e renda para o povo brasileiro, se transformou em geradora de dividendos para acionistas. É o resultado do golpe de 2016. Nós sempre alertamos que esse seria o projeto para a Petrobras pós-golpe, projeto que está sendo consolidado agora por um governo fascista. Estão seguindo o acordo de Guedes e Castelo Branco com os acionistas de Nova Iorque“, afirma o coordenador da FUP, Deyvid Bacelar.

Só no governo Bolsonaro, a gestão da Petrobrás fez cerca de 60 comunicados de privatização ao mercado, os chamados “teasers”, e concluiu a venda de mais de 40 ativos, incluindo diversos campos de petróleo em terra e mar, termelétricas, usinas eólicas e de biodiesel, além das subsidiárias BR Distribuidora, TAG e Liquigás. A gestão da empresa também arrendou as Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia e de Sergipe e fechou no ano passado Fafen-PR, após demissão de mil trabalhadores. Além disso, privatizou recentemente a Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia, a primeira das nove refinarias que estão em processo de venda.

Lucro para os acionistas, prejuízos para o povo

Além dos ganhos obtidos com as privatizações, o lucro dos acionistas da Petrobrás em 2021 é resultado dos reajustes dos derivados de petróleo baseados no Preço de Paridade de Importação (PPI). Desde o início do ano, a empresa já aumentou em 46% o preço da gasolina nas refinarias, em 40% o do diesel e em 38% o preço do GLP (gás de cozinha).

O lucro obtido pela Petrobrás com o aumento das vendas de combustíveis no mercado nacional foi impulsionado, principalmente, pelos preços abusivos pagos pelos brasileiros, o que fez a receita da empresa mais do que dobrar neste segundo trimestre, em comparação ao mesmo período do ano passado.

Rafael Rodrigues da Costa, pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustiveis (Ineep), chama atenção para três dados do balanço da Petrobrás: o aumento de 117,5% na receita total de vendas, em comparação ao segundo trimestre de 2020, o aumento de 123,3% da receita de vendas no mercado interno e o aumento de 106,2% na receita com exportações de petróleo.

“Além do aumento nas vendas, a receita de vendas da Petrobras também foi impulsionada pelo aumento do preço dos seus derivados no mercado interno em 102,9%. Reflexo da política de preços de paridade de importação (PPI) adotada pela estatal, que reajusta o preço dos derivados a partir de mudanças nas cotações internacionais do petróleo, na taxa de câmbio e custos logísticos, o crescimento das vendas da Petrobras no mercado brasileiro, somado as altas nos preços dos derivados, fizeram com que a receita de vendas da companhia para o mercado interno saltasse 123,3% no 2T21, ficando em R$ 75,3 bilhões”, explica Rafael.


Leia também: INEEP: Vendas internas e exportações garantem lucro da Petrobrás no segundo trimestre


Segundo o pesquisador do Ineep, o aumento de 106,2% nas receitas da Petrobrás com exportações de óleo cru se deu “sobretudo pela forte valorização do preço do Brent, que obteve um salto anual de 135,7%, ao mesmo tempo em que houve aumento nas exportações de petróleo cru, de 8,0%”.

O coordenador da FUP lembra que a eleição presidencial de 2022 definirá os rumos do país e da Petrobrás e chama atenção para o que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já alertou. “O mercado financeiro deveria investir no setor produtivo e não em ganhos especulativos obtidos às custas de um projeto que se alimenta da fome e do desemprego do povo. Portanto, como bem disse o presidente Lula, quem estiver comprando ativos da Petrobrás a preço de banana deve se preocupar, pois iremos reverter tudo isso”, afirma Deyvid Bacelar.

Publicado em Sistema Petrobrás

Criada em 2020, Associação de Petroleiros Acionistas Minoritários da Petrobrás atua na defesa da estatal como empresa pública, verticalizada e integrada. Entidade tem questionado e responsabilizado a administração da Petrobrás por atos contrários aos interesses nacionais e à sustentabilidade econômico-financeira da empresa

[Da assessoria de comunicação da FUP]

A Associação Nacional dos Petroleiros Acionistas Minoritários da Petrobras (Anapetro) elegeu na noite dessa terça-feira (3/4) sua nova diretoria executiva, com mandato de quatro anos, até agosto de 2025. Mário Alberto Dal Zot, diretor de Assuntos Jurídicos, Institucionais e Terceirizados da Federação Única dos Petroleiros (FUP), foi confirmado à frente da presidência da entidade.

Reeleito por unanimidade na assembleia virtual dessa terça, Dal Zot foi o primeiro presidente da Anapetro, entidade fundada em abril de 2020, reunindo trabalhadores da Petrobrás que também são acionistas da empresa.

Foram reeleitos ainda os membros do Conselho Deliberativo da associação, presidido por Deyvid Bacelar, coordenador geral da FUP, e do Conselho Fiscal, liderado por Valnisio Hoffmann, coordenador geral do Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro-ES).

A Anapetro tem como principal objetivo atuar na defesa da Petrobrás como uma empresa pública, verticalizada e integrada, que exerça seu papel social de indutora do desenvolvimento econômico e social do Brasil e que equilibre sua necessidade de lucros com as necessidades do país.

“A Anapetro é mais um instrumento de luta da categoria petroleira contra a política de privatização dos ativos da Petrobrás e contra a visão de curto prazo da gestão da empresa, que contraria os interesses nacionais entregando o patrimônio público”, explica Dal Zot, convocando todos os petroleiros a fortalecer a associação.

A Anapetro já vem questionando e responsabilizando a administração da Petrobrás por atos contrários aos interesses nacionais e à própria sustentabilidade econômico-financeira da empresa em médio e longo prazos.

A associação entrou com representação na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no início de março, questionando a autarquia sobre operações de insider trading com ações e opções da Petrobras envolvendo o presidente demitido Roberto Castello Branco e o ex-gerente Executivo de Recursos Humanos da empresa, Cláudio Costa. A representação da Anapetro foi anexada a outro procedimento administrativo aberto pela CVM.

Em outra frente, a Anapetro, com sindicatos da FUP, denunciou recentemente a diretoria da Petrobrás à CVM por gestão temerária, por meio da política de desverticalização, que vem desintegrando o Sistema Petrobras e fragilizando a empresa. 

SOBRE A ANAPETRO

A Associação Nacional dos Petroleiros Acionistas Minoritários da Petrobras (Anapetro) foi fundada em abril de 2020 e reúne trabalhadores e trabalhadoras da empresa que também são acionistas da companhia. A Anapetro tem como principal objetivo atuar na defesa da Petrobras como uma empresa pública, verticalizada e integrada, que exerça seu papel social de indutora do desenvolvimento econômico e social do Brasil e que equilibre sua necessidade de lucros com as necessidades do país.

Publicado em Sistema Petrobrás

Moradores de Pituaçu, periferia de Salvador, madrugaram no sábado (31/07) para participar da ação do Sindipetro Bahia de venda do gás de cozinha a preço justo. O botijão de 13 kilos foi vendido por R$ 50,00. A ação foi em protesto a politica de preços da Petrobrás e a procura foi tão grande que o sindicato teve que aumentar de 125 para 265 a quantidade de botijões subsidiados. 

[Da imprensa do Sindipetro BA]

“A gente está até comprando carvão para cozinhar comida porque nestas condições não dá para tirar R$ 100,00 dos nossos bolsos para comprar um bujão de gás”. A revelação, em tom de revolta, foi feita por Cláudio José, uma das centenas de pessoas que madrugaram no sábado, 31/07, na fila que se formou no bairro de Pituaçu, em Salvador, onde ocorreu mais uma ação do Sindipetro Bahia de venda de gás de cozinha a preço justo.

O botijão de gás de 13 kg foi vendido pelo valor de R$ 50,00, metade do preço comercializado na capital baiana. Na fila, muitos pais e mães de família desempregados. Outros com salários reduzidos devido à pandemia da Covid-19 ou mesmo vivendo de “bicos”. “Não está fácil”, reclamou Cláudia Batista, “o gás hoje em dia está muito caro e saber que tem ações como esta do Sindipetro, que vende gás a este valor ajuda bastante”, elogiou.

A princípio, o acordado com as lideranças comunitárias do bairro foi que o Sindipetro iria subsidiar 125 botijões de gás para as famílias mais carentes, mas a grande procura e a expectativa das pessoas para participar da ação, fez com que a entidade sindical aumentasse o número de botijões para 265.

A ação teve uma grande repercussão na imprensa, que disse ter sido esta “uma iniciativa muito bacana do sindicato”. Teve também tentativa de “furar” fila, o que acabou gerando uma pequena confusão. “Isto mostra a necessidade que as pessoas estão passando”, afirmou o Diretor de Comunicação do Sindipetro, Radiovaldo Costa. Para ele é uma tristeza ver o que está acontecendo hoje no Brasil. “Voltamos ao mapa da fome, as políticas públicas e sociais foram estranguladas. A pandemia da Covid-19 agravou um quadro que vem piorando desde o golpe contra a presidente Dilma. Temos hoje um governo insensível, incompetente e corrupto, o que vem sendo provado pela CPI da Covid”.

Coordenador do SindipetroJairo Batista, que também acompanhou a ação, afirmou que a entidade sindical dará continuidade a atividades deste tipo. “Somos, acima de tudo, um sindicato cidadão, Vamos continuar prestando solidariedade e ajudando do jeito que pudermos e também denunciando a politica de preços praticada pela Petrobrás, que atrela os preços dos combustíveis no Brasil ao valor do barril de petróleo no mercado internacional, o que está levando aos aumentos constantes dos preços do diesel, gasolina e gás de cozinha. Hoje, infelizmente, temos um governo que governa exclusivamente para os ricos e para os acionistas das grandes empresas”.

VisitaNFeFUPaoTheIntercept010921-1024x768
22882955040452635855849902219764850700877308n
22878245140452635689183259038233090945381611n
22875223840452635389183288675154115473724756n
22814343640452635522516606838929319196249686n
2269982254045263595584989810197200653523617n
2269306054045263572251658854504830498633386n
22567971740452635422516614068387682449272469n
22506682440452635789183246996665804888265638n
22506682440452635789183246996665804888265638n-1
22462948040452635622516596073452455254164565n
2238302104045263592251656954003461601897188n

[Da imprensa do Sindipetro BA]

 

Publicado em Movimentos Sociais

Acidente aconteceu menos de uma semana após outra ocorrência grave na Regap. Sindipetro MG denuncia riscos causados por redução drástica dos efetivos e pela precarização do trabalho em meio ao preocesso de privatização da unidade

[Da imprensa do Sindipetro MG | Imagem: Sindipetro-MG]

No dia 23 de julho, foi registrado mais um acidente na Regap. Uma gaveta da 03-P-08B instalada na subestação PT-02 explodiu. Ainda não se sabe ao certo a causa do incidente, mas as evidências indicam que vários sistemas de proteção não funcionaram como deveriam. O incêndio provocou a atuação da proteção de outros painéis elétricos, levando a parada do CCF1 em emergência, agravando assim o cenário de risco na refinaria. 

“A bomba 03-P-08A, que seria a reserva da bomba que tripou, estava com indicação que só poderia funcionar em emergência. Casos como este expõem a precarização da manutenção, que coloca todo o pessoal e o entorno em risco”, alerta Alexandre Finamori, coordenador do Sindipetro MG .


Leia também: 

FUP e sindicatos alertam para insegurança industrial no Sistema Petrobrás


Essa situação é muito grave e poderia ter sido evitada.O equipamento está atualmente instalado numa dupla de painéis ainda remanescentes da época de construção do CCF-01, espaço conhecido por “Corredor da Morte”. O apelido é devido à disposição das gavetas, feitas apenas para garantir o funcionamento dos equipamentos a qualquer custo, com pouca ou nenhuma segurança para pessoas, ideia comum daquela época. A solução para evitar esse risco parece próxima. Segundo o sindicato apurou, o painel novo, que substituirá o ‘Corredor da Morte’, está montado ao lado, porém a obra está parada. 

O QUE ACONTECEU DEPOIS E O QUE ESTÁ EM RISCO

Após a ocorrência, foi realizada uma limpeza e testes do painel, para colocá-lo em operação novamente. Isso foi feito mesmo sem que suas grandezas elétricas se enquadrassem nos limites seguros aceitáveis, o que a idade dele já não permite mais alcançar. Algumas gavetas permanecem ainda fora devido ao evento.

Mesmo com os altos riscos envolvidos e a necessidade de experiência e qualificação, a gerência da Regap pretende tirar os especialistas em energia elétrica da operação nas subestações e passar para outros operadores. 


Leia também:

 Redução drástica de efetivos eleva riscos de acidentes em refinarias da Petrobras


O Arex é conhecido por atender uma rotina relacionada à água potável, água da barragem de Ibirité e inspeções nas dezenas de subestações e casas de controle da refinaria. Além disso, ele libera permissões de trabalho e atende manobras elétricas em toda área da refinaria, incluindo a barragem de Ibirité e, eventualmente, o terminal de Imbiruçu. 

Centenas de equipamentos, com algumas décadas de diferença de idade entre eles, estão sob sua responsabilidade e as solicitações  de atendimentos são inúmeras. No cenário da refinaria com investimento reduzido, o que se traduz em sucateamento, a demanda pelo Arex cresce tanto em número quanto no tempo necessário para a conclusão de cada serviço.

Alta gerência da Petrobras visita refinaria após série de ocorrências, mas gerência local mascara problemas

Nos últimos meses, foram vários acidentes envolvendo riscos graves. A redução de efetivo e a precarização da manutenção pioram a situação. “Percebemos que está se repetindo o modus operandi da década de 1990, quando FHC fez de tudo para privatizar a Petrobras. É a cartilha: precarizar pra vender barato”, critica Alexandre Finamori.

Um dos últimos acidentes – o vazamento do dia 17 de julho – foi tema de uma matéria da Record. Depois disso, a alta gerência da Petrobras começou uma série de visitas na refinaria. Foram feitos alguns consertos dos problemas mais visíveis, mas os mais graves continuaram lá.

Publicado em Sistema Petrobrás

O pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustiveis (Ineep), Rafael Rodrigues da Costa, analisa os resultados de produção da Petrobrás no segundo trimestre. 

Por Rafael Rodrigues da Costa, do Ineep | Foto: Regap/Agência Petrobras

Em um trimestre marcado pelos resultados positivos da vacinação no enfrentamento da pandemia da Covid-19, o relatório de produção e vendas da Petrobras do 2º Trimestre de 2021, divulgado no dia 22/07, apresenta expressiva alta tanto na produção de derivados como no volume de vendas para o mercado interno. 

Em relação ao segundo trimestre de 2020, a produção média de derivados obteve um salto de 6,0%, saindo de 1,64 milhão de barris diários no 2º Tri/2020 para 1,74 MMboed no último trimestre. 

O aumento na produção foi seguido pelo crescimento de 17,7% no volume de vendas para o mercado interno (de 1,50 Mmbpd no 2T20 para 1,76 Mmbpd no 2T21), refletem uma maior participação da Petrobras no mercado brasileiro. 

Puxadas principalmente pelo aumento nas vendas de Diesel e Gasolina – que registraram altas de, respectivamente, 28,8% e 36,9% – o crescimento nas vendas de derivados para o mercado interno aconteceu no mesmo momento em que houve significativo aumento no volume de importações, que cresceram na ordem de 146,0% (139 mil bpd no 2T20 para 342 mil bpd no 2T21), sobretudo em virtude das importações de Diesel e Gasolina. Segundo a Petrobras, esse aumento das importações ocorreu em função das paradas programadas nas refinarias REDUC, RPBC, REGAP, RLAM, REPAR e REVAP. 


» Leia também outros artigos do INEEP sobre Estratégias nacionais e empresariais. Clique aqui


No que tange ao mercado externo, porém, as vendas da Petrobras sofreram uma retração de 3,4% (de 1,09 milhão bpd no 2T20 para 1,05 milhão bpd no 1T21). Nesse sentido, a diminuição nas exportações se deveu quase que exclusivamente às vendas de Óleo Combustível e derivados, que retraíram cerca de 3,1% e 21,5%, respectivamente, ao passo que as vendas de petróleo cru apresentaram um movimento diametralmente oposto, registrando um aumento nas suas exportações da ordem de 8,0%. 

Embora a Petrobras ainda não tenha divulgado seus resultados financeiros do 2º Trimestre de 2021, é muito provável que a empresa apresente um bom desempenho nesse período. Considerando o aumento das vendas no mercado interno, acompanhados pelas sucessivas altas dos preços dos últimos meses, tudo indica que esse resultado positivo estará associado à atuação da Petrobras no segmento de refino. 

Esses aspectos reforçam a importância estratégica do setor da Petrobras e coloca em dúvidas a atual política de desinvestimento em curso. De acordo com o Plano de Negócios e Gestão 2021-2025, a companhia pretende vender 9 das suas 14 refinarias nos próximos anos, incluindo a sua unidade de industrialização de xisto (SIX) e a refinaria Clara Camarão. Se concluídas, essas vendas diminuirão pela metade a capacidade do parque de refino da Petrobras, o que deve expor a empresa a maior volatilidade em relação aos preços internacionais, além de limitar o aproveitamento de uma empresa integrada de petróleo.

Publicado em Sistema Petrobrás

Já foram registrados nove acidentes na refinaria fluminense neste ano, dois deles num mesmo dia de julho. Por problemas de segurança, desde 2019 Reduc não consegue obter certificação definitiva do IBP

[Da assessoria de comunicação da FUP | Foto: César Duarte/Agência Petrobras]

Com sete acidentes em diferentes unidades no primeiro semestre e outros dois ocorridos num mesmo dia de julho (veja relação no fim deste texto), a Refinaria Duque de Caxias (Reduc), em Duque de Caxias (RJ), recebeu nesta terça-feira (27/7) uma equipe do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), responsável pela auditoria do Serviço Próprio de Inspeção de Equipamentos (SPIE), que fornece certificação de segurança a unidades da Petrobrás. A visita foi acompanhada por dirigentes do Sindicato dos Petroleiros de Duque de Caxias (Sindipetro-Caxias), filiado à Federação Única dos Petroleiros (FUP), que denuncia a falta de manutenção preventiva e o baixo efetivo de pessoal na refinaria, o que coloca em risco não apenas a segurança operacional da Reduc, mas também a integridade física e mental de seus trabalhadores, com jornadas extras e sobrecarga de trabalho.

No dia 12 de julho, um incêndio na U-1250 (UFCC – Unidade de Craqueamento Catalítico Fluido) foi provocado por vazamento de combustível em uma linha de aço carbono furada. No mesmo dia, a unidade de lubrificantes (U-1520) foi reparada de improviso, com a utilização de chaves de válvulas (foto abaixo) como travas de segurança para a parada de bombas.

Estas e outras irregularidades foram denunciadas ao Ministério Público do Trabalho (MPT), ao Centro de Referência de Saúde do Trabalhador (Cerest) e à Delegacia Regional do Trabalho (DRT) pelo Sindipetro-Caxias, que cobra da gestão da Petrobrás a abertura de investigações, com a participação de representantes do sindicato. Entretanto, a companhia ignorou os pedidos e não fez qualquer alteração na rotina de manutenção preventiva e na escala de pessoal.

A auditoria do IBP vem sendo feita desde 2016, quando um grave acidente provocou a morte de um trabalhador da Reduc, conta o coordenador do Sindipetro-Caxias, Luciano Santos. Segundo o dirigente sindical, a entidade constatou diversas irregularidades na época. E desde 2019, o instituto não concede a certificação definitiva de segurança à Reduc.

“No final de 2019, a Reduc obteve a certificação, mas de forma cautelar. Desde então, a refinaria vive numa ‘corda bamba’ de permanecer ou não com esse certificado de segurança, por conta de diversas irregularidades. Um exemplo ocorreu em 2020, quando um incêndio na U-1210 quase matou dois trabalhadores. Fizemos a denúncia, e em vez de investigar o problema, a gestão da Petrobrás me puniu com 10 dias de suspensão por ter levado a informação à imprensa”, explica Santos. 

SOBRA TRABALHO, FALTA PESSOAL E MANUTENÇÃO

O Sindipetro-Caxias verificou que os trabalhadores do turno, por vezes, trabalham 24 horas seguidas – o dobro das 12 horas por turno determinadas pelo Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), fechado com a Petrobrás em setembro de 2020 –, devido à falta de profissionais para a rendição. Além disso, a Reduc tem operado com efetivo abaixo do número mínimo de empregados necessário à segurança das unidades industriais.

Mesmo sem acordo prévio com o sindicato, a gestão da Petrobrás impôs um novo modelo de atuação, reduzindo o contingente de mão de obra. O padrão, denominado Organizações e Métodos (O&M), foi implementado em junho de 2017, sob a alegação de que o número mínimo de trabalhadores em cada unidade operacional estaria superdimensionado e a refinaria teria tecnologia que “supre a presença humana”.

Os setores mais atingidos pelo baixo efetivo são os de combustível, transferência e estocagem de lubrificante e combustível (TE/MC), lubrificantes e parafinas, energia, água e efluentes, saúde ocupacional e segurança industrial (SMS/SI).

O fato é que, desde que o O&M foi implantado, aumentaram as emergências operacionais na Reduc. Além do baixo efetivo, o Sindipetro-Caxias aponta a precarização da mão de obra qualificada.

Santos afirma que se tornou prática da gestão da empresa acobertar acidentes, que somente são conhecidos por denúncias anônimas dos trabalhadores ao sindicato.

"A insegurança é resultado da cultura de maximização do lucro aplicada pela atual gestão da Petrobrás, com reduções de investimentos na manutenção e no efetivo da companhia, acabando com a mão de obra qualificada em importantes setores das fábricas, como nas áreas operacionais, de manutenção e de apoio. A saúde e a vida dos trabalhadores estão em jogo, e o sindicato permanecerá denunciando e mobilizando a categoria por mais segurança no chão de fábrica.”

A redução do efetivo e suas consequências para a segurança da refinaria e dos trabalhadores são objeto de ações judiciais movidas pelo Sindipetro-Caxias. 

A SEQUÊNCIA DE RISCOS E ACIDENTES NA REDUC NO 1º SEMESTRE DE 2021

15 de março – Vazamento de vapor de alta pressão multidirecional na parcializadora do compressor C-5302, da U-1530 (desparafinação do óleo). O acidente impõe riscos de vida para o operador, que tem de estar próximo do equipamento. Na ocasião, a gestão da empresa providenciou uma instalação improvisada de andaimes e tapumes para impedir a projeção do escape de vapor de alta pressão de quem se aproximasse do compressor.

A manutenção do equipamento foi realizada somente no final de junho, em função de ação judicial movida pelo Sindipetro-Caxias.

1° de abril – Vazamento de vapor na turbina do compressor C-450001, da HDS (hidrodessulfurização), provocando ruído enorme, de mais de 100 decibéis. O compressor, localizado em frente à casa de controle, está há mais de dois anos sem manutenção.

15 de abril – Vazamento do tanque de armazenamento de solvente (MIBC) TQ-6303, da U-1630 (desoleificação da parafina). A gestão operacional manteve o tanque em funcionamento, mesmo com um furo localizado numa altura de cerca de 5 metros (correspondente a 50% da capacidade de armazenamento do tanque).

9 de maio – Na U-1640 (hidrogenação de parafinas), alguns medidores indicam anormalidade no forno (H-6401), com possível obstrução e riscos de rompimento de tubulações e explosões. Iminentes riscos já vinham sendo denunciados desde março de 2021.

16 de junho – A U-2200 (setor TM - Termelétrica) parou em emergência à noite, por falta de água de caldeira (SG-2002), o que paralisou também diversas outras unidades por falta de energia elétrica. Além disso, houve emissão de fumaça preta, devido à queima incompleta nos flares (tochas), que fazem parte do sistema de segurança da Reduc.

O padrão O&M reduziu de quatro para apenas dois o total de trabalhadores na U-2200, cujo painel controla a complexa geração de energia elétrica e vapor em seis caldeiras da refinaria.

21de junho – Incêndio na U-1250 (Unidade de Fracionamento e Craqueamento Catalítico), por vazamento de produto a 250°C em uma linha de 3”, que furou.

26 de junho – Ocorrência de fogo em bomba de diesel pesado, na U-1710 (destilação atmosférica/vácuo no setor de lubrificantes). Apesar da dificuldade pelo número insuficiente de pessoal, os trabalhadores do setor conseguiram atuar no corte de carga ao equipamento com a ajuda de técnicos de segurança industrial e da brigada no combate ao incêndio, todos empregados próprios da empresa.

Nesta terça-feira, 27 de julho, Dia Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho no Brasil, a FUP e seus sindicatos chamam atenção para os riscos cada vez maiores de um grande acidente ampliado no Sistema Petrobrás. Além dos impactos das privatizações e dos cortes de investimento na área de segurança, que foram intensificados no atual governo, os petroleiros e petroleiras estão tendo que enfrentar sobrecargas de trabalho, multifunção e terceirização crescente nos setores industriais. 

O resultado são acidentes constantes nas refinarias, terminais e plataformas, como o recente vazamento na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim, Minas Gerais, e um incêndio em fevereiro na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, no Paraná. Acidentes que, infelizmente, não foram casos isolados. Várias ocorrências são relatadas pelos trabalhadores nas áreas industriais do Sistema Petrobrás, principalmente, em função da redução drástica de efetivos.  

Desde 2014, o número de empregados que deixaram a Petrobrás através de planos de desligamentos ultrapassa 20 mil. O efetivo da holding e das subsidiárias, que chegou a 86 mil trabalhadores no governo Lula, despencou para menos de 50 mil e deve cair ainda mais, com a saída dos petroleiros inscritos nos PDVs e dos que estão sendo deslocados das unidades postas à venda ou que foram fechadas.O ex-presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, chegou a afirmar que a meta da gestão era terminar este ano com apenas 30 mil trabalhadores.  

Deyvid Bacelar, coordenador geral da FUP, alerta para o grave impacto da redução de pessoal nas refinarias, que vem aumentando sistematicamente a insegurança das operações de uma indústria que já é de alto risco, tanto para trabalhadores, quanto para as comunidades do entorno, principalmente, nas unidades que foram colocada à venda. “Estamos sob a iminência de um grande acidente industrial ampliado, de proporções inimagináveis. Os trabalhadores das refinarias estão diariamente expostos a uma bomba relógio, assim como as comunidades vizinhas e o meio ambiente. Com a redução de efetivos que já estão abaixo do quadro mínimo, a situação ficará cada vez mais insustentável. Se a Petrobrás, uma empresa controlada pelo governo e com papel social, vem cortando pessoal para aumentar seus ganhos, mesmo que isso signifique aumentar o risco operacional, o que podemos esperar de um ente que adquira suas refinarias e que precisará dar retorno em menor prazo a seus acionistas?”, questiona ele.

Insegurança nas plataformas

A insegurança dos trabalhadores do Sistema Petrobrás é denunciada há anos pela FUP e seus sindicatos, mas ganhou contornos dramáticos com o desmonte da empresa e a pandemia. Nas plataformas da Bacia de Campos, o aumento da terceirização e das privatizações em plena pandemia precarizou ainda mais as condições de trabalho.

De acordo com o estudo “Perfil dos acidentes de trabalho fatais em empresa de petróleo no período de 2001 a 2016“, dos pesquisadores e pesquisadoras Hilka Flávia Saldanha Guida, Marcelo Gonçalves Figueiredo e Élida Azevedo Hennington, a maioria dos acidentes do trabalho no setor petróleo acontecem na área de exploração e produção.

“Há predominância de fatalidades na área de exploração e produção (55,0%), área de refino (15,0%) e engenharia/obras (13,0%). As plataformas apresentaram o maior número de óbitos (19,4%), seguida das refinarias (14,4%) e poços de petróleo (8,1%); veículos automotores causaram 15,8% dos acidentes fatais. As ocupações com mais acidentes fatais foram motorista ou ajudante de motorista (14,4%), técnico de manutenção (9,9%), técnico de operação (9,5%), ajudante (6,8%), auxiliar técnico (5,9%) e operador de equipamento (4,5%)”, relatam os pesquisadores.

Os dados foram levantados a partir de relatórios da própria Petrobrás, além de documentos sindicais e de notícias da imprensa sobre acidentes de trabalho no setor petróleo. "Os relatos dos petroleiros e petroleiras são essenciais para manter o monitoramento sobre os casos, que muitas vezes tendem a ser escondidos pelas empresas, por meio da subnotificação", alerta o Sindipetro-NF.

Na avaliação dos pesquisadores "as mortes na indústria de petróleo e gás atingiram principalmente trabalhadores terceirizados da área de exploração e produção, sobretudo em atividades relacionadas com o trabalho em plataformas, corroborando estatísticas internacionais sobre o alto risco do trabalho offshore”.

Tomando como referência dados de 2018, “a força de trabalho atuante na empresa em 2018 totalizava 236.526 trabalhadores, sendo 158.056 (66,8%) terceirizados e 78.470 (33,2%) próprios. Do total de terceirizados, 50,4% dos trabalhadores estavam envolvidos em atividades operacionais consideradas de maior risco”.

Brasil é recordista em acidentes de trabalho 

O Brasil ocupa a segunda colocação entre os países do G20 que mais perdem trabalhadores em decorrência de acidentes de trabalho, segundo dados do Ministério Público do Trabalho e da Organização Internacional do Trabalho. São 6 mortes para cada 100 mil empregos — atrás apenas do México, com 8 mortes para cada 100 mil.

Entre 2002 e 2020, ainda segundo os dados do MPT e da OIT, 21.467 trabalhadores e trabalhadoras morreram, no Brasil, em razão de acidente de trabalho. Em relação aos casos de adoecimentos e acidentes de trabalho, as categorias profissionais que mais têm ocorrências notificadas oficialmente são a dos técnicos de enfermagem (9%), faxineiros (5%), auxiliares de escritório (3%), vigilantes (3%), vendedores do comércio varejista (3%) e alimentadores de linha de produção (3%).

[Imprensa da FUP, com informações do Sindipetro-NF]

Na Regap, princípio de incêndio foi evitado por operadores que trabalhavam na parada de manutenção e não fazem parte do quadro efetivo da unidade

[Da assessoria de Comunicação da FUP | Foto: Washington Alves/Agência Petrobras] 

A Unidade de Hidrotratamento de Diesel (U-310) da Refinaria Gabriel Passo (Regap), em Betim (MG), registrou um vazamento de óleo na saída do forno. No momento do incidente, apenas um operador era responsável por toda a unidade. O trabalhador teve de chamar reforços para controlar a situação e paralisar a unidade. O evento ocorreu na madrugada do último sábado (17/7), e coloca em evidência a precarização do trabalho e os riscos de acidentes em unidades da Petrobrás, decorrentes da escassez de efetivo de pessoal de segurança. Não houve feridos ou danos às instalações da Regap, segundo informações do Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro-MG), filiado à Federação Única dos Petroleiros (FUP). 

O Sindipetro-MG vem denunciando os riscos do baixo efetivo e mostrando o descaso com a manutenção na Regap. Nos últimos anos, a manutenção tem sido feita de forma menos criteriosa, com alterações na rotina de inspeção dos equipamentos. Segundo a entidade, a produção e a exigência de trabalho são as mesmas, em alguns casos até aumentaram, mas o número de pessoas reduziu muito nos últimos dois anos, levando profissionais a trabalharem em dias de folga, com jornada diária elevada e sem entrar em acordo com o sindicato”. 

O resultado disso é que em junho último foram registradas diversas ocorrências na Regap, como fogo em um conversor, devido ao vazamento de uma linha de gasolina; trincas no reator do craqueamento 1, onde foi necessário parar a unidade para realizar manutenção; e acidente com queimadura de vapor. 

“A redução de efetivo de pessoal e a intensificação da carga de trabalho estão ocorrendo em toda a Petrobrás, aumentando os riscos de acidentes nas unidades e no meio ambiente. Essa lógica é base do sucateamento que precede a privatização de ativos da empresa”, critica o coordenador do Sindipetro MG, Alexandre Finamori. 


Leia também: 

MPT abre ocorrência sobre baixo número de efetivo na Replan


O Sindipetro-MG enviou ofício (Ofício 043.2021) à gerência da Refinaria Gabriel Passos (Regap), questionando sobre essas questões e ressaltando a preocupação com o baixo número de efetivo da refinaria e suas consequências à segurança. Em resposta burocrática ao ofício, a Regap disse que “a Refinaria Gabriel Passos – REGAP, em conjunto com outras unidades da Companhia, adota metodologia desenvolvida especificamente para o estabelecimento de critérios e parâmetros técnicos para dimensionamento do número de postos de trabalho de operação para as refinarias da Petrobras”. 


Leia também: 

Precarização da segurança industrial pode transformar refinarias da Petrobrás em “bombas relógio”


Em fevereiro deste ano, a FUP já havia denunciado a precarização do trabalho e da segurança das operações do refino, quando a Unidade de Hidrotratamento e Hidrossulforização (UHDS) U-2631 da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária (PR), registrou um princípio de incêndio após vazamento de óleo diesel em uma área de alta pressão. No momento do acidente, também apenas um operador era responsável por toda a unidade. O episódio revelou, já naquele período, a falta de efetivo na Repar – que vem ocorrendo também em outras refinarias da Petrobrás, que integram o plano de privatização da atual gestão da empresa. 


Leia também:

Incêndio na Repar escancara a falta de efetivo e o risco de acidente ampliado


Deyvid Bacelar, coordenador geral da FUP, alerta para os riscos da redução de pessoal nas refinarias, que vem aumentando sistematicamente o risco das operações de uma indústria que já é de alto risco, tanto para trabalhadores, quanto para as comunidades do entorno. “Se a Petrobrás, uma empresa controlada pelo governo e com papel social, vem cortando pessoal para aumentar seus ganhos, mesmo que isso signifique aumentar o risco operacional, o que podemos esperar de um ente que adquira suas refinarias e que precisará dar retorno em menor prazo a seus acionistas?”, questiona ele.


Leia também:

Com efetivos já reduzidos, Petrobras acelera desmonte de unidades à venda, com programa de transferência e PDVs


 

Página 4 de 25

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.