Rosângela Buzanelli, representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobrás, explica por que votou contra a venda da Refinaria de Manaus. "A venda da Reman significa entregar o refino de petróleo e toda uma logística de armazenamento e distribuição não apenas ao monopólio privado, mas à principal concorrente da Petrobrás na região. É a desintegração da empresa no Norte do país, para sua saída definitiva", afirmou. Leia a nota da conselheira:

[Do blog de Rosângela Buzanelli]

Nesta quarta-feira, 25 de agosto de 2021, o Conselho de Administração da Petrobrás aprovou, por maioria, com meu voto contrário, a assinatura do contrato de compra e venda da Refinaria Issac Sabbá, a Reman localizada em Manaus.

Construída pelo industrial Isaac Benayon Sabbá e inaugurada em 1957 por Juscelino Kubtscheck, ela foi estatizada na década de 70.

A Reman, com capacidade de processar 46 mil barris por dia de petróleo nacional, por decisão interna da companhia, trabalha atualmente com um fator médio de Utilização Efetivo (FUE) 69,13%.

A unidade produz grande diversidade de produtos e responde por cerca de 50% do abastecimento da região Norte, atendendo também os estados do Maranhão e Ceará. Atuando de forma integrada, recebe óleo e gás e do Polo de Urucu e é autossuficiente em energia. Possui tancagem com capacidade de 129.770 m³ para petróleo e de 258.537 m³ para derivados.

A produção da Reman e seus ativos logísticos são fundamentais para a competitividade da Petrobrás nesse setor, que representa 5% do mercado nacional
Um complexo integrado e valoroso construído com muito esforço ao longo de décadas pelo povo brasileiro e para o povo brasileiro.

A venda da Reman significa entregar o refino de petróleo e toda uma logística de armazenamento e distribuição não apenas ao monopólio privado, mas à principal concorrente da Petrobrás na região. É a desintegração da empresa no Norte do país, para sua saída definitiva.

A Petrobrás foi criada pelo governo brasileiro a partir da campanha “O petróleo é nosso” para garantir a produção e abastecimento de petróleo e derivados em todo o território nacional.

A política atual de privatizações de ativos estratégicos e rentáveis, baseada no “pilar” de maximização do retorno do investimento e dos lucros, desintegra e apequena a Petrobrás, reduzindo suas atividades tanto na diversificação quanto geograficamente, o que escancara o divórcio do atual governo e da gestão da companhia, com os princípios que fundaram a empresa, com o compromisso com o país e a sociedade brasileira.

O tamanho da Petrobrás é o tamanho do Brasil, não dos lucros almejados pelos investidores.

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A gestão bolsonarista da Petrobras anunciou na noite desta quarta-feira, 25, a venda da Refinaria Isaac Sabá, de Manaus (Reman), junto com o terminal de armazenamento. A privatização é mais um crime contra a população, que já vem sendo penalizada com preços abusivos dos combustíveis, por conta de uma política de gestão que prioriza o lucro dos acionistas privados, sem qualquer preocupação com o consumidor.

A refinaria foi adquirida pela empresa Ream Participações, dos mesmos donos da Atem Distribuidora, em um processo sem transparência, que chegou a ser denunciado pelo Sindipetro Amazonas, através de uma Ação Civil Pública impetrada junto os sindicatos de taxistas e de mototaxistas de Manaus.

Como a FUP vem alertando, as vendas da Reman e da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia, criarão monopólios regionais privados, que comprometem o abastecimento das regiões Norte e Nordeste, o que significará preços ainda mais caros para os combustíveis. O litro da gasolina já é vendido por mais de R$ 7 na região e vai disparar com a privatização das refinarias e terminais. 

Vale lembrar que o Tribunal de Contas da União (TCU) reiterou em relatório recente uma preocupação já explicitada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) no ano passado: a ausência de uma regulação para um mercado de refino com vários agentes causa sérios riscos de desabastecimento. Ou seja, além de pagar mais, a população pode até mesmo ficar sem os derivados.

A saída da Petrobrás do Norte e do Nordeste também terá impactos econômicos pesados para os municípios e estados, aumentando o desemprego e a miséria. “A gestão da Petrobrás, a mando da política entreguista de Bolsonaro e Paulo Guedes, entrega de bandeja um ativo de suma importância para o abastecimento da região Norte e também para seu desenvolvimento econômico e social. A população de Manaus, do Amazonas e de cidades e estados abastecidos pela Reman vão estar nas mãos de um agente privado, que irá impor preços e sequer terá obrigação de oferecer produtos”, explica Marcus Ribeiro, diretor do Sindipetro Amazonas.

O coordenador da FUP, Deyvid Bacelar, chama atenção para as arbitrariedades em torno da venda da Reman, feita às escusas e com preços abaixo do valor de mercado. “Novamente vemos um ativo de suma importância para a Petrobrás, para o país e, em particular para a região Norte, entregue a preço de banana, assim como ocorreu com a Rlam, na Bahia", afirmou, lembrando que a venda das refinarias causa prejuízos a todo o país. "É uma forma da gestão da Petrobrás impor na marra o Preço de Paridade de Importação (PPI) como uma política de Estado e, assim, favorecer ainda mais o mercado”, alerta Deyvid.

[Imprensa da FUP]

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Em nota à imprensa, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) volta a alertar sobre urgência de uma nova política de reajuste para os derivados de petróleo e aumento da capacidade de produção das refinarias para conter a disparada dos preços dos combustíveis, que sangra a população brasileira. "Ainda que seja necessário rever a política tributária do país, em todas as esferas, que é injusta e recai com mais força sobre a população mais carente, não se pode ignorar que todo esse turbilhão tem origem na adoção de uma política de reajustes que considera apenas o lucro e sua destinação aos acionistas, e também num projeto de “desinvestimento” que, na verdade, esconde uma “privatização aos pedaços” da Petrobrás", ressalta a entidade.

Leia a íntegra:

Combustíveis: além de rever a política de reajustes da Petrobrás, é preciso ampliar o uso das refinarias da empresa

A escalada dos preços da gasolina, que superou os R$ 7 o litro em alguns estados do país, não é surpresa para a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e Sindipetros afiliados. É o resultado direto da política estabelecida pela gestão da Petrobrás desde outubro de 2016, com a instituição do Preço de Paridade de Importação (PPI), que não considera os custos nacionais de produção.

Entretanto, há outros aspectos associados a essa política que vêm sendo pouco observados. Um deles é o fator de utilização das refinarias (FUT). Segundo o Boletim da Covid-19 do Ministério de Minas e Energia (MME) desta semana, o FUT ficou em 75,2%. Simulação feita por professores da Coppe/UFRJ e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) em outubro de 2020 mostrou que o uso das refinarias a plena carga teria impacto positivo de R$ 3,6 bilhões no PIB, além de pressionar para baixo a inflação dos setores de transportes e alimentos, entre outros.

Mas desde março de 2020, o FUT não passa dos 85%  – quando chega a tanto. Isso abre brecha para os importadores, que dia sim, outro também, pressionam pela alta dos preços. O que é atendido pela gestão da Petrobrás.    


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É preciso lembrar também que a Petrobrás é uma empresa de capital misto, mas seu acionista controlador é o Estado brasileiro. Por isso, deve equilibrar o interesse da população brasileira com os ganhos dos demais acionistas – o que não está acontecendo.É por seu papel social que a logística de refino e transporte de derivados da Petrobrás é integrada, para garantir o abastecimento de norte a sul. Portanto, não adianta vender uma refinaria ou um duto, porque isso não irá gerar concorrência, mas sim apenas um monopólio privado.

Se a venda desses ativos for efetivada, irá significar não apenas a institucionalização do PPI – feita pela Petrobrás, e não pelo Estado –, como o risco de o consumidor ou pagar caro por gasolina, óleo diesel e gás de cozinha, ou sequer ter esses produtos. Análise recente do Tribunal de Contas da União (TCU) mostrou que não há regulação no país para garantir o abastecimento, e isso tem relação direta com a venda das refinarias e sua infraestrutura logística.


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Ainda que seja necessário rever a política tributária do país, em todas as esferas, que é injusta e recai com mais força sobre a população mais carente, não se pode ignorar que todo esse turbilhão tem origem na adoção de uma política de reajustes que considera apenas o lucro e sua destinação aos acionistas, e também num projeto de “desinvestimento” que, na verdade, esconde uma “privatização aos pedaços” da Petrobrás.

Assim como não se pode ignorar que isso tem nos levado a preços absurdos, que pesam cada vez mais no bolso de todos os consumidores, impacta a inflação e penaliza sobretudo a população mais pobre.

Federação Única dos Petroleiros 

[Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil]

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Em nota divulgada em seu blog, Rosângela Buzanelli, representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobras, questiona o que está por trás do aumento recorde do lucro da Petrobrás no segundo trimestre e da remuneração bilionária dos acionistas, enquanto a população brasileira paga preços exorbitantes pelos combustíveis

[Por Rosângela Buzanelli]

O lucro de R$ 42,8 bilhões da Petrobrás neste segundo trimestre tem sido um dos assuntos de maior destaque na mídia já faz alguns dias. Não por acaso, já que o montante é 36 vezes maior do que o verificado no primeiro trimestre e rendeu uma bolada de R$ 31,6 bilhões aos acionistas da companhia.

No dia 4 de agosto a Petrobrás apresentou o balanço financeiro aos membros do Conselho de Administração, que aprovaram a antecipação do pagamento da remuneração bilionária aos acionistas, mas não com meu voto favorável.

Sei que a empresa tem que pagar dividendos aos acionistas, é a regra. Mas nessa quantia astronômica estão embutidos um plano de privatizações e uma política de precificação dos combustíveis que penaliza a população, coisas das quais discordo frontalmente.

Os principais fatores que contribuíram para esse lucro bilionário foram a queda do câmbio no período, a isenção tributária que exclui o ICMS do cálculo do PIS/Cofins e o aumento das receitas de venda dos derivados nas refinarias, 102,9% a mais em relação ao mesmo período do ano passado. Por outro lado, o volume de vendas desses produtos aumentou somente 17,5%.

Nos detendo ao fator mercado interno, temos o consumidor pagando mais de R$ 100 pelo botijão de gás, em torno de R$ 7 pela gasolina em alguns estados e quase R$ 5 pelo diesel. Essa é a política de preços inaugurada em 2016 pelo governo Temer e mantida por Bolsonaro, o PPI (Preço de Paridade de Importação).

Isso tudo acontecendo em um momento gravíssimo e desolador de pandemia, crise econômica e alto índice de desemprego, em que milhares de famílias passaram a usar lenha e álcool para cozinhar e que a inflação corrói a parca remuneração de quem ainda tem alguma.

Definitivamente, não foi pra isso que criamos e agigantamos a Petrobrás.


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Parece, finalmente, que as populações de São Mateus do Sul e do Paraná serão ouvidas na disputa em torno do pagamento de multas e royalties devidos pela Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), cuja dívida já beira R$ 1 bilhão. Em documento enviado pela FUP à Agência Nacional do Petróleo (ANP) e à Petrobrás, cobrando explicações sobre as tratativas em torno da solução desta pendência, que já dura quase uma década, tanto o órgão fiscalizador, quanto a empresa afirmaram que irão consultar em breve a população sobre o caso.

Em respostas enviadas à FUP, a ANP informou que será realizada uma audiência pública e a Petrobrás disse se tratar de uma consulta pública. O fato é que é fundamental garantir à sociedade participação nesse debate, como os petroleiros vêm cobrando há tempos.

A disputa em torno dos royalties devidos pela SIX se acirrou a partir de 2013, quando a ANP instaurou um processo administrativo que resultou em multa para a Petrobrás por não pagar royalties sobre a extração de xisto na região de São Mateus do Sul entre 2002 e 2012. A agência cobrou alíquota de 10% de royalties e a estatal vem tentando reduzir à metade esse valor.

“É de extrema relevância essa informação que recebemos tanto da ANP, quanto da Petrobrás de que a sociedade de São Mateus do Sul e também do estado do Paraná será ouvida sobre a destinação desses recursos do passivo e multas em relação aos royalties do Xisto. Isso é uma questão que não pode ser tratada simplesmente como “uma oportunidade de negócio”, como a Petrobrás vem fazendo com a sua política de desinvestimento e entrega de ativos, sem se preocupar com os impactos sociais que estas medidas se impõem à população”, afirma o diretor da FUP e do Sindipetro PR/SC, Mário Dal Zot, lembrando que os recursos devidos pela Petrobrás são muito importantes para os cidadãos paranaenses e não podem ser discutidos a portas fechadas, entre o devedor (Petrobrás) e o credor (ANP).

A FUP espera que esse imbróglio seja resolvido, pois é inadmissível que a Petrobras continue se negando a pagar a dívida que tem com São Mateus do Sul e municípios vizinhos à SIX, em plena pandemia da Covid-19, quando os recursos devidos poderiam já ter sido utilizados na compra de vacinas, em equipamentos hospitalares e em políticas públicas de proteção social no momento em a população mais precisa do Estado.

[Da imprensa da FUP | Foto: Rogério Reis/Agência Petrobras]

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Nesta sexta-feira, 13, o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense realizará, a partir das 9h, mais uma ação de venda de gás de cozinha a preço justo. Dessa vez a atividade será no Morro do Carvão, em Macaé, onde serão disponibilizados 200 botijões pelo preço de R$ 50,00. 

Os botijões serão vendidos as famílias que moram na comunidade e fizeram um pré-cadastro durante a semana. Esse pré-cadastro foi realizado para evitar que haja aglomeração no local. Lembrando que todos devem respeitar o distanciamento e usar máscaras. 

As ações do gás e da gasolina têm como objetivo conscientizar a população de que a Petrobrás poderia cumprir o seu papel social e indutora da economia brasileira, praticando preços de forma soberana, de acordo com a realidade nacional, e não em paridade com o mercado internacional. 

Para o Coordenador do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra, a categoria petroleira que luta por uma Petrobrás para o povo não poderia fazer diferente. “Tem gente voltando a usar lenha para cozinhar, tem gente que não tem dinheiro para comprar alimentos. Estamos com uma das maiores taxas de desemprego. Como que essas famílias pagam mais de R$ 100,00 em um botijão de gás? Estamos nas comunidades, dialogando com essas pessoas e mostrando porque o gás hoje é tão caro, porque a fome voltou a imperar no país. Essa é uma ação com dinheiro do trabalhador e da trabalhadora para o povo!”, concluiu Tezeu. 

Além da venda dos botijões de gás, durante o dia haverá uma série de atividades culturais junto a comunidade como sorteio de artesanatos e apresentação musical e grafite. 

O Sindipetro-NF em parceria com a FUP e outros sindicatos realizam com frequência atividades que fazem parte da campanha petroleiro solidário e visam atender a população em vulnerabilidade social, ações essas, que foram intensificadas durante a pandemia, em razão da acentuação da grave crise econômica provocada pela política econômica do governo Bolsonaro e pela negligência com a qual trata o combate à covid-19.

[Da imprensa do Sindipetro NF]

 

Publicado em Movimentos Sociais

“A Petrobras está se retirando completamente da distribuição do gás natural, e isso nos coloca diante de uma série de incertezas num momento em que o gás ganha importância em função da crise hídrica e da necessidade de diversificar a matriz energética”. O alerta foi feito na última quarta-feira (04/08) pelo pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), Henrique Jäger, destacando ainda para o fato de que a privatização das refinarias da estatal no Norte e Nordeste do país poderá provocar “apagões” regionais no fornecimento de combustíveis.

Jäger falou no Pauta Brasil, programa produzido e veiculado pela Fundação Perseu Abramo, em palestra sobre “Gás natural e refinarias: a Petrobras está sendo retalhada”, do qual também participou Alexandre Finamori, diretor do Sindipetro-MG, e que foi mediado por Artur Araújo, da Fundação. O histórico da Petrobras, seu papel no desenvolvimento do Brasil, o impacto provocado pela Lava Jato na empresa e na economia do país, a atual política de preços e a privatização foram os principais temas tratados ao longo do programa. 

Jäger comentou sobre o projeto de privatização do atual governo federal para as unidades da Petrobras: “O projeto é de desconstrução da integração do país. A Petrobras foi fundamental no crescimento do Brasil. O que se está fazendo agora é desconstruir. É quase uma volta ao debate da década de 1950 entre desenvolvimentistas e entreguistas que achavam que o país não tinha de ter projeto de desenvolvimento e que tinha de ser um agroexportador”. 

“O presidente Jair Bolsonaro, quando flerta com o passado da ditadura militar, flerta também com a colonização do Brasil”, disse, por sua vez, Finamori, referindo-se ao fato de a Petrobras estar reduzindo suas atividades no refino, se voltando para a exportação de óleo cru e levando o país a importar derivados de maior valor agregado.

 A importância do gás natural e do refino

Ao longo da palestra, Jäger lembrou que a partir de 2017, a Petrobras privatizou duas empresas transportadoras de gás natural – a TAG e a NTS -, e que anunciou recentemente a venda de sua participação na distribuição de gás para a Compass, controlada pela Cosan. Segundo ele, são movimentos que ocorrem em momento em que o país não pode manter a dependência das hidrelétricas como no passado, em que desponta como grande produtor de gás natural por conta do pré-sal, e em que o aumento da produção de energia por meio das meio das térmicas poderia ser incentivada.

 As incertezas surgem também, segundo ele, diante da privatização fatiada das unidades de refino no país, num processo que rompe com a lógica de integração das refinarias e que leva aos monopólios privados e regionais. “Nós vamos ter apagões regionais, principalmente no Norte e Nordeste”, comentou o pesquisador do Ineep, diante de previsões de que haverá déficit de diesel e de gasolina, caso não se amplie a capacidade do parque de refino e sem articulação entre as refinarias do país, que se complementam.

 Finamori comentou: “Não temos uma regulamentação clara para o refino. Assim, há a possibilidade de os compradores produzirem de acordo com os seus interesses. Se não tiver interligação das refinarias, em uma lógica de Estado, pode haver falta de derivado em alguma região”. 

Assista na íntegra participação do Ineep: 

[Do site do INEEP | Foto: Agência Petrobras]

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Nesta quarta, o Tribunal de Contas da União tem nova sessão para analisar os processos em curso que questionam a venda da Refinaria Landulpho Alves para o Mubadala, fundo de investimento dos Enirados Árabes 

[Da redação do Petronotícias]

Os questionamentos feitos pelos petroleiros pela venda da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, podem ganhar novas cores nesta quarta-feira (11) durante uma sessão plenária virtual que será realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que vai analisar dois processos envolvendo a Petrobrás. Os dois com a relatoria do ministro Walton Alencar Rodrigues. Um dos processos trata de denúncias sobre possíveis irregularidades no contrato de compra e venda da RLAM  para o Fundo Mubadala, de Abu Dhabi, que corre sob segredo de Justiça. O outro envolve a auditoria operacional realizada pelo TCU para verificar se a estratégia da Petrobrás para o setor de gás natural está em consonância com as novas diretrizes governamentais de promoção da concorrência.

O processo sobre eventuais irregularidades no contrato de privatização da RLAM aponta aspectos que já foram levantados e denunciados pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) em diferentes instâncias, como no próprio TCU, no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e também em esferas judiciais. Os petroleiros dizem que entre as irregularidades, destacam-se “o preço de venda da refinaria (U$ 1,65 bilhão) ao Mubadala, abaixo do valor de mercado, como comprovam estudos técnicos de diferentes entidades, como o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), e fontes de mercado, como o BTG Pactual; a criação de um monopólio privado a partir da privatização da RLAM; o risco de desabastecimento doméstico; e o aumento nos preços internos dos derivados de petróleo”.

Para o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar, a análise técnica do órgão de controle “confirma o que estudos já vêm apontando há quase dois anos, desde a assinatura do duvidoso Termo de Compromisso de Cessação (TCC) assinado entre a estatal e o Cade”. Na sessão plenária da última quarta (4), o TCU apontou risco ao pleno abastecimento de todos os mercados regionais de combustíveis com os desinvestimentos da Petrobrás, após realizar auditoria sobre o tema.


Leia também: TCU confirma alertas da FUP: venda das refinarias pode causar desabastecimento e mais aumento nos preços dos combustíveis


 

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O IPCA de julho foi de 0,96%, o maior já registrado no mês, desde 2002. De novo, a inflação é puxada por energia, gás de cozinha e alimentos e, nos últimos 12 meses, já beira os dois dígitos, com 8,99%, a maior alta em cinco anos. Salário cai, desemprego sobe e o governo Bolsonaro empurra o povo para a miséria

[Da redação da CUT, com edição e informações da FUP | Imagem: FUP]

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL) distrai a atenção do país com mentiras e ameaças de impedir eleições em 2022, os índices econômicos, como os da inflação e desemprego, disparam sem que o governo tome quaquer providência.  

Puxada pelos reajustes da energia elétrica e dos botijões de gás, a inflação acelerou em julho com alta de 0,96%, a maior para o mês desde 2002. A alta acumulada no ano é de 4,76% e a dos últimos doze meses alcança 8,99%, corroendo o poder de compra dos trabalhadores e trabalhadoras, em especial dos mais pobres que sentem mais a alta dos preços em itens essenciais para a sobrevivência, como luz, gás e alimentação. 

Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados nesta terça-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o IBGE, dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito tiveram alta em julho. A maior variação (3,10%) e o maior impacto (0,48 p.p.) vieram do grupo Habitação com a alta de 7,88% da energia elétrica.

Em segundo lugar, está o gás de cozinha, que subiu 4,17% no mês, após a Petrobrás aumentar pela sexta vez este ano o preço do produto nas refinarias. Resultado da política de reajustes que a gestão da empresa adotou em 2016, baseada no preço de paridade de importação (PPI), que a FUP e seus sindicatos combatem desde a implantação.

Levantamento feito pela subseção Dieese/FUP mostra que o preço do botijão de gás de cozinha já acumula altas de 20,89% em 2021 e de 29,29% nos últimos 12 meses. O diesel, por sua vez, subiu 25,78% em 2021 e 36,35% desde julho do ano passado.

A gasolina foi o combustível que mais aumentou: 27,51% em 2021 e 39,65% nos últimos 12 meses. Já o preço da energia elétrica subiu 9,41% desde janeiro deste ano e 20,09% nos últimos 12 meses. É o preço que a população paga pelo desmonte de empresas públicas estratégicas como os Sistema Eletrobras e Petrobras.

A alta de 7,88% na energia elétrica é resultado dos reajustes tarifários como os de São Paulo (11,38%) e também da bandeira tarifária vermelha 2 que  vigorou nos meses de junho e julho.

A partir de 1º de julho, houve reajuste de 52% no valor adicional dessa bandeira tarifária, que passou a cobrar R$ 9,492 a cada 100 kWh consumidos. Antes, o acréscimo era de R$ 6,243, diz o relatório do IBGE. 

No mesmo grupo, os preços do gás de botijão (4,17%) e do gás encanado (0,48%) voltaram a subir pressionando o índice de inflação e derrubano o poder de compra das famílias, que também amargam com aumento do aluguel (0,93%), condomínio (0,66%) e das taxas de água e esgoto (0,33%) -  reajustes de 6,90% em Porto Alegre (3,19%) desde 1º de julho, e de 1,62% em Campo Grande (0,27%), ocorrido em 24 de julho.

A segunda maior variação (0,32 p.p.) foi registrada no grupo Transportes (1,52%), puxada pelas passagens aéreas (35,22% e 0,10 p.p.), transportes públicos (4,52%), transporte por aplicativo (9,31%) e ônibus urbano, que subiu 0,38% em decorrência do reajuste de 5,49% nas tarifas em Porto Alegre (5,06%), a partir de 2 de julho.

Os preços dos combustíveis (1,24%) também aceleraram em relação a junho (0,87%) - a gasolina registrou alta de 1,55%. No mês anterior havia subido 0,69%.

No grupo Alimentação e bebidas (0,60%) a alimentação no domicílio passou de 0,33% em junho para 0,78% em julho, principalmente por conta das altas do tomate (18,65%), do frango em pedaços (4,28%), do leite longa vida (3,71%) e das carnes (0,77%). No lado das quedas, destacam-se a cebola (-13,51%) batata-inglesa (-12,03%), e o arroz (-2,35%).

A alimentação fora do domicílio (0,14%) desacelerou em relação a junho (0,66%), principalmente por conta do lanche (0,16%) e da refeição (0,04%), cujos preços haviam subido 0,24% e 0,85% no mês anterior, respectivamente.

INPC

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) subiu 1,02%, também bastante acima de junho (0,60%) e de julho do ano passado (0,44%). Agora, soma 5,01% no ano e 9,85% em 12 meses.

Segundo o IBGE, os produtos alimentícios subiram 0,66%, ante 0,47% no mês anterior. Já os não alimentícios foram de 0,64% para 1,13%.

Publicado em Economia

A venda de participações da Petrobras em empresas de transporte e distribuição de gás natural, a privatização das refinarias e os reflexos destas iniciativas no abastecimento de combustíveis estão entre os principais temas do Webinário que o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) realiza amanhã (10/08), às 19 horas.

O economista Henrique Jäger, pesquisador do Ineep, é o convidado para essa conversa, que será transmitida pelo canal do Youtube e pelo Facebook. 

A partir de 2017, a Petrobras iniciou sua saída das transportadoras de gás natural, TAG e NTS, e recentemente anunciou a venda de suas participações em distribuidoras estaduais do produto. Este ano, com a privatização da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, deu partida ao processo de privatização de suas unidades de refino. No dia 31 de agosto, vence o novo prazo acordado entre a Petrobras e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para a venda da Reman (AM).

Como se organizarão os mercados de gás natural e de derivados de petróleo? Haverá prejuízos para o abastecimento? Há riscos de monopólio privado e encarecimento do produto? Como as privatizações no segmento do gás natural poderão se refletir sobre a transição energética no país? Essas são algumas questões que serão apresentadas ao pesquisador ao longo do próximo Webinário do Ineep.

[Do site do Ineep]

Publicado em Petróleo
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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.