Os trabalhadores de unidades do Sistema Petrobrás de quatro bases sindicais da FUP estão em greve desde o último dia 05, quando os petroleiros da Refinaria Landhulfo Alves (Rlam) retomaram a greve na Bahia. A partir de então, a categoria vem atendendo ao chamado de paralisações feito pelos sindicatos no Amazonas, no Espirito Santo e em São Paulo. O movimento, que completa 14 dias nesta quinta-feira, 18, denuncia os impactos das privatizações no Sistema Petrobrás, como a precarização das condições de trabalho, os riscos de acidentes e o avanço da Covid-19 nas instalações da empresa. 

Na Bahia, a greve avança com a participação dos petroleiros dos campos terrestres e do Terminal Madre de Deus, que também sofrem os impactos das privatizações. Na quarta-feira, 17, o Sindipetro iniciou “ações de lockdown da classe trabalhadora" na Rlam, convencendo os cerca de 1.500 trabalhadores próprios e terceirizados a retornarem para casa.

A refinaria, assim como outras unidades operacionais da Petrobrás, está tendo surtos seguidos de Covid-19. Só entre os trabalhadores próprios da Rlam, o sindicato já contabilizou cerca de 90 contaminados e duas mortes nas últimas semanas em decorrência da doença. "Apesar deste cenário tenebroso, o gerente geral da Rlam continua agindo de forma irresponsável, sem tomar as devidas medidas de segurança que nós estamos cobrando desde o ano passado. Além disso, omite dados de Covid relacionados ao trabalhadores terceirizado, que são os que mais se contaminam nas unidades operacionais. Esse é, inclusive, um dos pontos de pauta da categoria que a gestão se nega a atender", explica o coordenador da FUP e também funcionário da Rlam, Deyvid Bacelar. 

Nesta quinta, cerca de 400 trabalhadores próprios e terceirizados do ativo Fazenda Bálsamo, área de produção terrestre da Petrobrás no interior da Bahia, atenderam ao chamado do sindicato e também retornaram para casa, aderindo à greve.

Na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais, onde a greve também foi aprovada, o Sindipetro MG continua exigindo a suspensão imediata das paradas de manutenção, em função do aumento de trabalhadores infectados pela Covid. Segundo o sindicato, foram confirmados nesta última semana mais de 78 casos de contaminação por coronavírus a Regap, entre trabalhadores efetivos e terceirizados. Somente em março, mais de 200 trabalhadores testaram positivo para Covid-19 na refinaria e mais de 10 trabalhadores, entre próprios e terceirizados, estão internados.

No Espírito Santo, onde os trabalhadores da UTG-C, dos campos terrestres e das plataformas vêm participando das mobilizações, a greve foi ampliada para a UTG-SUL. Para protestar contra as péssimas condições de trabalho, os petroleiros iniciaram na terça-feira, 16, uma "greve de alimentação", com boicote produtos fornecidos pela Petrobrás. "Essa situação extrapolou o limite do aceitável após o novo contrato de llimentação da Unidade, onde as cozinheiras precisam fazer mágica com os produtos de péssima qualidade oferecidos pela empresa. Diante dessa situação, estamos pagando a alimentação desses trabalhadores, incluindo o lanche da tarde", afirma o coordenador do Sindipetro-ES, Valnisio Hoffmann, informando que o sindicato já enviou diversos ofícios para a empresa, com relatos dos trabalhadores reclamando da alimentação, mas a gerência continua omissa.

Na Refinaria de Manaus (Reman), no Amazonas, a greve contou com o reforço dos trabalhadores da Liga, empresa terceirizada que presta serviços de manutenção para a Petrobrás. Cerca de 70 trabalhadores cruzaram os braços em protesto pelo não pagamento dos salários. A Reman está em processo acelerado de privatização e sucateamento. Por conta disso, a gestão mantem a unidade em carga mínima, com apenas uma das três unidades de processamento em atividade.

Na Usina de Xisto (SIX), no Paraná, a greve pode ser deflagrada a qualquer instante, pois a gestão da unidade se negar a negociar com o Sindipetro e não respondeu a pauta de reivindicações aprovada pelos trabalhadores. A categoria iniciou nesta quinta-feira, 18, assembleias para decidir sobre o início da greve.

A greve também movimenta também as bases operacionais representadas pelo Sindipetro Unificado de São Paulo, onde estão sendo feitas mobilizações a cada dia em unidades diferentes.  

Em Pernambuco, os trabalhadores da Refinaria Abreu e Lima também aprovaram a greve e têm participado de mobilizações preparatórias para o movimento. 

Combustíveis a preços justos

Os sindicatos da FUP continuam intensificando as ações solidárias de descontos para a população na compra de combustíveis, mobilização iniciada em 2019 para debater com a sociedade a importância da Petrobrás enquanto empresa estatal e a urgência de uma política de Estado para o setor de óleo e gás, que garanta o abastecimento nacional de derivados de petróleo, com preços justos para os consumidores. 

Nesta quinta, a ação do Sindipetro Amazonas beneficiou 100 taxistas e 50 mototaxistas que pagaram R$ 3,50 pelo litro da gasolina em um posto de Manaus, onde a atividade foi realizada. Foram distribuídos 2.500 litros de gasolina. A ação ocorreu em parceria com o Sindicato dos Taxistas do Amazonas (Sintax-AM) e com o Sindicato dos profissionais Mototaxistas de Manaus (Sindmoto).

No Espírito Santo, os petroleiros distribuíram ontem (17/03) mais 200 cupons de desconto de R$ 2,00 para motoristas de carros e motocicletas que abasteceram os veículos com gasolina em um posto de Vitória. Ao todo, foram subsidiados 3 mil litros do combustível.

Na Bahia, as ações estão ocorrendo ao longo de toda a semana, com venda subsidiada de 12.300 litros de gasolina em quatro municípios do interior e na capital do estado. O litro da gasolina está saindo por R$ 3,50, quase metade do preço praticado no mercado, em função da política preço da Petrobrás que tem por base a paridade de importação (PPI). 

Essa política foi implementado em outubro de 2016, durante o governo de Michel Temer e mantida pelo governo de Jair Bolsonaro, impondo sérios prejuízos aos consumidores brasileiros, pois vincula os preços dos derivados nas refinarias às variações do dólar e do barril de petróleo no mercado internacional. Por conta disso, a cada 15 dias, em média, a Petrobras anuncia um novo aumento nos preços. Só este ano, a gasolina subiu seis vezes, acumulando um aumento de 54,3%.

Veja as fotos do 14º dia de greve:

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[Da imprensa da FUP]

Publicado em Sistema Petrobrás

Gestores da Usina do Xisto não participaram de reunião com dirigentes do Sindipetro PR/SC para tratar da pauta corporativa dos trabalhadores, que iniciam assembleias nesta quinta para deliberar sobre a greve 

[Da imprensa do Sindipetro PR/SC]

O Sindipetro Paraná e Santa Catarina, diante da recusa da gestão da Usina do Xisto (SIX), em São Mateus do Sul, de participar da reunião de negociação prevista para a última terça-feira (16), convoca todos os trabalhadores da unidade para participar de assembleia geral extraordinária. Serão seis sessões, entre os dias 18 e 22 de março, em formato virtual por conta da pandemia do coronavírus, para debater e deliberar sobre deflagração de greve na SIX. 

O Sindicato pretendia negociar com a empresa sobre as pautas corporativa e social, protocoladas junto à Gerência Geral da SIX em 18/02, com itens relacionados às condições de trabalho e garantia de direitos caso se confirme a privatização da unidade, bem como à segurança dos trabalhadores, instalações e comunidades do entorno da SIX. Porém, com a recusa da empresa (confira o vídeo abaixo), faz-se necessário remeter o impasse à avaliação dos trabalhadores em assembleia. 

Para Mário Dal Zot, secretário jurídico e de relações institucionais da FUP, que é petroleiro lotado na Usina do Xisto, além de diretor do Sindipetro PR e SC, a greve é o único caminho para forçar a negociação, após diversas tentativas frustradas por parte do Sindicato. “A SIX está sendo vendida, está sendo sucateada e as condições de trabalho precarizadas, causando insegurança e potencialidade de acidentes graves. Em momento algum os gestores se importaram com os empregados e os impactos na vida familiar, social e laboral desses. Se limitam a observarem apenas questões financistas. Se recusam a tratar do fator humano, de reduzir esses impactos e fazer um planejamento negociado com os representantes dos empregados”, afirma.   

De acordo com o advogado Sidnei Machado, assessor jurídico do Sindipetro PR e SC, a empresa é obrigada a negociar com o Sindicato. “A cada conflito ou demanda nova entre empresa e trabalhadores é o momento para se estabelecer o diálogo e se chegar a um acordo. Esse é o nosso modelo, está na lei da CLT desde sempre e também na Constituição. Ademais, é o modelo democrático de qualquer país civilizado. Em qualquer modelo democrático é o Sindicato que negocia com a empresa e pactua as condições de trabalho. Se não temos esse elemento mínimo, básico, de se ter uma mesa de negociação para a empresa ouvir as reivindicações dos trabalhadores, lamentavelmente estamos ingressando num modelo sem democracia nas relações de trabalho. Se torna um espaço de relação autoritária”.

 Inscrições

Para participar das sessões de assembleia será necessário cadastro prévio que deve ser feito através dos e-mails Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. e  Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.  ou pelos telefones/whats (41) 98805-2367 / 99235 1435. O trabalhador deverá informar o nome completo, número de matrícula, unidade, setor, se está no regime administrativo ou de turno e qual o grupo, ou ainda se é aposentado.

Publicado em Sistema Petrobrás

Em greve há 12 dias, petroleiros de diferentes regiões do país seguem mobilizados, denunciando os impactos das privatizações no Sistema Petrobrás, como a precarização das condições de trabalho, os riscos de acidentes e o avanço da Covid-19 nas instalações da empresa. Trabalhadores de quatro estados participam do movimento desde o último dia 05, quando os petroleiros da Refinaria Landhulfo Alves (Rlam) retomaram a greve na Bahia. Desde então, a categoria vem atendendo ao chamado de paralisações feito pelos sindicatos da FUP no Amazonas, no Espirito Santo e em São Paulo. 

Na Bahia, a greve avança com a participação dos petroleiros dos campos terrestres e do Terminal Madre de Deus, que também sofrem os impactos das privatizações. Nesta terça-feira, 16, houve adesão dos trabalhadores próprios e terceirizados do Campo de Buracica. O Sindipetro BA também retomou esta semana as ações solidárias de descontos para a população na compra de combustíveis (saiba mais aqui), mobilização que a FUP e seus sindicatos realizam desde 2019 para debater com a sociedade a importância da Petrobrás enquanto empresa estatal e da urgência de uma política de Estado para o setor de óleo e gás, que garanta o abastecimento nacional de derivados de petróleo, com preços justos para os consumidores. 

No Espírito Santo, onde os trabalhadores da UTG-C, dos campos terrestres e das plataformas vêm participando das mobilizações, a greve nesta terça foi ampliada para a UTG-SUL. Para protestar contra as péssimas condições de trabalho, os petroleiros iniciaram uma "greve de alimentação", com boicote produtos fornecidos pela Petrobrás. "Essa situação extrapolou o limite do aceitável após o novo contrato de llimentação da Unidade, onde as cozinheiras precisam fazer mágica com os produtos de péssima qualidade oferecidos pela empresa. Diante dessa situação, estamos pagando a alimentação desses trabalhadores, incluindo o lanche da tarde", afirma o coordenador do Sindipetro-ES, Valnisio Hoffmann, informando que o sindicato já enviou diversos ofícios para a empresa, com relatos dos trabalhadores reclamando da alimentação, mas a gerência continua omissa.

Em Pernambuco, os trabalhadores da Refinaria Abreu e Lima e do Terminal Aquaviário de Suape seguem mobilizados, participando de atos e atrasos na frente das unidades, como a que foi realizada nesta terça, pela manhã (veja as fotos abaixo).

As mobilizações continuam também na Refinaria de Manaus (Reman) e nas bases operacionais representadas pelo Sindipetro Unificado de São Paulo. 

Na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais, onde a greve também foi aprovada, o Sindipetro continua exigindo a suspensão imediata das paradas de manutenção, em função do aumento de trabalhadores infectados pela Covid. Segundo o sindicato, foram confirmados nesta última semana mais de 78 casos de contaminação por coronavírus a Regap, entre trabalhadores efetivos e terceirizados. "Já são 15 casos confirmados na operação em duas semanas, inclusive envolvendo pessoas que estiveram em um mesmo refeitório. Já temos casos de companheiros contaminados que não conseguiram se internar, por falta de leitos em BH. Não iremos aceitar que coloquem o lucro acima da vida da categoria”, afirma Alexandre Finamori, coordenador do Sindipetro-MG.

Na Usina de Xisto (SIX), no Paraná, a greve pode ser deflagrada a qualquer instante, pois a gestão da unidade não respondeu as demandas da pauta de reivindicações aprovada pelos trabalhadores e encaminhada pelo sindicato à empresa. 

Surtos de Covid

Surtos de Covid vêm sendo relatados pela FUP por seus sindicatos em diversas unidades do Sistema Petrobrás. Na Rlam, dois operadores morreram em um espaço de uma semana, após complicações geradas pela doença. Segundo o Sindipetro-BA, cerca de 80 trabalhadores já foram contaminados na refinaria nas últimas semanas. Por conta do avanço da pandemia no estado, o sindicato conseguiu que a Petrobrás suspendesse temporariamente as paradas de manutenção.

O mesmo aconteceu no Paraná, na Repar, onde o Sindipetro-PR/SC também convenceu a gestão a postergar para 12 de abril o início das paradas de manutenção. "Continuaremos atentos às condições sanitárias e às taxas de ocupação dos hospitais de Araucária e Região para verificar se a parada de manutenção poderá ser realizada na nova data apontada, visando a segurança de todos os trabalhadores", informou o sindicato. 

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Publicado em Sistema Petrobrás

Valor mais alto pago por litro encontrado no Acre é superior à média nacional, de R$ 5,45 por litro. Especialista explica os motivos e reafirma que o governo poderia intervir para praticar preços justos a todos

[Da redação da CUT]

Como na época da hiperinflação no Brasil, na década de 1980, quando a inflação chegou a 80%, atualmente, os brasileiros vão dormir esperando um novo reajuste nos preços dos combustíveis no dia seguinte. Em alguns estados, como o Acre, o susto no dia seguinte é enorme. Tem cidades acreanas, como Marechal Taumaturgo, cidade próxima a fronteiro do Brasil com o Peru, onde o litro da gasolina está custando R$ 8,20.

O valor mais alto encontrado pelos dirigentes da CUT, que ajudaram a fazer uma pesquisa nacional informal, não consta nem da pesquisa semanal de preços de combustíveis da Agência Nacional de Petróleo (ANP).

De acordo com a pesquisa da ANP, o maior preço encontrado no país, na última semana, foi em Cruzeiro do Sul, também no Acre, onde o litro do combustível foi vendido a R$ 6,70.

Esses preços são resultados dos aumentos periódicos determinados pela Petrobras. Só este ano, a petroleira já aumentou a gasolina seis vezes e o diesel, cinco. O último anúncio de reajuste dos combustíveis na segunda-feira (8). A cada 15 dias, em média, a Petrobras anuncia um novo aumento nos preços. Só este ano,  gasolina já acumulou um aumento de 54,3%. No mesmo período, o diesel subiu 41,5%.

 Mas, como não estamos em períodos de hiperinflação, apesar da carestia que vem aumentando, os brasileiros já sabem que os preços dos combustíveis estão abusivos e impactam nos preços de todos os outros produtos. O resultado é que o salário consegue comprar cada vez menos e até o básico os trabalhadores e as trabalhadoras estão sendo obrigados a cortar da lista de compras mensais.

A média de preços da gasolina em outras regiões do país é de R$ 5,45. Mas em algumas cidades como Juiz de Fora (MG), Formosa (GO), Alenquer (PA) e Bagé (RS), o preço já bate a marca dos R$ 6,00. É o caso também do Rio de Janeiro. Na capital do estado, o litro da gasolina chegou a custar R$ 6,19. Porém, em Barra Mansa, de acordo coma ANP, o litro foi vendido a R$ 6,49.

DUDA QUIROGA/CUTDuda Quiroga/CUT
Rio de Janeiro

 

EDMAR BATISTELLA/CUTEdmar Batistella/CUT
Rio Branco-AC

 

PLINIO PUGLIESEPlinio Pugliese
Aracaju-SE

Por que ainda mais caro em algumas regiões?

A explicação para o preço ainda mais alto nesses locais, de acordo com Valnisio Hoffman, Coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santos (Sindipetro-ES), está em dois fatores, um deles a tributação que varia de estado para estado. “Tem locais em que o ICMS é maior, pode chegar até 34% enquanto em outros, é de 25% e isso interfere no preço”, ele explica.

Outro motivo é a logística empregada para que o combustível chegue a essas localidades. “A distância encarece os custos e ainda vai depender o tipo de transporte utilizado, se é a balsa,  caminhão ou trem. Tudo entra no cálculo”.

Mas, de acordo com ele, os preços podem ainda ser impactados pela formação de carteis de postos de combustíveis. Há locais em que todos os postos pertencem a um mesmo dono e há locais onde eles se reúnem para combinar um preço mínimo para impor à sociedade.

Sem ter para onde correr, consumidor então é obrigado a pagar pelo preço pedido.

Os impactos para a população, em especial nessas regiões, são maiores porque além de o preço dos combustíveis estar acima da média nacional, a média salarial dos trabalhadores também é menor.

“Onde os preços dos combustíveis, geralmente, são mais caros, o PIB também é menor. São locais onde o há poucas atividades produtivas, por isso os salários são menores e no fim das contas, pagando mais caro pelos combustíveis e pelos outros produtos que ficam também mais caros, o custo de vida fica maior”, diz Valnísio.

A técnica do Dieese, Adriana Marcolino, explica que toda vez que aumenta o preço dos combustíveis, há impacto nos preços de outros produtos, principalmente os alimentos.

Alta nos combustíveis come parte da renda pessoas, reduz o poder aquisitivo e pressiona outros preços porque o transporte é item presente em toda a cadeira de produção. Tem impacto nos alimentos, nos remédios, vestuário, enfim, em tudo o que compõe o orçamento familiar
- Adriana Marcolino

Preço justo é possível

Para Valnisio Hoffmann, o mínimo que um governo voltado para o social faria nestes casos seria subsidiar o preço dos combustíveis para que fossem justos ou no mesmo patamar de outras regiões.

“A Petrobras tem uma função social por ser uma estatal. Mas infelizmente os acionistas só pensam em lucros e atitudes assim não são pensadas. Eles, atualmente, rasgam o estatuto e a função social da empresa”.

Hoffman diz ainda que um caminho para viabilizar o subsídio para regiões mais distantes dos centros produtores é a mudança na política de preços da Petrobras, que acompanha a variação do dólar e do mercado internacional.

“Não se justifica essa política”, ele diz. O dirigente explica que o custo de extração no Brasil é relativamente baixo se comparado a outros países. E que o Brasil pode aumentar a capacidade de refino se ampliar seu parque. “Se usarmos as refinarias de forma correta, não torná-las ociosas, não vendê-las, poderemos ser autossuficientes em refino e não depender de importação”, diz Valnisio Hoffmann.

Temos que parar o desmonte e a venda da Petrobras. Precisamos de investimentos e não de privatizações. Veja o que aconteceu com a Liquigás que foi privatizada com governo prometendo gás mais barato e o que aconteceu foi o contrário
- Valnisio Hoffmann

De acordo com dados da ANP, levantados pelo Dieese, a produção nacional de petróleo cresceu 18% nos últimos cinco anos (2016 a 2020) e chegou a 3,7 milhões de barris equivalentes por dia. Além disso, os custos de produção de petróleo e refinados no país tem caído em razão dos ganhos de eficiência da empresa.

Desgoverno

Para Edmar Batistella, presidente da CUT Acre, estado onde são praticados os maiores preços do país, além da urgente mudança na política de preços da Petrobras, para derrubar os preços dos combustíveis, tem que cair também o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL)

Para o dirigente, a população, que já está perdendo o direito ao transporte de carro, está perdendo também o direito de cozinhar e comer já que o gás de cozinha também aumentou e milhçoes de brasileiros estão com dificuldades para comprar comida.

Enquanto continuarmos com esse desgoverno, quem vai pagar, quem vai sofrer é a população, principalmente a mais carente que já não tem o que comer
- Edmar Batistella

Diminuir imposto não resolve

Para corroborar a urgência na revisão da política de preços da Petrobras, em nota técnica, o  Dieese, afirma que uma redução dos preços dos combustíveis por meio de diminuição de impostos implica, necessariamente, em renúncia fiscal e nas circunstâncias atuais, em que o país precisa aumentar a arrecadação para fortalecer o sistema público de saúde, essa solução compromete mais ainda a capacidade do Estado brasileiro.

“Cortes na Cide (Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico), no PIS/Cofins ou no ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) são medidas paliativas, se não houver mudança na política do setor de petróleo no Brasil que transforme, de forma mais estrutural, a formação dos preços. É um custo que novamente será pago pelo conjunto da população”, diz trecho da nota.

Política de preços da Petrobras

Logo após o golpe de 2016, o governo de Michel Temer (MDB), adotou a PPI (Preço de Paridade de Importação), política mantida por Bolsonaro, que faz com que os combustíveis sejam reajustados pela variação do mercado global, o que favorece apenas os acionistas da Petrobras, encarecendo os combustíveis e todos os produtos que dependem do transporte rodoviário.

Diferente dos tempos dos governos Lula e Dilma, quando a variação dos preços dos combustíveis seguia um cálculo baseado em vários fatores e que possibilitava um controle maior dos preços, a atual gestão da Petrobras insiste em manter a PPI, que é a política responsável pelos constantes reajustes nos preços.

A Petrobras, quando Sérgio Gabrielli presidiu a estatal, durante o governo Lula, considerava a organização do mercado, a distribuição, a demanda por importação e as particularidades do mercado interno, como oferta e procura, e concorrência entre distribuidoras. A variação cambial e o preço internacional também eram considerados, mas não eram determinantes.

Publicado em Sistema Petrobrás

O principal jornal do Rio Grande do Sul, Zero Hora, publicou na quinta-feira, 11 de março, um artigo do diretor da FUP e presidente do Sindipetro-RS, Fernando Maia da Costa, sobre a política de preço dos combustíveis. Ele alerta sobre a necessidade do governo federal revogar a política de preço de importação (PPI) e a suspensão da venda das oito refinarias da Petrobrás, entre elas a Refap.

"Mais do que trocar peças do tabuleiro, Bolsonaro precisa acabar com a dependência do país em relação aos preços internacionais, suspendendo a PPI, cancelando a venda das refinarias e retomando a produção em toda sua capacidade. Esse é o dever de um governo de fato patriota", afirma o diretor da FUP.

Leia o artigo na íntegra: 

Por Fernando Maia da Costa, diretor da FUP e presidente do Sindipetro RS

Sucessivos aumentos de preço dos combustíveis e do gás de cozinha vêm revoltando os brasileiros. Com razão: o diesel e a gasolina já acumulam alta de, respectivamente, 41,5% e 54% em 2021. Isso num país assolado pela pandemia da covid-19.

Embora Bolsonaro tenha anunciado a troca na presidência da Petrobras, substituindo Castello Branco pelo general Joaquim Silva e Luna, a simples dança das cadeiras não irá aliviar a situação do consumidor.

Nada mudará se Bolsonaro não revogar a chamada PPI – política de paridade de importação no preço de derivados. Essa, sim, é a grande vilã para a disparada no preço dos combustíveis, pois usar a cotação do barril de petróleo e do dólar como base para calcular o preço do seu produto tem provocado sucessivos aumentos nos postos de gasolina. Ganham as multinacionais, que vendem o seu derivado importado no mercado nacional, perdem os brasileiros.

Por isso, é um engano apostar em alterações na carga tributária como saída. Aliás, as promessas do governo nesse sentido são mera cortina de fumaça. Para se ter uma ideia, em nove meses, o diesel teve um aumento nos postos de R$ 0,56. Os impostos atribuídos foram responsáveis por R$ 0,06 desse valor.

Cabe lembrar um detalhe não menos relevante: o Brasil é produtor de petróleo e tem refinarias que atendem à quase totalidade de sua demanda interna. Ou seja, temos capacidade de explorar e refinar nosso petróleo, diminuindo as importações e reduzindo a dependência do país diante do mercado externo. 

Entretanto, o governo caminha no sentido oposto ao manter a produção do parque de refino nacional ociosa além de colocar à venda oito refinarias da estatal, uma delas a nossa Refap. Mais do que trocar peças do tabuleiro, Bolsonaro precisa acabar com a dependência do país em relação aos preços internacionais, suspendendo a PPI, cancelando a venda das refinarias e retomando a produção em toda sua capacidade. Esse é o dever de um governo de fato patriota. Com a palavra, Bolsonaro.

[Do Zero Hora]

 

Publicado em Sistema Petrobrás

Em carta aberta aos trabalhadores, o coordenador do Sindipetro Bahia, Jairo Batista, reforça o chamado da FUP à unidade na luta contra as privatizações. Em Informe FUP enviado à categoria no último dia 04 e publicado aqui, a Federação deu o seguinte informe:

"Em reunião na terça-feira, 02/03, com os sindicatos que integram a FNP, os dirigentes da FUP fizeram um chamado aos companheiros para que se somem à luta que estamos travando contra as privatizações e o desmonte do Sistema Petrobrás, cujos efeitos são catastróficos não só para a categoria petroleira, como para toda a classe trabalhadora. A população está sendo prejudicada pela desindustrialização, desemprego e empobrecimento de diversas regiões do país, além dos preços abusivos dos combustíveis."

Leia a íntegra da carta aberta do Sindipetro Bahia:

Não é de hoje que a FUP – Federação Única dos Petroleiros, que agrega 12 sindicatos, chama a FNP (Federação Nacional dos Petroleiros), – Ofício circular 002/FUP , composta apenas por cinco sindicatos para unidade, principalmente na luta concreta e não fazendo discurso, como de costume, para dividir a categoria.

Nós entendemos que a luta contra a privatização da Petrobrás e os desmandos do atual governo, é bem maior e mais ampla. Faz-se necessário que cada vez mais atores se engajem nesse propósito e entrem na trincheira para lutar, objetivamente, contra a entrega do patrimônio nacional. Não é hora de disputas menores.

Acreditamos que essa luta convoca todos. Portanto, os companheiros de verdade, precisam se juntar em defesa dos nossos direitos, dos empregos que estão sendo ameaçados pela atual gestão da Petrobrás e pelo governo Bolsonaro. Entendemos ser necessária essa unidade, porém, ações contraditórias só confundem e nos desviam do verdadeiro alvo, o governo entreguista que se instalou na República.

Divergência na condução é normal, mas agora o inimigo é aquele que nega vacina para o povo, que não dá meios para o combate à pandemia, sendo insensível a mais de 270 mil mortes por Covid-19 no país.

Acreditamos, sim, que essa luta é de todos nós. Portanto, todos os companheiros e companheiras que queiram se juntar em defesa da Petrobras e dos nossos direitos, contra a atual gestão da Petrobrás e também do governo Bolsonaro, são bem-vindos. Entendemos ser necessária essa unidade, porém a FNP não pode ter ações contraditórias num momento tão difícil, permanecer no palanque. Esta união deve ser verdadeira onde o objetivo seja sempre, o melhor para a nossa categoria, assim como a FUP se pautou ao longo da sua trajetória de luta por uma Petrobras 100% estatal, a serviço do povo brasileiro. Sigamos juntos que a luta é nossa!

Defender a Petrobras, é defender o Brasil.

Jairo Batista
Coordenador Geral
SINDIPETRO BAHIA

Publicado em Sistema Petrobrás

Os trabalhadores do Sistema Petrobrás completam nesta quinta-feira, 11, uma semana de greves regionais que denunciam a precarização das condições de trabalho, os riscos de acidentes e o avanço da pandemia nas instalações da empresa. Quatro estados seguem mobilizados desde o último dia 05, quando os petroleiros da Refinaria Landhulfo Alves (Rlam) retomaram a greve na Bahia. Desde então, as mobilizações vêm crescendo no Amazonas, no Espirito Santo e em São Paulo, com novas adesões previstas para os próximos dias em outros estados do país.

Na Bahia, além da Rlam, o movimento tem contado com a participação dos trabalhadores dos campos terrestres e do Terminal Madre de Deus, que também sofrem os impactos das privatizações. Ontem, a greve foi estendida para os campos de Taquipe e hoje para a base de Santiago, em Catu. 

No Sindipetro Unificado de São Paulo, a greve vem mobilizando trabalhadores das refinarias de Paulínia (Replan) e de Capuava (Recap) e também os terminais da Transpetro. No Espírito Santo, os petroleiros dos campos terrestres tem participado do movimento que tem mobilizado também os trabalhadores das plataformas, com atrasos nos embarques feitos no aeroporto de Vitória.  No Amazonas, os trabalhadores da Refinaria de Manaus (Reman) seguem participando dos atrasos feitos pelo Sindipetro nas trocas de turno.

Novas adesões começam a ser desenhadas também em outras bases da FUP que aprovaram a greve. Estão sendo feitos atrasos no turno na Regap, em Minas Gerais, na Refinaria Abreu e Lima e no Terminal Aquaviário de Suape, em Pernambuco. No Norte Fluminense, os trabalhadores aprovaram estado de greve e realizaram na quarta-feira, 10, seminário para discutir novas formas de mobilização. No Paraná, a greve foi aprovada na Usina de Xisto (SIX), onde os trabalhadores estão se organizando para intensificar as mobilizações.

Com pautas de reivindicações diversas, os sindicatos da FUP denunciam os impactos das privatizações nas relações de trabalho, em função das transferências compulsórias feitas pela gestão da Petrobrás, da redução drástica de efetivos e do sucateamento das unidades, principalmente as que estão sendo vendidas. O resultado desse desmonte é o risco diário de acidentes, sobrecarga de trabalho, assédio moral e descumprimento rotineiro do Acordo Coletivo de Trabalho.

Novas ações por preços justos para os combustíveis

Seguindo a orientação da FUP, os sindicatos realizam nesta sexta-feira, 12, nova ações solidárias de venda subsidiada da gasolina e do gás de cozinha no Espírito Santo, na Bahia e em São Paulo, mostrando para a sociedade que é possível comprar derivados de petróleo por preços justos. A apesar de produzidos nas refinarias brasileiras com petróleo nacional, os combustíveis são vendidos a preços internacionais e custo de importação. 

Uma conta que não fecha para os consumidores brasileiros, pois é baseada no Preço de Paridade de Importação (PPI). política de reajuste dos derivados de petróleo que foi implantada em 2016 no governo Temer e mantida pelo governo Bolsonaro.

Cada vez que o preço do barril de petróleo, que é cotado em dólar, sobe lá fora, a Petrobrás reajusta os preços dos combustíveis aqui no Brasil. Com isso, só em 2021, a gasolina já aumentou 54%, e o diesel 41,5% nas refinarias. O resultado se reflete no aumento recorde da inflação em fevereiro, que teve como principal vilão os preços dos combustíveis (saiba mais aqui).

Veja as fotos do 7º dia de greve:

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[Imprensa da FUP | Foto: Sindipetro AM]

Publicado em Sistema Petrobrás

Os petroleiros enviaram documento solicitando explicações urgentes por parte da administração da SIX sobre simulados de emergência e segurança. Atividade na região não acontece desde 2017 

[Da imprensa do Sindipetro PR/SC]

Recentemente o Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina entregou documento à Prefeitura de São Mateus do Sul no qual cobrou providências sobre questões relacionadas à Usina do Xisto (SIX). As pautas foram construídas em conjunto com os moradores da Vila Bom Jesus, após inúmeras reclamações das famílias junto ao Sindicato. As reivindicações também foram enviadas aos representantes da Petrobrás. 

Localizada no entorno da unidade, a comunidade está há mais de três anos sem receber simulado emergencial. Significa que os moradores próximos do Gasoduto PETROBRAS/INCEPA estão desassistidos. Para o Sindicato, o simulado emergencial numa área de passagem de gás combustível precisa ser feito anualmente. 

Hoje, depois de tanto tempo sem atividades desse tipo, os moradores vivem com sensação de insegurança. São os trabalhadores da SIX que “apagam o incêndio” gerado pela negligência da gestão ao dialogar diretamente com a comunidade local. As famílias querem saber os motivos do simulado de emergência na Vila Bom Jesus não ser feito desde 2017.   

Devido à ausência de informação sobre a realização dos trabalhos de prevenção, o documento do Sindicato dos Petroleiros solicita indicadores e estudos de análise de risco, além dos cenários acidentais e os planos de emergência da unidade para a região do seu entorno. 

A categoria requer também a confirmação se os exercícios simulados foram ou estão sendo feitos de acordo com o que é definido no Estudo de Análise de Risco (EAR). São dados importantes e premissa básica da área de Segurança, Meio Ambiente e Saúde da Petrobrás (SMS). 

Até o momento não se tem clareza do “padrão SIX” de prevenção do seu entorno, nem se há um plano de contingência que identifique um possível cenário emergencial para treinamento ou simulado. Outra questão obscura é sobre o teor dos relatórios apresentados pela SIX à Petrobrás que tratam da região da Vila Bom Jesus.  

O que se sabe é que no Xisto há treinamento à distância (EAD) em razão da pandemia, uma atividade que só atinge moradores da localidade com acesso ao simulado virtual. Bem diferente do trabalho presencial, que serve para prevenir e educar a população em caso de necessidade de evacuação imediata por vazamento ou até explosão. 

Ressalta-se que qualquer simulado de emergência é condicionado à licença ambiental e operacional. Além disso, nos dias de hoje, deve-se respeitar rigorosamente os protocolos de prevenção à Covid19.  

Desmonte 

Atualmente a gestão da SIX diminui o número de técnicos de segurança, sucateia instalações e continua precarizando as relações de trabalho. A unidade é fortemente impactada pelo desmonte promovido pela atual gestão da empresa. 

Setores como a Casa de Força, Laboratório, Utilidades e SMS (o departamento responsável pelas vidas dos trabalhadores) são sistematicamente precarizados. 

A situação da SIX é grave. Por isso, o Sindipetro PR e SC levou essa pauta urgente ao executivo municipal, pois trata-se da segurança da população saomateuense, que sem a Usina do Xisto ficará na UTI.

Publicado em SINDIPETRO-PR/SC

Em primeiro pronunciamento depois que recuperou os direitos políticos, Lula destacou o sofrimento do povo brasileiro com a pandemia e a crise econômica. Ao falar sobre o desmonte da Petrobrás, ele sinalizou para a possibilidade de reverter o ciclo de desmonte dos últimos 5 anos. “Quem tiver comprando coisas da Petrobras tá correndo risco porque a gente pode mudar muita coisa”, alertou o ex-presidente

[Imprensa da FUP* | Foto: Ricardo Stuckert]

Em coletiva concedida nesta quarta-feira (10), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um alerta sobre o falso “risco Lula” anunciado pela mídia corporativa ao condenar uma possível candidatura do petista em 2022. “Se o mercado quer ganhar dinheiro investindo em coisas produtivas, se o mercado quer ganhar vendo o povo ser consumidor, ele tem que gostar de mim.… Agora, se o mercado quer ver a entrega da soberania nacional, não votem em mim. Nós não vamos privatizar”, afirmou.

“Não tenham medo de mim. Eu sou radical porque quero ir à raiz dos problemas neste país. Porque quero ajudar a construir um mundo justo, mais humano, em que trabalhar e pedir aumento de salário não seja crime", disse Lula, no primeiro pronunciamento após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, ter anulado as condenações que lhe foram impostas no âmbito da Lava Jato.

A entrevista coletiva foi concedida na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo (SP), onde o ex-presidente viveu vários momentos emblemáticos de sua vida. Foi lá que ele começou sua trajetória sindical e política e foi lá também que saiu e voltou nos braços dos trabalhadores, após ter sido injustamente preso em abril de 2018 e libertado 580 dias depois.

Em seu discurso, Lula fez duras críticas às privatizações no Sistema Petrobrás e à política de preços dos combustíveis. “Quem tiver comprando coisas da Petrobras tá correndo risco porque a gente pode mudar muita coisa”, alertou o ex-presidente, condenando a privatização da BR Distribuidora e de vários outros ativos da empresa que foram vendidos a preço de banana pelos governos Temer e Bolsonaro. 

"Não é possível permitir que o preço do combustível brasileiro tenha que seguir o preço internacional se nós não somos importadores de petróleo. O Brasil é exportador. Nós produzimos a matéria prima aqui, nós tiramos do fundo do mar, nós conseguimos refinar aqui derivados de qualidade", afirmou o ex-presidente.

Pandemia: "Não temos governo"

Ao criticar o (des)governo Bolsonaro na condução da pandemia, o ex-presidente Lula relembrou que o Brasil teve várias oportunidades de imunizar a população. “Foram várias vacinas rejeitadas... ele rejeitou a Pfizer e inventou cloroquina”, lamentou. E alertou: “Não siga nenhuma recomendação imbecil do presidente e do ministro da Saúde”. O petista também disse que o Brasil vive um momento caótico. “Não temos governo neste país! Não cuida da economia, do emprego, da saúde, do meio ambiente”, destacou.

"Moro é o maior mentiroso da história do Brasil"

Lula também afirmou que vai continuar brigando juridicamente para que seja declarada a suspeição do ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro. O julgamento do caso, a cargo da Segunda Turma do STF, foi interrompido, após o ministro Kassio Nunes Marques pedir vistas do processo. Os ministros Gilmar Mendes e Lewandoswi votaram pela suspeição. Por sua vez, a ministra Cármem Lúcia deu indícios de que pode rever seu voto proferido na primeira sessão do julgamento, em 2018, desta vez se posicionando contra a conduta de Moro.

Lula chamou o ex-ministro de Jair Bolsonaro de “o maior mentiroso da história do Brasil”, e que ele era considerado “um herói, por aqueles que queriam me culpar”. “Deus de barro não dura muito tempo”, provocou. Tenho certeza que hoje ele deve estar sofrendo muito mais do que eu. Dallagnol deve estar sofrendo muito mais. Porque eles sabem que cometeram erros. E eu não cometi”, declarou.

 Veja a íntegra da entrevista coletiva:

[*Com informações da Carta Capital, da Rede Brasil Atual e da Revista Fórum]

Publicado em Sistema Petrobrás

Nesta quarta-feira, 10, os trabalhadores do Sistema Petrobrás entram no sexto dia de greves na Bahia, no Amazonas, no Espirito Santo e em São Paulo, com novas adesões. Na Bahia, além da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), cujos trabalhadores retomaram a greve na última sexta-feira, 05, o movimento foi intensificado com a adesão dos trabalhadores dos campos terrestres de Taquipe, que também lutam por segurança e contra a precarização e as demissões causadas pelas privatizações.

Nas bases do Sindipetro Unificado de São Paulo, foi a vez dos trabalhadores da Refinaria de Capuava (Recap), em Mauá, se somarem às mobilizações. A greve segue movimentando ainda os petroleiros na Refinaria de Manaus (Reman) e nas bases do Sindipetro Espírito Santo.

Novas adesões começam a ser desenhadas também em outras bases da FUP que aprovaram a greve. Houve atrasos no turno na Regap, em Minas Gerais, na Refinaria Abreu e Lima e no Terminal Aquaviário de Suape, em Pernambuco. No Norte Fluminense, os trabalhadores aprovaram estado de greve e realizam nesta quarta-feira, 10, seminário de greve. Veja abaixo mais detalhes.

Com pautas de reivindicações diversas, os sindicatos da FUP denunciam os impactos das privatizações nas relações de trabalho, em função das transferências compulsórias feitas pela gestão da Petrobrás, da redução drástica de efetivos e do sucateamento das unidades, principalmente as que estão sendo vendidas. O resultado desse desmonte é o risco diário de acidentes, sobrecarga de trabalho, assédio moral e descumprimento rotineiro do Acordo Coletivo de Trabalho.

Veja como estão as mobilizações em outras bases:

Minas Gerais

Os petroleiros da Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim (MG), se somaram às mobilizações nesta quarta-feira, 10, com atrasos na entrada do turno e debates com o sindicato sobre o processo de negociação da pauta local. Os trabalhadores estão negociando com a gerência da Regap reivindicações relacionadas às condições de segurança na refinaria, como efetivo mínimo de trabalhadores, tabela de turno e medidas de prevenção ao avanço da pandemia de covid-19, principalmente, em função das paradas de manutenção que estão ocorrendo.

Pernambuco

Os petroleiros da Refinaria Abreu e Lima e do Terminal Aquaviário de Suape realizaram atos no início da manhã, com atrasos na entrada do expedientes, em protesto contra o sexto aumento este ano no preço dos derivados de petróleo e cobrando condições seguras de trabalho nas unidades do Sistema Petrobrás em Pernambuco, que estão em processo de privatização. O Sindipetro-PE/PB denuncia o sucateamento das unidades, com impacto direto nas condições de trabalho, como a redução dos quadros de efetivos e o descumprimento de normas de segurança que colocam em risco a vida dos trabalhadores.

Os impactos das privatizações no Sistema Petrobrás também estão sendo denunciados pelos petroleiros em atividades no centro de Recife.

Norte Fluminense

Em estado de greve, os trabalhadores das bases de terra e mar da Bacia de Campos realizam nesta quarta-feira, 10, seminário de greve para discutir coletivamente a construção de um grande movimento de paralisação, pelo cumprimento de direitos da categoria e contra o desmonte da Petrobrás, que já se desfez de várias plataformas na região e está privatizando diversas outras.

“A conjuntura de pandemia e de governo Bolsonaro está impondo estratégias cada vez mais inteligentes aos movimentos grevistas. O Sindipetro-NF tem tradição na construção de formas ousadas e alternativas de greve, que muitas vezes surpreenderam a gestão da empresa e produziram conquistas importantes. Toda essa história é feita de forma coletiva, nos seminários, nas reuniões setoriais, assembleias e outras formas de interação com a categoria”, destaca o sindicato.

Combustíveis a preços justos

Enquanto a Petrobrás reajusta pela sexta vez os combustíveis este ano, os sindicatos da FUP intensificam as ações solidárias de venda subsidiada da gasolina, do diesel e do gás de cozinha, mostrando para a sociedade que é possível comprar derivados de petróleo por preços justos. A apesar de produzidos nas refinarias brasileiras com petróleo nacional, os combustíveis são vendidos a preços internacionais e custo de importação. 

Uma conta que não fecha para os consumidores brasileiros, pois é baseada no Preço de Paridade de Importação (PPI). política de reajuste dos derivados de petróleo que foi implantada em 2016 no governo Temer e mantida pelo governo Bolsonaro.

Cada vez que o preço do barril de petróleo, que é cotado em dólar, sobe lá fora, a Petrobrás reajusta os preços dos combustíveis aqui no Brasil. Com isso, só em 2021, a gasolina já aumentou 54%, e o diesel 41,5% nas refinarias. Os brasileiros estão refém das oscilações do mercado internacional e da disparada do dólar, o que tem sido constante. A FUP e seus sindicatos vêm denunciando há mais de quatro anos os prejuízos do PPI e cobrando a adoção de uma política de Estado para o mercado de combustíveis, que garanta preços justos para o povo brasileiro e o abastecimento nacional. 

Para ampliar esse diálogo com a população, os petroleiros farão novas ações solidárias nos próximos dias em diversas regiões do país, cujo calendário será divulgado em breve. Na semana passada, nove municípios do país foram atendidos pelas ações da FUP e de seus sindicatos, que junto com a CUT e movimentos sociais, distribuíram 22 mil litros de gasolina a R$ 3,50 o litro, 10 mil litros de óleo diesel a R$ 3,09 o litro, e 450 botijões de gás de cozinha a R$ 40,00 o botijão de 13 kg. 

Fotos do sexto dia de greve:

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[Da imprensa da FUP]

Publicado em Sistema Petrobrás
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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.