O Sindipetro PE/PB somou forças na mobilização desta sexta-feira, 03, em defesa da Refinaria Isaac Sabbá (Reman). O sindicato realizou mobilização pela manhã na frente da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), denunciando os impactos das privatizações nos Sistema Petrobrás e o esquema de corrupção por trás da venda da Reman para o Grupo Atem, por US$ 189,5 milhões, preço que representa 70% do valor da refinaria, segundo estudo do INEEP.

Com a venda dessa refinaria, mais o terminal de armazenamento, a Petrobrás não possui mais nenhuma operação do sistema no estado do Amazonas, uma perda não só para o estado como para toda a região Norte. Uma privatização que consolida uma ilegalidade na constituição de um monopólio privado regional, pois o Grupo Atem se torna a única distribuidora de combustíveis no Amazonas.

Com a consolidação desse monopólio privado na região Norte do país, o abastecimento de combustíveis ficará comprometido aos interesses de um único grupo empresarial o que significará preços ainda mais caros para os combustíveis.

Não fosse só isso, em nota do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), foi denunciada a negociata por trás da venda da Reman. De acordo com o instituto a Reman está avaliada US$ 279 milhões, pelo câmbio mais elevado deste ano. Um negócio criminoso que além de causar prejuízos financeiros para a Petrobrás, prejudica a economia dos estados e municípios, além de comprometer o abastecimento, elevando ainda mais os preços dos combustíveis.

[Da imprensa do Sindipetro PE/PB |Edição a FUP]

Publicado em Sistema Petrobrás

O que leva o Brasil, um país que retira petróleo do fundo do mar, que tem refinarias e que produz a preços competitivos, a exportar o óleo bruto e a importar seus derivados, com gasto de fretes, num verdadeiro “petrotour”? A pergunta, que tem sido feita cada vez mais pelos brasileiros diante da alta dos combustíveis, norteou, na última quarta-feira (01/09), o programa Pauta Brasil realizado pela Fundação Perseu Abramo. 

[Da comunicação do INEEP]

“É um problema de decisão política, de correlação de forças”, resumiu o coordenador técnico do Instituto de Estudos Estratégicos do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) William Nozaki, que ao lado da pesquisadora Carla Ferreira, também do Instituto, apresentou ao mediador do programa, Artur Araújo, a resposta para a pergunta e os motivos que, de 2016 para cá, têm provocado altas tão significativas nos preços dos combustíveis. 

Na verdade, a frase de Nozaki responde a uma outra pergunta do mediador que se repete entre aqueles que acompanham as decisões de governos (Temer e Bolsonaro) com relação aos desinvestimentos da Petrobras, que já somaram US$ 30 bilhões de ativos: “Estes compradores são maus capitalistas ou estas vendas resultam de uma conversa mole de que estes ativos não dão resultados? Quem são os bobos da história?”, questionou Araújo. 

Para Ferreira, todo este processo de reajustes e de seguidas altas de preços faz parte de uma política de governo que teve início em 2016, com o objetivo de abrir espaço para os importadores de combustíveis e viabilizar a privatização de oito refinarias da Petrobras, das quais duas, a Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, e a Refinaria de Manaus (Reman), já foram vendidas. E, para tanto, foi adotado o Preço de Paridade de Importação (PPI), que considera a cotação do óleo no mercado internacional e a variação taxa cambial. Se os preços no mercado externo sobem e o real é desvalorizado, os combustíveis são reajustados para mais. 

Afinal, o que que pressiona a alta dos combustíveis?

O preço do derivado que sai da refinaria tem como base a PPI, e sobre ele incidem os impostos federais (PIS/Cofins), estadual (ICMS) e as margens de distribuição e revenda, além dos custos dos biocombustíveis que compõem o produto final. Ferreira informa que:

“O ICMS tem sido apontado pelo governo federal como vilão para a alta de preços. No entanto, o histórico recente dos preços dos combustíveis mostra que não houve alteração significativa da alíquota do ICMS. O que tem alteração significativa é a faixa de preço que sai da refinaria da Petrobras.” 

Segundo ela, a partir destas variáveis, de 22 a 28 de agosto, o preço médio do botijão do gás de cozinha chegou a R$ 94,00, com 22% de aumento sobre o valor de janeiro; o preço do litro da gasolina era de cerca de R$ 6,00, como aumento de 30%: e o do diesel R$ 4,61, com alta de 25%. ”São valores muito altos, sentidos pelo consumidor não apenas ao comprar o combustível, mas também pelo que impactam na inflação”, afirmou. Ferreira comentou: "Tudo isso faz parte de um aparato que se construiu como política da Petrobras. A empresa tem vilipendiado seu lado de empresa estatal, favorecendo o lado dos acionistas e focando muito na rentabilidade, na distribuição de dividendos. Está abrindo mão de garantir o abastecimento nacional, da soberania energética e da participação no desenvolvimento do país.” 

Venda de ativos como estratégia da Petrobras

Na opinião de Nozaki, o ponto fundamental é que a estratégia da Petrobras foi adotada, nos últimos anos, com base numa política de desinvestimentos e de concentração na exploração e produção de petróleo no pré-sal, num processo que não inclui apenas a venda de oito das 13 refinarias, o que reduzirá a sua capacidade de refino a cerca de 50%, mas também de campos de petróleo em terra e em águas rasas, dos ativos de distribuição e de transporte do gás natural. 

Segundo ele, esses desinvestimentos foram acompanhados de uma política voltada para viabilizar o mercado interno para a importação de combustíveis. Assim, atualmente, a Petrobras já opera a 76% de sua capacidade de refino, abaixo do que poderiam realizar para abastecer o mercado nacional. Isso permitiu a abertura do mercado interno para importadores, sobretudo de estrangeiros. Por conta deste conjunto de decisões, tomadas desde o governo Temer e intensificadas no de Bolsonaro, nos últimos dois anos, os preços do óleo diesel já foram reajustados 94 vezes e os da gasolina em 107. 

Nozaki disse, destacando para o fato de que no período do governo Bolsonaro, houve reajuste de 23% no preço do diesel e de cerca de 51 % no da gasolina: “Isso não é razoável para a previsibilidade de organização de nenhum dos atores da cadeia de abastecimento do mercado brasileiro. E muito menos para o elo mais fraco deste percurso, que é composto pelos trabalhadores e pelos consumidores.”

Na opinião de Nozaki, este é um quadro que tem como consequência mais adversa o cenário de carestia. Como exemplo citou o fato de o IPCA (índice da inflação medido pelo IBGE), em 12 meses, ter registrado alta 9%, impactado de forma significativo pela aumento dos preços administrados (nos quais se incluem gás de cozinha e energia elétrica) e dos alimentos”. 

Alternativas possíveis

Segundo Ferreira e Nozaki, há possibilidade desse quadro, que além de viabilizar as privatizações e privilegiar o acionista da Petrobras, ser atenuado. “Será necessária uma reversão da política de preços da companhia”, comentou a pesquisadora, apontando como saída a adoção de uma política que considere os preços de produção do óleo bruto no Brasil e os custos das refinarias, sem que o Brasil fique refém dos preços externos. Para Nozaki, além da mudança desta política, seria necessária também a interrupção das vendas de refinarias, pois o problema não é técnico, mas político.

Assista a integra do programa: 

 

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O coordenador geral do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra, representa nesta manhã a categoria petroleira da região no ato promovido pelo Sindipetro-AM, em Manaus, contra a privatização da Reman (Refinaria Isaac Sabbá), responsável pelo processamento de todo combustível distribuído na região Norte do Brasil.

De acordo com Tezeu, a luta contra a venda da Reman, também conhecida como Refinaria de Manaus, é essencial para que seja evitada a formação de um monopólio privado do fornecimento de derivados do petróleo na região. Além disso, explica, o desmonte das refinarias deixará o país vulnerável, sem possibilidade de retomar uma política de preços em benefício da população.

“Numa eventual mudança de conjuntura e de governo, a Petrobrás não vai ter mais o domínio para poder segurar os preços da gasolina, do diesel, do gás de cozinha, como fazia antigamente no nosso país. É um absurdo a venda da Refinaria de Manaus”, protesta o sindicalista.

A venda da Reman foi anunciada pela Petrobrás no último dia 25. O ativo foi entregue ao Grupo Atem por US$ 189,5 milhões. Em nota, o Sindipetro-AM advertiu que, além da venda em si ser nociva, este valor é 30% inferior ao real valor da refinaria, de acordo com estudo do Ineep. O sindicato também denuncia a formação do perigoso monopólio privado da operação com combustíveis na região.

“O Grupo Atem possui a única distribuidora de combustíveis no Amazonas, após a privatização da BR Distribuidora e seria uma das principais concorrentes da Petrobrás no Estado. Além disso, o grupo lucra com as privatizações no Estado: os dois irmãos sócios formam o grupo Atem, responsáveis por arrematar em leilão a Eletrobrás no Amazonas e em Roraima em 2018. Porém, em dezembro de 2020, a Atem vendeu a participação nas distribuidoras de energia para a sócia majoritária Oliveira Energia para “expandir investimentos em combustíveis”, conforme reportagem publicada no portal de notícias Amazonas Atual”, relata o sindicato amazonense.

O Sindipetro-AM lembrou ainda que “atuando há 20 anos no mercado de combustíveis no Amazonas, o Grupo Atem, que também comprou o terminal de armazenamento da Reman, já foi denunciado por crimes ambientais e acumula investigações envolvendo irregularidades em contratos licitatórios, esquemas de cartel em postos de gasolina em Manaus e foi o estopim sobre o fim da isenção fiscal para distribuição de combustíveis”.

[Da imprensa do Sindipetro NF]

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Atraso na manhã desta sexta-feira, 03, mobilizou os trabalhadores da refinaria na luta contra o desmonte da estatal

[Da imprensa do Sindipetro PR e SC] 

A privatização da Refinaria Isaac Sabbá (Reman), em Manaus, anunciada na noite da última quarta (25), motivou manifestações de petroleiros por todo o Brasil nesta sexta-feira (03). A categoria protestou contra o desmonte do Sistema Petrobrás. 

A Reman foi vendida por US$ 189,5 milhões para a empresa Ream Participações, dos mesmos donos da Atem Distribuidora. O preço negociado pela Petrobras é cerca de 70% inferior ao seu valor em comparação com os cálculos estimados em estudo realizado pelo Ineep - Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. 

Na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária-PR, os petroleiros atrasaram a entrada do expediente administrativo e a troca de turno da manhã em duas horas. “A venda da Reman nos alerta sobre a continuidade dos processos de privatizações das refinarias da Petrobrás. Na atual conjuntura, não é descartada a venda de nenhuma unidade, nem Repar, tampouco SIX. E podem ir também os terminais da Transpetro nas negociações. Por isso, temos que manter as mobilizações e seguir na campanha contra as privatizações e o desmonte do Sistema Petrobrás”, advertiu Alexandro Guilherme Jorge, presidente do Sindipetro PR e SC. 

Manifestações similares aconteceram em várias outras unidades da Petrobrás espalhadas pelo país. O Sindicato também realizou protesto na Usina do Xisto e dirigentes do Paraná e Santa Catarina ainda participaram de manifestações na Rnest, em Pernambuco, e na Recap, em Capuava, região metropolitana de São Paulo.

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Sindicato denuncia que a reativação das unidades de pesquisa através de terceirizações cria fonte de renda para a empresa que comprar a Usina do Xisto, no Paraná. "Petrobrás pagaria cifras milionárias pelo arrendamento de setores de desenvolvimento de novas tecnologias", alerta a nota da entidade. Leia abaixo:

[Da imprensa do Sindipetro PR/SC]

Poucos sabem, mas a Usina do Xisto (SIX), em São Mateus do Sul, a 150 km de Curitiba, conta com o maior parque tecnológico da América Latina para pesquisas na área de petróleo. São 17 unidades criadas para desenvolver novas tecnologias de refino e petroquímica, gás e energia, meio ambiente e produtos derivados. 

Por muitos anos, as pesquisas da SIX geraram inovações que trouxeram mais eficiência na produção de combustíveis e ampliaram os rendimentos da empresa. Alguns exemplos de tecnologias criadas são a gasolina de alta octanagem usada na Fórmula 1, o craqueamento do biodiesel para transformar glicerina em metanol, reutilização de pneus para geração de óleo combustível e enxofre, processos de autoqueima para indústrias de cerâmica, estudos com diferentes tipos de xisto do mundo todo, além de melhorias contínuas nos processos de todas as refinarias da Petrobrás. 

Boa parte dos lucros gerados pelo CENPES (Centro de Pesquisa da Petrobrás), em torno de US$ 450 milhões/ano, vinha das pesquisas realizadas na Usina do Paraná. Foram décadas de investimentos para alcançar esses patamares, mas a direção bolsonarista da Petrobrás coloca tudo a perder. 

Em 2019, a gestão da estatal decidiu paralisar a pesquisa da SIX. Todas as unidades permaneceram hibernadas e os trabalhadores foram transferidos para setores da operação da Usina. 

Faz alguns anos que a Petrobrás deixou de ser uma empresa que busca o crescimento e a geração de novas tecnologias. Em 2011, a estatal batia o recorde em investimentos em pesquisa, inovação e desenvolvimento com a cifra de US$ 1,45 bilhão. Esse nível se manteve acima da casa de US$ 1 bilhão até 2014. De lá para cá, esse número despencou. Em 2020 a Petrobrás destinou apenas US$ 350 milhões para a pesquisa. 

A gestão da Petrobrás segue à contramão da lógica ao adotar uma política de desinventimentos que busca o reducionismo, não o progresso. Passou a ser uma empresa que não pensa no futuro e só visa o lucro imediato de seus acionistas. Para isso, implementa um programa de privatizações de ativos e pratica a política de preços dos combustíveis com base na cotação do dólar e do barril de petróleo no mercado internacional, em prejuízo à população e à soberania energética nacional. Apenas neste ano a Petrobrás repassou R$ 52 bilhões em distribuição de dividendos aos acionistas. 

Negócios suspeitos

A SIX, assim como todas as outras refinarias das regiões sul, norte e nordeste do país, está incluída no programa de desinvestimentos. Há indícios de que a venda da unidade esteja atrelada ao arrendamento das unidades de pesquisa. Empresas privadas estão sendo colocadas nessas áreas e petroleiros próprios foram convocados para treinar os terceirizados. 

A estratégia se assemelha ao que ocorreu com a Nova Transportadora do Sudeste (NTS) e a Transportadora Associada de Gás (TAG), duas ex-subsidiárias de dutos da Petrobrás que foram privatizadas, mesmo sendo essenciais para a operação da estatal. O resultado foi vexatório. A Brookfield, um fundo de investimentos canadense, pagou pela NTS a bagatela de US$ 4,23 bilhões. Desde então, a empresa vem acumulando lucros e receitas recordes às custas da Petrobrás, que agora precisa alugar a preços de mercado os dutos que antes lhe pertenciam. Em média, a estatal gasta R$ 1 bilhão por trimestre com aluguel de dutos. Ou seja, em menos de quatro anos já terá pago à Brookfield todo o valor que arrecadou com a privatização. 

O caso da TAG é semelhante. A Petrobras está pagando cerca de R$ 3 bilhões ao ano para utilizar os gasodutos da empresa que vendeu por cerca de R$ 36 bilhões, mesmo sabendo que iria aumentar a produção, ou seja, ia precisar ainda mais dos gasodutos para distribuir petróleo e gás. Com a privatização, em pelo menos 10 anos a petroleira vai gastar todo os recursos que obteve com a venda do ativo em pagamento de aluguel do gasoduto, que antes fazia parte do seu patrimônio. E vai continuar gastando, já que a sua distribuição passa pela TAG.  

A privatização da SIX parece seguir a mesma (falta de) lógica. O comprador deve passar a receber uma espécie de aluguel pelo arrendamento das atividades de pesquisa, curiosamente retomadas em caráter terceirizado no meio do processo de privatização. Trata-se da criação de uma fonte de renda mensal e milionária para a empresa que comprar a Usina do Xisto. 

O Sindipetro Paraná e Santa Catarina defende a reativação imediata das unidades de pesquisa da SIX enquanto atividades próprias de empresa integrante do Sistema Petrobrás, como sempre foi. Mais do que isso, vai investigar e denunciar todo e qualquer indício de irregularidade. 

A Petrobras tem que responder por que reativar a toque de caixa a unidade de pesquisa, sem pessoal treinado, às vésperas da pretendida venda da SIX? O que está por trás disso? 

Patrimônio estratégico

A SIX é fundamental para a economia de São Mateus do sul. É a maior contribuinte do município, respondendo por aproximadamente 45% da arrecadação de ICMS e indiretamente por cerca de 50% do ISS, além dos royalties sobre a produção de óleo e gás de xisto. 

A partir da exploração e processamento do xisto produz óleos Combustíveis, GLP, gás combustível, nafta, enxofre e insumos para pavimentação que são utilizados pelos mais diversos segmentos industriais, tais como cerâmica, refinaria de petróleo, cimenteira, usinas de açúcar e agricultura. No ramo de fertilizantes, a SIX produz a Água de Xisto que é um insumo para a formulação de fertilizantes foliares, com eficácia comprovada por extensas pesquisas realizadas pela EMBRAPA e IAPAR através do Projeto Xisto Agrícola. Sua capacidade instalada é de 5.880 toneladas/dia.

 

Desde 2013, a SIX já pagou mais de 63 milhões de reais em royalties, 30% para o município de São Mateus do Sul, segundo a petroleira. A Petrobrás ainda tem uma dívida com a prefeitura de São Mateus do Sul e o Estado do Paraná de 1 bilhão de reais relativos aos royalties. A estatal ameaça fechar a SIX caso as autoridades estaduais e municipais não aceitem renegociar essa dívida, que estaria atrapalhando o processo de venda da unidade.

 

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Em nota publicada em seu site, o Sindicato dos Petroleiros do Amazonas chama atenção para o histórico comprometedor do grupo Atem, que comprou a Reman por 70% de seu valor, conforme estudo divulgado pelo Ineep

[Da imprensa do Sindipetro AM]

A Petrobrás anunciou na noite de quarta-feira (25) a venda da Refinaria Isaac Sabbá (Reman), a Refinaria de Manaus, para o Grupo Atem por US$ 189,5 milhões. O anúncio marca a saída total da Petrobrás do Amazonas. E o histórico do grupo comprador comprova algo que o Sindipetro-AM vem alertando: risco do monopólio privado regional, sem concorrência devido aos interesses privados e aumento dos preços de combustíveis.  

O Grupo Atem possui a única distribuidora de combustíveis no Amazonas, após a privatização da BR Distribuidora e seria uma das principais concorrentes da Petrobrás no Estado. Além disso, o grupo lucra com as privatizações no Estado: os dois irmãos sócios formam o grupo Atem, responsáveis por arrematar em leilão a Eletrobrás no Amazonas e em Roraima em 2018.  Porém, em dezembro de 2020, a Atem vendeu a participação nas distribuidoras de energia para a sócia majoritária Oliveira Energia para “expandir investimentos em combustíveis'', conforme reportagem publicada no portal de notícias Amazonas Atual. 

De acordo com a reportagem, o presidente da distribuidora e um dos irmãos sócios, o Naidson Atem, afirmou que a saída da Amazonas Energia era expandir os negócios de combustíveis com "O objetivo de fortalecer a marca e consolidar nossa rede de  postos no Norte do País”. O anúncio da Atem foi realizado um ano após a Petrobrás anunciar o teaser da Reman.  

Grupo Atem tem histórico de crimes  

Atuando há 20 anos no mercado de combustíveis no Amazonas, o Grupo Atem, que também comprou o terminal de armazenamento da Reman, já foi denunciado por crimes ambientais e acumula investigações envolvendo irregularidades em contratos licitatórios, esquemas de cartel em postos de gasolina em Manaus e foi o estopim sobre o fim da isenção fiscal para distribuição de combustíveis.  

Na ocasião, a Atem foi denunciada por ser beneficiada de uma decisão judicial de 2018 que garantia a isenção do recolhimento de PIS e Cofins na importação de combustíveis, benefício que as demais distribuidoras nacionais não possuem. A liminar permitiu que a Atem importasse diesel e gasolina para se beneficiar dentro da Zona Franca de Manaus (ZFM), mas o volume de importação era superior ao consumo da ZFM.  

Em março de 2020, o grupo foi denunciado pela Promotoria de Justiça Ambiental de Santarém pela prática de crimes ambientais a construção de instalação portuária de base de distribuição de combustíveis na região do lago do Maicá. A denúncia destaca que “Apresentaram dois pedidos de licenciamento na mesma área, quando, na verdade, camuflaram os impactos e riscos do empreendimento como um todo". 

Conforme reportagem publicada pela revista VEJA em 2018, a Atem foi alvo de investigação do Ministério Público por irregularidades nos contratos, firmados sem licitação com a Eletrobras. A própria Petrobrás, junto com demais fornecedoras de combustível, acusou a Atem de receber generosas isenções fiscais do governo do Amazonas para atuar em parceria com a Eletrobras.  

Em 2011, os donos da Atem foram condenados por formação de cartel em postos de gasolina em Manaus e um deles chegou a ser preso. As investigações resultaram na condenação dos sócios. Ainda de acordo com a reportagem da VEJA, o grupo também é investigado em Roraima por repasse de dinheiro para a família do ex-senador Romero Jucá - conhecido como o “maior inimigo dos povos indígenas do Brasil”. 

CONSTRUÍDA PELA FORÇA DO TRABALHO  

Segunda refinaria do Sistema Petrobrás a ser vendida pelo Governo Bolsonaro, a Refinaria de Manaus foi incorporada ao Sistema Petrobrás na década de 70 quando passou a ser chamada de Refinaria Isaac Sabbá - Reman. Inaugurada na década de 60 como Companhia de Petróleo da Amazônia (Copam), a refinaria foi construída por trabalhadores que depois passaram a pertencer à categoria petroleira e até hoje se orgulham da história da Reman no Amazonas e a luta sindical.  

A saída da Petrobrás no Amazonas é um crime de lesa pátria, marca os desinvestimentos no Amazonas e vai contra o principal objetivo e sonho dos responsáveis pela construção e permanência da Reman: contribuir para a economia no Amazonas e beneficiar a população amazonense. 

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Em nota assinada pelos pesquisadores Eduardo Costa Pinto, Henrique Jager, Rafael Rodrigues da Costa e Rodrigo Leão, o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) aponta que a Refinaria de Manaus (Reman) foi vendida pela Petrobrás à Atem Distribuidora, principal concorrente da estatal na região, por 70% do seu valor. A venda da refinaria foi anunciada pela Petrobrás no último dia 25, após o Conselho de Administração autorizar a negociata. 

De acordo com o estudo realizado pelo Ineep, a Reman "está avaliada com um valor mínimo, pelo câmbio mais elevado deste ano, de US$ 279 milhões, quando o valor negociado pela estatal com o potencial comprador foi de US$ 189 milhões".

Como a FUP vem alertando, com base em estudos e apreceres de diversas entidades e órgãos de fiscalização, as privatizações em curso de refinarias, além de causar prejuízos financeiros para a Petrobrás e impactar economicante os estados e municípios que estão sendo abandonados pela estatal, criarão monopólios regionais privados, que irão comprometer o abastecimento e aumentar ainda mais os preços já abusivos dos combustíveis. 

Nesta sexta-feira, 27, o Sindipetro Amazonas realizou mobilização, alertando os trabalhadores e a população de Manaus sobre o que está em jogo com a venda da Reman. Veja abaixo: 

Veja a íntegra da nota do Ineep sobre a subvalorização do preço da Reman, vendida pela Petrobrás por 70% do seu valor:

Os dados revelam que a Reman tem um potencial importante de geração de caixa futura, o que, pelas premissas que achamos adequadas, pode estar sendo subvalorizada nesse momento de venda. 

Para realizar o valor da Reman, o Ineep utilizou o método do Fluxo de Caixa Descontado (FCD), que se baseia no valor presente dos fluxos de caixa, projetando-os para futuro. Do resultado, são descontadas: taxa que reflete o risco do negócio, despesas de capital (investimento em capital fixo) e necessidade adicionais de giro. 

Este fluxo de caixa é calculado tanto para a empresa como para o acionista. Trata-se de um modelo de cálculo que apresenta o maior rigor técnico e conceitual, sendo, por isso, o mais indicado e adotado na avaliação de empresas.

Cenários da Reman

O estudo se baseia em dois cenários, considerando um piso cambial de US$ 5,15 e um pico de US$ 5,83. Essa faixa foi adotada em função da alta volatilidade cambial da economia brasileira no cenário de negociação do ativo. A partir desses dois cenários, e baseando-se nesses piso e pico cambial, o estudo conclui que a refinaria pode valer de US$ 279 milhões a US$ 365 milhões. 

No entanto, como a Petrobras não apresenta valores “isolados” de cada refinaria, para estimar as receitas e despesas da Reman o Ineep fez um “rateio” dos dados disponibilizados pela empresa. Ou seja, esse valor pode variar, dependendo das despesas efetivas da refinaria. 

Em relação às receitas do Reman, foram levadas em conta a produção dos derivados da refinaria, a capacidade de produção, entre outras informações. Também foi utilizado o valor das exportações de derivados do estado do Amazonas para se chegar a um número aproximado para a exportação dos derivados da refinaria. Já para o cálculo das despesas da carga fresca processada utilizou-se um preço médio do Brent. 

Já em relação às despesas, o Ineep realizou o “rateio” para Reman, a partir dos dados disponíveis de custo de produção e refino, bem como das despesas administrativas. Com essas informações, o instituto utilizou dois cenários possíveis. Para o primeiro, trabalha com a manutenção das despesas atuais para os próximos anos. No segundo, prevê 75% das despesas de vendas da refinaria do cenário base para o cálculo do seu fluxo de caixa livre. 

Comunicação Ineep

[Foto: Agência Petrobras]

 

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Uma carta de compromisso, reconhecimento e reivindicação, foi entregue pelos petroleiros da Bahia ao ex-presidente Lula, na tarde da quarta-feira (25), durante o evento “Combater a Fome e Reconstruir o Brasil”, na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), que reuniu representantes de movimentos sociais e sindicais, em Salvador. A Bahia é um dos estados do Nordeste que está sendo visitado por Lula em caravana que começou no dia 15/08. O ex-presidente já percorreu os estados de Pernambuco, Piauí, Maranhão, Ceará e Rio Grande do Norte.

Entregue pelo Coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar e pelo Diretor de Comunicação do Sindipetro Bahia, Radiovaldo Costa, a carta traz como principal teor a esperança de dias melhores no Brasil, com a retomada dos direitos da classe trabalhadora, da justiça social e da dignidade do povo brasileiro, através da volta ao poder de um projeto democrático e popular, personificado na figura de Lula presidente.

Na carta, assinada pelo Coordenador Geral do Sindipetro Bahia, Jairo Batista, a entidade sindical – em nome dos petroleiros – reconhece a contribuição histórica dada pelo ex-presidente Lula em defesa da democracia, da justiça e inclusão social, da liberdade e autonomia sindical, da representatividade da classe trabalhadora e do fortalecimento das empresas públicas, em especial a Petrobras.

“Entendemos que o senhor é o único nome capaz de reconstruir o Brasil, de dar novas e boas perspectivas para os milhões de desempregados, para os trabalhadores do campo e da cidade, aposentados, jovens, homens e mulheres de todas as raças, credos e orientação sexual” diz um trecho do documento, ressaltando que “a esperança já venceu o medo neste país e, agora, temos certeza, vencerá também o fascismo, o golpismo, as mentiras, a incompetência e a crueldade, que são marcas do governo Bolsonaro”.

Os petroleiros apoiam a pré-candidatura de Lula para presidente nas eleições de 2022 e se comprometem a auxiliar na construção de um Brasil democrático e soberano para todos. No documento, também é abordado o sofrimento dos baianos no governo Bolsonaro e a destruição da Petrobrás no estado.

Na carta, os petroleiros listam as unidades da estatal que já foram vendidas, desmobilizadas, arrendadas e estão à venda na Bahia, chamando a atenção para o desastre econômico e industrial que vai acontecer com a saída total da Petrobrás do estado.

“Queremos fazer um pacto pela democracia, pela soberania nacional, pelo povo brasileiro e também pela Petrobras e seus trabalhadores próprios e terceirizados, pela Bahia e pelo Nordeste” afirmam os petroleiros, que pedem a retomada das unidades da Petrobras que foram privatizadas e reivindicam uma “Petrobras pública, nacional e integrada, que atue do poço ao poste, passando pelo pasto, através dos fertilizantes”.

No documento, eles também pedem “a volta dos concursos públicos e a recuperação dos direitos da categoria petroleira, que vêm sendo usurpados desde o governo golpista de Temer”.

Os petroleiros também falam da importância de recuperar o espaço de negociação na Petrobrás para dar fim aos descontos abusivos da AMS, encontrar formas de fortalecimento da Petros, buscando  eliminar o pagamento dos valores relativos ao equacionamento, de recuperar os direitos dos trabalhadores próprios e terceirizados, de retomar a exigência do plano de saúde para os dependentes dos trabalhadores das empresas terceirizadas e melhorar o modelo de contratação da Petrobras de forma a garantir os direitos destes trabalhadores.

Os petroleiros deixam claro ainda que “o resgate da Petrobrás enquanto empresa pública e integrada faz parte da recuperação da dignidade do povo brasileiro, tão aviltada nos últimos anos”.

Enfim, a categoria finaliza a carta afirmando o que espera com a volta de Lula à presidência da República: “queremos um Brasil onde as pessoas sejam valorizadas, que tenham comida no prato, acesso à moradia, à saúde, cultura e educação e que possam viver de forma digna. Para isto, ansiamos pela recuperação do valor de compra do salário mínimo, pelo fortalecimento de programas como FIES, Minha Casa, Minha Vida, o Bolsa Família e Ciência Sem Fronteiras. E ainda pela geração de empregos e combate à fome e à pobreza.

Clique aqui para ler a carta na integra

[Da imprensa do Sindipetro Bahia]

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Ato denunciou a política de entrega do patrimônio público pelo governo Bolsonaro. Diretoria da refinaria quis intimidar trabalhadores acionando a PM e desviando ônibus de trabalhadores para participarem do ato

[Da redação da CUT |Foto: Roosevelt Cássio/Sindipetro-SJC]

A luta contra a entrega das refinarias brasileiras à iniciativa privada reuniu sindicatos de petroleiros de diferentes regiões do país na manhã desta quinta-feira (26), em frente à Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo. 

Foi o segundo ato unificado contra a privatização e contra o avanço das terceirizações no sistema Petrobras. Um outro ato já havia sido realizado em Paulínia, na Replan.

Além dos trabalhadores da Revap, engrossaram o ato representantes dos sindicatos Unificado de SP, do litoral paulista e de São José dos Campos e Região, além de Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina e da Federação Única dos Petroleiros (FUP), ligada à CUT, e da FNP (Federação Nacional dos Petroleiros).

Secretário de Comunicação da CUT, o petroleiro Roni Barbosa participou do ato denunciando a política de Jair Bolsonaro (ex-PSL) e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, de destruição do patrimônio público brasileiro em benefício da iniciativa privada.

“Paulo Guedes, mancomunado com a gestão bolsonarista da Petrobras está tá entregando um patrimônio que não é deles, é um patrimônio do povo brasileiro”, disse o dirigente sobre as refinarias da Petrobras, mas que também vale para todas as outras estatais estratégicas para o desenvolvimento do Brasil, como a Eletrobras e os Correios.

“Precisamos reagir. Trabalhadores e trabalhadoras têm que reagir. E a população brasileira tem que vir conosco nessa luta em defesa do nosso patrimônio”, conclamou Roni Barbosa, ressaltando que a venda das refinarias prejudica o Brasil e os brasileiros, que já estão sofrendo com os sucessivos aumentos nos preços dos combustíveis, problema que pode piorar.  

Ação sindical

A manifestação de trabalhadores ocorre em um momento em que outra unidade da companhia, a Refinaria Isaac Sabá (Reman), em Manaus, foi entregue à Atem’s Distribuidora de Petróleo, por US$ 189,5 milhões, valor que, segundo Roni Barbosa, representa apenas dois meses de faturamento da unidade.

Leia mais: FUP afirma que venda da Reman é mais um crime contra a população e o país

A Reman foi a segunda refinaria privatizada este ano. Em março, foi vendida a Refinaria Landulpho Alves (Rlam), da Bahia, para a Mubadala Capital, por US$ 1,65 bilhão.

Durante o ato da manhã desta quarta-feira, os sindicalistas ainda alertaram para a tentativa de opressão tanto da gestão da refinaria como da Policia Militar (PM) de SP, que enviou ao local de cinco viaturas e 20 policiais para, como costumam dizer as forças de segurança, ”manter a ordem pública”, ainda que em um movimento pacífico.

“Todo esse aparato da PM foi usado para acompanhar uma mera assembleia, com atraso na entrada dos trabalhadores. Isso demonstra o medo, o pavor que a gestão da empresa tem do poder de organização, mobilização e luta dos seus trabalhadores”, disse Roni Barbosa.

Ele afirma que essa situação deve servir como estímulo para que nas próximas paralisações e mobilizações, cada trabalhador convide seus colegas a aderirem

“Daqui pra frente, na próxima paralisação, cada um de nós tem que trazer mais três, mais quatro, mais cinco e quando estiverem todos aqui na frente da refinaria, não tem tropa de choque que tire os trabalhadores ou que os obrigue a trabalhar”, afirmou o dirigente.

Além de acionar a Polícia Militar, a diretoria da refinaria desviou a entrada dos ônibus com trabalhadores, em uma tentativa de prejudicar a realização do ato, que foi anunciado com antecedência, e assim impedir a atuação sindical para chamar esses trabalhadores a aderir aoo movimento.

Manifestações já estão sendo marcadas para os próximos dias, em outras unidades como a Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão, e a Refinaria de Capuava (Recap), em Mauá, ambas no estado de São Paulo.

Publicado em Sistema Petrobrás

Para a FUP e o Sindipetro PE/PB, a resistência da categoria em mobilizações, como as greves de março de 2021 e de fevereiro de 2020, as lutas jurídicas para barrar as privatizações e a sinalização de mudança no cenário político são fatores que devem "indicar um movimento de reserva do capital privado"

[Da imprensa da FUP, com informações do Sindipetro PE/PB e da Revista Forum]

Após mais de dois anos de tentativas, a Petrobrás decidiu encerrar nesta quarta-feira (25) o processo de venda da Refinaria Abreu e Lima (RNEST). Todos os interessados decidiram retirar suas propostas de compra da unidade, localizada em Ipojuca, em Pernambuco. A refinaria é uma das oitos unidades que foram colocadas à venda pela gestão da empresa.

“Petrobras informa que interessados no processo de venda da Refinaria Abreu e Lima (RNEST) declinaram formalmente de apresentar proposta vinculante para compra da refinaria. Assim, a Companhia está realizando os trâmites internos para encerramento do processo de venda em curso e avaliará seus próximos passos”, disse empresa em nota.

No mesmo dia em que fez este comunicado, a Petrobrás anunciou a venda da Refinaria de Manaus, Isaac Sabbá (Reman), para uma empresa que pertece à Atem Distribuidora, principal concorrente da estatal na região Norte. Em março, a Refinaria Landulpho Alves (Rlam) já havia sido vendida pela metade do preço para o fundo de investimentos dos Emirados Árabes, Mubadala. As duas vendas estão sendo contestadas pela FUP e seus sindicatos, em ações na justiça.

Seguem em processo de privatização a Refinaria Alberto Pasqualini (REFAP), no Rio Grande do Sul, a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (REPAR), no Paraná, a Refinaria Gabriel Passos (REGAP), em Minas Gerais, a Refinaria Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (LUBNOR), no Ceará, e a Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), no Paraná.

Em nota, o Sindicato dos Petroleiros de Pernambuco e Paraíba destacou a importância para a categoria e para o país da preservação da Abreu e Lima no Sistema Petrobrás. "A Rnest é considerada pela própria Petrobrás como a mais moderna refinaria já construída pela empresa, sendo fundamental no atendimento à demanda nacional por derivados de petróleo. O fracasso do processo de venda se dá em meio a muita turbulência no cenário político do país e pode representar uma tendência de recuo na sina entreguista do governo Bolsonaro/Guedes". 

Greves, ações jurídicas e novo cenário político

Para os petroleiros e petroleiras, a resistência da categoria em greves recentes, como as de março (refinarias) e de abril/junho (PBio) deste ano e a histórica greve de 20 dias em fevereiro de 2020, foi fundamental para interromper a venda da Abreu e Lima. Somam-se a isso as lutas jurídicas para barrar as privatizações e a sinalização de mudança no cenário político, fatores que devem "indicar um movimento de reserva do capital privado".

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que desponta como principal ator no processo eleitoral do ano que vem, já havia sinalizado em março, em entrevista coletiva, que “quem estiver comprando coisas da Petrobrás, tá correndo risco porque a gente pode mudar muita coisa”.

"E na medida que são apresentadas novas pesquisas eleitorais em favor do petista, além da queda na popularidade do atual mandatário, isso pode influenciar na decisão do capital em querer avançar sobre a estatal brasileira", afirmou o Sindipetro PE/PB.

"Sem dúvida alguma ,os processos que nós ingressamos na justiça com relação à venda da refinaria da Bahia serviram para alertar a gestão da Petrobras que não tem como mais continuar vendendo ativos da empresa a preço de banana ou na bacia das Almas, como diz o ex-presidente da empresa de Sérgio Gabrielli”, afirmou o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar, em entrevista à revista Forum.

Conforme aponta Bacelar, a Abreu e Lima é uma refinaria grande que pode atingir uma capacidade de processamento de cerca de 230 mil barris de petróleo por dia se o trem 2 entrar em funcionamento. Além disso, a refinaria produz um diesel de alta qualidade – S5, com baixíssimo teor de enxofre -, o que a valoriza ainda mais. “A gestão da empresa fica sem justificativa para vender um ativo desse porte a um preço muito abaixo ou abaixo da sua avaliação financeira”, afirma.

Outro fator que pesou, segundo Bacelar, foi a desvalorização cambial. “A política econômica desequilibrada do Paulo Guedes tem feito com que haja uma desvalorização grande do real perante o dólar, então, isso gera um impacto principalmente para empresas internacionais que tenham interesse em adquirir ativos da Petrobras aqui no Brasil”, apontou.

 

Em nota, o Sindipetro PE/PB comemorou a vitória dos trabalhadores:

"O fracasso da venda da Refinaria Abreu e Lima é uma vitória dos trabalhadores da Petrobrás, do povo pernambucano e da Região Nordeste. Em meio a alta no preço dos combustíveis, a União ter controle na produção e refino do petróleo, além de derivados através do abastecimento de GLP, por meio do Transpetro, no TA Suape, é fundamental para reverter a atual política de preços influenciada pelo Dólar, garantindo preço justo nos combustíveis e gás, além de balizar o desenvolvimento industrial da Região, gerando empregos, tendo como suporte a capacidade de investimentos da Petrobrás".

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.