Em artigo publicado no jornal baiano A Tarde, economistas dos escritórios do Dieese na Bahia e na FUP explicam os prejuízos que o povo nordestino e a economia da região estão tendo com as privatizações no Sistema Petrobrás, principalmente a venda da Rlam

Por Ana Georgina Dias, economista e supervisora técnica do Escritório Regional do DIEESE na Bahia, e Cloviomar Cararine, economista e técnico da Subseção do DIEESE na FUP

A Bahia tem sido ao longo do tempo uma das economias mais dinâmicas do país, sendo inclusive a maior economia da região Nordeste. Segundo o Boletim do PIB Estadual Anual da Superintendência de Estudos Econômicos da Bahia (SEI), em 2018 a Bahia respondia pelo 7º maior Produto Interno Bruto (PIB) entre os estados brasileiros e o 1º PIB do Nordeste, com o correspondente a 4,1% do PIB brasileiro e 28,5% do PIB nordestino.

A economia baiana é relativamente diversificada com forte presença da Agropecuária, da Indústria e, sobretudo, do setor de Serviços. Em 2018, os Serviços tinham participação de 70,8% no total da economia do estado, enquanto o setor Industrial participava com 21,5% e a Agropecuária possuía participação de 7,6% no total da economia baiana.

Até 1950 a economia baiana era predominantemente primário-exportadora. A implantação da Refinaria Landulpho Alves (RLAM) em 1950 é um marco do processo de industrialização do estado. A partir da sua criação na Região Metropolitana de Salvador, foram lançadas as bases de uma nova configuração econômica no estado. Houve a expansão do processo de industrialização com a vinda de indústrias de diversos segmentos como químicas, metalúrgicas e metal-mecânicas.

A própria criação do Polo Petroquímico de Camaçari, na década de 70, é uma consequência direta da criação da RLAM. Vale ressaltar que a expansão das atividades da Petrobras no estado garantiu o crescimento da indústria química baiana, sendo essa expansão motivada pelas necessidades do polo de desenvolvimento do Centro-Sul, uma vez que naquele período o estado era o maior produtor de petróleo do país. Havia também a carência de alguns insumos básicos usados pela indústria de transformação do Centro-Sul do país. Uma outra razão, não menos importante, estava ligada à necessidade de se reduzir os desequilíbrios regionais com investimentos que induzissem o desenvolvimento.

Ainda hoje, a RLAM responde por aproximadamente 20% da arrecadação de ICMS no estado, de acordo com dados da SEI. De acordo com a ANP, a produção da refinaria, que é a segunda maior do país, apresentou uma queda de 20% em 5 anos, passando de 110 milhões de barris em 2014 para 91 milhões de barris em 2020. Em 2014, a RLAM respondia por 12% do PIB do estado, segundo dados da Coordenação de Contas Regionais da SEI e hoje, estima-se em apenas 4,1%.

Em relação a produção de petróleo e gás natural, em agosto de 2011, o estado da Bahia produzia 86,6 mil barris de petróleo e gás natural (boe) por dia, em agosto de 2014 a produção estava em 95,7 mil boe/dia e, em agosto de 2021, o estado produziu apenas 55,4 mil boe/dia . A redução da produção impacta diretamente na arrecadação de participações governamentais (royalties e participações especiais) dos municípios produtores, do estado e dos proprietários de terra onde tem poços em produção. Em 2011, vinha para todo o estado cerca de R$506 milhões em participações governamentais, em 2014 eram R$787,5 milhões e, com a queda da produção, em 2020 está em R$519,5 milhões.

Desde os Plano de Negócios 2015-2019, mas especialmente no plano de Negócios 2017-2021, a Petrobras tem feito forte movimento em direção à venda de seus ativos para se concentrar nas atividades de extração e produção (E&P) de petróleo e gás. Dentro dessa estratégia de atuação, a Petrobras decidiu se concentrar nas atividades em Petróleo e Gás, principalmente em relação aos campos do pré-sal brasileiro. Deste modo, os investimentos fora da região Sudeste passam a não ser mais interessantes para a companhia. É importante lembrar que o primeiro poço de petróleo foi perfurado na Bahia ainda na década de 30. A primeira refinaria também está na Bahia.

Pensando, sobretudo, no aspecto de desenvolvimento regional, há uma forte possibilidade de que com o deslocamento dos investimentos da Petrobras para o Sudeste se acentuem ainda mais as desigualdades regionais, uma vez que a Petrobras tem sido uma das principais indutoras de desenvolvimento econômico e social nas regiões onde possui ativos.

Só na Bahia, de 2016 para cá, já foram vendidos 46 campos terrestres em produção, 4 usinas termelétricas, o Terminal de Regaseificação e mais recentemente a RLAM. Além da venda desses ativos houve, também o arrendamento da Fafen de Camaçari para a Unigel. Além destes, ainda estão em processo de venda outros 29 campos de petróleo e as participações nas ações de empresas petroquímicas com sede no estado, como os 27,88% das ações da Deten Químicas S.A. e 36,15% da Braskem.

A RLAM foi adquirida por um fundo de investimentos do Fundo Soberano dos Emirados Árabes Unidos, o Mubadala. Por se tratar de um fundo de investimento e não de uma empresa tradicional do setor de petróleo e gás, não se sabe ao certo qual será a linha de atuação da empresa. Embora a Petrobras justifique sua opção pela venda dos ativos como uma forma de aumentar os investimentos no setor de petróleo e gás e, consequentemente, a concorrência, a venda pura e simples das empresas não significa que, de fato, haverá investimentos na expansão da capacidade de refino, por exemplo. Pode-se apenas adquirir o ativo sem que se façam investimentos posteriores. Como também não haverá concorrência.

No entanto, existe uma questão que já parece bastante clara, o provável aumento de preços dos derivados de petróleo produzidos na RLAM. Uma vez que, ao contrário da Petrobras, a nova dona da refinaria não detém a produção da matéria-prima para a produção dos derivados: o petróleo. Deste modo, haverá a necessidade de adquirir o petróleo a preços praticados no mercado. Juntamente a isso, toda a estrutura para armazenar e transportar o óleo bruto não está sob a posse da Mubadala, o que também tende a aumentar ainda mais os custos de produção. Com a produção do petróleo, o transporte e o refino na mão de apenas uma empresa, a Petrobras, haveria a possibilidade de preços menores ao consumidor, seja por estratégia concorrencial ou aproveitamento das vantagens em atuar em vários elos da cadeia produtiva. O mesmo não pode acontecer quando estamos tratando de diferentes empresas atuando no lugar da Petrobras.

Não é impossível também a hipótese de importação de petróleo cru pela Mubadala, especialmente levando-se em consideração que o país de origem do fundo é um grande produtor de petróleo, o que pode, em alguma medida, ser mais vantajoso para o negócio. Caso isso aconteça, também haverá redução nos royalties e nas participações especiais recebidas pelo estado e pelo município onde se situa a refinaria e dutos de transporte do petróleo, com prejuízos claros para a sociedade.

Em relação aos empregos, percebe-se também uma redução no número de trabalhadores atuando no setor de petróleo e gás na Bahia. Somente a Petrobras reduziu, entre 2014 e 2020, cerca de 3.200 trabalhadores, passando de 6.700 para 3.500. Em relação aos terceirizados da empresa, a queda foi ainda maior, caindo de 16.800 para 8.200, redução de 8.600 empregos. Assim, somente na Petrobras e suas empresas terceirizadas, em 5 anos, percebe-se uma queda de 11.400 empregos no estado da Bahia.

Informações extraoficiais dão conta de que há interesse por parte da Mubadala em adquirir os terminais da Petrobras e a Braskem, numa tentativa clara de integração do negócio. Este movimento, se de fato ocorrer, parece bastante coerente, uma vez que quanto mais integrada a atividade maiores os retornos.

Contudo, isso deixa ainda mais claro o equívoco da decisão da Petrobras em relação ao desinvestimento e à venda de seus ativos, o que garantia integração, eficiência e maiores retornos para a companhia.

Na verdade, como já foi dito em diversas oportunidades, tanto pelas entidades representativas dos trabalhadores da Petrobras quanto por diversos especialistas no setor, essa decisão de focar apenas na E&P vai no sentido contrário ao que tem sido feito por grandes empresas do setor. Vale aqui destacar a decisão da Saudi Aramco, estatal da Arábia Saudita e maior produtora de petróleo do mundo, em comprar várias refinarias na Índia , bem como o caso da Adnoc, estatal de Abu Dhabi, em investimentos de cerca de US$45 bilhões no setor de refino e distribuição de petróleo .

Deste modo, percebemos que com o plano de desinvestimento e venda de ativos, a Petrobras caminha no sentido contrário do que seria o desejável quando se pensa em estimular o desenvolvimento e o crescimento econômico do país, principalmente o desenvolvimento das regiões tradicionalmente menos dinâmicas.

O estado da Bahia e os baianos têm muito a perder com o desinvestimento da Petrobras no estado. Ainda que, numa hipótese bastante otimista, as empresas que adquiram esses ativos continuem suas atividades no estado, como parece ser o caso do Fundo Mubadala, e que os empregos sejam preservados em sua maioria, a mudança radical de trajetória da Petrobras sinaliza para um freio no processo de desenvolvimento do estado.

Os avanços tecnológicos não serão nossos, os lucros serão privatizados ou revertidos para outros países e não retornarão para a sociedade da mesma forma. O que acontece logo após essa saída é aumento nos preços dos produtos e possibilidade de desabastecimento. Um exemplo bastante contundente é o fato de que a simples mudança da política de preços praticados pela Petrobras, tem causado aumentos constantes sobre o preço dos derivados de petróleo como combustíveis e gás de cozinha. Com a passagem da RLAM para a inciativa privada este efeito pode ser ainda maior, especialmente se não houver concorrência, o que parece ser o caso num primeiro momento.

[Foto: Divulgação/Petrobras]

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Atos na Repar e na SIX fazem parte da agenda nacional de luta contra as privatizações, que vem mobilizando a categoria ao longo dos últimos meses. Objetivo é chamar atenção para a importância da Petrobrás para o desenvolvimento social e econômico do Brasil e denunciar os impactos do desmonte e das terceirizações de atividades-fim

[Imprensa da FUP, com informações do Sindipetro PR e SC]

Com participação do coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar, os petroleiros e petroleiras do Paraná se manifestam nesta quinta e sexta-feira, contra as privatizações em curso no Sistema Petrobrás e o avanço da terceirização irrestrita na empresa. As mobilizações foram convocadas pela FUP e pelo Sindipetro PR e SC, com participação de representantes de movimentos sociais, de outras categorias e da CUT Paraná.

O primeiro ato será realizado nesta quinta-feira, 14, a partir das 07 horas, na Refinarias Presidente Getúlio Vargas (Repar-PR), em Araucária. Na sexta, 15, a manifestação será na Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), em São Mateus do Sul, também no inicio do expediente.

Patrimônio público brasileiro, a Petrobrás é vital para o desenvolvimento nacional e a economia do país, mas o governo Bolsonaro vem desmontando e privatizando a empresa aos pedaços. Com o objetivo de denunciar e barrar a venda das refinarias e dos demais ativos que estão sendo entregues, os petroleiros têm realizado atos pelo país afora, denunciando também a terceirização de atividades essenciais, que avança em várias unidades da estatal.

AS manifestações já foram realizadas na Refap (RS), na Reman (AM), na Refinaria Abreu e Lima (PE), na Replan (SP), na Recap (SP), na Regap (MG), em Mossoró (RN), na Rlam (BA) e na Reduc (RJ). No dia 29 de outubro, está previsto também um ato no COMPERJ, em Itaboraí (RJ). 

O coordenador da FUP chama a atenção para a importância da categoria seguir denunciando a perda da função social da Petrobrás, que gera lucro recorde para os acionistas, às custas das privatizações e de uma política de reajuste dos derivados que impõe preços em dólar e com custos de importação para combustíveis produzidos com petróleo nacional, enquanto a população é obrigada a pagar até R$ 130,00 pelo botijão de gás de cozinha e cerca de R$ 7,00 pelo litro da gasolina. 

Deyvid Bacelar também alerta para o ataques que os trabalhadores vêm efrentando, com a redução dos efetivos aos patamares do início dos anos 2000. "Não satisfeita em garantir lucros altos apenas para os acionistas da companhia e esquecer o papel social da Petrobras, a gestão da empresa continua a reduzir a quantidade de trabalhadores próprios e terceirizados. O resultado é a queda da massa salarial, da renda e também dos empregos, em um país com 15 milhões de desempregados", afirma.

Na convocatória para os atos desta quinta e sexta, o Sindipetro PR e SC alerta que, apesar das refinarias Presidente Getúlio Vargas (Repar-PR), Abreu e Lima (RNEST-PE) e Alberto Pasqualini (Refap-RS) terem o primeiro processo de venda fracassado, elas seguem na lista para privatização.

"Precisamos pressionar governo Bolsonaro para que ele abandone a política de entrega do patrimônio dos brasileiros. Para que assim, façamos a Petrobras voltar a cuidar dos interesses do povo. Incentivando e garantindo o desenvolvimento social e econômico de todas as regiões do Brasil", destaca a nota do sindicato.

ATO NACIONAL CONTRA AS PRIVATIZAÇÕES E TERCEIRIZAÇÃO IRRESTRITA NA PETROBRÁS

14/10 - 07h na Repar - Rodovia do Xisto, Km 16 - Araucária

15/10 – 07h na SIX - PR-364, 128 - São Mateus do Sul

 

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Nesta segunda-feira (04), mais de 100 famílias de mulheres beneficiárias do Programa Bolsa Família no Bairro da Paz, periferia de Salvador, na Bahia, puderam adquirir pela metade do preço o botijão de gás de cozinha. A ação solidária foi realizada pelo Sindipetro Bahia, como parte das mobilizações em defesa de uma nova política de reajuste dos combustíveis para a Petrobrás, que completou 68 anos no domingo, 03/10

[Imprensa da FUP, com informações do Sindipetro BA e da CUT]

O Sindipetro Bahia vem realizando uma série de ações de venda de gás de cozinha a preço justo e audiências públicas em Salvador e também em diversas cidades do interior do estado para comemorar o aniversário de 68 anos da Petrobrás e discutir a atual politica de preços da estatal, que está levando aos sucessivos aumentos nos preços da gasolina, diesel e gás de cozinha.

Na segunda-feira, 04, após o ato nacional contra as privatizações no Sistema Petrobras, que mobilizou petroleiros e outras categorias e movimentos sociais no Trevo da Resistência, o sindicato realizou mais uma ação solidária de venda subsidiada do botijão de gás a R$ 50,00, menos da metade do preço cobrado pelas distribuidoras. A ação teve como foco mulheres que sustentam sozinhas suas famílias e são beneficiárias do Programa Bolsa Família. 

Veja a reportagem da TV Educativa da Bahia: 

A atividade contou com a presença do presidente nacional da CUT, Sergio Nobre participou da ação (confira vídeo no final do texto). “Vim à periferia da capital baiana participar desse atividade muito importe dos petroleiros, uma ação de solidariedade à população que está desempregada, sofrendo com a carestia, com a alta dos preços dos alimentos e do gás de cozinha, que está sendo distribuído aqui a preço justo, R$ 50,00”, explicou.

“Nessa ação, conversamos com a população debatendo e explicando a situação do nosso país, a questão do desemprego, da carestia, a importância da Petrobras e o quanto é importante a luta contra as privatizações e também em defesa dos serviços públicos contra a PEC 32”, afirmou ele.

Sérgio Nobre destacou que “essa ação na periferia é um exemplo a todas as categorias, porque nós temos que ir para os bairros, conversar com a população mais pobre, pois a população na periferia de todos as cidades do país é dramática”. “Neste momento, disse Sérgio Nobre, o papel dos dirigentes e sindicatos da CUT não é só atuar no local de trabalho, mas sim ir para o bairro, a periferia e debater o que está acontecendo no Brasil e chamar o povo para a luta, em especial à luta pelo Fora Bolsonaro”, orientou o presidente nacional da CUT.  

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Em protesto contra a política de reajuste de derivados da Petrobrás, a FUP e seus sindicatos estão realizando esta semana novas ações solidárias da campanha "Combustíveis a Preços Justos". Em Betim (MG), a ação doará 100 botijões de gás nesta quarta

[Da imprensa do Sindipetro MG]

Como parte das mobilizações contra o governo Bolsonaro e em defesa da Petrobrás – que no dia 03 completou 68 anos – o Sindipetro/MG realiza nesta quarta (06) uma ação de solidariedade na comunidade Jardim Teresópolis, em Betim. Serão doados 100 botijões de gás, também como parte da campanha nacional dos petroleiros “Combustíveis a preços justos”. 

Para Kenedy Alessandro Henrique de Souza, da Associação Amigos do Terê e região e do G10 Favelas, a doação será muito importante para ajudar as famílias em situação de vulnerabilidade social, especialmente neste momento de crise, desemprego e altos preços. “Com a pandemia, então, está tudo muito difícil. Criamos, há cerca de um ano e meio, a ideia dos presidentes de rua, em que cada presidente acompanha por volta de 50 famílias de sua rua. Não enxergamos no Bolsonaro essa liderança e estamos fazendo do nosso jeito”, conta ele.  Os presidentes de rua vão ajudar na logística da distribuição na quarta-feira.

A Associação é parceira no Sindipetro/MG nesta iniciativa. Para o diretor Felipe Pinheiro, o atual momento do país – com as crises sanitária, econômica, política e social – aumentou a necessidade da solidariedade de classe. Ele lembra ações como o Petroleiros pela Vida e reforça que elas estão diretamente ligadas com a defesa da Petrobrás. 

“O projeto que hoje controla a Petrobrás, sob gestão do Bolsonaro, coloca a empresa a serviço dos acionistas privados e estrangeiros, e não do povo brasileiro. Isso significou a crueldade de a Petrobrás aumentar o preço dos combustíveis, causando consequências para a inflação e piora das condições de vida, com o aumento da gasolina, do diesel e do gás”, destaca. 

“É um momento de a gente se ajudar, como classe trabalhadora, e também fazer o diálogo com a sociedade, deixar claro que o gás está caro por uma decisão do governo, que tem tudo a ver com a tentativa de privatização da Petrobrás. A atual política de preços é uma forma de tornar as refinarias mais atraentes para serem privatizadas. Precisamos nos unir como sociedade para impedir mais esse retrocesso”, completa.

 

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Presidente da CUT e lideranças dos petroleiros protestam em refinaria baiana e no país para marcar os 68 anos da estatal e a luta contra a privatização da principal empresa nacional

[Da redação da CUT | Foto: Wendell Fernandes]

“A Petrobras é vital para o Brasil, é um crime privatizá-la”. Com essa certeza, o presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, participou, na manhã desta segunda-feira (4), em São Francisco do Conde, na Bahia, do ato nacional organizado pelos petroleiros e petroleiras para marcar os 68 anos de criação da Petrobras e a luta contra o processo de privatização da empresa, a principal indutora de crescimento do país. O ato também defendeu preços justos para os combustíveis e derivados, como gás de cozinha. 

“Privatizar a Petrobras é um crime contra o Brasil, contra todos os brasileiros. São 68 anos de muita luta da classe trabalhadora, dos petroleiros e petroleiras, e de muito sacrifício do povo para fazer da Petrobras uma das maiores empresas públicas do mundo e o principal indutor de crescimento do país”, afirmou o presidente nacional da CUT aos manifestantes, concentrados no Trevo da Resistência, que dá acesso à Refinaria Landulpho Alves (RLAM), em São Francisco do Conde, município a 81 quilômetros de Salvador.


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Hoje, prosseguiu Sérgio Nobre, “Bolsonaro ameaça com a privatização da empresa, porque quer entregá-la aos interesses internacionais. Por isso e por todos os crimes cometidos pelo presidente, entre eles o genocídio de quase 600 mil brasileiros vítimas da Covid19, temos de barrar o governo Bolsonaro, e essa luta exige unidade, pressão sobre o Congresso Nacional e muita ação nas ruas”, convocou o presidente da CUT.

Ao final do ato na Refinaria Landulpho Alves, botijões de gás de cozinha a R$ 50,00, valor justo, foram levados à população do Bairro da Paz, em Salvador. Sergio Nobre participou da ação. Confira vídeo no final do texto. 

“Vim à periferia da capital baiana participar desse atividade muito importe dos petroleiros, uma ação de solidariedade à população que está desempregada, sofrendo com a carestia, com a alta dos preços dos alimentos e do gás de cozinha, que está sendo distribuído aqui a preço justo, R$ 50,00”, disse o presidente nacional da CUT

O papel dos dirigentes e sindicatos da CUT não é só atuar no local de trabalho, é ir para o bairro, a periferia e debater o que está acontecendo no Brasil e chamar o povo para a luta, em especial pelo Fora Bolsonaro.
- Sérgio Nobre

 “Nessa ação, conversamos com a população debatendo e explicando a situação do nosso país, a questão do desemprego, da carestia, a importância da Petrobras e o quanto é importante a luta contra as privatizações e também em defesa dos serviços públicos contra a PEC 32”, afirmou ele.

Sérgio Nobre destacou que “essa ação na periferia é um exemplo a todas as categorias, porque nós temos que ir para os bairros, conversar com a população mais pobre, pois a população na periferia de todos as cidades do país é dramática”. “Neste momento, disse Sérgio Nobre, o papel dos dirigentes e sindicatos da CUT não é só atuar no local de trabalho, mas sim ir para o bairro, a periferia e debater o que está acontecendo no Brasil e chamar o povo para a luta, em especial à luta pelo Fora Bolsonaro”, orientou o presidente nacional da CUT. 

Nesta terça-feira (5), às 9h, Sérgio Nobre e dirigentes nacionais e regionais dos petroleiros e da CUT Bahia concederão entrevista coletiva à mídia baiana, na sede da CUT Bahia. Na pauta: luta contra a privatização das empresas públicas; as consequência e efeitos de uma saída da Petrobrás da Bahia; o impacto da pandemia sobre o emprego e renda da classe trabalhadora; Brigadas Digitais (projeto da CUT de ocupação das redes sociais pela base cutista e contra as fake news) colocar matéria ou link do site das brigadas

Histórico

O ato nacional em defesa da Petrobras foi realizado no Trevo da Resistência, via que da acesso à Refinaria Landulpho Alves, no município de São Francisco do Conde. O local é simbólico e histórico por ter sido palco de greves e de grandes mobilizações da categoria, por isso recebeu essa alcunha de resistência.

A Landulpho Alves é retrato da nefasta política de desmonte e fatiamento adotada pela Petrobras para privatizar a empresa em pedaços e por valores muito abaixo do mercado. Essa refinaria está sendo negociada com o Fundo Árabe Mubadala por US$ 1,6 bilhão, mas seu real valor real (apontado incialmente pela própria Petrobras) é de US$ 3 bilhões, segundo a FUP (Federação Única dos Petroleiros).

A Petrobras completou 68 anos neste domingo, 3 de outubro.

Coodenador da FUP

O coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, que puxou o ato desta segunda-feira, denuncia “a perda da função social da Petrobras, que gera lucro recorde para os acionistas, às custas das privatizações e de uma política de reajuste dos derivados que impõe preços em dólar. 

“Este ato demonstra nossa indignação e luta contra esse processo de privatização da Petrobras que está sendo acelerado pelo presidente Bolsonaro. Continuaremos lutando e resistindo para manter a empresa como patrimônio público do povo brasileiro e sob o comando da União”, disse Deyvid aos manifestantes. 


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E complementou: “no ano que vem, em outubro de 2022, temos de eleger de novo Lula como nosso presidente da República, para a gente ter a nossa soberania nacional garantida”.

Preço injusto

De janeiro de 2019 até hoje, o preço da gasolina aumentou 80% nas refinarias. Apenas neste ano, a alta é de 45,7%. Já o gás de cozinha teve o preço ajustado nas refinarias em 87%, no governo Bolsonaro, até agora; ou 75,3% desde o início da pandemia. No ano, o aumento é de 38,1%, segundo estudo do Dieese elaborado para FUP. 

Segundo a Federação, a gestão da Petrobras pune a sociedade diretamente em seu bolso, com a manutenção da política de Preço de Paridade de Importação para os combustíveis. Os constantes aumentos não param de pressionar a inflação, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de 1,14% foi o maior desde a criação do Plano Real, em 1994, e fez a inflação chegar a 10,05% em 12 meses, quase o dobro da meta do governo. 

Isso leva, segundo Deyvid, “a perda da função social da Petrobras, que gera lucro recorde para os acionistas, às custas das privatizações e de uma política de reajuste dos derivados que obriga a população a pagar mais de R$ 100,00 pelo botijão de gás de cozinha e quase R$ 7,00 pelo litro da gasolina”.

Povo paga a conta 

A FUP denuncia que a Petrobras adotou um processo de venda nada transparente, contestada não somente pela Federação, mas pelo também Congresso Nacional. A Casa já questionou a venda da refinaria baiana por meio de ações no Supremo Tribunal Federal.

Na semana passada, o diesel teve um aumento de 8,9% nas refinarias. Só neste ano, o produto acumula alta de 50,9% nas refinarias, um valor mais de sete vezes superior à inflação do período (7,02%), medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preço ao Consumidor).

De janeiro de 2019 até hoje, o preço da gasolina aumentou 80% nas refinarias. Apenas neste ano, a alta é de 45,7%. Já o gás de cozinha teve o preço ajustado nas refinarias em 87%, no governo Bolsonaro, até agora; ou 75,3% desde o início da pandemia. No ano, o aumento é de 38,1%. As estatísticas foram elaboradas pelo DIEESE/FUP.

Para o Coordenador do Sindipetro Bahia, Jairo Batista, “o povo brasileiro está pagando o lucro dos acionistas da petrolífera brasileira, à base de muito sofrimento e, por isso, nos 68 anos da Petrobras, não poderíamos deixar de denunciar e protestar contra a política de preços adotada pela atual gestão da estatal, que vem tirando a empresa do seu caminho natural, do seu objetivo que é o de priorizar a responsabilidade social”.

Maria Madalena Firmo, a Leninha, presidenta da CUT Bahia, presente ao ato desta segunda-feira(4), também convocou trabalhadores e trabalhadoras à luta contra a privatização da Petrobras e das demais empresas públicas e estatais que estão sob a mira do governo Bolsonaro. 

Na semana passada, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o “plano do governo para um horizonte de dez anos contempla privatizar as estatais de maneira irrestrita, incluindo a Petrobras e o Banco do Brasil”. Isso antes de vir à tona a denúncia de que o ministro tem milhões de dólares guardados em paraísos fiscais. 

Confira vídeo:  

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Após os atos por 'Fora Bolsonaro', realizados no sábado, 02, a luta em defesa da Petrobrás e por preços justos para os combustíveis foi a tônica do ato nacional que a FUP e os sindicatos realizaramm nesta segunda, 04, na Bahia, onde tudo começou

[Da imprensa Sindipetro Bahia | Fotos: Wendell Fernandes]

O ato nacional em comemoração aos 68 anos da Petrobrás e em protesto contra o desmonte e privatização da estatal reuniu aproximadamente mil pessoas na manhã desta segunda-feira (4), próximo ao Trevo da Resistência, local que dá acesso à Refinaria Landulpho Alves, localizada no município de São Francisco do Conde, na Bahia. 

Com grande participação dos trabalhadores próprios e terceirizados da Petrobrás, o ato, que começou às 7h, durou cerca de três horas e reuniu representantes de diversas categorias, sindicatos, centrais sindicais e parlamentares. 

O presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, falou sobre a importância da Petrobrás para a geração de empregos e fortalecimento da economia nacional, enfatizando que a estatal “é vital para o Brasil e que é um crime privatizá-la”. Ele também falou sobre a luta da CUT contra as privatizações das empresas públicas. Nobre fez ainda  severas críticas ao governo Bolsonaro, destacando e lamentando as  quase 600 mil vidas perdidas no Brasil para o Coronavírus, a inflação galopante e a política econômica do governo federal que trouxe de volta ao país a fome e a miséria. 


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A presidenta da CUT Bahia, Maria Madalena Firmo (Leninha) falou da necessidade de intensificar a luta contra a privatização das estatais, convocando os trabalhadores e trabalhadoras a fazerem parte desta batalha. 

A deputada Federal, Lídice da Mata (PSB-BA) falou sobre as eleições de 2022, da urgência de um novo projeto social e econômico para o país e da necessidade de eleger deputados alinhados com a classe trabalhadora. 

A superintendente de Assuntos Parlamentares da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), Ivoneide Caetano, afirmou que “para manter a Petrobrás viva é preciso derrotar Bolsonaro e eleger Lula em 2022”.  

O Coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP),  Deyvid Bacelar lembrou a história de luta da categoria petroleira, da Federação e seus sindicatos  contra a privatização da estatal, ressaltando que a Petrobrás nasceu na Bahia e também está sendo destruída pelo governo Bolsonaro a partir da Bahia, onde várias unidades foram vendidas e colocadas à venda, como é o caso da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), que está sendo comercializada por metade do preço do  seu valor de mercado.   

 “Enquanto isto, o povo brasileiro paga a conta da privatização a todo custo como vem tentando fazer o governo Bolsonaro”, afirma Bacelar se referindo, entre outras coisas, à Política de Paridade de Importação, adotada pela atual gestão da Petrobrás para facilitar a privatização das suas refinarias e que vem provocando os sucessivos reajustes dos preços dos combustíveis e gás de cozinha.    


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 O Coordenador do Sindipetro Bahia, Jairo Batista, também destacou “a equivocada política de preços da Petrobrás que está enriquecendo os acionistas e empobrecendo o povo brasileiro ao produzir os derivados de petróleo em real e vender ao consumidor pelo valor do dólar”.  Batista garantiu que “o Sindipetro Bahia e a categoria petroleira não vão parar de denunciar e promover ações de vendas a preços justos do gás de cozinha e gasolina até que a estatal mude sua política de preços e volte a cumprir o seu papel social”.

 Além da diretoria do Sindipetro Bahia, participaram do ato, representantes do Sindipetro Litoral Paulista, do Sindipetro Paraná/Santa Catarina, Sindipetro Minas Gerais e Sindipetro Unificado de São Paulo. Estavam presentes também  o Secretário Geral da FNP (Federação Nacional dos Petroleiros) Adaedson Costa, a vice-prefeita de Candeias, Lindinalva Freitas, servidores públicos de São Francisco do Conde e representantes dos eletricitários, da AEPET, Sindvigilantes, Sitticcan, Movimento Popular da Juventude do PT, CTB,  Sindae,  APUB e Abraspet.

 As falas dos presentes se voltaram para pontos em comuns, passando pela manutenção da Petrobrás como empresa pública e integrada, pela defesa de outras empresas públicas de grande importância para o país como a Eletrobras e os Correios e pela urgência de derrotar o governo Bolsonaro, seja através do impeachment ou das urnas, para que “o Brasil volte a ser um país para todos, com desenvolvimento, soberania e justiça social”.

 

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Em artigo publicado na revista  Carta Capital, o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar, fala sobre o trágico cenário que marca os 68 anos da Petrobrás neste domingo, 03 de outubro, com diversas ativos privatizados e vários outros para serem vendidos, entre eles, refinarias e terminais. Ele chama a atenção para a perda da função social da empresa, que gera lucro recorde para os acionistas, às custas das privatizações e de uma política de reajuste dos derivados que impõe preços em dólar e com custos de importação para combustíveis produzidos com petróleo nacional, enquanto a população é obrigada a pagar mais de R$ 100,00 pelo botijão de gás de cozinha e quase R$ 7,00 pelo litro da gasolina. 

No artigo, Bacelar também alerta para o ataques aos trabalhadores da Petrobrás, com a redução dos efetivos aos patamares do início dos anos 2000. "Não satisfeita em garantir lucros altos apenas para os acionistas da companhia e esquecer o papel social da Petrobras, a gestão da empresa continua a reduzir a quantidade de trabalhadores próprios e terceirizados. O resultado é a queda da massa salarial, da renda e também dos empregos, em um país com 15 milhões de desempregados", afirma. Leia a íntegra:

Petrobras completa 68 anos sob o mais perigoso desmonte de sua história

Por Deyvid Bacelar, coordenador geral da FUP

A Petrobras completa 68 anos neste 3 de outubro. Certamente, muitos acionistas da empresa, sobretudo os privados e os estrangeiros, terão motivos para comemorar. A gestão da companhia anunciou a distribuição de perto de 41 bilhões de reais em dividendos neste ano.

Contudo, esse ganho para poucos reflete imensas perdas. A começar pela própria Petrobras, que, sob falácias de “aumento da concorrência” e “queda dos preços”, tem vendido ativos importantes, em áreas estratégicas. A maior empresa estatal do Brasil, histórica impulsionadora do desenvolvimento econômico e social nacional e regional, tem se tornado uma mera produtora e exportadora de petróleo bruto, concentrada nas regiões Sudeste e Sul, deixando as outras áreas do País entregues à sorte.


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A compra e venda de ativos faz parte da estratégia de qualquer empresa, e não é diferente com a Petrobras. Entretanto, surpreende a atual velocidade desse processo. Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, com base em números divulgados pela petroleira, mostra que a média mensal de teasers de vendas no governo Bolsonaro, de janeiro de 2019 a agosto de 2021 (dois anos e sete meses), foi de 2,1. No período de junho de 2016 a dezembro de 2018 (dois anos e seis meses), essa média foi de 1,4. E entre janeiro de 2013 e maio de 2016 (três anos e meio), a média de teasers foi de 0,4 por mês.

Também chama atenção a qualidade dos ativos vendidos, que farão falta nos médio e longo prazos para a própria sustentabilidade da companhia. Com a privatização de refinarias, gasodutos de transporte, distribuidoras de gás natural, de GLP e de combustíveis, a Petrobras deixa de ser uma empresa integrada e perde capacidade econômico-financeira de resistir a sobressaltos do volátil mercado global de petróleo e gás natural.

Tais vendas são feitas “a preço de banana”. Cálculos do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, e também de instituições financeiras como o BTG Pactual e a XP Investimentos, mostram que a Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia, vendida por 1,65 bilhão de dólares, valeria entre 3 bilhões e 4 bilhões. A Isaac Sabá, no Amazonas, foi vendida por 189,5 milhões de dólares, 70% do seu valor de mercado, de acordo com o Ineep.

Além disso, a companhia torna-se cada vez mais “suja”, ao se desfazer de projetos eólicos e da Petrobras Biocombustível, produtora de biodiesel. A venda desses projetos e o corte de investimentos em fontes renováveis é ainda mais inexplicável por ir na contramão de todas as grandes petroleiras mundiais. Cientes de que a transição energética é um caminho sem volta, petrolíferas como Shell, BP, Repsol e Exxon ampliam investimentos em energia limpa, não apenas por uma exigência da sociedade e uma necessidade do planeta, mas para garantir sua sobrevivência no futuro.

Nem sequer a gestão da Petrobras pode dizer que tem direcionado tais recursos para áreas mais “rentáveis”. No ano passado, a companhia investiu 8 bilhões de dólares, um volume similar ao realizado em 2004, de 7 bilhões, e um sexto do realizado em 2013, de 48 bilhões. Para o período de 2021 a 2025, o investimento previsto é de 11 bilhões de dólares anuais, bem menor, portanto, do registrado há oito anos.

Além dessa entrega de um patrimônio que é da população brasileira, a gestão da Petrobras pune a sociedade diretamente em seu bolso, com a manutenção da política de Preço de Paridade de Importação para os combustíveis. Os constantes aumentos não param de pressionar a inflação – o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, de 1,14%, foi o maior desde a criação do Plano Real, em 1994, e fez a inflação chegar a 10,05% em 12 meses, quase o dobro da meta do governo. Até mesmo o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, criticou a velocidade dos reajustes promovidos pela estatal.

Enquanto se desfaz de ativos estratégicos, a empresa distribui 41 bilhões de reais em dividendos

Essa política cruel de preços dos combustíveis ignora a grave crise econômica e social brasileira. Mas, não satisfeita em garantir lucros altos apenas para os acionistas da companhia e esquecer o papel social da estatal, a gestão da Petrobras continua a reduzir a quantidade de trabalhadores próprios e terceirizados. O resultado é a queda da massa salarial, da renda e também dos empregos, em um país com 15 milhões de desempregados.

No fim do ano passado, a Petrobras registrava um total de 49.050 trabalhadores próprios. O número é bem próximo aos 48,8 mil de 2003 e quase a metade (queda de 43%) dos 86,1 mil empregados em 2013. Entre os terceirizados, o drama é ainda maior. A diminuição na quantidade desses trabalhadores foi de 74% entre 2013 e 2020. Para piorar: é crescente os casos de terceirizados que tomam calote dos contratantes. Em boa parte desses casos, a gestão da Petrobras lava as mãos e finge que não tem a menor responsabilidade sobre essa violência.

Assim, vemos a Petrobrás chegar aos 68 anos menor, investindo menos, deixando de lado as fontes renováveis, maltratando brasileiros e brasileiras com desemprego e gasolina, gás de cozinha e óleo diesel cada vez mais caros e fazendo com que alimentos e outros produtos subam de preço. Enquanto os acionistas celebram os dividendos, a população brasileira sofre. A festa de aniversário da maior estatal brasileira é motivo de alegria para poucos.

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A comemoração pelos 68 anos da Petrobrás será com atos e protestos nas ruas, nas redes e nos locais de trabalho, contra os preços abusivos dos combustíveis, as privatizações e os ataques aos direitos dos trabalhadores

[Da imprensa da FUP]

O aniversário de 68 anos da Petrobrás será comemorado com protestos contra as privatizações e ações solidárias da campanha “Combustíveis a preço justo”, que venderá pela metade do preço o botijão de gás de cozinha em diversas regiões do país. A data de criação da empresa, 03 de outubro, será lembrada nos atos Fora Bolsonaro, no sábado, que contará, mais uma vez, com a participação da FUP e dos seus sindicatos.

Os petroleiros levarão para as ruas das principais capitais um botijão gigante inflável, em protesto pelo preço abusivo do gás de cozinha imposto pela política de Preço de Paridade de Importação (PPI), implantada pela gestão da Petrobrás, após o golpe de 2016, que resultou no impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff. Desde então, o preço do GLP nas refinarias já aumentou 261,9%, o que fez o botijão de 13 kg ultrapassar os R$ 100,00 nas revendedoras.

O aumento abusivo e desenfreado dos combustíveis virou um pesadelo para a população brasileira e tem sido a principal causa da disparada da inflação, que já está em 7,02% desde janeiro e em 10,05% no acumulado dos últimos 12 meses, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de setembro, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “O desmonte da Petrobrás, com a subutilização e privatização das refinarias, tem o propósito de aumentar o lucro dos acionistas privados, que se beneficiam com o dólar alto e a exportação de óleo cru, enquanto o povo é obrigado a pagar preços de importação para combustíveis que são produzidos no Brasil”, alerta o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar.

Enquanto tentam enganar a população, se isentando da responsabilidade pela disparada dos preços dos combustíveis, o governo Bolsonaro e o general reformado que ele colocou no comando da Petrobrás, Joaquim Silva e Luna, autorizaram esta semana mais um reajuste no preço do óleo diesel, que subiu 8,9% nas refinarias, acumulando alta de 60,1% desde o início da pandemia.

Sob o comando do governo Bolsonaro, a Petrobrás reajustou em 87% o gás de cozinha nas refinarias, aumentou a gasolina em 80% e o diesel, em 66,1%. As privatizações foram intensificadas, com venda de subsidiárias, refinarias e diversos ativos de produção, no maior desmonte da história da empresa, com impactos diretos na desindustrialização do país e no desemprego. No ambiente de trabalho, os petroleiros ainda enfrentam uma série de ataques por parte de uma gestão autoritária, que nega-se a dialogar com os sindicatos, reproduzindo na empresa o modus operandi do presidente da República, ao violar direitos, descumprir acordos e expor a categoria e as comunidades a riscos constantes de acidentes.

“É importante que os petroleiros e petroleiras participem em peso das manifestações do dia 02, dialogando com a população nas ruas e nas redes sobre a importância da Petrobrás enquanto empresa estatal forte, para garantir o abastecimento nacional, com preços justos e desenvolvimento econômico e social nos estados em que atua”, reforça Deyvid Bacelar.

Ato na Bahia, no Trevo da Resistência

Além dos atos deste sábado, 02, por Fora Bolsonaro, a luta em defesa da Petrobrás e por preços justos para os combustíveis será a tônica do ato nacional que a FUP e os sindicatos realizam na segunda, 04, na Bahia, em continuidade à agenda nacional de protestos contra as privatizações, que marca os 68 anos da empresa. Foi na Bahia que o petróleo foi descoberto, possibilitando a criação da Petrobrás.

O ato vai acontecer às 7h, no Trevo da Resistência, um lugar que diz muito sobre a história dos petroleiros e da Petrobrás. O local, situado na BA 523, via de acesso à Refinaria Landulpho Alves (RLAM), no município de São Francisco do Conde, na Bahia, foi palco de greves e de grandes mobilizações da categoria, por isso ganhou esse nome. 

Mobilizações pelos 68 anos da Petrobrás

02 de outubro – atos Fora Bolsonaro

03 de outubro – ações nas redes sociais

04 de outubro - ato nacional na Bahia

04 a 09 de outubro – ações da campanha “Combustíveis a preços justos”

Atos nas bases contra as privatizações

Já foram realizadas mobilizações na Refap (RS), na Reman (AM), na Abreu e Lima (PE), na Replan (SP), na Recap (SP) e na Regap (MG). As mobilizações prosseguem ao longo de outubro. Confira a agenda:

01/10 - Mossoró (RN)

04/10 – RLAM (BA)

05/10 – Reduc (RJ)

14/10 – Repar (PR)

15/10  - SIX (PR)

29/10 - COMPERJ (RJ)

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Na manhã desta sexta-feira (24), a categoria petroleira da Refinaria Gabriel Passos (Regap) esteve mobilizada em ato contra a privatização e o avanço da terceirização no Sistema Petrobrás. O ato marca a passagem por Minas Gerais da Caravana Contra a Terceirização, uma iniciativa de sindicatos da FUP e da FNP.

A mobilização demonstra a disposição da categoria petroleira em lutar pelos seus direitos. Além de lembrar que a categoria petroleira é uma só e que a nossa vitória passa pela reconstrução da unidade!

Terceirização na Regap
Na Regap está em curso a terceirização de atividades operacionais em alguns setores, como Coque, Utilidades e Transferência e Estocagem. Também no Laboratório e no SMS há um processo já avançado.

 
[Da imprensa do Sindipetro MG]
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Só no governo Bolsonaro, o gás de cozinha subiu 73% nas refinarias da Petrobrás, a gasolina aumentou 57% e o diesel, 45%. Preços foram reajustados com valores muito acima da inflação e até mesmo da variação do petróleo no mercado internacional, apesar da produção nacional ter crescido e os custos de extração e refino, caído

[Da imprensa da FUP | Foto: Sindipetro/BA] 

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), uma prévia da inflação oficial, subiu 1,14% em setembro, a maior variação desde fevereiro de 2016 (quando atingiu 1,42%), alcançando 7,02%, somente em 2021, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta sexta-feira (24). O IPCA-15 deste mês é também o maior já registrado em setembro, desde 1994, e, no acumulado dos últimos 12 meses, registra alta de 10,05%, empurrando o Brasil para a inflação de dois dígitos.

Novamente, o aumento dos combustíveis foi o que mais pressionou a alta da inflação do mês, seguido do preço dos alimentos. Segundo o IBGE, o gasto geral com transportes em setembro aumentou 2,22%, e os custos com alimentação, 1,27%, ambos influenciados pela alta dos combustíveis.

A gasolina foi o combustível que mais subiu entre agosto e setembro (2,85%) e acumula alta de 33,37% no ano e de 39,05% nos últimos 12 meses. Levantamento feito pela subseção FUP do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/FUP) mostra que o gás de cozinha, ítem essencial da cesta básica das famílias brasileiras, subiu 2,32% em setembro, acumulando em 2021 alta de 26,83% e um aumento de 32,93% nos últimos 12 meses. Já o óleo diesel subiu 30,03% desde janeiro, o que equivale a uma alta de 34,55% desde setembro de 2020.  

A disparada dos preços dos combustíveis impacta diretamente no custo de vida da população, fazendo aumentar, em efeito cascata, o preço dos alimentos e dos transportes, como vem apontando o IBGE, ao divulgar os índices de inflação. 

“A inflação voltou com força total no país, atingindo a todos, sobretudo os mais pobres. É mais uma prova do fracasso deste governo e do equívoco da política de preço de paridade de importação, adotada pela gestão da Petrobrás, para reajuste dos combustíveis, Enquanto essa política não mudar, a inflação continuará a disparar, deteriorando ainda mais o poder de compra dos trabalhadores”, alerta o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar.

Tá caro? A culpa é de Bolsonaro

Só no governo de Jair Bolsonaro, o gás de cozinha subiu 73% nas refinarias da Petrobrás, a gasolina aumentou 57% e o diesel, 45%. Desde que ele assumiu a presidência do Brasil, em janeiro de 2019, a inflação acumula 15% (IPCA) e o preço do barril de petróleo subiu 31%. Ou seja, os combustíveis foram reajustados com valores muito acima da inflação e até mesmo da variação do petróleo no mercado internacional. 

Esse disparate, que impacta diretamente no custo de vida das famílias brasileiras, é resultado do Preço de Paridade de Importação (PPI) que foi implementado pela direção da Petrobrás, em outubro de 2016, logo após o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff. Desde então, os derivados produzidos nas refinarias brasileiras, com petróleo nacional, aumentam toda vez que o preço do barril sobe no exterior e também sofrem a influência da cotação do dólar e dos custos de importação, mesmo o Brasil sendo autossuficiente na produção de petróleo.

No dia 17 de abril de 2016, quando os deputados federais aprovaram o pedido de impeachment, o preço médio da gasolina nos postos de combustíveis era de R$ 3,716, o litro. O diesel custava R$ 3,023 e o preço médio do botijão de gás de 13 kg era de R$ 53,637, segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP). Se esses valores forem corrigidos pela inflação acumulada ao longo destes cinco anos e cinco meses (27,44% até setembro de 2021, segundo o IPCA), os preços hoje deveriam ser: R$ 4,73, litro da gasolina; R$3,85, o litro do óleo diesel e R$ 68,35, o gás de cozinha.

Produção nacional de petróleo aumentou e custos de extração e refino, caíram

Segundo o Dieese/FUP, entre abril de 2016 e setembro de 2021, a produção nacional de petróleo cresceu 33% e o custo de extração pela Petrobrás caiu 39,3%, devido, principalmente, às tecnologias desenvolvidas pela empresa e à produtividade do pré-sal. Também neste período, houve queda de 28,2% dos custos de refino. A gestão da Petrobrás, no entanto, reduziu, deliberadamente, a utilização das refinarias, que hoje operam com uma capacidade de produção abaixo de 75%, aumentou as exportações de petróleo bruto e colocou à venda metade do parque de refino da estatal, privatizando também a BR Distribuidora, a Liquigás e praticamente todo o setor de logística, responsável pelo escoamento e distribuição de petróleo, gás e derivados. 

"Tínhamos e ainda temos, todas as condições de garantir o abastecimento nacional, com preços de combustíveis justos para a população, que levem em conta os custos nacionais de produção e de refino. Temer e Bolsonaro, no entanto, dilapidaram a maior empresa nacional e impuseram uma política de reajustes dos combustíveis que beneficia única e exclusivamente os acionistas privados, que detêm 63,25% do capital total da empresa, dos quais 42,18% são estrangeiros. O lucro recorde de R$ 42,8 bilhões no segundo trimestre de 2021 foi essencialmente construído às custas das privatizações e dos preços abusivos dos combustíveis", explica o coordenador da FUP, ressaltando que R$ 31,6 bilhões de dividendos pagos aos acionistas, somente R$ 11,6 bilhões (36,8%) ficarão com o Estado brasileiro. Os acionistas privados embolsaram mais de R$ 20 bilhões do lucro da Petrobrás, sendo que cerca de R$ 13 bilhões foram enviados para fora do país, aos investidores estrangeiros.

Ele lembra que nos dois governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o preço do barril do petróleo sofreu uma variação de 223%, mas a gasolina aumentou apenas 18%, o diesel, 30% e o gás de cozinha teve o preço congelado entre 2003 e 2014, através de uma política de subsídio. "É preciso que a Petrobrás volte a ser gerida como uma empresa estatal, a serviço do povo brasileiro, cumprindo o seu papel de abastecer o país, garantir a soberania e o desenvolvimento nacional, como aconteceu entre 2003 e 2014. Mudar os rumos da Petrobrás é uma decisão de Estado, que compete ao governo federal", afirma Deyvid, lembrando que o poder de decisão é do governo federal, pois o Estado brasileiro ainda é o acionista majoritário da Petrobrás, com 50,5% das ações com direito a voto no Conselho de Administração da empresa.

 

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.