O Sindipetro-NF recebeu denúncia de dois casos  de contaminação a bordo das plataformas de P-40 e em P-53, que reforçam a necessidade de testagem a bordo durante o tempo que o trabalhador está embarcado.

Em P-40, um trabalhador passou mal a bordo, desmaiou e bateu com a cabeça na pia, por conta desse acidente foi procurar a enfermaria da unidade e acabou desembarcando em voo normal. Ao chegar em terra, foi atendido no hospital e depois liberado para o hotel, onde aguardou contato do setor médico da Petrobrás. Através de uma consulta on line, o médico da Petrobrás desconfiou do quadro do paciente e indicou testagem de Covid, que deu positivo.

O fato preocupa porque esse trabalhador ficou no camarote a bordo com mais duas pessoas. Depois do seu desembarque, o camarote foi ocupado novamente, por mais três pessoas. E ninguém foi comunicado que o colega testou positivo para Covid-19. O Sindipetro-NF já questionou a Petrobras sobre a higienização do camarote e a testagem dessas pessoas, mas não obteve resposta.

Já em P-53,  um trabalhador que estava há mais de uma semana a bordo da plataforma, teve que desembarcar na terça feira, 18, por conta do falecimento da irmã. Hoje, 21 decidiu fazer o teste de Covid por conta própria e deu positivo para Covid-19.

“Essas situações comprovam que se os testes tivessem sido realizados a bordo, a empresa poderia ter evitado a contaminação. Também demonstram que os trabalhadores de P-40 que desembarcaram quando completaram sua jornada de 14 dias, agiram corretamente, porque hoje poderiam estar contaminados” – explica o diretor do Departamento de Saúde, Alexandre Vieira.

O Sindipetro-NF reforça que durante a Greve pela Vida fica mais importante ainda a necessidade da categoria informar ao sindicato o que acontece a bordo, para que mais vidas sejam preservadas.

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

O Sindipetro/MG cobrou melhorias na prevenção à Covid-19 em reunião da CIPA da Usina Termelétrica de Ibirité (UTE Ibirité) na última sexta-feira (14), após a confirmação de infecção pela doença por três trabalhadores da Usina em apenas uma semana.

Os trabalhadores apresentaram sintomas na última semana e tiveram a infecção por Covid-19 confirmada, em um contexto de aumento dos indicadores na região metropolitana de Belo Horizonte, e do aumento no número de mortes na Regap nos últimos dois meses, totalizando oito trabalhadores mortos em decorrência do coronavírus.

O diretor do Sindicato, Felipe Pinheiro, levou algumas demandas de melhorias na prevenção ao coronavírus diante de uma situação de alerta para a categoria, como:

  • Instalação de barreiras físicas em mesas de alimentação em copas e refeitórios;
  • Revisão do contingente presencial da Usina, especialmente quanto aos trabalhadores que podem realizar suas atividades em home office;
  • Disponibilização de máscaras PFF2 para a força de trabalho.

O Sindicato também comentou sobre a preocupação e a necessidade de se reforçar os cuidados e medidas em áreas em que eventualmente são compartilhadas por pessoas sem máscaras, como banheiros, vestiários e refeitórios/copas.

“É ainda um momento muito complicado da pandemia. Três contaminados em uma semana, com sintomas e necessidade de uso de medicação, é um sinal alarmante para uma unidade pequena. A gestão da Petrobrás precisa agir o quanto antes para garantir um espaço seguro para o trabalho presencial”, afirmou o diretor do Sindipetro/MG, Felipe Pinheiro.

A presidência da CIPA da UTE Ibirité se comprometeu a levar as demandas do Sindicato para avaliação de sua aplicação pela gerência da unidade.

[Da imprensa do Sindipetro-MG]

Como mais uma atividade da Greve pela Vida iniciada no dia 4 de maio no Norte Fluminense, o Sindipetro-NF realiza durante o dia de hoje, 20 de maio, a testagem dos trabalhadores que embarcam e desembarcam pelo Farol de São Tomé. Serão disponibilizados 200 testes tipo antígeno e o resultado sairá praticamente na hora.

Para realização dos testes o Sindipetro fechou uma parceria com um laboratório da região e montou uma estrutura com a Van e tenda no estacionamento do Heliporto do Farol.

Essa atividade com os testes foi organizada porque a gestão da Petrobrás, não está cumprindo com as recomendações feitas pelo Ministério Público do Trabalho e pela Fiocruz, com base nos procedimentos elaborados em 2020 pela FUP e Sindipetros para redução da contaminação.

Os procedimentos incluem uma proposta de escala que mantenha em 14 dias o embarque, garantia de testes e de máscaras de qualidade e fim das quarentenas de pré-embarque nos hotéis.

Cabe ressaltar a importância da realização do testes nos desembarques, porque caso o trabalhador esteja contaminado, pode contaminar por onde passar. Com base na Lei de Acesso à informação o NF obteve a informação que quase 10 mil possíveis contaminados pela doença foram desembarcados nos municípios da região, contribuindo para a disseminação.

“Embora os dados não cheguem a esse nível de detalhamento, sabe-se que a grande maioria destes desembarques acontecem em Campos dos Goytacazes (RJ), no Heliporto do Farol de São Tomé. Essa preocupação com os efeitos negativos do comportamento da Petrobrás para as cidades tem levado o Sindipetro-NF a atuar em parceria com as autoridades locais de saúde” – explica o sindicato no Boletim Nascente dessa semana.

Greve pela Vida

Em razão da negligência da empresa na prevenção à Covid-19 em suas instalações, a categoria petroleira do Norte Fluminense está em greve desde 0h do dia 4 de maio, sob orientação sindical de cumprimento rigoroso das escalas, turnos e jornadas em todas as unidades da empresa, em terra e no mar.

Durante sua fala no Farol de São Tomé, o diretor do Departamento de Saúde, Alexandre Vieira, lembrou que os trabalhadores que descerem cumprindo a escala de 14 dias serão recepcionados pelo sindicato e também realizarão os testes.

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

Em parceria com a FUP e o Sindipetro-NF, o Dieese lança esta semana um informativo semanal sobre os casos de Covid-19 na Petrobrás e no setor de energia. "Nesta semana o Brasil chega a marca de 436,8 mil óbitos e 15,6 milhões de pessoas contaminadas pela COVID-19. Na Petrobrás chegamos a 32 mortes e 6.441 trabalhadores contaminados", destaca o boletim, com base nos números divulgados pelo Miinistério de Minas e Energia e da Agência Nacional de Petróleo. "Até o momento, 16,27% do total de trabalhadores da Petrobrás tiveram algum tipo de contato com a Covid-19", informa o Dieese no levantamento.

"Os dados aqui apresentados e sumariamente comentados são provenientes do Boletim de Monitoramento COVID-19, realizado pelo MME e atualizado semanalmente, e do Painel Dinâmico de Dados de COVID de Instalações de Exploração e Produção, elaborado pela ANP e atualizado a cada comunicação de ocorrência de suspeitos ou confirmados pelas empresas. Cabe destacar que enquanto os dados do MME tratam de cada empresa do setor de energia federal, os dados da ANP dizem respeito à toda atividade de E&P, de diversas empresas - ou seja, não incluem apenas informações da Petrobrás controladora, não incluindo informações das subsidiárias", destaca o Dieese.

Entre os trabalhadores das unidades do Sistema Petrobrás que perderam a vida para a Covid-19 na última semana, estão: Bárbara da Silva Andrade, enfermeira da empresa NM que prestava serviço na REFAP (RS); Daniel Cristiano Müller, técnico de manutenção da REFAP (RS) que trabalhava nos serviços de parada de manutenção da REPAR (PR); Valdir Duma, bombeiro civil que prestou serviços na SIX e na REPAR (PR); Marcelo Eduarde, técnico de Operação da REDUC (RJ).

A FUP e os sindicatos de petroleiros vêm denunciando a negligência e irresponsabilidade da gestão da Petrobrás desde o início da pandemia, bem como o descumprimento das normas e recomendações de segurança dos órgãos fiscalizadores e de instituições de saúde, como a Fiocruz. Além de negar-se a testar em massa os trabalhadores próprios e terceirizados e a emitir CATs para os contaminados, a gestão da empresa insite em manter aglomerações nas unidades operacionais, principalmente durante as paradas de manutenção, não fornece máscaras adequadas e nega-se a contabilizar os casos de trabalhadores terceirizados infectados e que perderam a vida para a Covid. 

Os boletins do Dieese podem ser acessados semanalmente no site da FUP.

 

 

O Sindipetro-NF avalia que os números comprovam a ineficácia da política de prevenção à Covid-19 nas instalações da Petrobrás. Dados da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) mostram hoje que 73% dos casos de contaminação entre petroleiros e petroleiras acontecem em plataformas de petróleo

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

Desde o início da pandemia da Covid-19, o movimento sindical petroleiro encontra dificuldades em obter da Petrobrás dados sobre os impactos da doença na categoria. Uma resposta a pedido de informações feito à empresa por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), no entanto, contribui para que se tenha a dimensão da tragédia: de março de 2020 a abril de 2021, a companhia registrou 9.487 desembarques sanitários de trabalhadores que estavam a bordo de plataformas dos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo.

O pedido de informações foi feito no dia 5 de abril de 2021 pelo coordenador do Departamento de Comunicação do Sindipetro-NF, Rafael Crespo, como pessoa física, e as respostas foram dadas pela empresa em duas etapas nos últimos dias 5 e 14 de maio.

Primeiro a empresa respondeu sobre o número de desembarques sanitários envolvendo apenas petroleiros e petroleiras contratados diretos da empresa. Neste recorte, o número de desembarques de trabalhadores próprios com suspeita de contaminação (sintomáticos) e de contactantes (assintomáticos com contatos próximos aos suspeitos) chegou a 1.732 entre março de 2020 e início de maio de 2021. Ainda neste segmento, plataformas do Rio de Janeiro são responsáveis pela grande maioria dos desembarques: 1.515.

Após esta primeira resposta da empresa, limitada aos trabalhadores próprios, Crespo apresentou recurso para que fossem incluídos os petroleiros terceirizados. Dessa vez, a empresa respondeu com um quadro genérico, sem estratificação por estados, onde aparece o dado de que quase dez mil petroleiros e petroleiras desembarcaram de unidades da empresa em razão da pandemia (9.487) no somatório de Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo. Um novo recurso foi apresentado para que os dados sejam estratificados por estados e a empresa ainda está no prazo para envio das informações.

Nesta segunda resposta, chama a atenção o grande crescimento de casos a partir do final de 2020. O número saltou de 650 em novembro de 2020 para 1.153 em dezembro de 2020, com pico até o momento de 1.326 em março de 2021 — e recuo para 1.218 em abril. Diferentemente do primeiro, este conjunto de dados não incluiu os dados iniciais de maio de 2021.

O Sindipetro-NF avalia que os números comprovam a ineficácia da política de prevenção à Covid-19 nas instalações da Petrobrás. Dados da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) mostram hoje que 73% dos casos de contaminação entre petroleiros e petroleiras acontecem em plataformas de petróleo.

O sindicato, junto à FUP e demais sindicatos, apresentaram desde 2020 um conjunto de procedimentos a serem seguidos pela empresa para que haja redução nos riscos de contaminação — incluindo itens como uma proposta de escala que mantenha em 14 dias o embarque, garantia de testes e de máscaras de qualidade e fim das quarentenas de pré-embarque nos hoteis. As recomendações foram avalizadas pelo Ministério Público do Trabalho e pela Fiocruz. Ainda assim a empresa insiste em descumpri-las.

Além de impactar diretamente a categoria petroleira, o grande número de casos em instalações da Petrobrás acaba por aumentar os riscos em cidades onde a empresa opera. Os quase 10 mil possíveis contaminados pela doença foram desembarcados nestes municípios, contribuindo para a disseminação. Embora os dados não cheguem a esse nível de detalhamento, sabe-se que a grande maioria destes desembarques acontecem em Campos dos Goytacazes (RJ), no Heliporto do Farol de São Tomé.

Essa preocupação com os efeitos negativos do comportamento da Petrobrás para as cidades tem levado o Sindipetro-NF a atuar em parceria com as autoridades locais de saúde. No dia 19 de abril passado, diretores da entidade se reuniram com representantes da área de vigilância epidemiológica do município para traçar planos de atuação conjunta no heliporto do Farol e nos hoteis onde a companhia hospeda petroleiros. Uma nova reunião está prevista para hoje.

Greve pela Vida

Em razão da negligência da empresa na prevenção à Covid-19 em suas instalações, a categoria petroleira do Norte Fluminense está em greve desde 0h do dia 4 de maio, sob orientação sindical de cumprimento rigoroso das escalas, turnos e jornadas em todas as unidades da empresa, em terra e no mar.

O Sindipetro-NF recebeu, nos últimos dias, diversas denúncias sobre pressões da gestão da base de Cabiúnas para a extensão da escala dos trabalhadores. A gerência está veiculando uma falsa informação de que haveria  obrigatoriedade de cumprimento desta escala extraordinária.

Desde 03 de maio de 2021 os petroleiros e petroleiras do Norte Fluminense estão em greve, com os contratos de trabalho suspensos, conforme dispõe a Lei de Greve. Não há, portanto, relação de subordinação dos trabalhadores às chefias.

Desta forma, o sindicato reforça a orientação sobre o cumprimento da escala normal neste período de greve para o administrativo (cumprimento de jornada de 8 horas e hora-extras apenas no sobreaviso) e para o pessoal de turno (cumprimento de escala de 6 x 9 , com jornada de 12 horas previstas e não atendimento de chamados na folga).

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

Publicado em Sistema Petrobrás

Dois trabalhadores perderam a vida para a Covid-19 no final de semana em unidades da Petrobrás, na Região Sul. Só na Repar (PR), já são cinco mortes relacionadas à parada de manutenção

As refinarias Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária-PR, e Alberto Pasqualini (Refap), na cidade de Canoas-RS, tiveram protestos na manhã desta segunda-feira (17) em razão do falecimento de dois trabalhadores relacionados às unidades por complicações da Covid-19. 

O bombeiro civil Valdir Duma, terceirizado lotado na SIX, em São Mateus do Sul-PR, foi dar apoio nas atividades de parada de manutenção da Repar. Quando retornou, adoeceu em poucos dias de Covid-19 e foi internado em Hospital de São José dos Pinhais. Morreu na última sexta-feira (14), aos 49 anos. 

No sábado (15) à noite, o técnico de manutenção e diretor do Sindipetro-RS Daniel Cristiano Müller, de 43 anos, faleceu também por complicações causadas pelo coronavírus. Ele estava internado em UTI do Hospital Marcelino Champagnat, em Curitiba. Havia se deslocado da Refap para trabalhar nos serviços de parada de manutenção da Repar. 

Em protesto em defesa da vida e em memória de Daniel e Duma, o Sindipetro PR e SC e o Sindipetro-RS realizaram manifestações em frente às unidades. As vidas ceifadas pela pandemia foram homenageadas e, ao invés de um minuto de silêncio, os petroleiros da Repar fizeram um momento de muito barulho, com palmas, gritos e assovios.    

Com as duas mortes, a Repar chega ao número de cinco empregados vítimas da pandemia. Os outros três foram terceirizados. Rodrigo Germano, de 36 anos, faleceu em 22 de março; Marcos da Silva, de 39 anos, em 25 de março; e Carlos Eduardo, de 45 anos, no dia 01 de abril. Em nenhum dos casos a categoria foi informada pela gestão. O Sindicato tomou conhecimento através de amigos e familiares dos mortos. 

Enquanto o número de vítimas não para de aumentar, os gestores da Petrobrás de todas as estirpes, de gerente setorial à direção da companhia, seguem com postura irresponsável e negacionista ao manter a parada de manutenção da Repar. Tal procedimento adiciona cerca de dois mil trabalhadores de várias regiões do país na rotina da unidade e, invariavelmente, expõe todos ao risco de contaminação pelo coronavírus. 

O Sindipetro PR e SC é contra a realização da parada de manutenção neste momento crítico da pandemia. Os serviços poderiam ser suspensos ou pelo menos mitigados até que houvesse segurança sanitária suficiente. A preocupação, no entanto, não parece ser com as vidas, mas com o cumprimento de contratos. 

O Sindicato mantém seu papel de vigilância às condições dos locais de trabalho e segue com denúncias constantes aos órgãos competentes, tais como as secretarias de saúde de Araucária e do Paraná, o Ministério Público do Trabalho (MPT-PR) e a Secretaria Federal do Trabalho, órgão vinculado ao Ministério da Economia. Porém ainda não obteve ações efetivas das instituições públicas para preservar a saúde dos trabalhadores na Repar. 

Atualização!

No fechamento desta matéria chegou a informação de mais uma morte na Refap. A enfermeira Barbara da Silva Andrade, de 38 anos, vinculada à empresa terceirizada NM, não resistiu ao agravamento da Covid-19 e faleceu nesta segunda-feira.   

Denuncie!

Qualquer situação de risco de contaminação na Refinaria deve ser comunicada imediatamente ao Sindicato, tais como aglomerações em oficinas, containers, refeitórios, transporte e alojamento, de preferência com registros. As denúncias devem ser feitas através do e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou do telefone (41) 3332-4554. Se preferir, trate o assunto diretamente com os dirigentes sindicais nos locais de trabalho.

[Da imprensa do Sindipetro-PR/SC]

O Sindipetro Paraná e Santa Catarina lamenta informar o falecimento do companheiro Daniel Cristiano Müller, aos 43 anos, neste sábado (15), em Curitiba. 

Ele estava lotado na Refinaria do Rio Grande do Sul (Refap) e era diretor do Sindipetro-RS. Veio trabalhar nos serviços de parada de manutenção da Repar, em Araucária-PR, e contraiu o coronavírus. Estava internado no Hospital Marcelino Champagnat, em Curitiba, e morreu por complicações da Covid-19. 

Daniel é a quinta vítima fatal do vírus nos quadros da Repar. Soma-se também aos mais de 435 mil mortos pela doença no Brasil, país que é exemplo negativo no combate à pandemia. 

O Sindipetro PR e SC presta condolências aos familiares e amigos do companheiro Daniel neste momento de dor.

[Da imprensa do Sindipetro-PR/SC]

Em artigo publicado na Revista Carta Capital, o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar, denuncia o descado e a irresponsabilidade da gestão da Petrobrás, ao colorcar em risco a vida do trabalhador e de seus familiares durante a pandemia da covid-19

Por Deyvid Bacelar, coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros

Petrobras, a maior empresa do Brasil, já registrou a trágica marca de mais de 6,4 mil casos de contaminação pela Covid-19 – 13,8% dos 46.416 trabalhadores próprios da empresa. Esses números são oficiais, do próprio Ministério das Minas e Energia e, embora alarmantes, não refletem a realidade, pois não abrangem os terceirizados.

Os resultados traduzem o tamanho do descaso da gestão da Petrobras com a vida do trabalhador, de seus familiares, e com a sociedade. Em meio à pandemia, a empresa se recusa a cumprir protocolos sanitários corretos, recomendados pelo Ministério Público do Trabalho, como testes adequados de Covid-19, e fornecimento de máscaras PFF-2/N95 para todos os trabalhadores. Tampouco respeita a escala de até 14 dias embarcado nas plataformas marítimas, conforme determinam a lei e acordo coletivo de trabalho. Mais de 70% dos casos de petroleiros contaminados pelo coronavírus foram registrados em unidades offshore.

Para fazer prevalecer direitos constitucionais de segurança sanitária, os petroleiros do Norte Fluminense, filiados ao Sindipetro-NF, ligado à Federação Única dos Trabalhadores, iniciaram na última terça-feira, 4/5, a “Greve pela Vida”. O Norte Fluminense abriga a Bacia de Campos, que concentra 37% das plataformas de petróleo do País. Diversas delas registraram surtos de Covid-19. Somente em abril, foram mais de 500 petroleiros contaminados nas unidades marítimas, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.

Precisa de greve para fazer a Petrobras cumprir recomendações sanitárias e preservar a vida de milhares de trabalhadores? A resposta afirmativa a essa pergunta foi dada pela própria gestão da empresa, dois dias após o início do movimento da categoria. Sob pressão da greve no Norte Fluminense, a Petrobras voltou a fazer testes de Covid-19 em base terrestre de Macaé. Petroleiros dos centros de controle e de operação da Petrobrás em Imbetiba estavam sem testes para a doença desde o dia 22 de abril. Portanto, há cerca de 15 dias a petroleira não fazia testagem nas equipes desses centros.

A mudança de conduta da Petrobras, numa única base da empresa no Norte Fluminense, indica, na prática, que o presidente da empresa, o general Joaquim Silva e Luna, está convocando toda a categoria para greve nacional, pois só assim os petroleiros terão condições seguras de trabalho.

Até então, a justificativa da gestão da Petrobras era a de que o contrato com a empresa que realiza os testes havia sido suspenso. Por isso, o Sindipetro-NF vinha disponibilizando para estes trabalhadores a realização de testes RT-PCR em convênio com um laboratório da cidade (Pionner) para cobrir esta falha da empresa.

Além de problemas na testagem pré-embarque, somente agora a gestão da Petrobras começou a oferecer a máscara PFF-2/N95 a quem trabalha embarcado, mesmo sabendo que o equipamento é o mais eficaz para evitar a contaminação pelas variantes mais contagiosas e letais do SARS-Cov-2. Ainda assim, a empresa deu o dia 31 de maio como prazo para fornecer essas máscaras a todos.

Uma das reivindicações das trabalhadoras e trabalhadores das plataformas é a de que a aplicação dos testes RT-PCR seja uma política da empresa de prevenção à Covid-19. Os chamados testes rápidos não são eficazes, sobretudo para trabalhadores que atuam em turno, em duplas, em ambientes confinados.

Não há testes no meio e no fim de jornadas de 14 dias

Além disso, a Petrobras não faz testes no meio e no final das jornadas de 14 dias de trabalho. Esse tempo é suficiente para que um trabalhador que embarque infectado pela Covid-19 contamine todos os seus colegas de trabalho na plataforma. A negligência da empresa coloca em risco também a vida dos trabalhadores que estão no entorno. Mensalmente, cerca de 40 mil pessoas circulam nas cidades do Norte Fluminense para exercer seu trabalho na Bacia de Campos. Se a Petrobrás coloca seus trabalhadores próprios e terceirizados em risco para a Covid-19, está fazendo o mesmo com a população da região.

Para piorar o quadro, a gestão da empresa implantou uma escala de trabalho que desrespeita o Artigo 8º da Lei 5.811/1972, que estabelece prazo máximo de 15 dias para o trabalho embarcado. Sem negociar com o Sindipetro-NF e com a categoria petroleira, a Petrobras alterou as escalas de trabalhadores próprios (para 21 dias) e terceirizados (para 28 dias), indo contra também o Acordo Coletivo de Trabalho.

Uma das recomendações do sindicato como parte da greve é que o pessoal embarcado exija o desembarque após os 14 dias de trabalho. O Sindipetro-NF já recebeu denúncias de assédio por parte de superiores a trabalhadores de plataformas que manifestaram seu desejo de desembarcar após sua escala normal de trabalho.

Além do retorno à escala anterior, a “Greve pela Vida” reivindica testes de Covid-19 no meio e no fim da escala – atualmente a testagem é feita somente no embarque -, teste para pessoal que está em terra e cumprimento de todas as recomendações do MPT.

Num momento em que a pandemia de Covid-19 vem contaminando e matando milhares de pessoas todos os dias, é inadmissível que a gestão da Petrobrás coloque ainda mais em risco trabalhadoras e trabalhadores próprios e terceirizados. Esse descaso permanente faz com que a greve iniciada esta semana vá ganhando mais força.

O caso de Paulo Roberto Carvalho Júnior, de 53 anos, ex-comandante de navio da Transpetro, pode abrir debate, segundo matéria publicada pelo Uol

“Quantos mais terão que morrer para a Petrobrás cumprir protocolos sanitários corretos, proteger a vida dos trabalhadores e reconhecer o nexo causal entre a infecção por Covid-19 e a atividade profissional?”, indaga o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar , diante do constante descaso da gestão da empresa com a saúde dos petroleiros. Ele espera que a Justiça responsabilize a direção da Petrobrás por morte de petroleiro por Covid-19.

A Petrobrás se recusa a emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) em casos de contaminação por Covid em suas plataformas. Mas uma ação judicial sobre a morte do petroleiro da Transpetro Paulo Roberto Carvalho Júnior, de 53 anos, promete abrir debate na Justiça do Trabalho sobre a responsabilidade de empresas em casos de Covid-19,de acordo com matéria publicada pelo Uol neste final de semana. O ex-comandante do navio João Cândido se contaminou embarcado e morreu. No fim de novembro, ele começou a sentir sintomas da doença, mas somente em 5 de dezembro conseguiu chegar em um porto de São Sebastião, em São Paulo. Foi internado, intubado e morreu em 16 de dezembro.

O petroleiro Paulo Roberto engrossa a trágica lista de 80 mortos por covid -19, contaminados em unidades da Petrobrás, segundo denúncias recebidas pela FUP.

“É inadmissível vidas perdidas em função do descaso da gestão da Petrobrás, que descumpre determinações de lei e de acordo coletivo de trabalho, como a jornada de no máximo 14 dias embarcado. Além de mortes, há situações de trabalhadores sobreviventes da Covid-19 que ficaram com lesões permanentes, e tiveram que se aposentar por deficiência respiratória e outros males consequentes”, afirmou Bacelar.

Ele destacou que a determinação da Petrobrás contra a emissão da CAT vai na contramão de recentes decisões que apontam nexo causal entre a infecção e a atividade profissional, caracterizando a contaminação pelo coronavírus como doença laboral.

No último dia 4, os petroleiros do Norte Fluminense, ligados ao Sindipetro-NF, iniciaram a Greve pela Vida, reivindicando a adoção de medidas de segurança e protocolos sanitários recomendados pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), como o uso de máscaras adequadas para todos e testagens. Dois dias depois do início da greve, a Petrobrás voltou a oferecer testes em três postos terrestres da empresa, em Macaé. Desde o dia 22 de abril a empresa não estava testando essas equipes alegando problemas de contrato com fornecedores. Para cobrir a falha, o Sindipetro-NF vinha disponibilizando testes RT-PCR em convênio com um laboratório da cidade.

“Todas as semanas recebemos apelos desesperados de trabalhadores e trabalhadoras denunciando casos de Covid-19 em plataformas da Bacia de Campos. São pessoas que ficam 14 dias ou mais nesses ambientes, tempo suficiente para que uma pessoa que chegue contaminada a uma plataforma infecte várias outras. Estamos registrando surtos em diversas unidades nos últimos meses, com desembarque urgente de dez, 20 ou mais trabalhadores”, diz o coordenador geral do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra.

Página 6 de 14

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.