O Sindipetro-NF foi informado pela categoria e está acompanhando mais um caso de surto de Covid-19 em plataforma da Bacia de Campos. Desta vez é na P-43. Os relatos são de que há dois camarotes com trabalhadores contactantes e sintomáticos. Entre ontem (09) e a última sexta-feira, três trabalhadores da unidade testaram positivo para a doença. De acordo com o coordenador do Departamento de Saúde do sindicato, Alexandre Vieira, há ainda a informação de que a plataforma passará por desinfecção nesta quarta, 11.

Caso a Petrobrás se recuse a oferecer os testes necessários para os petroleiros da unidade, o NF mantém a disponibilidade do teste aos interessados. Basta o petroleiro ou petroleira entrar em contato com o Departamento de Saúde o Departamento de Saúde pelo Whatsapp (22) 98123-1882 (das 7h30 às 12h e das 13h30 às 17h) para fazer o agendamento no laboratório conveniado.

A entidade reafirma a denúncia que tem feito durante toda a pandemia, de descaso da Petrobrás para com a vida dos trabalhadores. A empresa se recusou a adotar medidas de prevenção que foram recomendadas pelo sindicato e pelo Ministério Público do Trabalho, referendadas pela Fiocruz.

[Da imprensa do Sindipetro NF]

Sindipetro PR/SC alerta que novos casos ainda podem surgir e que gestão da refinaria sonega informações sobre contaminações e mortes por Covid-19 

[Da imprensa do Sindipetro PR/SC] 

Oficialmente, a parada de manutenção da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, terminou no último dia 29, com a finalização do procedimento de partida da URE (Unidade de Recuperação de Enxofre). 

Iniciada em plena segunda onda da pandemia do coronavírus no Brasil, em meados de março, a parada adicionou mais dois mil trabalhadores à rotina de serviços da Repar. O Sindipetro Paraná e Santa Catarina foi contra a realização da manutenção industrial durante a crise sanitária e agiu em várias frentes para, senão impedir, ao menos mitigar os possíveis efeitos da decisão irresponsável dos gestores. A principal foi a deflagração de greve sanitária, entre os dias 12 e 16 de abril. 

O movimento não conseguiu barrar a parada, mas foi importante no sentido de forçar a empresa a adotar medidas mais rígidas no combate à disseminação do vírus. Testagem no início da jornada de trabalho, que antes era feita apenas no final; reforço na higienização das áreas comuns, como vestiários, copas e estações de trabalho; controle da quantidade de pessoas nos acessos aos espaços confinados; fornecimento de máscaras PFF2; e intensificação de orientações por meio da comunicação visual foram alguns dos protocolos adotados no período pós-greve sanitária. 

Os protocolos sanitários, sem dúvida, ajudaram a salvar vidas, mas infelizmente nem todas. Na última sexta-feira (30), o trabalhador capixaba Leandro de Carvalho da Rocha, de 51 anos, contratado pela empresa Método Potencial, foi a décima vítima de Covid-19 que atuou na parada da Repar. Deixou um casal de filhos, de 17 e 14 anos. 

As outras mortes foram de Rodrigo Germano, de 36 anos, em 22 de março; Marcos da Silva, de 39 anos, em 25 de março; Carlos Eduardo, de 45 anos, no dia 01 de abril; Valdir Duma, de 49 anos, em 14 de maio; Daniel Cristiano Müller, de 43 anos, em 15 de maio; Ernani Nunes, de 54 anos, em 01 de junho; Célio Alves da Cruz, de 55 anos, em 05 de junho; Luiz Carlos de Lemos, de 60 anos, em 23 de junho; e Alessandro Barbosa, de 41 anos, em 29 de julho.  

A parada de manutenção da Repar terminou, mas o número de mortes por Covid-19 ainda não está determinado. Podem surgir novos casos de eventuais internados ou até mesmo de pessoas que atuaram na manutenção, mas não foram contabilizados, pois a gestão jamais repassou informações sobre os números de contaminados ou falecidos, próprios ou contratados, ao Sindicato, em descumprimento ao acordo que colocou fim à greve sanitária, firmado no Ministério Público do Trabalho. Todos os casos registrados pelo Sindipetro PR e SC foram informados por companheiros de trabalho. 

O Sindipetro PR e SC alertou insistentemente a gestão da refinaria e os órgãos governamentais de saúde de que a parada poderia ser adiada ou ao menos ter seu prazo estendido para envolver menos equipes nos trabalhos. A postura do Sindicato sempre foi de que essencial mesmo é a vida.  

 

Um vídeo institucional da Petrobrás divulgado nas plataformas para conscientizar os trabalhadores sobre a importância das medidas de prevenção no controle da pandemia é a confirmação do que a FUP e os sindicatos vêm há tempos alertando: as plataformas e outras unidades operacionais são ambientes altamente expostos à contaminação da covid-19.  No vídeo de 1 minuto e 20 segundos, intitulado "Ameaça Coronavírus", fica nítido que a Petrobrás reconhece que há exposição ao vírus nos locais de trabalho industrial e que, portanto, pode haver contaminação durante o trabalho e o trajeto dos petroleiros e petroleiras.

O vídeo institucional utiliza a estética de um joguinho eletrônico, tipo Super Mário, para simular o cenário de uma planta industrial, onde vários trabalhadores manejam uma válvula, que foi contaminada pelo coronavírus. Na sequência, um trabalhador é diagnosticado com covid-19 e afastado, mas vários outros trabalhadores se contaminaram nos demais ambientes da unidade, desde o refeitório até a sala de controle.

“A Petrobrás não só reconhece que os trabalhadores se contaminam nas unidades, como permite que eles voltem para casa contaminados. O vídeo afirma que a nossa atividade é essencial e que não pode parar, mas transfere para o trabalhador a responsabilidade de se proteger. Quer dizer, o trabalho dele é essencial, mas a família não?”, questiona o diretor de Saúde, Meio Ambiente e Segurança da FUP, Raimundo Teles.  Ele teve acesso ao vídeo quando esteve à bordo da plataforma P-74, no Campo de Búzios, onde participou recentemente de uma auditoria junto com o IBP, representando a bancada dos trabalhadores na ComCer.

Para a FUP, o vídeo contradiz todo o discurso que a gestão da Petrobrás vem fazendo desde o início da pandemia para se eximir da responsabilidade em relação ao reconhecimento de que o ambiente de trabalho na indústria de petróleo é altamente contagioso. Parecer científico da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), de outubro de 2020, apontou explicitamente que "o diagnóstico da Covid-19 em petroleiros (do offshore) é presumidamente relacionado ao trabalho”. 

Obrigatoriedade de emissão de CAT 

Desde o início da pandemia, a FUP e seus sindicatos vêm exigindo da Petrobrás a emissão de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) para trabalhadores infectados pela Covid-19 durantes suas atividades laborais. Além desta ser uma recomendação de órgãos de saúde e de fiscalização, a empresa vinha descumprindo reiteradamente o direito dos trabalhadores de terem a CAT emitida, fato que foi denunciado e questionado pelas entidades sindicais em ações judiciais e em denúncias ao Ministério Público do Trabalho.

O próprio parecer da ENSP/Fiocruz elucida a razão para a negativa da Petrobrás. O reconhecimento da Covid-19 como doença do trabalho e a emissão da CAT implicam elevar a Taxa de Acidentes Registráveis (TAR), um dos indicadores de desempenho das empresas do setor, vinculado à dinâmica da concorrência internacional. Isso se reflete, portanto, nas ações da Petrobrás na Bolsa de Valores, sobretudo em Nova York. 

No início de julho, uma decisão da 10ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 1ª Região obrigou a Petrobrás a emitir as CATs para trabalhadores offshore que foram infectados pela Covid no Rio de Janeiro. A FUP cobrou abrangência da decisão para todos os trabalhadores do Sistema Petrobrás que foram expostos à contaminação e sacrificados ao não terem seus direitos respeitados.

[Imprensa da FUP]

Ao embarcar nesta segunda-feira, 19, para a P-74, no Campo de Búzios, onde acompanha inspeção da Comissão de Certificação (ComCer), fórum tripartite estabelecido pelo Anexo II da NR-13, o diretor da FUP, Raimundo Santos, que é membro da bancada dos trabalhadores na Comissão e integra a Secretaria de Saúde, Meio Ambiente e Segurança da Federação, pode testar pessoalmente os protocolos de segurança da Petrobrás em relação à Covid-19.

Confinado em um hotel próximo ao aeroporto de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, de onde embarcou para a plataforma, Raimundo seguiu, passo a passo, as orientações da empresa de saúde terceirizada contratada pela estatal para realizar a triagem e monitoramento dos trabalhadores no pré-embarque. Ao afirmar que teve Covid há pouco mais de um mês, ele foi informado que não poderia fazer o teste protocolar que é exigido antes do embarque, pois a recomendação da Petrobrás é de que trabalhadores que já testaram positivo só sejam testados novamente após 90 dias.

Raimundo explicou que a nota técnica do SMS que prevê esse protocolo já foi diversas vezes questionada pela FUP e seus sindicatos e afirmou que só embarcaria mediante a realização do teste, o que foi realizado, após autorização da empresa. O resultado do teste deu negativo, o que comprova o equívoco da Petrobrás ao impor intervalo de 90 dias para o teste de trabalhadores que já foram infectados, alegando que os resultados tendem a ser um falso positivo.

Inspeções

Além da P-74, o diretor de SMS da FUP acompanha as inspeções da ComCer à Reduc e à Bacia de Campos, que serão realizadas na sequência, ainda esta semana.

[Imprensa da FUP | Foto: Breno Esaki/Agência Saúde]

Em resposta à cobrança da FUP, a Petrobrás realizou na segunda-feira, 12, reunião extraordinária da Comissão de SMS, dando continuidade à discussão dos temas que a entidade havia pautado com a empresa no dia 14 de junho. Diante da complexidade das demandas relativas às questões de saúde e segurança, as entidades sindicais cobraram que as reuniões da Comissão passem a ser realizadas mensalmente, em vez de a cada dois meses, como prevê o Acordo Coletivo. A próxima reunião já foi agendada para o dia 23 de agosto.

As questões relacionadas à Covid-19 no Sistema Petrobrás continuam sendo o eixo central do debate na Comissão de SMS. Só na holding, já são 49 óbitos de trabalhadores contaminados e, a cada semana, mais de 120 trabalhadores próprios são infectados. Segundo levantamento feito pelo Ministério de Minas e Energia, um total de 7.618 petroleiros e petroleiras foram vítimas da Covid na Petrobrás, o que representa 18,4% de todos os trabalhadores da holding. A empresa continua omitindo dados de trabalhadores terceirizados.

Veja abaixo os principais pontos tratados na Comissão de SMS esta semana:

Prescrição de tratamento ineficaz contra a Covid-19

A FUP cobrou um posicionamento da Petrobrás sobre a conduta de médicos do setor de saúde da empresa de prescreverem Ivermectina e outros medicamento ineficazes para trabalhadores com suspeita ou que testaram positivo para a Covid-19. O RH informou que não há orientação corporativa sobre medicamentos receitados em qualquer situação de saúde ocupacional, ressaltando que a Petrobrás respeita a autonomia dos médicos, conforme garante o código de ética da categoria.

Apesar da ivermectina ser um antiparasitário, comumente utilizado no combate a piolhos, sem qualquer eficácia comprovada no tratamento da Covid-19, trabalhadores da Bacia de Campos com sintomas da doença ou já contaminados tiveram o medicamento prescrito pelo setor médico da Petrobrás. O Sindipetro-NF e a FUP receberam várias denúncias neste sentido, atraindo a atenção da imprensa. As denúncias tiveram ampla repercussão nas mídias, com mais de 100 matérias veiculadas sobre o fato, inclusive uma ampla reportagem exibida pelo RJ TV no dia 02 de julho. 

 Receituário divulgado pela mídia

A Federação criticou a ausência na reunião de um representante do setor médico da Petrobrás e chamou a atenção para a incoerência dos gestores, já que as notas técnicas elaboradas por profissionais de saúde da empresa durante a pandemia apresentam uma série de recomendações, inclusive um protocolo de tratamento clínico para trabalhadores sintomáticos, previsto na Nota Técnica 01. As representações sindicais cobraram que a Petrobrás reveja o seu posicionamento e coíba expressamente os médicos da empresa de prescreverem tratamentos sem comprovação científica e que contrariam as recomendações dos órgãos de saúde, como é o caso da Ivermectina.

Dispensa de testes rápidos para trabalhadores vacinados

Outro fato duramente criticado pelos petroleiros na reunião foi a orientação da Petrobrás de suspender a testagem para a Covid em trabalhadores vacinados, inclusive, os que só tomaram uma dose do imunizante.  Sem qualquer discussão prévia com as entidades sindicais, a empresa suspendeu os testes sorológicos nas refinarias e nas demais unidades de terra para esses trabalhadores. A FUP ressaltou a irresponsabilidade dos gestores diante de uma doença extremamente grave, com novas cepas do vírus que são altamente contagiosas, e tornou a cobrar a testagem em massa de todos os trabalhadores, através do RT-PCR ou de testes de antígeno, além do fortalecimento das demais medidas de prevenção, como distanciamento e uso de máscaras eficazes.  

Obrigatoriedade de emissão de CAT em todas as unidades

Desde o início da pandemia, a FUP e seus sindicatos vêm exigindo da Petrobrás a emissão de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) para trabalhadores infectados pela Covid-19 durantes suas atividades laborais. Além desta ser uma recomendação de órgãos de saúde e de fiscalização, a empresa vinha descumprindo reiteradamente o direito dos trabalhadores de terem a CAT emitida, fato que foi denunciado e questionado pelas entidades sindicais em ações judiciais e em denúncias ao Ministério Público do Trabalho.

Na última semana, uma decisão da 10ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 1ª Região obrigou a Petrobrás a emitir as CATs para trabalhadores offshore que foram infectados pela Covid no Rio de Janeiro. A FUP cobrou abrangência da decisão para todos os trabalhadores do Sistema Petrobrás que foram expostos à contaminação e sacrificados ao não terem seus direitos respeitados. O RH informou que a decisão do TRT/RJ está sob análise do jurídico da empresa.

Vistorias sanitárias nas unidades operacionais e em locais de trabalho remoto

Ponto pendente da reunião passada, o agendamento de vistorias sanitárias em unidades operacionais para verificar as medidas de prevenção à contaminação da Covid-19 continua sendo postergado pela empresa. No caso das vistorias em locais de home office, conforme entendimento e autorização prévia dos trabalhadores, o RH da Petrobrás recusa-se expressamente a atender o pleito das representações sindicais.

Para a FUP, não há justificativa para a empresa continuar descumprindo o que foi acordado com a categoria no ACT. A Cláusula 68 garante o acesso dos sindicatos aos locais de trabalho, o que se torna ainda mais necessário diante dos quadros de avanço da contaminação pela Covid não só nas unidades operacionais, como entre trabalhadores que estão em atividades remotas. É no mínimo incoerente a alegação do RH de esperar a vacinação e o retorno presencial de todos os trabalhadores para agendar as visitas, sendo que essa mesma gestão resistiu em suspender as paradas de manutenção que geraram aglomerações no auge da pandemia, com milhares de trabalhadores nas refinariais, cujo resultado foram surtos de contaminação e elevados índices de mortes. Na Repar, por exemplo, segundo o Sindipetro-PR/SC, foram nove óbitos decorrentes das pré-paradas e das paradas de manutenção.

As representações sindicais insistiram no cumprimento da Cláusula 68, com continuidade imediata das vistorias nas refinarias, como a que aconteceu em outubro do ano passado na Reduc. A proposta agora é de retomar as visitas pela Regap e incluir os trabalhadores que estão em home office e cujas condições de trabalho precisam ser verificadas, inclusive, com participação de representantes das CIPAs. O RH afirmou que vai dar uma resposta em breve sobre o agendamento das visitas às refinarias, mas não há concordância com as vistorias nas residências dos trabalhadores. A FUP cobrou que a Petrobrás reveja sua posição, já que a empresa pretende manter o teletrabalho e será preciso avaliar as condições e o ambiente de trabalho desses petroleiros e petroleiras.

Informações detalhadas sobre trabalhadores infectados

A Petrobrás continua negando-se a apresentar à FUP e aos sindicatos informações detalhadas sobre casos de Covid-19 entre trabalhadores próprios e terceirizados, por unidades e regime de trabalho. A empresa insiste em descumprir a Cláusula 81 do Acordo Coletivo, que garante o acesso dos sindicatos a esses dados. Como contraponto, os pesquisadores do Dieese que assessoram a FUP e os sindicatos vêm divulgando semanalmente o boletim “Petroleiros e a Covid-19”, contextualizando os dados disponibilizados pelo Ministério de Minas e Energia e pela ANP. Acesse aqui os boletins.

Plano de vacinação, testagem em massa e distribuição de máscaras de qualidade

Mais uma vez, a FUP cobrou da Petrobrás a apresentação dos planos de vacinação contra a Covid-19 e de testagem atual dos trabalhadores em unidades operacionais e administrativas. Além de suspender os testes sorológicos de trabalhadores vacinados, a Petrobrás também não está aplicando testes de antígeno nas refinarias, como vinha fazendo anteriormente. Na Reduc, por exemplo, os testes foram suspensos em abril.

No caso da vacinação, até agora a Petrobrás não divulgou uma orientação corporativa para inclusão dos trabalhadores de áreas operacionais nos calendários municipais de grupos de prioridade que contemplam os setores industriais. Diante da inércia dos gestores, os sindicatos estão se mobilizando, fazendo articulações com as secretarias municipais de saúde e gestores locais para garantir a vacinação dos trabalhadores. Desta forma, os Sindipetros RS, MG e Duque de Caxias já garantiram a imunização dos trabalhadores das refinarias. Ações semelhantes vêm sendo feitas pelos demais sindicatos da FUP.

 Fila para vacinação na Reduc. Imunização foi conquistada pelo Sindipetro

Outra cobrança da Federação que tem sido recorrente nas reuniões com os setores de SMS da Petrobrás é o fornecimento de máscaras do modelo PFF-2 para os trabalhadores próprios e terceirizados, como recomendam as organizações de saúde. Várias denúncias já foram feitas pelos sindicatos sobre a qualidade duvidosa das máscaras fornecidas pela empresa. Na Reduc, por exemplo, onde o sindicato teve que recorrer à justiça para garantir o fornecimento do equipamento, as máscaras que estão sendo distribuídas não têm selos de qualidade, nem de certificação ou sequer a identificação do fabricante. A FUP manifestou preocupação com a gravidade do fato, pois, segundo o Sindipetro Caxias, a Reduc adquiriu 4 mil máscaras que estão sendo fornecidas aos trabalhadores sem informações técnicas sobre a qualidade do produto e tampouco sobre a sua procedência.

Acúmulo de função e terceirização

Em resposta à cobrança da FUP sobre o calendário de treinamento dos trabalhadores que estão sendo realocados em decorrência dos processos de privatizações e do fechamento de unidades, a Petrobrás informou que está sendo respeitada a carga horária de 380 horas previstas nos programas de treinamentos em local de trabalho (TLT). As representações sindicais questionaram a qualidade dos treinamentos e a sobrecarga imposta aos trabalhadores que já acumulam multifunções e dobras devido à drástica redução de efetivos nas unidades operacionais.

A FUP também criticou a terceirização crescente em setores industriais do Sistema Petrobrás, como as brigadas de combate a incêndio, as equipes de técnicos de segurança e os serviços de apoio à operação no setor de tratamento de água e de detritos industriais.

Programa de saúde mental

Por conta da extensa pauta que foi discutida com a Petrobrás nesta segunda, na próxima semana será realizada mais uma reunião extraordinária da Comissão de SMS para apresentação do programa de saúde mental da empresa e das ações tomadas pela gestão, em função do aumento dos casos de transtornos psíquicos relacionados às condições de trabalho na pandemia e aos impactos das privatizações.

[Imprensa da FUP | Foto de capa: vacinação na Refap]   

Desde o início da pandemia, a categoria cobrava da Petrobrás a emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) em caso de contaminação por Covid-19 em plataformas, o que não era feito, mesmo com parecer da Fiocruz comprovando o nexo causal entre o trabalho offshore e a doença

[Da assessoria de comunicação da FUP |Foto: Banco de Imagens Petrobras]

A decisão da 10ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 1ª Região (Rio de Janeiro), que determinou que a Petrobrás emita a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) para trabalhadores e trabalhadoras infectados por Covid-19 durante o expediente em plataformas e embarcações da empresa, é o reconhecimento de um direito dos petroleiros que vinha sendo usurpado pela gestão da Petrobrás, reforçam a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e sindicatos filiados. 

Desde o início da pandemia, a categoria reivindica a emissão de CAT em casos de contaminação a bordo. Mas, mesmo com parecer científico da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), de outubro de 2020, que apontou explicitamente que "o diagnóstico da Covid-19 em petroleiros (do offshore) é presumidamente relacionado ao trabalho”, a companhia se negava a emitir o documento. 

O próprio parecer da ENSP/Fiocruz elucida a razão para a negativa da Petrobrás. O reconhecimento da Covid-19 como doença do trabalho e a emissão da CAT implicam elevar a Taxa de Acidentes Registráveis (TAR), um dos indicadores de desempenho das empresas do setor, vinculado à dinâmica da concorrência internacional. Isso se reflete, portanto, nas ações da Petrobrás na Bolsa de Valores, sobretudo em Nova York. 

“Infelizmente, a gestão da Petrobrás está muito mais preocupada com o desempenho dos papéis da empresa no mercado financeiro do que com a saúde de seus trabalhadores. Foram vários surtos de Covid-19 registrados em plataformas da Petrobrás nas bacias de Campos e Santos, comprovando nitidamente que a contaminação ocorria a bordo. Mesmo assim, a empresa se negava a admitir o óbvio e a emitir a CAT. E para piorar ainda mais a situação, ainda vimos médicos da empresa receitarem ivermectina, um remédio sem eficácia, a contaminados e suspeitos. Em ambos os casos, a gestão da Petrobrás, quando questionada, sempre dá respostas vazias e se isenta de sua responsabilidade com seus trabalhadores”, explica o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar. 

Os dados mais recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) sobre contaminação por Covid-19 em plataformas mostram que até 28 de junho 6.024 petroleiros que atuam na atividade offshore foram contaminados pela doença. Desse total, 4.272 trabalhadores acessaram instalações offshore – o que comprova a relação entre a contaminação e o trabalho nas plataformas e embarcações. 

“Os números da ANP não se referem apenas à Petrobrás, mas confirmam o porquê da companhia se negar a cumprir a legislação trabalhista e considerar a Covid-19 como doença de trabalho, mesmo diante do nexo causal óbvio. Admitir a contaminação nas plataformas, com a emissão de CATs, seria assumir suas falhas na prevenção da doença. Falhas que estamos apontando desde o início da pandemia. A gestão da empresa demorou a fornecer máscaras, e quando começou a fornecer, as máscaras eram tão frágeis que rasgavam com facilidade. Demorou a testar em massa, e algumas vezes deixou trabalhadores sem testes, por atraso na contratação de fornecedores. Não implementou a recomendação de fazer testes nos trabalhadores offshore no meio de sua escala, para verificar contaminações e assim agir para evitar uma maior disseminação da doença. Enfim, uma sucessão de erros por pura preocupação com os números, e não com as pessoas”, reforça Bacelar. 

Segundo o mais recente boletim de monitoramento da Covid-19, divulgado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) em 6 de julho, a Petrobrás contabiliza 7.548 trabalhadores e trabalhadoras contaminados por Covid-19 – 16,2% dos 46.416 trabalhadores da companhia. No momento, são 135 pessoas confirmadas e em quarentena, 40 hospitalizadas e 7.325 recuperadas. E 48 trabalhadores morreram em consequência da doença – no início deste ano, a Petrobrás registrava apenas três mortes por Covid-19.

 

A direção do Sindipetro Duque de Caxias, junto com o SITICOMMM (Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil) e a prefeitura de Duque de Caxias, garantiu a 1.000 petroleiros e petroleiras da Refinaria Duque de Caxias (Reduc) a imunização contra a Covid-19 com a dose única da vacina Janssen, da Johnson & Johnson.

A vacinação começou nesta sexta-feira, 09, e está sendo realizada na entrada da Reduc, onde encontra-se o posto montado pela Secretaria Municipal de Saúde. Estão sendo imunizados trabalhadores com idades entre 39 a 45 anos, que não tenham tido sintomas do coronavírus nos últimos 15 dias.

Importante lembrar que ainda estamos em uma pandemia e que o uso das máscaras PFF2 e N-95 é obrigatório. 

O coordenador da FUP, Deyvid Bacelar, esteve na refinaria acompanhando a imunização, e ressaltou a importância da mobilização do Sindipetro. Veja abaixo:

[Com informações da imprensa do Sindipetro Caxias]

Publicado em Sistema Petrobrás

Depois de muita pressão do sindicato, a Refinaria Gabriel Passos (Regap) iniciou o cadastramento de petroleiros e petroleiras, próprios e terceirizados, para realizar a vacinação contra a Covid-19. A vacinação deve começar nesta sexta-feira (9).

[Da imprensa do Sindipetro-MG]

Todos podem se vacinar? Por que demorou tanto? Como vai ser o processo? Para tirar essas e dúvidas, conversamos com o diretor do sindicato Felipe Pinheiro, que acompanhou de perto a pressão para garantir a efetivação desse direito dos petroleiros. 

 


Acesse o link e se cadastre: https://forms.office.com/r/zQu6hqzAWQ


Por que a demora tão grande para vacinar os trabalhadores da indústria, como os petroleiros?

Primeiro, porque não há vacinas suficientes para a vacinação imediata de toda a população. Isso é resultado não só do atraso para a compra de vacinas, mas de uma política genocida e corrupta por parte desse governo, como bem tem sido evidenciada pela CPI da Covid.

Mas, além disso, percebe-se uma postura passiva por parte da Petrobrás no diálogo com prefeituras e estados. É como se a empresa estivesse lavando as mãos diante da falta de vacinas e do atendimento atrasado ao grupo prioritário que nos envolve (trabalhadores industriais), mesmo com tantas mortes e contaminações no Sistema Petrobrás.

O que a Petrobras poderia ter feito para agilizar a vacinação?

A Petrobrás poderia ter se organizado previamente para fornecer um cadastro atualizado de seus empregados, assim como poderia ter buscado prefeituras e governos estaduais de forma a cobrar o cumprimento do Plano Nacional de Imunização, que inclui os trabalhadores da indústria como grupos prioritários. Em muitos estados, foi o Sindicato que correu atrás e acionou governos locais para dialogar e cobrar a vacinação do grupo prioritário.

 

Além disso, a Petrobrás parece não se preocupar com a saúde dos seus empregados. A empresa poderia acompanhar os cronogramas de vacinação dos municípios e comunicar/orientar os empregados conforme os critérios foram avançando (por comorbidade, idade, etc) em suas regiões de residência. A empresa tem em mãos todos esses dados, já faz esse acompanhamento anual e conhece as condições de saúde de cada um dos seus funcionários. 

Pelo contrário, a lógica atual é basicamente a seguinte: cada um que se vire para tomar sua vacina quando der na telha, depois mande um e-mail para o setor médico.

Quem vai poder se vacinar? Como é o cadastro? 

Conforme informações repassadas pela gerência local, todos os trabalhadores (próprios e terceirizados) que trabalham na Regap podem ser cadastrados para se vacinar, inclusive aqueles que estão trabalhando de forma remota, de home office. A vacinação está sendo conduzida pelo município de Betim.

Quem não vai poder se vacinar? Quem está cedido de outras unidades, como faz? 

Trabalhadores da Petrobrás não lotados no imóvel da Regap, em Betim, ainda não serão contemplados. No caso dos trabalhadores da Usina Termelétrica de Ibirité, que compartilham estruturas e serviços da Regap, como transporte, alimentação, vigilância e setor médico, ainda não foi iniciado o cadastramento. O Sindicato tem cobrado da gerência local sobre a vacinação desses trabalhadores, já que também constam como grupo prioritário.

Leia também: 

Regap, quando seremos vacinados? 

> Após pressão do Sindipetro RS, trabalhadores da Refap e da UTE de Canoas são 100% imunizados contra a Covid 

Sindipetro Bahia protocola na Secretaria Estadual de Saúde pedido de inclusão dos petroleiros no grupo prioritário de vacinação

O diretor da área de Saúde, Meio Ambiente e Segurança da FUP, Raimundo Teles dos Santos, participa neste sábado, 10, do programa Debate Petroleiro, que terá como pauta as denúncias sobre tratamento precoce e o uso de Ivermectina receitado por médicos da Petrobras para trabalhadores com sintomaas ou que testaram positivo para o COVID-19. O programa terá também a presença do senador Humberto Costa (PT/PE), ex-ministro da Saúde no primeiro governo Lula. 

Apesar da ivermectina ser um antiparasitário, comumente utilizado no combate a piolhos, sem qualquer eficácia comprovada no tratamento da Covid-19, trabalhadores da Bacia de Campos com sintomas da doença ou já contaminados tiveram o medicamento prescrito pelo setor médico da Petrobrás. O Sindipetro-NF e a FUP receberam várias denúncias nesse sentido, atraindo a atenção da imprensa.

As denúncias tiveram ampla repercussão nas mídias, com mais de 100 matérias veiculadas sobre o fato, inclusive uma ampla reportagem exibida pelo telejornal RJ TV na última quinta-feira, 02. A Petrobrás foi obrigada a se posicionar e disse que a responsabilidade é dos médicos e não da companhia.


Leia também: CPI da Covid quer explicações da Petrobrás sobre adoção de tratamento precoce para os trabalhadores


 

Após quase um mês de pressão sistemática do Sindipetro-RS, cobrando vacinação contra a Covid-19 para os efetivos próprios e terceirizados da Petrobrás que se enquadram no grupo prioritário dos trabalhadores da indústria, os petroleiros da Refap e da UTE Sepé Tiaraju finalmente estão concluindo o processo de imunização nesta terça-feira, 06.

Metade de todo o efetivo da refinaria e da termoelétrica recebeu na última sexta-feira, 03/07, dose única da vacina da Janssen. O restante dos trabalhadores será imunizado hoje. 

Segundo informações da prefeitura de Canoas, cerca de 1,2 mil trabalhadores da Petrobrás devem ser imunizados no total. Uma parte dos petroleiros e petroleiras já havia sido vacinada pela faixa etária ou por integrar outros grupos prioritários.

Diante da ausência de um planejamento corporativo da Petrobrás, foi preciso muita insistência e mobilização do sindicato, através de diversas reuniões com a Secretaria de Saúde de Canoas e com as gerências da Refap e da UTE, para que a imunização fosse garantida a todos os trabalhadores. 

Como o município de Canoas recebeu na última semana novos lotes da vacina da Janssen, que está sendo ministrada em dose única, todos os petroleiros, próprios e terceirizados, que atuam na região puderam ser integralmente imunizados contra a Covid-19.

Por conta disso, a Refap será a primeira refinaria do Sistema Petrobrás a ter os trabalhadores 100% vacinados. Um alento para os petroleiros e petroleiras que estão na linha de frente, se expondo diariamente aos riscos da contaminação. 

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Sindipetro RS cobra Secretaria de Canoas sobre a vacina para os petroleiros

Covid-19: FUP questiona Petrobrás sobre imunização, testagem e protocolos de segurança no retorno ao trabalho presencial

[Imprensa da FUP, com informações do Sindipetro-RS e da prefeitura de Canoas | Foto: Divulgação/Prefeitura de Canoas]

 

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.