O Sinttel-Rio (Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações) informou hoje a morte, na noite de ontem, do operador de rádio Alcyr Lorena, que atuava na plataforma P-53, na Bacia de Campos. O trabalhador é mais uma vítima da covid-19 entre profissionais que atuam em instalações da Petrobrás.

“É com tristeza que o Sinttel-Rio recebe a notícia do falecimento de Alcyr Lorena, operador de rádio GMDSS, plataforma P-53 Bacia de Campos, terceirizado da Petrobras, empregado da empresa Green World, que tem os trabalhadores e trabalhadoras representados pelo nosso Sindicato”, disse a entidade (aqui).

Natural de Niterói, Alcyr morava em Nova Friburgo e tinha passagem por diversas empresas do setor de telecomunicações. Além de operador de rádio, o trabalhador formou-se em Administração de Empresas pela Universidade Candido Mendes. Sua idade não foi informada.

O Sindipetro-NF tem denunciado o avanço da covid-19 em várias áreas da companhia, especialmente em plataformas, em razão da negligência da empresa no cumprimento de medidas de prevenção.

Em luto por mais esta perda, o NF manifesta as suas condolências aos familiares, amigos e colegas de trabalho de Alcyr Lorena. Presente!

[Da imprensa do Sindipetro NF]

Cinco plataformas apresentaram casos de Covid-19 no mês de março

[Comunicado do Sindipetro NF à imprensa]

Devido a um aumento brusco no número de casos de Covid-19 nas plataformas da Bacia de Campos, o Sindipetro-NF encaminhou uma denúncia ao Ministério Público do Trabalho solicitando que a Petrobrás seja notificada e esclareça o motivo do surto da doença no mês de março e apresente todas as medidas por tomadas em relação ao isolamento e testagem dos trabalhadores.

Em apenas um dia nesta semana, foram confirmados 83 novos casos em atividades offshore do país (Petrobrás e outras operadoras), segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Além disso, o Sindipetro-NF recebeu denúncia de casos em cinco plataformas, P-25, P-35. P-38, P-43 e P-63. O caso mais grave e recente aconteceu em P-38, que no dia 11 de março confirmou dois trabalhadores com sintomas da doença e dois dias depois desembarcou sete trabalhadores, sendo seis confirmados após a testagem a bordo.

E no dia 15, apresentou vários novos casos que chegaram a lotar a enfermaria. A estimativa total é que até a última quarta, 17, aconteceram 19 desembarques. “A plataforma suspendeu os trabalhos no convés desde quarta-feira (17/3) depois do almoço, quando os resultados saíram”, informou o coordenador do Departamento de Saúde e Meio Ambiente do Sindipetro-NF, Alexandre de Oliveira Vieira, com base em informações recebidas de trabalhadores da unidade.

Em P-43, cerca de 20 pessoas desembarcaram entre elas, casos confirmados e pessoas que tiveram contato com elas. Segundo denúncias não houve qualquer tipo de isolamento ou distanciamento, e dias depois os profissionais de saúde detectaram mais dois casos de pessoas contaminadas. As pessoas que tiveram contato com os contaminados não foram afastadas da unidade e nem isolados e trabalho na plataforma seguiu normalmente, apesar dos inúmeros indícios de que o vírus mantinha a sua disseminação entre a equipe.

Em P-63, o sindicato recebeu denúncia que a unidade estava com seis suspeitos de contaminação pela doença. Em P-25, sete suspeitos desembarcaram entre os dias 12 e 13 de março e em P-35 no dia 14 de março, quatro pessoas desembarcaram e entre elas uma suspeita.

Testagem

No documento encaminhado ao Ministério Público o Sindipetro-NF questiona novamente a forma de testagem que vem sendo feita no pré-embarque dos trabalhadores. O Diretor do Departamento de Saúde do Sindipetro-NF, Alexandre Vieira, reforça a necessidade de uma nova testagem a bordo para a investigação da possibilidade de falsos negativos, o que vem sendo subestimado, pela gestão da Petrobrás, e na visão de Vieira tem provocado a disseminação da Covid-19 e colocado em risco a vida dos trabalhadores.

Retestagem

O Sindipetro-NF também solicitou que o MPT solicite à Petrobrás que estabeleça um protocolo de retestagem de todos os trabalhadores a bordo das unidades offshore, de 3 a 7 dias após a sua chegada nas unidades, informe a relação entre o trabalho a bordo e a contaminação pelo Covid-19 e reduza o número de pessoas a bordo durante a pandemia.

Dados nacionais

Desde o início da pandemia, a ANP registra um total de 4.743 casos de covid confirmados nas áreas de E&P. Desses, 3.392 acessaram as instalações, de acordo com o painel dinâmico da agência reguladora. Do total de 67 plataformas de petróleo em operação no país, 56 são da Petrobrás (83%).

“Das 67 plataformas em operação no país, 56 são da Petrobras, então, dos 4.743 casos acumulados podemos sem medo de errar, dizer que 3.964 casos ocorrem em unidades da Petrobras, já que ela detém 83% das plataformas em operação”  – afirma Vieira, que critica a suspensão das reuniões da Estrutura Organizacional de Resposta (EOR), orientada para a gestão da crise sanitária, com os sindicatos.


Leia também:

Surtos de Covid-19 aumentam nas plataformas da Petrobrás e P-38 já opera parcialmente

Covid-19 mata operador de rádio da P-53, na Bacia de Campos


 

A decisão está nas mãos do Governo Federal e do Paraná. A reabertura da Fábrica de Fertilizantes para produzir oxigênio hospitalar é urgente, mas Petrobrás tenta fugir da responsabilidade

[Da imprensa do Sindipetro PR/SC]

O Ministério Público Federal (MPF) e do Trabalho (MPT) enviaram no início da semana ofício aos governos federal, estadual e à Petrobrás no qual exigem providências para reativar a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR), localizada em Araucária, região metropolitana de Curitiba. Nos próximos dias, o presidente Bolsonaro e o governador Ratinho Jr precisam decidir se vão produzir oxigênio hospitalar para salvar vidas diante do surto de covid-19 no país e do desabastecimento do produto. 

Já a Petrobrás, nesta tarde (18), emitiu comunicado oficial em que afirma não ter estrutura para produzir oxigênio na fábrica. Para o representante da FUP e ex-empregado da Fafen, Gerson Castellano, “foi uma resposta dada por alguém que não conhece a unidade. Uma posição extremamente lamentável, cruel e mentirosa. Mas nós estamos preparando um laudo com todas as possibilidade e um projeto que mostra como fazer isso. Algo que a empresa deveria fazer”.   

Cada minuto pode ser decisivo, pois as filas de pessoas que buscam por atendimento médico não param de aumentar. Muitos hospitais estão sem medicamentos, com profissionais de saúde estafados, e ainda sofrem com escassez de oxigênio, principal produto para manter os pacientes vivos. 

Os órgãos públicos do judiciário deram prazo de três dias para as autoridades informarem o tempo e o custo necessários para a adequação dos equipamentos a fim de que a unidade passe a produzir o oxigênio hospitalar. 

Também é cobrado pelo MPF e MPT a readmissão imediata de ex-empregados para garantir a máxima produção diária do produto medicinal. O Paraná já começa a enfrentar problemas no fornecimento de oxigênio. Há relatos da falta do produto hospitalar em Curitiba e principalmente nas regiões oeste e sudoeste do estado, onde muitas empresas, inclusive cervejarias, paralisaram suas produções para doar o item essencial. 

Na quarta-feira (17), em Brasília, o presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Petrobrás, senador Jean Paul Prates (PT-RN), se pronunciou em apoio ao ingresso dos órgãos públicos na luta pela reativação da Fafen-PR. “Veja que a importância de uma estatal como a Petrobrás transcende a questão do mercado. Ela é fundamental como braço atuante para o bem estar social brasileiro em horas como essa, da pandemia. A Fafen será obrigada a reabrir para produção de oxigênio hospitalar para salvar vidas”, disse. 

Assista baixo à mensagem completa do senador: 

Sincronizado ao discurso vindo de Brasília, a Frente Parlamentar na Assembleia Legislativa do Paraná já encaminhou documento ao chefe da Casa Civil, Guto Silva, que auxiliará nas negociações com a Petrobrás para reabrir a Fafen-PR. A fábrica tem capacidade para produção diária de 760 mil m3 de oxigênio hospitalar (Leia AQUI). Já no Congresso Nacional, o deputado paranaense Gustavo Fruet informou que vai providenciar uma consultoria legislativa para saber o que pode ser feito via Câmara Federal.  

O Sindipetro Paraná e Santa Catarina considera as ações vindas do judiciário e das forças políticas fundamentais. “Temos que lembrar que estamos numa situação similar a uma guerra e nesses momentos a indústria precisa se voltar para o enfrentamento do problema. É surreal que após um ano do início da pandemia não tenhamos um plano nacional que vá de encontro às necessidades dos brasileiros. É a vida em primeiro lugar”, explica Alexandro Guilherme Jorge, presidente do Sindicato.  

Fafen contra a Covid-19 

Fechada desde março do ano passado, a unidade entrou em operação no Paraná em 1982. A capacidade de produção anual já foi de 700 mil toneladas de ureia e 475 mil toneladas de amônia, além de produzir o Agente Redutor Líquido Automotivo (Arla 32) e gerar cerca de mil empregos diretos. 

Tecnicamente a unidade possui uma planta de separação de ar, que, com uma pequena modificação, pode ser convertida para produzir oxigênio hospitalar. Esse é um dos processos que ocorre para a produção da amônia, matéria prima utilizada na fabricação da ureia, que era o principal insumo gerado na fábrica. 

Hoje o Paraná está com 96% de lotação nas UTIs, segundo a Fiocruz. Na visão dos pesquisadores, trata-se do maior colapso sanitário e hospitalar da história do Brasil. Das 27 unidades federativas, 24 estados e o Distrito Federal estão com taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos no Sistema Único de Saúde (SUS) iguais ou superiores a 80%, sendo 15 com taxas iguais ou superiores a 90%.

 

Publicado em Sistema Petrobrás

Nesta sexta-feira, 19, os petroleiros completam 15 dias de mobilização em greves regionais que estão sendo realizadas nas bases da FUP em quatro estados do país: Bahia, Amazonas, Espirito Santo e São Paulo. O movimento ganhará o reforço na segunda-feira, 22, dos trabalhadores da Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais, que estão em luta por condições seguras de trabalho. O sindicato enviou hoje comunicado de greve para a gestão da refinaria, que, apesar da situação gravíssima da pandemia da Covid-19 em Betim e em todo o estado de Minas Gerais, mantém a parada de manutenção, aglomerando mais de dois mil trabalhadores na unidade. Segundo o Sindipetro-MG, a Regap vem tendo surtos seguidos da doença, que já contaminou 220 trabalhadores próprios e terceirizados só no mês de março, 84 deles de um mesmo setor da refinaria. Já são 12 petroleiros internados em decorrência da doença.

A segurança é um dos eixos das greves regionais que estão denunciando os impactos das privatizações no Sistema Petrobrás, como a precarização das condições de trabalho, os riscos de acidentes e o avanço da Covid-19 nas instalações da empresa. 

Nesta sexta, os trabalhadores do Terminal Madre de Deus (Temadre), na Bahia, intensificaram as mobilizações, exigindo medidas de segurança e testagem em massa. "Alguns trabalhadores do turno relataram estar há meses sem testar para Covid, então o sindicato só permitiu a entrada, após a gerência garantir a testagem da turma", informa o coordenador da FUP e diretor do Sindipetro BA, Deyvid Bacelar. Por força da mobilização da categoria, o sindicato conseguiu garantir da gerência do terminal o compromisso de que será implementada testagem em massa para todos os trabalhadores do turno no retorno da folga, ou seja, a cada 10 dias. “Nesse período inicial, o limite será a cada dois turnos, avançando para a testagem a cada retorno”, esclarece o petroleiro.

O desmonte da Transpetro reduziu a um terço os efetivos do Temadre, aumentando os riscos de acidentes e impondo dobras e jornadas exaustivas aos trabalhadores. A mesma situação de risco e insegurança afetam os trabalhadores da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), que está sendo adquirida por um fundo de investimentos árabe, o Mubadala. Só entre os trabalhadores próprios da Rlam, o sindicato já contabilizou cerca de 90 contaminados e duas mortes nas últimas semanas em decorrência da doença. "Apesar deste cenário tenebroso, o gerente geral da Rlam continua agindo de forma irresponsável, sem tomar as devidas medidas de segurança que nós estamos cobrando desde o ano passado. Além disso, omite dados de Covid relacionados ao trabalhadores terceirizado, que são os que mais se contaminam nas unidades operacionais. Esse é, inclusive, um dos pontos de pauta da categoria que a gestão se nega a atender", explica o coordenador da FUP, que também é funcionário da Rlam. 

Na Refinaria de Manaus (Reman), os trabalhadores participaram de um ato pela manhã organizado pelo sindicato durante a entrada dos funcionários da Liga, empresa terceirizada que, finalmente, depositou o salários dos trabalhadores, após várias mobilizações da categoria. “Continuamos atentos e vigilantes. Se precisar, faremos novas mobilizações. A luta contra a precarização e o desmonte da Reman é em defesa dos direitos e da segurança dos petroleiros, sejam eles próprios ou terceirizados”, afirma o coordenador do Sindipetro AM, Marcus Ribeiro.

No Espírito Santo, onde os trabalhadores da UTG-C, dos campos terrestres e das plataformas vêm participando das mobilizações, a greve foi ampliada para a UTG-SUL. Para protestar contra as péssimas condições de trabalho, os petroleiros iniciaram na terça-feira, 16, uma "greve de alimentação", com boicote produtos fornecidos pela Petrobrás. "Essa situação extrapolou o limite do aceitável após o novo contrato de llimentação da Unidade, onde as cozinheiras precisam fazer mágica com os produtos de péssima qualidade oferecidos pela empresa. Diante dessa situação, estamos pagando a alimentação desses trabalhadores, incluindo o lanche da tarde", afirma o coordenador do Sindipetro-ES, Valnisio Hoffmann, informando que o sindicato já enviou diversos ofícios para a empresa, com relatos dos trabalhadores reclamando da alimentação, mas a gerência continua omissa.

Na Usina de Xisto (SIX), no Paraná, a greve pode ser deflagrada a qualquer instante, pois a gestão da unidade se negar a negociar com o Sindipetro e não respondeu a pauta de reivindicações aprovada pelos trabalhadores. A categoria iniciou na quinta-feira, 18, assembleias para decidir sobre o início da greve.

A greve também movimenta também as bases operacionais representadas pelo Sindipetro Unificado de São Paulo, onde nesta sexta-feira foram mobilizados os trabalhadores do Terminal de São Caetano. 

Em Pernambuco, os trabalhadores da Refinaria Abreu e Lima também aprovaram a greve e têm participado de mobilizações preparatórias para o movimento. 

Combustíveis a preços justos

Os sindicatos da FUP continuam intensificando as ações solidárias de descontos para a população na compra de combustíveis, mobilização iniciada em 2019 para debater com a sociedade a importância da Petrobrás enquanto empresa estatal e a urgência de uma política de Estado para o setor de óleo e gás, que garanta o abastecimento nacional de derivados de petróleo, com preços justos para os consumidores. 

Nesta sexta, o Sindipetro Bahia concluiu mais uma rodada de mobilizações, com vendas subsidiadas de 12.300 litros de gasolina em quatro municípios do interior e na capital do estado. A ação de hoje foi em Salvador, onde foram distribuídos 3.300 litros a R$ 3,50 o litro, quase metade do preço praticado no mercado, em função da política preço da Petrobrás que tem por base a paridade de importação (PPI). A atividade teve grande repercussão e serviu para denunciar essa política, que foi implementado em outubro de 2016, durante o governo de Michel Temer e mantida pelo governo de Jair Bolsonaro, impondo sérios prejuízos aos consumidores brasileiros, pois vincula os preços dos derivados nas refinarias às variações do dólar e do barril de petróleo no mercado internacional. Por conta disso, a cada 15 dias, em média, a Petrobras anuncia um novo aumento nos preços. Só este ano, a gasolina subiu seis vezes, acumulando um aumento de 54,3%.

Na quinta-feira, 18, a ação do preço justo foi em Manaus, onde o Sindipetro Amazonas beneficiou 100 taxistas e 50 mototaxistas que pagaram R$ 3,50 pelo litro da gasolina. Foram distribuídos 2.500 litros de gasolina. A ação ocorreu em parceria com o Sindicato dos Taxistas do Amazonas (Sintax-AM) e com o Sindicato dos profissionais Mototaxistas de Manaus (Sindmoto).

No Espírito Santo, os petroleiros distribuíram na  (quarta-feira (17/03) mais 200 cupons de desconto de R$ 2,00 para motoristas de carros e motocicletas que abasteceram os veículos com gasolina em um posto de Vitória. Ao todo, foram subsidiados 3 mil litros do combustível.

Veja as fotos do 15º dia de greve:

e0753106-bd65-4fc6-8222-daf69c724189-1
497d6ab6-74a6-4a5a-9af2-92004b4ac40f
31db15f7-7b13-4105-a5d9-176750a37f50
ccd178eb-4ff6-4297-b206-e2002208ebb4
18521381-ca74-48e3-a90e-f6f2205d2c56
04ee98ce-c239-4a07-8ba2-9550345dee8b
reman
e118b303-5d1b-4465-bd7f-c634fff6f7cc
6f81d36e-c876-4bb2-b4c9-bd584dcf55ec
6d1f98cd-1ba3-4bc3-8064-fb0878e53121

Publicado em Sistema Petrobrás

Gestão da Petrobrás ignora surtos de Covid-19, que já contaminaram mais de 200 petroleiros só no mês de março, 84 deles de um mesmo setor da refinaria

[Da imprensa do Sindipetro MG]

O Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro/MG) comunicou nesta sexta-feira, 19/03, a gerência geral da Refinaria Gabriel Passos (Regap) sobre a realização de greve por tempo indeterminado a partir da próxima segunda-feira, dia 22.

O objetivo do movimento é defender a vida e os direitos da categoria, pauta que ganhou ainda mais importância diante dos aumentos de mortes por Covid-19 e o descaso da empresa em respeitar as medidas de segurança para conter a contaminação dentro da unidade.

Além disso, a pauta retoma as reivindicações da greve que teria início no dia 28 de fevereiro, mas foi suspensa devido a sinalização de negociação por parte da empresa. No entanto, como a negociação não progrediu por falta de interesse da empresa, a categoria irá dar continuidade ao chamado de greve.


Leia também: 

Regap é foco de Covid-19 na região metropolitana de BH

Surtos de Covid reforçam exigência do Sindipetro MG de suspensão de parada de manutenção na Regap

Em pleno surto de Covid-19, gestão da Regap enrola em negociação com o sindicato


Abaixo, veja a pauta de reinvindicações completa:

1-  Recomposição de efetivo;

2 – Retorno ao número mínimo anterior ao O&M;

3 – Manutenção das atividades executadas por trabalhadores próprios – Fim da terceirização das atribuições e tarefas inerentes aos cargos do quadro de trabalhadores próprios da Petrobrás;

4 – Minuta da tabela de turno;

5 – Não alteração de THM durante parada de manutenção;

6 – Realização de periódicos durante a jornada de trabalho;

7- Anulação das punições aplicadas à trabalhadores em razão a participação da greve de fevereiro de 2020;

8 – Regulamentação do teletrabalho;

9 – Reembolso das horas indevidamente descontadas em janeiro 2021 em descumprimento do acordo realizado no TST decorrente da greve de fevereiro de 2020;

10 – Falta de medidas adequadas de prevenção ao novo coronavírus em razão da aglomeração excessiva de trabalhadores próprios/terceirizados agravados pelas paradas de manutenção;

11 – Interrupção e estorno das cobranças abusivas realizada na AMS.

 

Quinta, 18 Março 2021 11:52

Que Petrobras queremos?

"A Petrobrás e seus gestores têm a chance de mostrar ao país e ao mundo o significado de o que é ser uma empresa cidadã e responsável. De nada adianta ir ao pré-sal retirar óleo se na superfície não pode salvar vidas", afirma o diretor da FUP, Gerson Castellano, ao provocar a gestão da empresa para que atenda à determinação do Ministério Público para que a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen) seja reaberta. A unidade poderia estar produzindo desde o ano passado 760 mil metros cúbicos de oxigênio hospitalar por dia. No momento em que a pandemia da Covid-19 avança de forma assustadora no Brasil e o sistema de saúde entra em colapso, essa medida salvaria milhares de vida.

Leia o desabafo indignado de Castellano*, publicado na Revista Forum:

Mais uma vez a gestão atual da Petrobrás mostra a quem ela serve. Ao mercado e somente ele. O MPT-PR através de sua procuradora chefe Margaret Matos de Carvalho e o procurador Fabrício Gonçalves de Oliveira e o MPF-PR através da procuradora Indira Bolsoni Pinheiro, diante da crise hospitalar que vivemos por conta da pandemia requisitaram à Petrobrás no dia 15/03/2021 que:

“No prazo de 3 (três) dias INFORME:

a) A possibilidade de REATIVAÇÃO IMEDIATA da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados – FAFEN-PR com o objetivo de produzir oxigênio hospitalar/medicinal;

b) O tempo e o custo para a adequação dos equipamentos da Fafen-PR, para a produção de oxigênio medicinal/hospitalar, com a URGÊNCIA que a situação requer;

c) A possibilidade de readmissão imediata dos ex-empregados da FAFEN-PR, tantos quantos se fizerem necessários para a produção máxima diária de oxigênio hospitalar/medicinal;

d) A identificação da capacidade máxima diária de produção de oxigênio hospitalar/medicinal, após a adequação dos equipamentos;

e) Outras informações que julgar convenientes.”

Na terça-feira (16/03/2021), chegamos a 282.217 mortos, na quarta-feira (17/03) batemos o recorde de  3.149 mortes e especialistas já projetam 4 mil mortes diárias no Brasil. Enquanto isso a Petrobrás responde pela imprensa a esta calamidade:

A Petrobrás “descartou” o uso da FAFEN-PR para toda e qualquer atividade, não só oxigênio hospitalar. A unidade nunca produziu oxigênio hospitalar porque nunca precisamos tanto dele como agora. Nunca tivemos uma pandemia global desta magnitude e alcance. Nunca uma resposta foi tão fria e insensível como esta.

*Gerson Castellano é Diretor de Relações Internacionais e Setor Privado da FUP e um dos mil trabalhadores da Fafen-PR que foram demitidos após o fechamento da fábrica, em março do ano passado

** Foto da greve dos petroleiros em fevereiro de 2020 contra o fechamento da Fafen-PR


Leia também: Ministério Público entra na briga pela reabertura da Fafen-PR, que poderia estar produzindo oxigênio para tratamento da Covid


Reportagem de Denise Luna para o jornal Estado de São Paulo repercute a resposta da Petrobrás à determinação do MPT e do MPF do Paraná:

PETROBRAS RESPONDERÁ AO MPF, MAS DIZ QUE FAFEN-PR NÃO TEM CONDIÇÕES DE PRODUZIR OXIGÊNIO

Rio, 16/03/2021 – A Petrobras descartou o uso da Araucária Nitrogenados S/A (Ansa/Fafen-PR) para produção de oxigênio no Paraná, como solicitado à Justiça por sindicatos de petroleiros. Nesta terça-feira, os Ministérios Públicos Federal e do Trabalho do Paraná enviaram ofício à estatal questionado quais seriam as ações necessárias para produzir oxigênio hospitalar na unidade.
A estatal afirmou ao Broadcast que “prestará os devidos esclarecimentos aos órgãos”, mas que a Ansa encontra-se hibernada desde 2020 e jamais produziu oxigênio hospitalar em toda a sua existência.

Além disso, não existe estrutura operacional para produção, estocagem e transporte de oxigênio medicinal na planta da Ansa, porque se tratava de uma indústria de produtos petroquímicos, com composição diferente do oxigênio medicinal utilizado em unidades hospitalares”, informou.

Segundo a Petrobras, a composição físico-química, a pressão e a temperatura do gás gerado no processo produtivo da Ansa não guardam relação com as especificações do oxigênio medicinal.

A estatal ressalta que segue apoiando a sociedade e os governos locais no combate à pandemia de covid-19 por meio de doações de testes, combustíveis, materiais de higiene e, recentemente, de cilindros de oxigênio.”

A Petrobrás “descartou” o uso da FAFEN-PR para toda e qualquer atividade, não só oxigênio hospitalar. A unidade nunca produziu oxigênio hospitalar porque nunca precisamos tanto dele como agora. Nunca tivemos uma pandemia global desta magnitude e alcance. Nunca uma resposta foi tão fria e insensível como esta.

A Petrobrás mente quando diz que não pode produzir oxigênio hospitalar. Diversos engenheiros e operadores daquela unidade sabem disso e reforçam o pedido do MPT-PR e MPF-PR. O que basta é vontade de fazer isso acontecer. A Petrobrás tem engenharia, mão de obra especializada e uma unidade pronta para produzir oxigênio hospitalar e salvar vidas.

O desdém com as mortes e a iniquidade com o sofrimento dos internados que precisam de oxigênio ainda são reforçados com o final de sua resposta, onde fala sobre doações apenas. O que a sociedade quer é uma Petrobrás que sirva como ferramenta de desenvolvimento do país. Não quer uma Petrobrás que faz acordos milionários com acionistas dos EUA, que só se preocupa com o mercado, que extrai petróleo no Brasil, refina no Brasil, paga em reais seus trabalhadores e cobra da população combustíveis e gás de cozinha com preços internacionais e baseados em dólar.

A Petrobrás e seus gestores têm a chance de mostrar ao país e ao mundo o significado de o que é ser uma empresa cidadã e responsável. Se neste momento ela se negar a atender aos pedidos do MPT-PR e MPF-PR, não existe mais razão dela existir. De nada adianta ir ao pré-sal retirar óleo se na superfície não pode salvar vidas.

 

 

 

Publicado em Sistema Petrobrás

A FUP vem cobrando há um ano a reabertura da fábrica fechada pela gestão da Petrobrás em plena pandemia. A unidade tem capacidade para produzir diariamente até 760 mil metros cúbicos de oxigênio hospitalar

[Com informações da CUT]

O Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Trabalho (MPT) entraram na briga pela reabertura da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR), localizada em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba. A unidade tem capacidade para produção de 760 mil m3 de oxigênio diariamente e foi fechada por Jair Bolsonaro (ex-PSL) no início da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), em março do ano passado. A quantidade é suficiente para atender 10 vezes o Amazonas durante o pico da pandemia. Na metade de janeiro a demanda por oxigênio hospitalar no estado alcançou os 70 mil metros cúbicos (m3)  por dia, segundo a Agência Brasil.

O alerta foi feito pelos petroleiros, em janeiro deste ano. "Enquanto os pacientes com Covid dos hospitais de Manaus estão morrendo sufocados pela falta de cilindros de oxigênio, em meio ao colapso do sistema de saúde, diante de mais um pico da pandemia no estado do Amazonas, a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Petrobrás no Paraná poderia estar produzindo 30 mil metros cúbicos de oxigênio por hora. Isso daria para encher 30 mil cilindros hospitalar pequenos, com capacidade média de 20 inalações de 10 minutos", informou a FUP em reportagem publicada pelo site da entidade. “A Fafen-PR tem uma planta de separação de ar, que, com uma pequena modificação, poderia ser convertida para produzir oxigênio hospitalar, ajudando a salvar vidas nesse momento dramático da pandemia, que atinge novos picos em diversos estados do país”, explicou na época o diretor da Federação, Gerson Castellano, um dos mil funcionários da fábrica de Araucária que foram demitidos, após o fechamento da unidade. 

Em função destas denúncias, o MPF e o MPT encaminharam, nesta segunda-feira (15), um ofício ao governador do Paraná, Ratinho Júnior, pedindo a reativação imediata da fábrica, uma vez que pequenas alterações na sua planta seriam suficientes para adaptar as máquinas para a produção de oxigênio hospitalar.

No documento, os procuradores pedem ainda que no prazo de três dias, seja informado o tempo e o custo necessário para esta adequação, além da readmissão imediata dos ex-trabalhadores da fábrica para garantir a produção e que seja apurada a capacidade máxima de produção a partir das mudanças necessárias.

O documento encaminhado ao governador cita a falta de oxigênio em Manaus, a evolução da ocupação de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) em todo o Brasil, a proximidade de um cenário caótico na rede hospitalar em todas as regiões do País e que o próprio governo do Paraná “já foi acionado, por diversas vezes, quanto à reativação da FAFEN-PR”.

O Ministério Público Federal e do Ministério Público do Trabalho ainda reforçaram, no ofício, o fato de o executivo paranaense não poder alegar desconhecimento da situação. Segundo eles, é “do conhecimento do Governo do Estado do Paraná a possibilidade de vir a faltar oxigênio hospitalar/medicinal para atendimento da demanda em território paranaense e, ainda, que a FAFEN-PR pode vir a suprir grande parte dessa demanda”.

O fato do Paraná, assim como outros estados da federação, estarem racionando o uso de oxigênio em virtude da ampliação do número de novos casos da doença causada pelo Sars-Cov-2 também foi registrado no oficio encaminhado ao governador. O objetivo é evitar novo desabastecimento da substância e mais mortes, a exemplo do que aconteceu em Manaus em janeiro deste ano.

O mundo inteiro precisa de nós, diz ex-trabalhador da Fafen-PR

O ex-trabalhador da empresa e dirigente do Sindiquímica-PR, Santiago Santos, lembra que a luta da categoria ia além da manutenção dos postos de trabalho. “Nossa luta foi pelos empregos, das pessoas, das famílias da nossa região. Mas também contra a desindustrialização do nosso Estado e pela soberania. Neste momento está sendo requisitado o oxigênio. O mundo inteiro precisa e nós, aqui no Paraná, poderíamos ter uma empresa fornecendo para toda a população ter acesso, uma empresa do Governo Federal e que está parada. Uma grande contradição”, destacou o dirigente, ressaltando que o fechamento da Fafen-PR deixou mais de mil trabalhadores e trabalhadoras desempregados.

Segundo ele, a entrada do Ministério Público na briga pela reabertura da fábrica fortalece o movimento.  “Toda iniciativa é importante e precisamos nos somar a todas elas. Temos nos Sindiquímica ações populares pedindo a reabertura e questionando o fechamento. Ainda estamos debatendo com parlamentares esse tema. Com a entrada do Ministério Público nesse cenários só temos a ganhar”, completou.

Desde que foi fechada, entidades e partidos pressionam pela sua reabertura. Ainda em janeiro, o Partido dos Trabalhadores ingressou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) que pedia a reabertura da fábrica.

Na última quarta-feira (10) foi a vez de uma frente parlamentar no Paraná pressionar pela volta das atividades Fafen-PR. Deputados estaduais do PT e do PMDB enviaram um ofício ao chefe da Casa Civil, Guto Silva, pedindo providências para a solução do problema que em um futuro próximo pode custar a vida de muitos paranaenses.

Publicado em Sistema Petrobrás

O Sindipetro-ES ajuizou ação judicial contra a Petrobrás visando a suspensão da exigência de submissão dos/das trabalhadores/as a cursos presenciais, em razão da pandemia da Covid-19, que assola o país. A ação defende, ainda, o pagamento de indenização por danos morais coletivos e individuais (aos que já tiveram que se submeter a cursos durante a pandemia).

A liminar foi favorável ao sindicato, e deferida “para que seja determinado à reclamada que se abstenha de promover cursos presenciais, bem como de exigir dos substituídos a participação, até que cesse a pandemia da Covid-19”. Em caso de descumprimento da ordem, será aplicada multa de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais).

A empresa vem promovendo cursos listados como obrigatórios pela Marinha do Brasil, de maneira presencial, sem a observância das devidas medidas de segurança no combate ao contágio do novo coronavírus, o que gera grave risco aos/às trabalhadores/as integrantes desses treinamentos. Portanto, foi necessária a intervenção do sindicato para evitar danos à saúde dos/das petroleiros/as.

A Petrobrás deve ser intimada da decisão ainda nesta terça-feira, dia 16 de março. E o cumprimento tem que ser imediato.

[Da imprensa do Sindipetro ES]

Procedimento incluiria mais dois mil trabalhadores no parque industrial e invariavelmente causaria grandes aglomerações durante o momento mais crítico da crise sanitária.

 

[Imprensa do Sindipetro PR/SC]

O Sindicato recebeu no último sábado (13) a resposta aos ofícios enviados à Repar que requisitaram o adiamento da parada de manutenção e inspeção de equipamentos de algumas unidades. 

A gestão da refinaria comunicou que, após a análise dos cenários interno e externo e os limites seguros para realização da intervenção, definiu pela postergação para 12 de abril. 

Na semana passada, além de cobrar a Repar, o Sindipetro PR e SC denunciou a situação para vários órgãos públicos, como o Ministério Público Estadual (MPPR), Ministério Público do Trabalho (MPT- PR), Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE-PR), secretarias de saúde estadual e de Araucária. 

A parada de manutenção necessita de cerca de dois mil trabalhadores a mais na rotina da refinaria, o que causa aglomerações por todos os cantos do parque industrial. Portanto, adiar esse processo no ápice da pandemia do coronavírus é uma decisão prudente. 

O Sindicato continuará atento às condições sanitárias e às taxas de ocupação dos hospitais de Araucária e Região para verificar se a parada de manutenção poderá ser realizada na nova data apontada, visando a segurança de todos os trabalhadores. 

Denúncias

Qualquer situação de risco sanitário que a gestão da refinaria não tenha tomado providências deve ser comunicada imediatamente ao Sindicato, tais como aglomerações em oficinas, containers, refeitórios, transporte e alojamento, principalmente no período de serviços de pré-parada. As denúncias devem ser feitas através do e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou do telefone (41) 3332-4554. Se preferir, trate o assunto diretamente com os dirigentes sindicais nos locais de trabalho.

 

Segunda, 15 Março 2021 12:02

Petroleiros completam 11 dias de greve

Os petroleiros da Refinaria Landulpho Alves (Rlam) entram nesta segunda-feira, 15, no 11º dia de greve, cobrando condições seguras de trabalho, manutenção dos empregos e dos direitos que estão ameaçados pela venda da unidade para o fundo de investimetos árabe Mubadala. Além da Rlam, outras bases da FUP estão mobilizadas, denunciando os impactos das privatizações nas condições de trabalho e segurança. São elas a Refinaria de Manaus (Reman), as unidades da Petrobrás no Espírito Santo e as bases operacionais representadas pelo Sindipetro Unificado de São Paulo. 

Na Bahia, a greve conta com a participação dos trabalhadores dos campos de produção terrestre e do Terminal de Madre de Deus (Temadre), cujos trabalhadores também foram impactados pelas vendas de ativos e pelo desmonte da Petrobrás no estado. Na manhã desta segunda-feira, 15, houve mobilização nas bases de produção de Candeias (OP-CAN/EVF/UPGN), no Temadre e na Rlam.

Outras bases da FUP que aprovaram a greve devem fortalecer o movimento nos próximos dias. Estão sendo feitos atrasos desde a semana passada nos turnos da Regap, em Minas Gerais, da Refinaria Abreu e Lima e do Terminal Aquaviário de Suape, em Pernambuco. No Paraná, a greve também foi aprovada na Usina de Xisto (SIX), onde os trabalhadores estão se organizando para somarem-se às mobilizações. 

A defesa da vida é um dos principais eixos da greve. Em meio ao maior desmonte da história do Sistema Petrobrás, com diversas unidades já privatizadas e fechadas e outras tantas em processo de venda, os petroleiros enfrentam graves ataques no ambiente de trabalho, além da insegurança causada pela pandemia. Vários trabalhadores estão esgotados, física e psicologicamente. Sem diálogo com os sindicatos, as gerências submetem a categoria a jornadas exaustivas e a multifunções, seja no trabalho presencial ou remoto, paralelamente às transferências compulsórias e ao descumprimento do Acordo Coletivo. 

Assim como o governo Bolsonaro, a gestão Castello Branco vem negando recomendações, normas e protocolos de segurança dos órgãos de saúde e de fiscalização para prevenir de forma eficaz o avanço da pandemia da Covid-19 na Petrobras. Mais de 11% dos trabalhadores da Petrobrás já se contaminaram. Isso equivale ao dobro da média nacional. A cada semana, são mais de 400 trabalhadores infectados e uma média de 20 hospitalizados. Esses números, apesar de altos, são subnotificados, pois a Petrobrás insiste em não divulgar os dados dos trabalhadores terceirizados. Em meio às privatizações, a categoria petroleira ainda é obrigada a conviver com o pavor de ser contaminada pelos surtos semanais que estão ocorrendo nas plataformas, refinarias e terminais. Informações obtidas pela FUP revelam que mais de 60 trabalhadores próprios e terceirizados já perderam a vida em consequência da Covid.

Pandemia de absurdos

No domingo, uma semana após a morte do operador da Rlam, Carlo Alberto, por complicações geradas pela Covid, mais um trabalhador da refinaria faleceu após ser infectado. Wagner Plech, de 52 anos, era técnico de operação e coordenador de turno, com 35 anos de trabalho na Petrobrás, dois filhos e esposa. "Essas mortes são fruto da incompetência administrativa e gerencial da Petrobrás na Rlam, que não tem adotado as medidas necessárias para preservar a vida dos trabalhadores próprios e terceirizados, apesar de toda cobrança que vem sendo feita pela direção do sindicato", afirma Radiovaldo Costa, diretor Sindipetro Bahia, informando que a entidade irá processar o Gerente Geral da Rlam para que seja responsabilizado civil e criminalmente por expor a vida dos trabalhadores em risco.

A Rlam é uma das unidades do Sistema Petrobrás que vem sendo afetada pela negligência da direção da empresa no combate à pandemia. Nas últimas semanas, foram relatados surtos de Covid com mais de 80 trabalhadores contaminados na refinaria. Ainda assim, a gerência chegou a insistir em manter as paradas de manutenção que colocariam em risco mais de 2 mil trabalhadores aglomerados na unidade. Só após o início da greve, é que a a gestão da Petrobrás resolveu suspender o início das paradas na Rlam

Na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais, o Sindipetro também denunciou a ocorrência de surtos de Covid entre os trabalhadores. "Um dos setores atingidos é o DH com oito casos confirmados. Outro setor sob atenção é o Coque, com sete casos. A situação é preocupante, uma vez que este cenário deve se agravar nos setores que estão em parada de manutenção, como o Coque. Além disso, vale lembrar que os trabalhadores da parada e os da refinaria estão compartilhando o mesmo transporte, o que pode favorecer o contágio. Para piorar a situação, há gerentes setoriais que não direcionam os trabalhadores com suspeita para avaliação médica, autorizando pessoas que podem estar com Covid-19 a trabalhar sem a devida triagem", alerta o Sindipetro-MG.

Apesar da gravidade do problema, a gestão da Regap se nega a atender as reivindicações dos trabalhadores, que aprovaram greve por tempo indeterminado e ameaçam parar as atividades se a Petrobrás não garantir o atendimento da pauta da categoria. “Cobramos respostas imediatas da empresa sobre outros temas importantes para a categoria, como a falta de efetivo, a redução do número mínimo e, principalmente, a falta de condições seguras para a realização da Parada de Manutenção no pior momento da pandemia no Brasil. Já são 15 casos confirmados na operação em 2 semanas, inclusive envolvendo pessoas que estiveram em um mesmo refeitório. Já temos casos de companheiros contaminados que não conseguiram se internar, por falta de leitos em BH. Não iremos aceitar que coloquem o lucro acima da vida da categoria”, afirma Alexandre Finamori, coordenador do Sindipetro-MG.

  • 91c28390-12b0-432d-a44b-e91310862781
  • 9c685531-572e-4bb4-bd81-30f8390f00b1
  • d1fe1d4e-e2c8-4a55-9f55-47da0a89ce65
  • e5a8baaf-39bc-4766-8a86-77d7ea172bbc
  • abbddf50-e672-4f52-8ac4-d6e7517b3a3a
  • 85892703-95ef-425c-a0fe-6ed8d0638ac2
  • 126ba951-c123-4fde-8743-6e47c4156737
  • 174e133f-d29b-42e6-8b9d-e5be8bfdac4a
  • 60d2e1b5-7e4e-4fa4-ab2e-05c58b9caaef
  • 56ea099e-81a8-4f93-a62e-1f1e726fc8b1

[Da imprensa da FUP]

 

Publicado em Sistema Petrobrás
Página 9 de 12

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.