Motivos não faltam para a população ir às ruas neste sábado, ampliar a luta pelo impeachment de Bolsonaro. Estar nas ruas neste momento, com todas as medidas de proteção contra covid-19, é defender o direito à vida, à vacina no braço, à comida no prato. É lutar por empregos, democracia, cultura, preservação do meio ambiente, educação e saúde pública de qualidade, direitos humanos, justiça social e um país para todos e para todas.

A CUT elencou 24 razões para irmos às ruas e fazer deste 24 de julho de 2021 uma data histórica na jornada de luta pela reconstrução do Brasil. Veja abaixo:


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[Da redaçção da CUT]

Neste sábado (24), serão realizados centenas de atos em todo o país e no exterior pelo impeachment de Jair Bolsonaro (ex-PSL). Os organizadores avaliam que serão as maiores mobilizações pelo ‘Fora, Bolsonaro’ já realizadas até agora.

motivos para pedir a destituição do pior presidente da história do Brasil não faltam. Desde que assumiu a presidência da República, ele afundou a economia, aumentou o desemprego, colocou o Brasil de volta ao mapa da fome, atacou a democracia e retirou direitos trabalhistas, entre tantas maldades praticadas por um só governante.

O país está assistindo estarrecido as denúncias de corrupção que atrasaram a compra de vacinas contra Covid-19 que poderiam ter salvado milhares de vida e o que o presidente faz? Passeios de motociata, sem máscaras e sem cuidados para evitar a contaminação.


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Cansada de tantos desmandos a população decidiu ir às ruas pedir pelo ‘Fora Bolsonaro’, e se você ainda tem dúvidas sobre os motivos para ocupar as ruas se unir aos que lutam pelo Brasil e pelos brasileiros, o Portal CUT listou 24 razões para você protestar.

01 – Governo genocida e negacionista

Já são quase 550 mil mortos desde que a pandemia do novo coronavírus chegou ao Brasil, em março do ano passado. Bolsonaro defende até agora o tal tratamento precoce com a prescrição de remédios ineficazes, que a Organização Mundial da Saúde (OMS), e diversas autoridades sanitárias, afirmaram mil vezes que não funcionam.  Os donos de farmacêuticas, agradecem Bolsonaro e estão na linha de frente dos que defendem o seu governo. Não é por menos, eles lucraram até R$ 1 bilhão vendendo os remédios, que são inúteis para a Covid-19.

E, para piorar a situação, enquanto países de todo o mundo começavam a imunizar as suas populações, Bolsonaro demorou em iniciar a compra de vacinas, defendendo a “imunidade de rebanho” e  atrasando de propósito a imunização dos brasileiros e brasileiras.

02 – A volta da inflação

Nos últimos 12 meses, o índice da inflação no país chegou a 8,35%. O trabalhador perdeu o poder de compra e as famílias brasileiras estão cada vez mais endividadas 69,7% das famílias iniciaram o segundo semestre de 2021, atoladas com contas a pagar. Também, pela segunda vez consecutiva, houve alta na inadimplência.

03- Alta nos preços dos alimentos

O brasileiro trocou a carne e o frango pelo ovo, mas ainda assim não consegue comer proteínas em quantidade suficiente, como recomendam os médicos. Há famílias inteiras fazendo filas para ganhar um quilo de osso, com pequenos pedaços de carne, em Cuiabá (MT), que por ironia, é um dos estados mais ricos do país, com a criação de gado e o agronegócio. Os preços do arroz, do óleo de cozinha, entre outros alimentos, dispararam deixando o prato do brasileiro mais magro. Em 2020 tudo ficou mais caro. A carne suína subiu 29,5%; o frango (17,1%); a carne bovina (16,2%); e o ovo (11,4%).

04- Aumentos dos combustíveis, gás de cozinha e contas de luz

Ao contrário do que prometeu Bolsonaro – não aumentaria os preços dos combustíveis -, o que se vê são reajustes atrás de reajustes. Nos últimos 12 meses a alta chegou a 43,92%. O botijão de gás já subiu 57% durante o governo Bolsonaro e chega a R$ 125 em alguns locais, o que fez muitas famílias brasileiras trocaram o gás de cozinha pela lenha e as consequências são desastrosas com perigo de acidentes e mortes. As contade luz também dispararam. Somente no mês passado, o governo reajustou a bandeira vermelha, a mais cara cobrada sobre a conta, em 20%.

05 – O Brasil de volta ao Mapa da Fome

O Brasil havia saído do Mapa da Fome, em 2014, no governo Dilma Rousseff (PT). Com Bolsonaro, quase 50 milhões de brasileiros passam fome ou não comem o suficiente. Entre 2018 e 2020, 7,5 milhões de brasileiros passaram ao menos um dia inteiro sem se alimentar. Quase um quarto dos brasileiros (23,5%) passou por insegurança alimentar moderada (dificuldade e restrição no acesso a alimentos – não faz as 3 refeições por dia), entre 2018 e 2020, o que significa ao todo 49,6 milhões de pessoas. O número de pessoas em insegurança alimentar grave (7,5 milhões ) é quase o dobro do que se verificava entre 2014 e 2016, quando 3,9 milhões de brasileiros passavam por essa situação.

06 – Desemprego recorde

A Taxa de desemprego bate recorde, vai a 14,7% e atinge 14,8 milhões de trabalhadores. A taxa de subutilização, de 29,7%, atingiu 33,3 milhões de pessoas . A informalidade chegou a  39,8% da população ocupada, ou 34,2 milhões de trabalhadores informais, fazendo bicos para sobreviver. A A taxa de desalentados  pessoas que desistiram de procurar emprego depois de muito tentar, atingiu 6 milhões de trabalhadores no trimestre encerrado em abril.

07 – Corte no auxílio emergencial

Bolsonaro reduziu a quantidade de pessoas com direito ao auxílio emergencial  e o valor do benefício. Passaram a receber apenas pessoas que moram sozinhas (R$ 150 por mês), as mulheres chefes de família (R$ 375 por mês) e os famílias com mais de duas pessoas (R$ 250 a cada mês). Antes, graças ao Congresso Nacional porque Bolsonaro queria dar só R$ 200, os valores eram de R$ 600 e de R$ 1.200 para mães solo.

08 – Fim da Política de Valorização do Salário Mínimo

Bolsonaro acaba com a Política de Valorização do Salário Mínimo, criada por Lula, em 2003.  Com o fim desta política, aposentados e pensionistas não terão mais aumento real. Neste ano, o piso nacional (R$ 1.100) ficou abaixo da inflação, com reajuste de 5,26%, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do ano anterior foi de 5,45%. O reajuste previsto para 2022 é de 4,3% sobre o valor atual, mais de duas vezes menor do que o INPC acumulado em 12 meses, que está em 9,22%.

09 – Corrupção no Ministério da Saúde

As denúncias de compra de vacinas Covaxin e Astrazeneca em que funcionários e militares que atuam no Ministério da Saúde pediram propina para negociar a compra, mostra do que ao contrário do que diz o presidente, há casos de corrupção dentro do seu governo. E Bolsonaro foi alertado da corrupção e nada fez. Prova disso que é a Polícia Federal investigapor ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), se Bolsonaro prevaricou no caso da Covaxin.

10 – Rachadinhas da família Bolsonaro

Além do senador, Flávio Bolsonaro, acusado de promover a rachadinha em seu gabinete quando era deputado estadual do Rio de Janeiro, agora é o próprio presidente da República, Jair Bolsonaro, que é denunciado pela prática de pedir devolução de parte de salários dos seus assessores, quando era deputado federal. Gravações divulgadas pelo UOL, revelam que o presidente participava diretamente do esquema ilegal de rachadinha ,de 1991 a 2018. Os áudios integram os autos da investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).

11- Reforma da Previdência

reforma da Previdência, em 2019, aumentou o tempo de contribuição; reduziu o valor a ser recebido; viúvas só receberão 60% do benefício e seus filhos 10% cada um; obrigou a uma idade mínima de 62 anos para as mulheres e 65 anos para os homens, e determinou que o teto do benefício seja pago somente após 40 anos de contribuição, além de diversas maldades.

12 – Destruição do Meio Ambiente

O desmatamento na Amazônia cresceu 70% no governo Bolsonaro, somente entre 2018 e 2019. Já em 2020, os  focos de incêndio aumentaram 30% . Foi o maior número de focos de queimadas em uma década. Além do recorde de desmatamento, o ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, está sendo investigado pela Polícia Federal , por favorecer madeireiros a exportar madeira ilegal da Amazônia, e só foi demitido após pressão de ambientalistas do Brasil e do mundo todo.

13 – Cortes no SUS e na Educação

O Orçamento da União de Bolsonaro para o ano que vem, apresentado e aprovado pelo Congresso Nacional, na semana passada, corta até R$ 36 bilhões dos recursos para a saúde. O Ministério da Educação teve R$ 2,7 bilhões bloqueados no orçamento deste ano, o equivalente a 30% do total bloqueado de todas as Pastas.

14 – Carteira Verde e Amarela e o fim vale –refeição e alimentação

O governo não desiste de implantar a Carteira Verde e Amarela que prevê a contratação de jovens de 19 a 29 anos e pessoas maiores de 55 anos, com menos direitos, como FGTS menor, entre outros benefícios. A medida pode fazer com que empresas troquem os trabalhadores que ganham melhores salários por outros com menor ganho. Outra medida do governo é acabar com a isenção tributária de empresas que pagam os vales refeição e alimentação, o que pode pôr fim ao benefício que atende 22,3 milhões de trabalhadores e trabalhadoras.

15 – Reforma Administrativa (PEC nº 32)

reforma Administrativa acaba com a estabilidade do servidor público que ficará à mercê do governo de plantão, o que pode aumentar os casos de corrupção. A proposta do governo é o desmonte do serviço público para que, sem pressão da sociedade, o governo passe para a iniciativa privada tudo que hoje é gratuito, como a educação, a saúde, a previdência, a segurança, as estatais e os órgãos de controle que fiscalizam o próprio governo.

16 – Desmonte do INSS

A fila de espera dos benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) chega a quase 2 milhões, mas o governo Bolsonaro não repõe quase a metade dos servidores do órgão que se aposentaram nos últimos anos. Dez mil trabalhadores, entre servidores públicos e terceirizados, saíram porque pediram demissão ou se aposentaram e não foram substituídos porque não teve concurso público. O quadro de pessoal caiu de 33 mil para 23 mil nos últimos cinco anos. Em compensação, o governo contratou três mil militares  (sua base de apoio) para o INSS, que hoje cumprem funções de estagiários, sem que a população seja beneficiada com os gastos salariais que recebem.

17 – Privatização da Eletrobras

venda da Eletrobras deve prejudicar 99,7% da população brasileira que é consumidora de energia elétrica. A projeção da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é de que as contas de luz subam entre 16% a 17% em todo o território nacional. Apesar da empresa ser lucrativa ( no ano passado foi de R$ 6,4 bilhões) , o Congresso Nacional aprovou a Medida Provisória (MP) de Bolsonaro de privatização da estatal.

18 – Privatização do saneamento

O serviço ruim e caro praticado por empresas de saneamento fez pelo menos 158 cidades do mundo de países como a França, Estados Unidos e Espanha, entre outros, a estatizar novamente os serviços de saneamento, anteriormente privatizados. Ainda assim, Bolsonaro, sancionou a lei que estabeleceu um novo marco regulatório para o saneamento básico do país, o  que facilita a privatização do setor. Para especialistas, as consequências para a população serão tarifas mais caras, menos investimento em tratamento de esgotos, mais desperdício de água e aumento de doenças decorrentes da falta de saneamento básico.

 19 – Ataques à democracia

Bolsonaro vem, com frequência, afirmando que eleições de 2018 teriam sido fraudadas. Entretanto, em nenhum momento apresenta provas. Ele questiona a validade das urnas eletrônicas em contraponto à segurança do sistema atestada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que lacra urnas e realiza uma série de conferências abertas à sociedade civil.

Em outubro de 2019, Bolsonaro publicou em suas redes sociais um vídeo em que se comparava a um leão cercada por hienas representadas por partidos políticos de oposição, a CUT, a CNBB e o Supremo Tribunal Federal (STF). Antes, em outubro de 2018, seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, disse que bastaria um cabo e um soldado para fechar o Supremo.

20 – Militarização do governo

Além da contratação de três mil militares para o INSS, o governo de Jair Bolsonaro é o que mais tem representantes das Forças Armadas em cargos públicos. Até o ano passado eram 6.157 militares (+ 108% entre 2016 e 2020), segundo o  estudo A Militarização da Administração Pública no Brasil: Projeto de Nação ou Projeto de Poder?, do cientista político William Nozaki, que trata da presença dos militares no governo Bolsonaro. As Forças Armadas são também o grupo com maior presença na esplanada ministerial: até o final de 2020 esse segmento ocupou 10 ministérios.

21- Defesa do voto impresso

Bolsonaro usa a defesa do voto impresso como estratégia para se manter no poder, dizendo que as urnas eletrônicas não são confiáveis e auditáveis. Uma mentira porque urnas eletrônicas são passíveis de auditoria. Ainda assim, ele quer que a partir da eleição presidencial de 2022, os números que cada eleitor digita na urna eletrônica sejam impressos e que os papéis sejam depositados de forma automática numa urna de acrílico, para que em caso de denúncia de fraude, os votos possam apurados manualmente. Sem comprovar que as urnas eletrônicas são passíveis de fraude, Bolsonaro ameaça a democracia, dizendo que as eleições presidenciais do próximo ano podem não ser realizadas e que se este tipo de votação for mantida ele sai da disputa eleitoral, atiçando assim seus seguidores contra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

22 – Ataques à cultura

A lista de ataques ao setor cultura por parte de Bolsonaro é imensa. Em artigo,  no Le Mond Diplomatique Brasil, Alex Pegna Hercog, relata os abusos cometidos pelo presidente contra a cultura do país.  Usando o fundamentalismo religioso e discurso moral como justificativa, ele acabou com o Ministério da Cultura; mentiu ao dizer que Lei Rouanet transferia recursos do governo federal diretamente para os artistas, quando, na verdade, o programa concede isenção fiscal para empresas que patrocinem projetos culturais.

Em seu primeiro ano de governo cortou orçamento e deixou de investir mais de R$ 700 milhões no setor de audiovisual. Suspendeu um edital da Agência Nacional do Cinema (Ancine) para séries que seriam exibidas na TV pública, com temáticas raciais e LGBTs. Fez a da Caixa Cultural, o Banco do Brasil e a Petrobras cancelarem  e censurarem eventos, além de suspender pagamentos (Petrobras) de obras que abordam a questão de gênero ou o autoritarismo. E a lista continua interminável…

23 – Ataques racistas  

O presidente Jair Bolsonaro  perguntou, no último dia 8 deste mês,  a um apoiador como estava a “criação de baratas ” ao apontar para o cabelo do rapaz, sugerindo que o  homem tomasse ivermectina, para acabar com possíveis vermes.

Bolsonaro em resposta à cantora Preta Gil, em 2011, disse que “ educou bem” os seus filhos e por isso, eles jamais namorariam uma mulher preta.

Outro ataque ocorreu em uma palestra no Rio de Janeiro, em 2017. Bolsonaro disse que foi a uma quilombola, em Eldorado Paulista. Aos presentes afirmou: “Olha, o afrodescendente mais leve lá pesava 7 arrobas. Não fazem nada. Eu acho que nem para procriador ele serve mais”. Por esta fala ele foi condenado pela Justiça a pagar R$ 50 mil para o Fundo de Defesa dos Direitos Difusos.

Em 2015, Bolsonaro afirmou a um  jornal que imigrantes e refugiados vindos da África seriam a “escória do mundo”. Ele também disse que jamais “entraria em um avião pilotado por um cotista, nem aceitaria ser operado por um médico cotista”.

Além de ofender pretos e pretas, Bolsonaro ofendeu os indígenas ao, durante transmissão em suas redes sociais, dizer: “Com toda a certeza, o índio mudou. Está evoluindo. Cada vez mais o índio é um ser humano igual a nós”. O presidente também atacou a jornalista Thais Oyama, brasileira, descendente de japoneses, ao afirmar que “no Japão, ela morreria de fome com jornalismo”. Ele também ofendeu um homem de feição oriental, que não sabia falar o idioma português, fazendo gestos com os dedos insinuando sobre o tamanho do órgão genital.

Bolsonaro chamou o governador do Maranhão, Flavio Dino, de “paraíba”, de forma pejorativa. A lista de afirmações racistas e preconceituosas de Bolsonaro também é interminável…

24 – Misógino e homofóbico

O presidente é misógino e homofóbico. Bolsonaro costuma ofender jornalistas mulheres em suas entrevistas coletivas; disse que sua filha foi uma ‘fraquejada’ após ter quatro filhos; em 2014,  disse à deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) que não a estupraria porque ela era feia. Por esta ofensa foi condenado a pagar uma indenização por danos morais.

Antes de ser assumir a presidência, em 2016, durante entrevista ao programa Superpop, de Luciana Gimenez, na RedeTV, ele disse que não empregaria homens e mulheres com o mesmo salário. “Mas tem muita mulher que é competente”, completou.

Em ataques à comunidade LBGTQIA+ , o presidente afirmou : “Quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique à vontade. O Brasil não pode ser um país de turismo gay. Temos famílias”.

A um repórter em 2019, disse que o profissional tem ‘cara de homossexual terrível. Nem por isso eu te acuso de ser homossexual. Se bem que não é crime ser homossexual”.

Esta é mais uma lista interminável de falas preconceituosas do presidente da República.

[Edição: Marize Muniz]

Ministério da Saúde admite em documento à CPI da Covid que medicamentos como cloroquina, azitromicina, ivermectina, entre outros, defendidos por Bolsonaro e governistas, não têm eficácia contra a doença do novo coronavírus

[Da rede Brasil Atual]

Em documentos enviados à CPI da Covid no Senado, o Ministério da Saúde admitiu que os medicamentos do chamado “kit covid-19” são ineficazes contra a doença do novo coronavírus. A pedido do senador Humberto Costa (PT-PE), a pasta encaminhou à comissão duas notas técnicas que afirmam que as drogas “foram testadas e não mostraram benefícios clínicos na população de pacientes hospitalizados, não devendo ser utilizadas”. 

O documento lista a hidroxicloroquina, cloroquina, azitromicina, lopinavir/ritonavir, colchicina e plasma convalescente. E acrescenta que a ivermectina, que também compõe o kit, “e a associação de casirivimabe + imdevimabe não possuem evidência que justifiquem seu uso em pacientes hospitalizados, não devendo ser utilizados nessa população”, destaca o Ministério da Saúde

Os remédios totalmente contraindicados no documento ganharam fama após lobby do presidente Jair Bolsonaro desde o início da pandemia. Desde junho de 2020, no entanto, as farmacêuticas fabricantes desses medicamentos já alertavam para a não eficácia no combate à covid-19. Conforme reportou a RBA, a Organização Mundial da Saúde (OMS) também advertia, já no ano passado, para a ineficácia dessas medicações.

O lobby bolsonarista

À CPI da Covid no Senado, em junho, os cientistas Natalia Pasternak e Claudio Maierovitch também denunciaram que desde junho de 2020 já havia informações nacionais e internacionais suficientes para não indicar a cloroquina, por exemplo, como tratamento médico. Apesar das evidências científicas, o presidente da República continuou apostando no coquetel sem comprovação. E, em paralelo, mantinha-se contrário às principais recomendações da ciência de consenso internacional, como distanciamento social e o uso de máscaras. 

Reportagem do Congresso em Focotambém mostrou que os medicamentos citados na nota técnica são os mesmos usados no chamado “tratamento precoce” indicados pelo aplicativo do Ministério da Saúde, o TrateCov. O governo federal também preferiu gastar R$ 23,3 milhões em campanhas publicitárias para divulgar o “kit covid” sem eficácia. O custo foi confirmado à Procuradoria da República. A prioridade deixou de lado investimentos em campanhas de conscientização sobre as medidas não farmacológicas e vacinação contra o vírus.

Documentos enviados à CPI da Covid, obtidos pela agência de dados independente Fiquem Sabendo, também revelaram que o Ministério da Saúde foi mais ágil em comprar medicamento sem eficácia comprovada do que as vacinas. O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, ainda garantiu aos senadores que houve pressão para que o órgão mudasse a bula da cloroquina. 

Desinformação mata

O lobby também inclui senadores da base governista. Entre eles, o parlamentar Luiz Carlos Heinze (PP-RS) que constantemente aproveita do espaço na CPI para defender os medicamentos ineficazes. Um levantamento do jornal Folha de S. Paulomostrou ainda que farmacêuticas faturam mais de R$ 1 bilhão com as vendas do chamado “kit covid”. Uma delas, a EMS, registrou crescimento de 709% em 2020 em relação ao ano anterior, o que significou um lucro de R$ 142 milhões. 

Do outro lado das vendas, com na época mais de 482 mil mortos, a avaliação de Pasternak, PHD em microbiologia, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) e fundadora do Instituto Questão de Ciência (IQC) à comissão, foi a de que “a crença de que existe uma cura simples, barata, que seria o sonho de todos nós, levou as pessoas a um comportamento de risco”. De acordo com a especialista, a postura do governo “confundiu as pessoas em relação à gravidade da doença”. A aposta a todo custo também fez “aumentar o número de vítimas da doença do novo coronavírus”. 

“Eles morreram de desinformação”, afirmou Pasternak em seu depoimento. “Entre as mais de 482 mil vidas perdidas, parte são de vítimas que não adotaram as recomendações e acreditaram em uma cura falsa e milagrosa”. 

Por Normando Rodrigues, assessor jurídico da FUP e do Sindipetro NF 

A CPI fornece a Bolsonaro e à milicada a chance de passar à História como ladrões, em lugar de genocidas. Abre-se uma saída desonrosa pela porta dos fundos.

Quarteladas

O cordel da “corrupção” incomoda muito mais à classe média, do que o genocídio cometido pelos fascistas aos quais ela se aliou.

Afinal, as vítimas preferenciais da “peste” são os mesmos “suspeitos de sempre” cotidianamente mortos pelas polícias: pretos, pobres…

Foi sob o pretexto da corrupção que, na quartelada de 3/4/2018, o general Villas Bôas disse saber “quem realmente está pensando no bem do País e das gerações futuras, e quem está preocupado apenas com interesses pessoais”.

Agora, depois de 30 meses de governo fascista, e de 535 mil mortos, o Brasil inteiro aprendeu que são os soldados de Villas Bôas os que só pensam em seus interesses pessoais.

Muitos desses guerreiros-de-boquinha estão envolvidos no escândalo das vacinas, com destaque para o papel do coronel reformado Élcio Franco.

Sacos pretos

“Número 2” do general-de-comício Pazuello, no Ministério da Saúde, Franco assinou o contrato da Covaxin, mas não fez só isso.

Por obra e graça de Franco, 110 milhões de reais destinados à compra de vacinas foram desviados para gastos bélicos. Literalmente, 2,2 milhões de doses da Pfizer viraram combustível e peças de aeronaves.

Franco, reconheça-se, apenas seguiu a linha genocida de Bolsonaro, Guedes e Pazuello, sintetizada por este último ao declarar que preferiria só comprar “sacos pretos”, para os cadáveres.

(Des)prestígio

Depois o coronel virou assessor do general-de-casa-civil Eduardo Ramos, e estava ao lado do brigão Lorenzoni, na coletiva de imprensa em que Onyx disse que “ia pegar lá fora” os irmãos denunciantes.

Ramos, com Franco de assessor, se juntou ao Mito e ao general Heleno-do-Haiti, para receber em 2 de julho o chefe da CIA, William Burns. A foto oficial do jantar explicitou quem “manda”: Burns ficou no centro, e não Bolsonaro.

Os fardados renunciam ao “centro da foto”, à soberania, ao petróleo, à Eletrobrás, à ECT, à base de Alcântara, à Amazônia, ao Pantanal, e a qualquer outra coisa, para manter prestígio e privilégios. Porém, não admitem críticas!

Marielle

O general-interventor, Braga Neto, é aquele sob cuja responsabilidade na segurança pública do RJ Marielle foi assassinada. Ele jamais se indignou com o crime a ponto de perguntar quem mandou o vizinho de Bolsonaro matar a vereadora.

Braga Neto, contudo e com coturno, se embraveceu por mencionarem sua “banda podre”, pegou em armas, e soltou notinha ameaçadora.

Em socorro ao ministro da defesa, o tenente-brigadeiro-sem-doce, Baptista Junior, confirmou em entrevista a 9 de julho que a intenção do mimimi era mesmo intimidar.

Mimimi

É lamentável que o egodistônico presidente do STF, em lugar de repudiar a militância política armada, novamente se tenha dedicado a passar pano no golpismo de Bolsonaro e de seus guardas pretorianos.

“In-Fux-we-trust” à parte, fato é que os milicos foram pegos com a boca na botija. Todavia, o que foi exposto é ainda muito pouco, ante o que fizeram.

O esperneio da tosca nota de Braga Neto e comandantes, revela o pavor que sentem não pela incriminação no caso Covaxin, e sim pelo inevitável encontro com o tribunal da história, que os julgará pelo maior genocídio do Brasil.

Nurembergue

Os “estrelados” sabem que pegar Bolsonaro, Pazuello e pazuellitos, pelas vacinas, ante o extermínio de centenas de milhares de brasileiros, seria pagar um preço muito baixo.

Algo como condenar os responsáveis pelo holocausto, por terem desviado pacotes de rações da Cruz Vermelha, destinados aos prisioneiros.

Ninguém foi parar no Tribunal de Nurembergue por desvio de rações. E é o próximo Nurembergue, já visível no horizonte, o que aterroriza os militares.

[Foto: Alan Santos/PR]

Nesta quarta-feira, 30, à tarde, uma ampla articulação de movimentos sociais, sindicais e partidos que fazem oposição ao governo federal protocola na Câmara dos Deputados Federais um superpedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro. A FUP é uma das entidades que participa dos atos de hoje em Brasília, que marcam a entrega do documento, prevista para as 15h, no Congresso Nacional. elenca mais de 20 crimes de responsabilidade cometidos por ele

Mais de 700 entidades de movimentos populares, sindicais e de organizações da sociedade civil assinam o requerimento de impeachment, que reúne em um só documento 24 atos cometidos por Bolsonaro, que indicam crimes de responsabilidade, sustentados por argumentos jurídicos de outros 120 pedidos de impeachment já apresentados. Somam-se a estes atos, as recentes denúncias de prevaricação na compra superfaturada da vacina Covaxin, que estão sendo investigadas pela CPI da Covid no Senado. Assinam também o requerimento 11 partidos políticos, entre eles, PT, PSOL, PC do B, PDT, PSB, Rede e Cidadania.

O superpedido de impeachment de Bolsonaro acontece em um momento político decisivo para o país e reúne a força dos atos que vêm sendo realizados desde maio em todo o Brasil cobrando a responsabilização do presidente por seus atos criminosos no enfrentamento à pandemiaa covid-19. No próximo sábado, 03, a população volta às ruas em uma nova mobilização convocada pela Frente Fora Bolsonaro e que contará novamente com a participação da FUP e de seus sindicatos.

Novo cenário político

Quando o texto do superpedido de impeachment já estava pronto, surgiu a denúncia dos irmãos Miranda – o servidor público do Ministério da Saúde, Luis Ricardo Miranda, e o deputado federal, Luís Cláudio Miranda (DEM/DF) – sobre irregularidades na compra da vacina indiana Covaxin. Eles disseram na CPI da Covid do Senado que avisaram Bolsonaro antes do contrato ser assinado e o presidente nada fez.

Um dos fatos que levantou suspeitas do servidor foi a intermediação da empresa Precisa Medicamentos na compra de 20 milhões de doses da Covaxin, produzida pela farmacêutica Bharat Biotech, por US$ 15 cada dose, ou (R$ 80,70), mais caro do que qualquer outra vacina comprada pelo país e ainda nem havia sido aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O servidor do Ministério da Saúde também suspeitou do fato da empresa Madison Biotech, uma offshore com sede em Cingapura, ter sido apontada como destinatária dos pagamentos, mesmo não sendo mencionada no contrato.

Na conversa com os irmãos Miranda, Bolsonaro teria apontado envolvimento do líder do governo no Congresso, Ricardo Barros (PP-PR) na mutreta, mas não tomou nenhum providência.

Isso é prevaricação, disseram senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI da Covid, Fabiano Contarato (Rede-ES) e Jorge Kajuru (Podemos-GO), que recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde apresentaram na segunda-feira (28) uma notícia-crime contra Bolsonaro pelo crime de prevaricação. A ministra Rosa Weber foi sorteada relatora do processo.

Na notícia-crime os senadores afirmam que a suposta omissão do presidente ocorreu "ou por envolvimento próprio no esquema criminoso ou por necessidade de blingagem dos amigos do rei". 

O que é prevaricação?

Prevaricação é um crime contra a administração pública que acontece quando o agente público deixa de agir da maneira que se espera dele e no qual é obtida alguma espécie de favorecimento.

Exemplos: policiais ou fiscais que não tomam providência diante de uma irregularidade, para proteger determinada pessoa ou um presidente que não mandou a Polícia Federal investigar um parlamentar que ele mesmo acha que está envolvido na suposta irregularidade nem determinou que o contrato não fosse assinado, deixou rolar.

De acordo com o Código Penal, prevaricar é "retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra expressa disposição de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal". O ato de ofício é aquele que se espera que o servidor faça independentemente de um pedido. Governantes, como o presidente da República, também são funcionários públicos.

Qual é a pena para a prevaricação? 

A legislação brasileira estabelece pena de detenção de três meses a um ano, além de multa. Por ser um crime de menor potencial ofensivo, o caso tramita nos Juizados Especiais Criminais, conforme lei de 1995. Essa unidade do Judiciário objetiva não aplicar penas privativas de liberdade.

[Imprensa da FUP, com informações da CUT]

 

 

Publicado em Política

O presidente Jair Bolsonaro ultrapassou todos os limites ao permitir que mais de meio milhão de brasileiros tivessem suas vidas interrompidas por uma doença para a qual já há vacina.  Quase dois terços das mortes por Covid-19 no Brasil ocorreram neste primeiro semestre de 2021, quando países do mundo inteiro avançavam nas campanhas de vacinação. Muitas das vidas perdidas poderiam ter sido salvas, se não fossem a incompetência, o negacionismo e o projeto genocida do atual governo. A FUP e seus sindicatos reafirmam a solidariedade com cada uma das famílias atingidas por essa tragédia anunciada, bem como o nosso compromisso de continuar na luta por #ForaBolsonaro e por #Vacinajá

[Com informações da Rede Brasil Atual]

O Brasil ultrapassou a trágica marca de meio milhão de vidas perdidas para a covid-19, com a certeza de que muitas destas mortes poderiam ter sido evitadas. Se o país estivesse na média do mundo, seriam 125 mil. Entretanto, além do vírus, o Brasil enfrenta um governo aliado da morte. Jair Bolsonaro, desde o início da pandemia, incentivou e promoveu aglomerações; divulgou mais de 2 mil mentiras sobre a covid-19, entre elas, informações falsas contra o uso de máscaras. Atacou com desinformação, rejeitou e ignorou vacinas.

No sábado, 19, mesmo dia em que o país alcançou a sombria marca de 500 mil mortes pela covid-19, mais de 750 mil pessoas foram às ruas protestar contra a gestão genocida do presidente, cobrando responsabilização do governo pelas vidas perdidas, Vacina no Braço e Comida no Prato. Foram 427 atos em todas as capitais e no Distrito Federal e em mais de 400 municípios brasileiros e outros 17 no exterior.

Trabalhadores, estudantes, artistas, políticos, religiosos, familiares de vítimas da Covid, todos unidos em atos de protestos e de soliariedade aos brasileiros e brasileiras que choram a perda das mais de 500 mil vidas que foram ceifadas pelo vírus. É como se, em pouco mais de um ano, uma cidade como Florianópolis desaparecesse. A capital catarinense tem 508 mil habitantes. Mas, nas palavras do presidente, “e daí?”. “É só uma gripezinha”. Se lamentar pelos mortos? “Coisa de maricas”. Além de todo o histórico de falas, atitudes concretas como aliado do vírus. Bolsonaro chegou a entrar na Justiça contra prefeitos e governadores que adotaram medidas (fracas) de isolamento social para frear o vírus.

A revolta, a indignação, a dor estavam estampadas nos olhares dos manifestantes, protegidos por máscaras e atentos às recomendações de segurança feitas a todo instante pelos organizadores dos atos, que tiveram ampla cobertura da mídia. 

Dirigentes da FUP e dos sindicatos filiados, assim como petroleiros de diversas unidades do Sistema Petrobrás e de empresas do setor privado também compareceram aos atos, de norte a sul do país. Em seu perfil no instagram, o coordenador da FUP, Deyvid Bacelar, registrou a presença no ato em Feira de Santana, na Bahia, onde falou aos manifestantes:

 

Integrantes da Frente Povo Sem Medo (FPSM) realizaram uma série de ações em São Paulo (SP), na manhã desta terça-feira (20), protesto contra o apoio de grandes empresários ao governo de Jair Bolsonaro durante a pandemia.

A ação teve como grito de ordem a frase “não aguento mais”, em reação à crise social, sanitária e econômico que o país enfrenta. 

Os manifestantes colaram cartazes e deixaram mensagens escritas em sedes ou filiais das empresas Habib’sCosanRiachuelo, e dos bancos BTG Pactual Safra.

As ações acontece duas semanas após o presidente se reunir e ser ovacionado por donos de grandes empresas em uma mansão no Jardim América, bairro nobre de São Paulo. 

Enquanto a fortuna dos bilionários cresce, Brasil assiste a um aumento expressivo de índices de miséria, pobreza, fome, insegurança alimentar e desvalorização do poder de compra.


Restaurante Habib's também foi alvo de protesto / FPSM / Divulgação

O grupo também denunciou o Projeto de Lei que autoriza a compra de vacinas por empresas privadas.

Confira o manifesto divulgado pelos manifestantes ao final dos protestos:

"Não aguento mais

Esse é um grito de desespero. Pois já não há mais lágrimas que se possa derramar.

Não aguento mais. Esse é um grito de revolta. Pois já não é possível normalizar tanta barbárie.

Quantos milhões mais vão morrer? Quantos milhões mais vão dormir sem ter o que comer?

Em qualquer outro contexto um governante tão incapaz não estaria mais no poder. Mas Bolsonaro se tornou especialista em apoiar o vírus. E ao aprofundar a pandemia, deixa o povo cada vez mais refém do medo e da miséria.

Enquanto isso, as instituições cruzam os braços.

Enquanto isso, os empresários lucram bilhões e se fartam em banquetes regados ao sangue do povo brasileiro.

Enquanto isso, todos eles tornam-se cúmplices do maior genocídio recente da nossa história.

Não aguento mais assistir a tudo. Basta! A partir de agora tomaremos as ruas. Pois não há mais alternativas.

Se eles nos querem mortos, nós os queremos fora do poder! Não aguento mais!".

Edição: Poliana Dallabrida

Via Brasil de Fato

Publicado em Política

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.