Gestão da refinaria mais uma vez expõe trabalhadores, agora através de um projeto piloto. "Uma vergonha", afirma o Sindipetro

 [Da imprensa do Sindipetro-PR/SC]

As incoerências da atual administração da Repar só expõe os trabalhadores ao coronavírus sem necessidade. Agora, depois de quase meio século de refinaria, os gestores inovaram com um projeto inusitado de treinar engenheiro na função de técnico de operação; e justamente durante a maior crise sanitária da história do país. 

Com isso os trabalhadores acabam dividindo o mesmo espaço, compartilhando equipamentos e mobiliários no auges dos índices de contaminação da covid-19 no estado. Eles descumprem inclusive a Estrutura Organizacional de Resposta (EOR) que orienta somente treinamentos essenciais. 

Diante disso, o Sindicato cobrou (15/01) do RH Corporativo da Petrobrás se a Repar segue as orientações da EOR para controle da covid-19, também solicitou explicação sobre o que a gestão da refinaria entende por treinamento essencial para a continuidade e segurança operacional e, por fim, qual a justificativa da realização de um treinamento piloto em plena pandemia. 

Nosso objetivo é que se suspenda todos os treinamentos presenciais não essenciais para a segurança do processo. 

Denúncia 

O Sindipetro reforça a necessidade de que todos sigam as recomendações de segurança e prevenção ao contágio pelo novo coronavírus. Também mantém sua postura de vigilância na pandemia e atua no sentido de preservar a saúde de todos. Qualquer informação que envolva o tema nas bases do Sistema Petrobrás no Paraná e Santa Catarina pode ser encaminhada ao e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo., pelo telefone (41) 3332-4554 ou ser tratada diretamente com os dirigentes sindicais.

Em apenas uma semana, o número de trabalhadores da Petrobrás que contraíram Covid-19 saltou de 4.048 para 4.250, um aumento de 5%. No dia 06 de janeiro, eram 525 casos ativos, dos quais 210 confirmados e 54 em triagem. No último dia 12, esses números subiram para 556 novos casos registrados, sendo que 226 confirmados e 73 em triagem, segundo informações do grupo de Estrutura Organizacional de Resposta da Petrobrás (EOR), responsável pelas ações de gestão relativas à pandemia da Covid-19 nas unidades da empresa. O número de trabalhadores infectados que estão hospitalizados também aumentou, passando de 20 para 24, sendo que a quantidade de petroleiros em UTIs saltou de oito para 13.

Esses dados, mesmo subnotificados, já que a Petrobrás não contabiliza os casos ativos de Covid entre os trabalhadores terceirizados, refletem o avanço da pandemia nas unidades da empresa. Cerca de 10% dos efetivos próprios já foram contaminados, o que é bastante preocupante. Nesta última semana, pelo menos dois trabalhadores da Petrobrás perderam a vida em função da Covid: um em Manaus e outro no Paraná. A empresa continua omitindo dos sindicatos os números de óbitos, tanto de trabalhadores próprios, quanto de terceirizados.

Na reunião com o EOR, ocorrida na última quarta-feira, 13, a FUP tornou a cobrar transparência nas informações relativas às ações de combate à pandemia. Além da subnotificação dos casos de Covid entre os terceirizados, a Petrobrás também continua negando o acesso dos sindicatos à Normas Técnicas e protocolos que orientam os procedimentos relacionados à doença, como testagem, afastamento e monitoramento dos trabalhadores após diagnósticos positivos e ações de mitigação.

Nexo causal e registros de CATs

Outra situação absurda é a negativa sistemática da gestão em reconhecer o nexo causal da doença para os trabalhadores contaminados nos ambientes de trabalho. A despeito de vários estudos e orientações de entidades de saúde, como a Fiocruz, órgãos fiscalizadores, como o MPT, e até mesmo o STF, que defendem o nexo causal, a empresa continua alegando que a Covid não está relacionada ao ambiente de trabalho. Em função disso, não há emissão de CATs, nem a possibilidade dos trabalhadores serem periciados.

Na última reunião do EOR, a Petrobrás informou que, apesar desse entendimento da gestão, cada caso de trabalhador contaminado é analisado para verificar a possibilidade de estabelecimento de nexo causal. A FUP questionou a contradição da empresa, ressaltando que o ACT garante a participação do sindicato no acompanhamento das análises, o que não está sendo feito.

Para a FUP, está claro que a negativa da gestão da Petrobrás em estabelecer o nexo causal tem motivações econômicas, como já havia alertado estudo publicado pela Fiocruz em outubro passado. “O reconhecimento da Covid-19 como doença do trabalho e a emissão da CAT implica elevar a TAR (Taxa de Acidentes Registráveis), um dos indicadores de desempenho das empresas do setor vinculado a dinâmica da concorrência internacional”, ressalta o parecer da entidade.

Testagem em massa

A FUP tornou a criticar a negligência da Petrobrás ao deixar vencer o contrato para testagem dos trabalhadores com o RT-PCR. Por conta disso, a categoria permanecerá até o dia 20 sem esse protocolo recomendado pelas entidades de saúde. No lugar do RT-PCR, está sendo aplicado o teste de antígeno, que não reproduz a certeza de resultado, que possa estabelecer laudos confiáveis, sobre a condição do trabalhador, frente à possível contaminação pela Covid. Além disso, a FUP questionou, mais uma vez, o intervalo de 90 dias estabelecido pela Petrobrás para retestagem dos trabalhadores que já se contaminaram.

Mesmo com os novos picos de casos no Amazonas e a identificação de uma nova cepa do vírus, a gestão da empresa está se negando a retestar os trabalhadores da Refinaria de Manaus e de várias outras unidades pelo país afora. Outra situação absurda é a insistência da empresa testar os trabalhadores depois da troca de turno e não antes, como cobra a FUP. Esse fatos foram duramente criticados pelas entidades sindicais, que voltaram a exigir a testagem e retestagem em massa dos trabalhadores, distribuição de máscaras padronizadas e campanhas sistemáticas de conscientização sobre a importância do distanciamento.

Suspensão dos cursos presenciais durante a pandemia

Apesar de alguns órgãos reguladores, como a Marinha, já terem postergado a validade de cursos regulamentares para áreas operacionais, as gerências da Petrobrás insistem em cobrar dos trabalhadores participação em treinamentos presenciais não essenciais, em pleno avanço da pandemia. A categoria está sendo exposta desnecessariamente a riscos de contaminação em turmas de treinamento que concentram diversos trabalhadores, próprios e terceirizados, sem acompanhamento e fiscalização. A FUP tornou a solicitar a suspensão destes cursos enquanto durante a pandemia.

[Imprensa da FUP]

Publicado em Sistema Petrobrás

Na quarta, em reunião o Sindicato exigiu adequações relativas ao transporte dos trabalhadores de turno na refinaria, gestão não atendeu. Após denúncia dos trabalhadores, novamente a entidade cobrou melhorias e a gerência teve que retomar os micro ônibus

[Da imprensa do Sindipetro-PR/SC]

É difícil entender a gestão da Repar, recorrentemente eles voltam atrás nas medidas de segurança em relação à covid-19 por não dar ouvido às críticas e sugestões dos trabalhadores. Ontem (13) não foi diferente. Veja a confusão: no início da tarde, o Sindipetro fez uma reunião para questionar a utilização das vans para o transporte de trabalhadores, já que os gestores enviaram informe avisando da mudança. Eles não aceitaram as colocações da categoria e inclusive disseram desconhecer o decreto de Araucária que trata do tema. 

Logo depois do primeiro encontro, os petroleiros levaram a questão para a reunião da Estrutura Organizacional de Resposta (EOR), a nível nacional, e mais uma vez nada aconteceu. Aí, às 19h, os trabalhadores do turno se depararam com as precárias vans, algo que causou descontentamento pela exposição à covid-19. 

Vale ressaltar que no informe institucional da Repar até parecia que os petroleiros fariam translado dentro de um veículo super seguro, com circulação de ar e atendendo as exigências sanitárias, mas, na prática, a categoria ficou exposta e em risco de contaminação. Ou seja, eles erraram na prevenção e mais uma vez tiveram que correr para apagar o próprio incêndio. 

No meio disso tudo estão os trabalhadores, que enviaram ao Sindicato as denúncias de descumprimento dos protocolos de segurança. Muitos deles chegaram a alegar que, como medida extrema de auto proteção, iriam recorrer a utilização de carros próprios para evitar contaminação. 

Essa atitude se justifica. Imagine ir ao trabalho num micro ônibus e voltar numa van que não tem ventilação mínima. O Sindicato informou que em caso de acidente de trajeto a responsabilidade será da Petrobrás, pois trafegar de carro após um turno de 12h é arriscado. 

A entidade considera que o transporte para o local de trabalho não deve ser um momento de tensão e risco, mas sim que a empresa proporcione o ambiente ideal e seguro para evitar a contaminação pela covid-19. O posicionamento do Sindipetro é pelo cumprimento do Decreto 34608/2020 de Araucária PR que prevê: 

CAPÍTULO II TRANSPORTE DE TRABALHADORES 

Art. 15. No caso de fornecimento do transporte pelo próprio empregador e com o objetivo de não permitir a disseminação do coronavírus, deverá: 

I - Impedir a entrada de trabalhadores com sinais e sintomas de síndrome;

II - Garantir a ampliação das linhas disponíveis, a fim de reduzir o número de trabalhadores transportados simultaneamente, garantindo a distância mínima de 1,5 metros entre pessoas;

III - Durante o deslocamento dos trabalhadores, o veículo deverá permanecer com suas janelas abertas, permitindo a livre circulação de ar;

IV - Higienizar os veículos após cada viagem, em especial com relação as partes onde haja contato manual dos trabalhadores (ex: barras de apoio, bancos e janelas);

V - Disponibilizar álcool gel aos usuários do veículo, para higienização das mãos na entrada e saída dos mesmos;

VI - Tornar obrigatório o uso de máscaras para o ingresso no transporte.

 

 

O Sindicato vai continuar fiscalizando as ações em relação aos cuidados para evitar a disseminação da covid-19 na Repar e em todas as unidades da sua base territorial no Paraná e Santa Catariana. Orienta também toda categoria a continuar fazendo as denúncias.

O Sindipetro-NF tem recebido nos últimos dias denúncias da categoria de que a Petrobrás insiste em submeter trabalhadores a treinamentos presenciais em meio à pandemia da Covid-19. Os cursos, exigidos pela Marinha, tiveram a validade estendida por um ano, por meio de portaria publicada em 18 de dezembro (nº 425/2020), mas mesmo assim a companhia continua a colocar os petroleiros e petroleiras em risco nestas turmas.

Desde o início da pandemia o sindicato cobra da Petrobras a utilização, excepcionalmente, de modelos de cursos que possam ser feitos à distância, para evitar aglomeração. Em relação aos cursos exigidos pela Marinha, o aumento do prazo de validade tornou ainda mais viável essa precaução, que está sendo desconsiderada pela empresa.

“Alguns até são cursos que exigem interação e aglomeração das pessoas. O CBSP [Curso Básico de Segurança de Plataforma, mais conhecido como Curso de Salvatagem], por exemplo, inviabiliza o uso da máscara, porque tem atividades na água”, explica o coordenador do Departamento de Saúde do Sindipetro-NF, Alexandre Vieira.

Além de exigir o curso sem necessidade no momento, a Petrobrás está embarcando trabalhadores logo após a realização do treinamento, sem cumprimento da quarentena e o acompanhamento do pré-embarque para prevenção da contaminação pelo novo corona vírus. Não estão sendo realizados testes de Covid-19, apenas medição de temperatura.

O NF cobrou da Petrobrás a suspensão destes cursos e denunciou o comportamento da companhia ao Ministério Público do Trabalho — que também está questionando a empresa. O sindicato reforça a necessidade de que a categoria envie relatos sobre a ocorrência destes casos, entre outros que coloquem em risco a saúde e a segurança, para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

A Petrobras enviou nota à imprensa em que confirmou desembarques em suas unidade marítimas e informou que sempre que um caso suspeito é identificado em unidade offshore são reforçadas as medidas de higienização e distanciamento na unidade e, preventivamente, podem ser realizados testes a bordo.

Para a diretoria do Sindipetro-NF, “essa resposta deixa evidente a falta de cuidado da empresa com a vida dos seus trabalhadores. Pois se a empresa informa para a imprensa que “preventivamente, podem ser realizados testes a bordo”, por que não o faz?”

O sindicato também questiona porque a empresa deixa a contaminação atingir mais trabalhadores e não age de forma preventiva, como alguém que quer proteger a saúde das pessoas.


Leia também: Janeiro começa com 264 trabalhadores com Covid-19 na Petrobras e 261 casos suspeitos


Casos se multiplicam

Na última sexta, 8 de janeiro, o SindipetroNF recebeu a notícia de mais desembarques de suspeitos e casos positivos a bordo de plataformas.

"Essa semana informamos que haviam ocorrido desembarques na P-35. Dos 16 trabalhadores desembarcados, o NF tem o resultado de sete pessoas, sendo cinco negativos e dois positivos. Ainda aguarda o resultado de outras nove. Mais nove pessoas de P-35 aguardam desembarque. Enquanto isso a Petrobrás não toma nenhuma medida preventiva.  O que o sindicato observa é que mais e mais trabalhadores são expostos a propagação do vírus", informou o sindicato.

A entidade também noticiou que os trabalhadores de P-61 solicitaram uma nova testagem geral a bordo, devido ao risco dos falsos negativos, evidenciados pela contaminação de cerca de 30% dos trabalhadores da unidade. Na sexta, o sindicato foi informado que mais cinco suspeitos desembarcaram, sem que houvesse testagem preventiva a bordo.

Mídia repercute

No final de semana, diversos veículos de imprensa publicaram matérias a partir de denúncias e informações divulgadas pela FUP e pelo Sindipetro-NF sobre o aumento de casos de Covid-19 entre os trabalhadores do Sistema Petrobras. Veja algumas das matérias:

O Globo: Número de funcionários da Petrobras com Covid tem a maior alta desde o começo da pandemia

UOL: Surto de Covid em 2 plataformas da Petrobras leva ao desembarque de 28 pessoas, diz FUP

Terra: Petrobras ultrapassa os 4 mil infectados com covid-19; desembarques continuam

Petronotícias: FUP ALERTA PARA NOVOS SURTOS DE COVID-19 EM PLATAFORMAS DA PETROBRÁS NA BACIA DE CAMPOS

Sobre os testes

Por incompetência ou descaso, a Petrobrás deixou o contrato de testagem pelo RT-PCR vencer. Como quebra galho, está utilizando a testagem por antígeno.

“Provavelmente a empresa vai responder que o teste de antígeno é eficiente. O que não é mentira! Mas certamente ela vai esconder que a testagem positiva por esse método, deve ser confirmada por RT-PCR. Que é o padrão reconhecido para diagnóstico da COVID-19. Possivelmente também não irá mencionar que ela está buscando um novo contrato para a testagem por RT-PCR que deve entrar em operação daqui a três semanas”, comentou o diretor do Departamento de Saúde do Sindipetro NF, Alexandre Vieira, que vem acompanhando semanalmente com a FUP as reuniões com o Grupo de de Estrutura Organizacional de Resposta da Petrobrás (EOR), responsável pelas ações de gestão relativas à pandemia da Covid-19 nas unidades da empresa.

São muitos os questionamentos que a FUP e as entidades sindicais têm feito à empresa, sem receber uma resposta à altura. É o caso, por exemplo, do atendimento médico dos contaminados nos hotéis e a não emissão de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), apesar das recomendações do Ministério Público do Trabalho e a decisão favorável do Supremo. Saiba mais aqui.

[FUP, com informações do Sindipetro-NF e das agências de notícias | Foto: Agência Brasil]

Até o dia 05 de janeiro, foram registrados 525 casos de trabalhadores com suspeita de Covid-19 na Petrobrás. Destes, 264 foram confirmados e, até o momento, 20 petroleiros contaminados estão hospitalizados, oito deles internados em unidades de tratamento intensivo. As informações foram passadas à FUP na quarta-feira, 06, durante a primeira reunião do ano com o grupo de Estrutura Organizacional de Resposta da Petrobrás (EOR), responsável pelas ações de gestão relativas à pandemia da Covid-19 nas unidades da empresa.

Segundo a Petrobrás, 3.784 trabalhadores contraíram Covid-19 ao longo de 2020 e se recuperaram. A FUP tornou a cobrar a divulgação dos casos por unidades e questionou a empresa, mais uma vez, sobre a emissão de CATs e o reconhecimento do nexo causal para os petroleiros contaminados no ambiente de trabalho, como é o caso das plataformas, que estão tendo surtos consecutivos de Covid-19. A Petrobrás, no entanto, continua sem responder a essas demandas.

Outras cobranças feitas pela FUP foram a retestagem rotineira dos trabalhadores e o acompanhamento médico nos hotéis durante o pré-embarque para as unidades offshore. A empresa informou que a retestagem está sendo feita após 90 dias para os trabalhadores que apresentaram resultado positivo para Covid-19, o que foi questionado pela Federação, já que a testagem e a retestagem em massa são a melhor forma de prevenir a proliferação da doença, principalmente, nas plataformas, onde os casos estão explodindo.

Neste início de ano, pelo menos duas plataformas da Bacia de Campos – a P-61 e a P-35 - estão com surtos de Covid, como informou o Sindipetro-NF. Somam-se a isso as paradas de manutenção nas refinarias, que estão mobilizando milhares de trabalhadores nas unidades. A FUP, novamente, cobrou da Petrobrás máximo empenho e cuidado nas ações para contenção da pandemia.

Outro fato preocupante é a gestão da Petrobrás ter substituído os testes de RT-PCR pelos de antígeno.  Segundo a empresa, a substituição foi feita de forma piloto em unidades do estado do Rio de Janeiro, como a Reduc, o GasLub e o Cenpes, e até o dia 20 de janeiro nos pré-embarques para as unidades offshore, por conta de problemas nos contratos com os laboratórios. A FUP criticou essa mudança sobre dois aspectos. Primeiro no que concerne ao descaso referente à manutenção e continuidade dos contratos para realização de testes no padrão ouro, aplicando-se o RT-PCR. Segundo, sobre a própria substituição em si, haja vista que o teste protocolar é o RT-PCR e que o Teste de Antígeno não reproduz a certeza de resultado, que possa estabelecer laudos confiáveis, sobre a condição do trabalhador, frente à possível contaminação pela COVID.

Durante a reunião, o Sindipetro-PR/SC denunciou o cerceamento por parte da gestão da Repar da participação do representante do Sindicato na reunião da CIPA, o que, além de descumprimento do ACT, é um caso preocupante, diante do avanço da pandemia nas unidades operacionais. Os representantes da Petrobrás informaram que irão buscar informações sobre o caso.

[Imprensa da FUP \ Foto: Tânia Rego/Agência Brasil]

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) retoma nesta quarta-feira, 06, as reuniões semanais com o grupo de Estrutura Organizacional de Resposta da Petrobrás (EOR), responsável pelas ações de gestão relativas à pandemia da Covid-19 nas unidades da empresa. Por solicitação da FUP, as reuniões terão um novo formato, com pautas divulgadas previamente, tanto pelas entidades sindicais, quanto pela gestão da empresa. O objetivo é dar mais transparência ao debate. Veja mais abaixo os pontos de pauta da reunião desta quarta.

Omissão de dados

Ao longo de 2020, a Petrobrás se recusou a divulgar a distribuição do números referentes aos casos de Covid-19 no Sistema Petrobrás, apesar das insistentes cobranças realizadas pela FUP e Sindicatos.

Vacinas

A coordenação do programa de Promoção da Saúde da Petrobrás informou à FUP que a empresa teve reuniões com a Associação Brasileira das Clínicas de Vacina (ABCVAC) para discutir a possibilidade de um plano de vacinação contra a Covid 19 para os trabalhadores da empresa, próprios e terceirizados, como a Federação vem cobrando. Segundo a Petrobrás, a entidade informou que os esforços estão voltados para o atendimento ao setor público e sem previsão para o setor privado. Outra informação passada à FUP é de que a Petrobrás é signatária de um documento que o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gas (IBP) encaminhou ao Ministério da Saúde, ressaltando a importância da imunização para os trabalhadores do setor.

Pontos que a FUP tratará na reunião desta quarta:

1 - Protocolo sobre processo de retestagem para trabalhadores on-shore - A FUP quer que a Petrobras explique a necessidade de se aguardar 90 dias para que trabalhadores que acusaram positivo para COVID-19 voltem a ser testados.

2 - Informações sobre a distribuição do número de casos da Covid-19, entre trabalhadores da Petrobrás e subsidiárias - A FUP solicitou desde o início da pandemia o número de casos especificados por unidade, base e plataformas, mas a empresa continua a negar aos sindicatos a distribuição dos casos. Obs: Não queremos nomes dos trabalhadores somente as informações sobre onde os casos estão ocorrendo.

3 -  Paradas e UMS - A FUP cobrou que sejam informadas as unidades que estão em parada de produção, os contingentes normais de próprios e terceiros, com e sem paradas, bem como os POB´s das UMS e unidades que as UMS estejam conectadas, em regime com e sem a parada de produção.

4 - Problema com o acompanhamento Médico - Trabalhadores contaminados não são consultados por médicos quando chegam no hotel e não possuem assistência no local. Se se sentem mal, precisam ir a um hospital, pois não há profissional disponível para avaliar o estado de saúde dos trabalhadores e prescrever exames ou medicamentos. A FUP já solicitou a presença de um médico no local de quarentena, mas a empresa ainda não nós atendeu.

5 – Cursos - A FUP quer saber quais os procedimentos escritos e precauções para a realização de cursos presenciais e solicita que a empresa envie aos sindicatos cópias dos mesmos. Quais os cursos que ainda estão programados para serem executados presencialmente, turmas e quantidades de alunos?

6 - Nexo causal - A FUP novamente quer discutir o critério para estabelecimento de nexo causal entre a COVID-19 e o trabalho para a Petrobras. Existem casos de contaminações que ainda não foram avaliados quanto ao nexo com o trabalho?

[Da imprensa da FUP]

Na reunião com o grupo de Estrutura Organizacional de Resposta da Petrobrás (EOR) na última quarta-feira, 28, a FUP criticou duramente o Programa de Saúde Mental apresentado pela empresa, após cobrarmos o cumprimento da Cláusula 79 do Acordo Coletivo de Trabalho. O ACT garante aos sindicatos discutir a estruturação do programa nas comissões locais e nacional de SMS. No entanto, não é o que está sendo cumprido pela empresa.

Na reunião do EOR, a Petrobrás, além de se recusar a disponibilizar os dados cobrados pela FUP, alegando confidencialidade, apresentou um programa de saúde mental desenhado, sem discussão com os trabalhadores, a partir de conceitos que não correspondem à realidade da categoria. O programa blinda os gestores de qualquer responsabilidade com os fatores geradores de estresse e pressão psicológica que afetam cada vez mais os petroleiros, ao ponto de termos dois casos de suicídio recentes que abalaram ainda mais a categoria. Em menos de um mês, perdemos um companheiro na Rlam e outro na Bacia de Campos, durante o pré-embarque em um hotel da região.  

Em mais de três horas de reunião, as gerências da Petrobrás abordaram os impactos econômicos da depressão e transtornos de ansiedade, os efeitos sobre a produtividade dos trabalhadores e as ações nas esferas individual, coletiva e no ambiente do trabalho, visando o gerenciamento do estresse, prevenção de suicídio, mapeamento e avaliação de riscos psicossociais no ambiente de trabalho. No entanto, em momento algum, a Petrobrás abordou em sua apresentação a causa central do estresse e sofrimento mental que atinge os petroleiros: a desestruturação da vida profissional e familiar em função do fechamento de unidades, das privatizações e do desmonte que compromete o presente e o futuro da companhia.

Política de gestão é a causa dos transtornos psicológicos

“A empresa praticamente transfere para o trabalhador a responsabilidade pelo adoecimento mental, reforçando a necessidade de um estilo de vida saudável. Mas, os trabalhadores não se encontram em estado de bem estar, seu estilo de vida está completamente comprometido por conta da política de gestão da Petrobras, que contribui sobremaneira para os casos de transtornos mentais”, afirmou o diretor de SMS da FUP, Raimundo Teles.

O médico do trabalho do Sindipetro-NF, Ricardo Garcia Duarte, que assessora a FUP nas reuniões do EOR, lembrou a vistoria sanitária realizada dia 21/10 na Reduc, em cumprimento à Clausula 68 do ACT, que garante o acesso dos sindicatos aos locais de trabalho para acompanhamento das condições de salubridade e segurança. A gerência da Reduc relatou à ele e aos diretores da FUP e do Sindipetro Duque de Caxias o caso de quatro petroleiros que haviam sido transferidos para a refinaria, vindos da Bacia de Campos, mas não chegaram sequer a assumir suas atividades, pois estão em afastamento médico devido a transtornos psicológicos.

“Como a Petrobrás pode falar em gerenciamento de estresse, quando está fechando as instalações em diversos estados? A vida dos trabalhadores está virada de ponta cabeça e eles ainda têm que lidar com a cobrança para que mantenham-se mentalmente equilibrados?”, questionou Raimundo, após a exposição do médico.

O diretor de SMS da FUP afirmou que o suicídio ocorrido na Rlam é a prova de que o programa de saúde mental da empresa não funciona. “Um suicídio dentro do ambiente de trabalho demonstra que programa está todo errado ou está sendo conduzido na direção oposta das necessidades dos trabalhadores”, frisou.

Covid-19: FUP cobra posicionamento da Petrobrás sobre vacina

Durante a reunião com o EOR, as representações sindicais relataram preocupação com um possível surto de Covid-19 em unidades da Transpetro no Ceará e cobrou que os gestores apurem os fatos e tomem as devidas providências. A FUP também questionou a empresa sobre as medidas de segurança que estão sendo adotadas para evitar a contaminação nas paradas de manutenção que estão acontecendo nas refinarias. As direções sindicais ressaltaram que a pandemia da Covid-19 não acabou e que as paradas movimentam centenas de trabalhadores nas refinarias, na contramão do que os órgãos de saúde sanitária determinam para controlar as aglomerações.

Outra cobrança feita pela FUP foi em relação ao protocolo que a Petrobrás irá adotar em relação à vacina contra a Covid-19. Os petroleiros querem um posicionamento da empresa, já que o governo tem tido opiniões preocupantes sobre a vacina, com o presidente Bolsonaro se manifestando contrário à obrigatoriedade e à vacina chinesa. “Queremos saber o que a gestão da Petrobrás fará? A empresa vai adotar um protocolo próprio de imunização? Qual é a orientação? Teremos uma campanha própria de vacinação para os petroleiros?”, questionou o diretor de SMS da FUP.

[Imprensa da FUP]

O programa semanal da FUP Encontro com a Categoria aborda nesta terça-feira, 20, o parecer técnico-científico da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que comprova que a frequência dos casos de Covid-19 (expressa na incidência contaminados por 100 mil) entre os petroleiros é mais que o dobro da frequência registrada na população brasileira. 

Essa e outras questões que a FUP e os sindicatos vêm tratando nas reuniões semanais com o grupo de Estrutura Organizacional de Resposta da Petrobrás (EOR) serão abordadas na live de hoje, que começa às 19h (veja abaixo).


Leia também: > EOR: Parecer da Fiocruz reforça denúncias da FUP sobre negligência da Petrobrás no combate à Covid-19


Participam do programa os diretores da FUP, Raimundo Telles, e do Sindipetro-NF, Alexandre Vieira, a pós-doutora em Saúde do Trabalhador, Liliane Teixeira, o pós-doutor em Saúde Coletiva e Tecnologia da Fiocruz, Jorge Machado. e o presidente do Sindicato dos Servidores de Ciência, Tecnologia, Produção e Inovação em Saúde Pública (Asfoc), Paulo Garrido.

O Encontro com a categoria começa às 19h, nos canais da FUP no Youtube e no Facebook

Assista diretamente aqui, se preferir: 

 [Da imprensa da FUP]

Publicado em Sistema Petrobrás

Primeira vistoria será feita na Reduc (RJ), nesta quarta (21/10), e ocorre após divulgação de parecer da Fiocruz que indicou a alta contaminação pelo coronavírus entre trabalhadores da Petrobrás e a necessidade de que a doença seja comunicada pela empresa como acidente de trabalho

Após cobranças sistemáticas da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e seus sindicatos filiados nas reuniões do grupo de Estrutura Organizacional de Resposta (EOR) da Petrobrás que trata das ações relativas à pandemia da Covid-19, a companhia agendou para esta quarta-feira (21/10) a primeira vistoria sanitária em unidades operacionais. A vistoria será na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, a partir da 7h, e contará com o diretor de SMS da FUP, Antonio Raimundo Santos, que também irá representar o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (SindipetroNF); do secretário geral do Sindipetro-Caxias e diretor suplente da FUP, Luciano Santos; e do médico do trabalho que assessora a Federação, Ricardo Garcia Duarte.

A vistoria sanitária ganhou ainda mais importância após o parecer técnico-científico da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que comprova que a frequência dos casos de Covid-19 (expressa na incidência contaminados por 100 mil) entre os petroleiros é mais que o dobro da frequência registrada na população brasileira (Acesse aqui a íntegra do parecer científico da Fiocruz). Além disso, o documento aponta que a resistência da empresa em emitir Comunicações de Acidente de Trabalho (CATs) para trabalhadores contaminados por Covid-19 é uma estratégia para manipular a Taxa de Acidentes Registráveis (TAR), indicador observado para determinar o desempenho internacional de companhias de petróleo e que pode desvalorizar as empresas se mantido em patamares altos.

Outro ponto analisado pelo parecer da Fiocruz é a Nota Técnica (NT) 28/2020, da Petrobrás, que estabeleceu procedimentos de testagem para liberação ao trabalho que foram condenados por diversos fóruns de saúde e de epidemiologistas, além de rechaçados pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). “IgG positivo não garante imunidade que dê respaldo científico à NOTA TÉCNICA 28/2020 da Petrobras, assim como não há garantias de impedimento de processos de reinfecção por coronavírus”, reitera o documento. Os gestores da Petrobrás, no entanto, insistem em usar a NT 28 para validar o embarque e a permanência nas plataformas de trabalhadores que tiveram resultados positivos nos testes sorológicos rápidos. O mesmo procedimento continua sendo adotado nas unidades operacionais de terra.

“Um dos questionamentos que mais fizemos, e continuamos fazendo, envolve notas técnicas que o EOR estabeleceu como referência para aplicação no combate à pandemia. A principal é a NT 28, cujo protocolo estabelecido para testagem e consequente liberação para trabalho, como embarque para as unidades offshore e mesmo em escalas de turno nas refinarias e bases terrestres, é combatido e condenado por muitos especialistas das áreas médica, de epidemiologia, de saúde pública e a Petrobrás insiste em aplicar. Vamos verificar na vistoria sanitária se esse protocolo errado continua sendo aplicado pela empresa”, explicou Antonio Raimundo do Santos, diretor de SMS da FUP.

A vistoria sanitária é uma ação sindical que a FUP orienta todos os sindicatos a implementarem. Seu objetivo é fiscalizar e acompanhar as medidas implementadas pela Petrobrás e suas subsidiárias no combate à contaminação pelo coronavírus, visando a proteção dos trabalhadores próprios e terceirizados durante a pandemia da Covid-19.

“A importância dessa visita é a aplicação de uma cláusula que há muito tempo está em nosso Acordo Coletivo de Trabalho, mas que é pouco aplicada. Após essa primeira vistoria, vamos recomendar que todos os nossos sindicatos estabeleçam visitas sistemáticas às unidades operacionais, acompanhados de profissionais da área médica ou de segurança do trabalho. E o parecer da Fiocruz nos mostra, a partir de uma visão de profissionais especialistas, as contradições que a Petrobrás apresenta tanto nas divulgações de números e ações como na realidade observada por trabalhadoras e trabalhadores”, detalha Santos.

Encontro com a categoria

Os diretores da FUP e dos sindicatos que participam das reuniões semanais com o EOR estarão nesta terça-feira, 20, conversando ao vivo com os trabalhadores sobre o parecer da Fiocruz e as principais questões relacionadas à pandemia da Covid-19 que estão sendo tratadas com a Petrobrás. O Encontro com a categoria começa às 19h, nos canais da FUP no Youtube e no Facebook. Participe e divulgue: 

Bacia de Campos

Além do parecer da Fiocruz, na última reunião do EOR, a FUP e o Sindipetro-NF denunciaram que bases terrestres da Petrobrás em Macaé (RJ) – Imbetiba, Cabiúnas e Parque de Tubos – estavam desde 30 de setembro sem realizar nem mesmo testes rápidos em trabalhadores próprios da empresa e terceirizados. A alegação da petroleira era de que o contrato com a empresa responsável pelos testes estava sendo renovado e que a situação se normalizaria até 16 de outubro.

O SindipetroNF solicitou à Petrobrás que fornecesse guias de seu plano de saúde próprio (Assistência Multidisciplinar de Saúde –AMS) para que os petroleiros pudessem fazer os exames em laboratórios credenciados. Entretanto, o pedido foi negado.

[FUP | Foto: Agência Petrobras]

 

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.