Já são três mortes por Covid-19 na refinaria e a empresa sequer se manifesta. Pior ainda, causa mais aglomerações com os serviços de parada de manutenção. Há evidências de que a contaminação da última vítima ocorreu dentro das instalações da Repar

[Da imprensa do Sindipetro PR/SC] 

A preocupação com as condições de segurança na refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, aumenta a cada dia. A unidade soma três mortes de trabalhadores por Covid-19 nos últimos dez dias, todos eram jovens. 

Há mais de um ano o Sindipetro PR e SC cobra da Petrobrás acesso às informações sobre a pandemia nas suas instalações e a aplicação de medidas de proteção para evitar a disseminação do coronavírus entre os trabalhadores. 

As respostas sempre foram superficiais e a postura negligente da empresa ganhou traços de desprezo à vida com a insistência da gestão da Repar em realizar a parada de manutenção, mesmo com o agravamento da crise sanitária e o colapso dos sistemas público e privado de saúde. 

O gigantesco procedimento industrial foi iniciado no último dia 29 e deve aumentar a partir de 12 de abril. Significa adicionar cerca de dois mil trabalhadores na rotina da unidade. Cabe ressaltar que os serviços de pré-parada, com cerca de 800 profissionais em oficinas de manutenção e outros ambientes compartilhados, estão em andamento. As aglomerações, principais vetores de transmissão do vírus, são inevitáveis, sobretudo nas áreas industriais, andaimes, equipamentos e oficinas, nas quais já foram percebidas concentrações de pessoas. 

As informações do mais recente boletim de monitoramento sobre a pandemia no Sistema Petrobrás, do Ministério de Minas e Energia, apontam que foram registrados 331 casos de contaminação nas unidades da Petrobrás no Paraná e Santa Catarina, com três mortes. Os dados, infelizmente, estão desatualizados, pois não contabilizam o falecimento de mais um trabalhador terceirizado da Repar, no início da tarde de quinta-feira (01), vítima da Covid-19.  

Diante desse cenário, a luta coletiva dos petroleiros transcende de patamar e se torna questão de sobrevivência. “Deve acontecer uma greve sanitária se não houver uma grande mudança de postura da empresa sobre as condições das instalações e cuidado com as pessoas que circulam na Repar”, avalia Alexandro Guilherme Jorge, presidente do Sindipetro PR e SC. Ele acrescenta que é de extrema importância que as denúncias da base, feitas desde o início da pandemia, continuem. “Através desses relatos conseguimos munir o Ministério Público do Trabalho e a Delegacia Regional do Trabalho, assim como as secretarias de saúde de Araucária e do Paraná, com informações sobre a situação na refinaria”. 

Fica a pergunta aos gestores da Repar: quantas vidas precisam ser ceifadas para a suspensão da parada de manutenção? 

O Sindicato pede mesa de negociação com a gestão desde a primeira morte por Covid-19 na refinaria, o que não foi atendido até agora. Na Regap ocorreram quatro mortes e a parada foi suspensa sem prazo de retorno. O Sindipetro PR e SC exige, no mínimo, o mesmo tratamento que foi dado na unidade de Minas Gerais.

Morte por contaminações dentro da Repar

A mistura de sentimentos de tristeza e revolta paira sobre os trabalhadores da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, com a informação da morte de Carlos Eduardo Correa dos Santos (Cadu), aos 45 anos, na tarde da última quinta-feira (01). 

Casado e pai de gêmeos, um menino e uma menina, o supervisor de controle de qualidade da empresa Service Engenharia, contratada para a parada de manutenção da Repar, foi a terceira vítima da Covid-19 na unidade dentro do período de dez dias. 

A tristeza vem naturalmente da perda de um companheiro. Já a revolta é motivada pela postura da gestão, que sequer teve a sensibilidade de informar o falecimento à força de trabalho. 

Também fica escancarado o desprezo da empresa perante os que ficam, pois mantém os serviços da parada de manutenção da Repar, mesmo diante do pior momento da pandemia do coronavírus. O procedimento industrial adiciona à rotina da refinaria centenas de trabalhadores e causa, inevitavelmente, aglomerações por todos os cantos. 

Há evidências de que a contaminação de Cadu, como era conhecido na área, ocorreu dentro das instalações da refinaria, uma vez que outros funcionários da terceirizada testaram positivo para a Covid-19. 

O corpo foi sepultado na sexta-feira (02), no município de Canoas, região metropolitana de Porto Alegre-RS, terra do Cadu. 

O Sindipetro exige a suspensão da parada de manutenção da Repar para que as notícias de mortes na unidade deixem de se repetir. 

Aos familiares e amigos do companheiro Carlos Eduardo os nossos mais profundos sentimentos.  

Denuncie

Qualquer situação de risco de contaminação deve ser comunicada imediatamente ao Sindicato, tais como aglomerações em oficinas, containers, refeitórios, transporte e alojamento, principalmente no período de serviços de pré-parada, de preferência com registros. As denúncias devem ser feitas através do e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou do telefone (41) 3332-4554. Se preferir, trate o assunto diretamente com os dirigentes sindicais nos locais de trabalho.

Enquanto 5% da população mineira foi infectada por Covid-19, totalizando 1,1 milhão de pessoas, a média de trabalhadores contaminados na Refinaria Gabriel Passos (Regap) é duas vezes maior que a do Estado. 

Segundo ofício enviado pela Petrobrás, 84 trabalhadores testaram positivo para o coronavírus, o que representa mais de 10% dos funcionários que atuam hoje na refinaria. 

Apesar de ter enviado ofício sobre o número de contaminados na Regap, a Petrobras não informou o período em que ocorreram essas contaminações, mais uma vez mascarando o impacto da parada de manutenção na refinaria.

A empresa segue se negando a fornecer informações completas sobre o número de casos, e não é só ao Sindicato. Na última semana, o deputado federal Rogério Correia enviou um ofício à gerência local pedindo informações mais completas sobre os números de trabalhadores infectados por Covid-19, porém até o momento não foi respondido. 

Mortes

O Sindipetro/MG lamenta o falecimento de três trabalhadores da Gramo e de um funcionário da Estrutural. O Sindicato se solidariza com as famílias e amigos dos trabalhadores e continuará lutando para que haja a interrupção de todas as atividades não essenciais que estão sendo realizadas na Regap para garantir a segurança dos trabalhadores.

[Da Imprensa do Sindipetro MG]

A greve, que mobiliza há 18 dias a categoria petroleira em quatro bases da FUP (Bahia, Amazonas, Espirito Santo e Unificado de São Paulo), ganhou nesta segunda-feira, 22, o reforço dos trabalhadores de Minas Gerais, que iniciaram por tempo indeterminado uma greve sanitária. Seguindo as orientações do Sindipetro MG, trabalhadores próprios e terceirizados, não compareceram à Regap, onde mais de 200 companheiros já foram infectados pela Covid-19. Atualmente, 12 trabalhadores da refinaria estão internados em decorrência da Covid e três deles estão em unidades de tratamento intensivo, intubados.

Apesar da gravidade da situação, a gestão da Petrobrás insiste em manter as paradas de manutenção, com mais de 2 mil trabalhadores na Regap. “Os trabalhadores estão em risco e a gestão da empresa não toma as providências necessárias. Nós precisamos com urgência que sejam interrompidas todas as atividades da refinaria que não sejam essenciais. Nossa greve não é para impactar a produção, nossa greve é para resguardar a saúde dos trabalhadores, é em defesa da vida”, explica o coordenador do Sindipetro MG, Alexandre Finamori. 

Este cenário caótico, no momento mais grave da pandemia, se repete em diversas outras unidades do Sistema Petrobrás. Na Rlam, na Bahia, o sindicato vem denunciando o avanço da contaminação, com mais de 90 trabalhadores infectados ao longo de março e dois operadores mortos no espaço de uma semana, após complicações geradas pela Covid-19. No último dia 17, o Sindipetro BA realizou um lockdown na unidade, convencendo os trabalhadores próprios e terceirizados a retornarem para casa.

Nas plataformas, a situação se agrava com o aumento de surtos da Covid. Em apenas um dia, segundo dados da ANP, foram confirmados 83 novos casos de trabalhadores contaminados na última semana em atividades offshore do país. O surto mais recente foi registrado na P-38, no campo de Marlim Sul, na Bacia de Campos. A unidade está operando parcialmente, após diversos trabalhadores terem testado positivo na semana passada. “A plataforma suspendeu os trabalhos no convés desde quarta-feira (17/3) depois do almoço, quando os resultados saíram”, informou o coordenador do Departamento de Saúde e Meio Ambiente do Sindipetro-NF, Alexandre de Oliveira Vieira, com base em informações recebidas de trabalhadores da unidade.

Lockdown na quarta

A FUP e seus sindicatos orientam todos os trabalhadores e trabalhadoras do Sistema Petrobrás a aderirem na quarta-feira, 24, ao “Lockdown em Defesa Da Vida e dos Direitos”, convocado pelas centrais sindicais. Além de fortalecer as greves regionais que a categoria petroleira vem realizando desde o dia 05 de março, a mobilização será mais uma forma de denunciar a “irresponsabilidade do governo federal, que levou o país ao pior colapso sanitário e hospitalar de sua história”, conforme destacam as centrais sindicais.

Já são quase 3 mil mortes diárias após um ano de pandemia, resultado da irresponsabilidade e inércia do governo Bolsonaro que transformou o Brasil em exemplo mundial de fracasso e de falta de políticas públicas para conter a disseminação da covid-19. O “Lockdown em Defesa Da Vida e dos Direitos” cobrará vacinação em massa e a retomada do auxílio emergencial com parcelas de, no mínimo, R$ 600,00.

Para a CUT, "é urgente um efetivo lockdown que amplie o isolamento social para pôr fim a esta tragédia e acabar com o sofrimento e as mortes promovidas por esse genocídio contra o povo brasileiro". A Central considera que o auxílio emergencial, dentre outras medidas, "é fundamental para assegurar condições básicas de sobrevivência de milhões de trabalhadores e trabalhadoras desempregados e informais para que eles possam ficar em casa".

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 [Imprensa da FUP]

Publicado em Sistema Petrobrás

O Sindipetro-NF recebeu denúncia que ontem, 18, houve problema na área de comunicação do tráfego aéreo na área de Albacora e por isso muitos vôos foram transferidos enquanto a TIC – Tecnologia de Informação e Comunicação resolvia problema.

Os passageiros acabaram ficando no aeroporto do Farol de São Tomé aguardando uma solução da empresa. A diretoria do sindicato chegou a entrar em contato com a equipe do Compartilhado para verificar o motivo pelo qual temos passageiros aguardaram por horas transporte e hotel.E foi informada que conseguiu vagas para todos em Farol de São Tomé e que haverá alimentação disponível no hotel.

O NF questiona o fato da empresa não estra preparada para problemas desse tipo em plena pandemia, quando as pessoas não podem ficar aglomeradas correndo risco de contaminação. O sindicato alerta para que nos próximos eventos as empresas sejam mais ágeis no cuidado com a vida de seus trabalhadores e trabalhadoras.

[Da imprensa do Sindipetro NF]

O Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro/MG) já contabilizou mais de 78 casos de contaminação por coronavírus de trabalhadores efetivos e terceirizados na Refinaria Gabriel Passos (Regap), desde a semana passada.

Infelizmente, os casos aumentaram com o início da parada de manutenção, como previsto pelo Sindicato, devido ao aumento do número de trabalhadores em trânsito na unidade.

Diante da grave situação, o Sindipetro/MG enviou ofício nesta segunda-feira, dia 15/03,  à gerência geral da Refinaria, solicitando a suspensão da parada de manutenção e outras medidas para proteger os petroleiros e suas famílias. Uma vez que as unidades de saúde de Betim e Belo Horizonte estão lotadas, e muitos estão com dificuldade para conseguir atendimento  médico e internação.

Vale lembrar que há dois meses o Sindicato notificou a empresa sobre os riscos a que seriam expostos os trabalhadores ao serem submetidos a condições inadequadas de prevenção ao Coronavírus.

Como resposta ao alerta do Sindicato, a empresa afirmou que “todos os protocolos a serem seguidos pela EOR para realização da Parada Programa na REGAP estão em consonância com a preocupação da Companhia com a preservação da saúde dos seus colaboradores e a continuidade da refinação, essencial para a sociedade”.

No entanto, entre outras falhas, uma das principais medidas preventivas, a de evitar aglomerações, não está sendo respeitada em decorrência do alto número de trabalhadores que foi alocado para cumprir as atividades da parada de manutenção.

Assim, o ofício enviado esta pelo Sindicato apresenta as seguintes demandas:

  • Imediata interrupção das atividades da Parada de Manutenção nos setores Coque e HDT; 
  • Suspensão de novas paradas de manutenção previstas para as próximas semanas, incluindo a intervenção na unidade UDAV1 (setor DH); 
  • Redução imediata do quadro de empregados (próprios e terceirizados) em trabalho presencial na Regap, exceto pelas atividades essenciais para a continuidade operacional em segurança na refinaria e para a garantia da produção para abastecimento das necessidades inadiáveis da população, garantida a irredutibilidade salarial e a manutenção do emprego de todos os empregados próprios e terceirizados; 
  • Isolamento imediato, garantida a irredutibilidade salarial e a manutenção do emprego de todos os empregados (próprios e terceirizados) que tiveram contato com casos suspeitos e confirmados da Covid-19;
  • Envio do número de trabalhadores contaminados (próprios e terceirizados) pela Covid19 na Regap, desde o início da Parada de Manutenção dos setores Coque e HDT;

Abaixo, leia o documento:

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[Da imprensa do Sindipetro MG]

O Sindicato dos Petroleiros do Estado da Bahia lamenta a morte de mais um companheiro Wagner Plech. Coordenador de turno da Refinaria Landulpho Alves, morreu hoje pela manhã, devido a complicações relativas à Covid-19. Foi gerente das unidades onze, doze e treze, atualmente era COTUR (Coordenador de Turno).

Mais uma vítima fatal, devido a irresponsabilidade da Gerência Geral da Refinaria. Com 35 anos de Petrobrás, Wagner, 52 anos, casado, deixa um casal de filhos. Internado na Cardio Pulmonar, em Salvador. Neste domingo, completa também uma semana da morte do operador da Rlam, Carlo Alberto, por complicações geradas pela doença.

“Essas mortes são fruto da incompetência administrativa e gerencial da Petrobrás na Rlam, que não tem adotado as medidas necessárias para preservar a vida dos trabalhadores próprios e terceirizados, apesar de toda cobrança que vem sendo feita pela direção do Sindipetro Bahia”, afirma Radiovaldo Costa, diretor da entidade.

Sobra irresponsabilidade na forma de gerir a unidade num momento tão delicado como esse. Faltam critérios firmes. No último dia 10 de março, houve reunião do Sindipetro junto ao Ministério Público do Trabalho, representantes da Petrobrás e representantes do SRTE, cobrando medidas mais rigorosas da gerência, seja na diminuição do contingente, nas medidas protetivas e também na identificação dos trabalhadores de tenham comorbidades estando mais expostos aos riscos de agravamento do coronavírus.

A CIPA da RLAM vem cobrando sistematicamente, inclusive já discutiu e debateu esse assunto na unidade intensamente, aprovou e fez várias solicitações à gerência, às quais, não foram atendidas conforme relatórios anexos. Demonstrando o grau de compromisso que a atual gestão da Petrobrás tem com as nossas vidas.

O Sindipetro Bahia estará responsabilizando civil e criminalmente o gerente geral da refinaria diante das mortes de Carlos Alberto e Wagner Plech, pois entendemos que houve negligência na adoção das medidas protetivas para evitar essas mortes.

Com estas últimas contaminações e mortes que aconteceram na Rlam, só comprovam que a gerência geral da refinaria coloca a produção acima da vida.

[Da imprensa do Sindipetro BA]

Na última sexta-feira (12), representantes da diretoria do Sindipetro/MG participaram de reunião online com a gerência sobre os pontos de reivindicação da categoria mineira. A abertura de diálogo com a empresa se deu após a aprovação de greve pelos trabalhadores da Regap e UTE Ibirité. Além dos diretores do Sindicato, a reunião contou com a participação de representantes da gerência local e do RH corporativo.

A reunião ocorreu duas semanas depois da suspensão temporária do movimento grevista, diante da possibilidade de negociação sobre as demandas da base. Entretanto, mesmo diante da extensa pauta de reivindicações, os diretores presentes foram informados de que a reunião teria apenas uma hora de duração. Diante do tempo reduzido de reunião, apenas três pontos da pauta de reivindicação foram discutidos: regulamentação do teletrabalho, desconto das horas da greve de 2020 e cobranças abusivas da AMS.

No final da reunião, o Sindicato exigiu maior celeridade para o agendamento das reuniões, especialmente diante do quadro crítico envolvendo a Parada de Manutenção da Regap. Um dos pontos de reivindicação da categoria está relacionado à cobrança de condições de segurança contra o contágio de Covid-19 na Parada de Manutenção na refinaria, o que tem trazido grande preocupação ao Sindicato e à categoria. 

“Cobramos respostas imediatas da empresa sobre outros temas importantes para a categoria, como a falta de efetivo, a redução do número mínimo e, principalmente, a falta de condições seguras para a realização da Parada de Manutenção no pior momento da pandemia no Brasil. Já são 15 casos confirmados na operação em 2 semanas, inclusive envolvendo pessoas que estiveram em um mesmo refeitório. Já temos casos de companheiros contaminados que não conseguiram se internar, por falta de leitos em BH. Não iremos aceitar que coloquem o lucro acima da vida da categoria!” – afirmou Alexandre Finamori, coordenador do Sindipetro/MG. 

Suspensão de Setoriais presenciais na Regap

Diante do cenário de aumento da taxa de transmissão da Covid-19 e da situação crítica da disponibilidade de leitos na região metropolitana de Belo Horizonte, a diretoria do Sindipetro/MG decidiu pela suspensão temporária das reuniões setorizadas presenciais com os trabalhadores da Refinaria Gabriel Passos.

[Da imprensa do Sindipetro-MG]

Há dez dias em greve, os trabalhadores do Sistema Petrobrás denunciam o avanço da contaminação de Covid-19 nas unidades da empresa. Neste domingo, uma semana após a morte do operador da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), Carlo Alberto, por complicações geradas pela doença, o Sindipetro Bahia tomou conhecimento de que mais um trabalhador da refinaria faleceu após ser infectado. Segundo informações preliminares obtidas pelo sindicato, a vítima tinha 52 anos e era técnico de operação, exercendo nos últimos anos a função de coordenador de turno. "Essas mortes são fruto da incompetência administrativa e gerencial da Petrobrás na Rlam, que não tem adotado as medidas necessárias para preservar a vida dos trabalhadores próprios e terceirizados, apesar de toda cobrança que vem sendo feita pela direção do sindicato", afirma Radiovaldo Costa, diretor Sindipetro Bahia, informando que a entidade irá processar o Gerente Geral da Rlam para que seja responsabilizado civil e criminalmente por expor a vida dos trabalhadores em risco.

A Rlam é uma das unidades do Sistema Petrobrás que vem sendo afetada pela negligência da direção da empresa no combate à pandemia. Nas últimas semanas, foram relatados surtos de Covid com mais de 80 trabalhadores contaminados na refinaria. Ainda assim, a gerência chegou a insistir em manter as paradas de manutenção que colocariam em risco mais de 2 mil trabalhadores aglomerados na unidade. Só após o início da greve, é que a a gestão da Petrobrás resolveu suspender o início das paradas na Rlam

Na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais, o Sindipetro também denunciou a ocorrência de surtos de Covid entre os trabalhadores. "Um dos setores atingidos é o DH com oito casos confirmados. Outro setor sob atenção é o Coque, com sete casos. A situação é preocupante, uma vez que este cenário deve se agravar nos setores que estão em parada de manutenção, como o Coque. Além disso, vale lembrar que os trabalhadores da parada e os da refinaria estão compartilhando o mesmo transporte, o que pode favorecer o contágio. Para piorar a situação, há gerentes setoriais que não direcionam os trabalhadores com suspeita para avaliação médica, autorizando pessoas que podem estar com Covid-19 a trabalhar sem a devida triagem", alerta o Sindipetro-MG.

Apesar da gravidade do problema, a gestão da Regap se nega a atender as reivindicações dos trabalhadores, que aprovaram greve por tempo indeterminado e ameaçam parar as atividades se a Petrobrás não garantir o atendimento da pauta da categoria. “Cobramos respostas imediatas da empresa sobre outros temas importantes para a categoria, como a falta de efetivo, a redução do número mínimo e, principalmente, a falta de condições seguras para a realização da Parada de Manutenção no pior momento da pandemia no Brasil. Já são 15 casos confirmados na operação em 2 semanas, inclusive envolvendo pessoas que estiveram em um mesmo refeitório. Já temos casos de companheiros contaminados que não conseguiram se internar, por falta de leitos em BH. Não iremos aceitar que coloquem o lucro acima da vida da categoria”, afirma Alexandre Finamori, coordenador do Sindipetro-MG.

A segurança é um dos eixos da greve que mobiliza há dez dias os trabalhadores da Petrobrás na Bahia, no Amazonas, no Espírito Santo e em São Paulo. Em meio ao maior desmonte da história do Sistema Petrobrás, com diversas unidades já privatizadas e fechadas e outras tantas em processo de venda, os petroleiros enfrentam graves ataques no ambiente de trabalho, além da insegurança causada pela pandemia. Vários trabalhadores estão esgotados, física e psicologicamente. Sem diálogo com os sindicatos, as gerências submetem a categoria a jornadas exaustivas e a multifunções, seja no trabalho presencial ou remoto, paralelamente às transferências compulsórias e ao descumprimento do Acordo Coletivo. 

Assim como o governo Bolsonaro, a gestão Castello Branco vem negando recomendações, normas e protocolos de segurança dos órgãos de saúde e de fiscalização para prevenir de forma eficaz o avanço da pandemia da Covid-19 na Petrobras. Mais de 11% dos trabalhadores da Petrobrás já se contaminaram. Isso equivale ao dobro da média nacional. A cada semana, são mais de 400 trabalhadores infectados e uma média de 20 hospitalizados. Esses números, apesar de altos, são subnotificados, pois a Petrobrás insiste em não divulgar os dados dos trabalhadores terceirizados. Em meio às privatizações, a categoria petroleira ainda é obrigada a conviver com o pavor de ser contaminada pelos surtos semanais que estão ocorrendo nas plataformas, refinarias e terminais. Informações obtidas pela FUP revelam que mais de 60 trabalhadores próprios e terceirizados já perderam a vida em consequência da Covid.

“Continuamos em greve por segurança e condições decentes de trabalho. Não podemos aceitar que a gestão da Petrobrás continue negligenciando a vida dos trabalhadores e precarizando as condições de trabalho. Por isso, convocamos todos os petroleiros a se somarem a essa luta, pois juntos somos mais fortes”, afirma o presidente do Sindipetro AM, Marcus Ribeiro.

Trabalhadores da Refinaria Gabriel Passos (Regap) buscaram o Sindipetro/MG para relatar casos de COVID-19 dentro da unidade.

De acordo com as denúncias, um dos setores atingidos é o DH com oito casos confirmados. Outro setor sob atenção é o Coque, com sete casos.

Para o Sindicato, a situação é preocupante, uma vez que este cenário deve se agravar nos setores que estão em parada de manutenção, como o Coque.

Além disso, vale lembrar que os trabalhadores da parada e os da refinaria estão compartilhando o mesmo transporte, o que pode favorecer o contágio.

Para piorar a situação, há gerentes setoriais que não direcionam os trabalhadores com suspeita para avaliação médica, autorizando pessoas que podem estar com COVID-19 a trabalhar sem a devida triagem.

Parada de manutenção gerou surto na Bahia

Na RLAM já são 75 casos de COVID-19 confirmados entre os trabalhadores próprios. Sendo que oito estão hospitalizados e três em uma Unidade de Terapia Intensiva, intubados.

Os trabalhadores relatam que os casos de contaminação pelo vírus começaram a se multiplicar cerca de seis dias após a véspera da greve da categoria (17/02), quando o Gerente Geral da RLAM autorizou a entrada, sem nenhum tipo de controle sanitário, de trabalhadores próprios e terceirizados na unidade, colocando até três turmas de operadores nas CCLs, que dormiram em colchões no chão e em um ambiente fechado. 

Diante da gravidade a qual se chegou na unidade baiana, dirigentes sindicais de outras regiões estão preocupados com a falta de cuidado com que estão sendo conduzidas as paradas de manutenção.

Orientação

O Sindipetro/MG orienta ao trabalhador que, ao apresentar sintomas ou contato com algum caso suspeito ou confirmado, busque atendimento médico on-line e comunique o setor médico imediatamente. 

Caso haja alguma recusa abusiva por parte de algum gerente setorial de encaminhar o trabalhador para a realização do exame, entre em contato com o Sindicato por meio dos nossos canais.

[Da imprensa do Sindipetro MG]

A gerência da Refinaria Landulpho Alves (RLAM) emitiu comunicado nesta sexta (5), informando o adiamento por mais 14 dias da parada de manutenção da refinaria que estava marcada para acontecer no dia 15/03.

O adiamento da parada de manutenção da RLAM foi uma grande vitória do Sindipetro Bahia. A entidade sindical participou de reuniões com o RH Corporativo da Petrobrás e com a gerência da RLAM, apontando o perigo da manutenção da parada em um momento em que os casos de infecção pelo vírus da Covid – 19 estão em alta e já havia solicitado o adiamento da parada, mas não foi atendida.

Foi preciso denunciar o acaso à imprensa e divulgar a intenção de encaminhar denúncia contra a RLAM ao Ministério Público do Trabalho, ao Centro de Saúde do Trabalhador da Bahia (Cesat) e à Superintendência Regional de Trabalho e Emprego, para que os órgãos públicos competentes tomassem conhecimento dessa grave situação, e no uso de suas atribuições garantissem o adiamento da parada de manutenção.

Apesar do avanço, o Sindipetro vê essa medida como paliativa e continua reivindicando que a parada seja adiada não só por 14 dias, mas pelo máximo de tempo permitido pelas Normas regulamentadoras, sendo o ideal, se possível, até a vacinação de todos os trabalhadores.

Outras vitórias do Sindipetro contra a propagação da Covid-19 foram: a volta da implantação do teste de antígeno associado ao teste rápido, redução de atividades dentro das instalações da refinaria; implementação de horários distintos de almoço para o pessoal das empresas contratadas, buscando a redução de filas e contato e exposição de pessoas e redução do efetivo de manutenção de rotina na refinaria para aproximadamente 35% do efetivo normal.

No entanto, no seu comunicado, a gerência da RLAM elencou uma série de medidas preventivas, afirmando que já haviam sido adotadas anteriormente. Mas, pelo menos algumas delas não estão funcionando como deveriam, a exemplo da limitação da ocupação não superior a 50%, com uso de máscaras nos transportes e a redução do número de mesas e limitação da ocupação não superior a 50%.

O adiamento da parada e as medidas adotadas foram necessárias devido à própria negligência da RLAM com os trabalhadores próprios e terceirizados. Se a gerência da refinaria não tivesse liberado a entrada na unidade de centenas de trabalhadores no dia 17/02 (véspera da greve da categoria), sem nenhum tipo de controle sanitário, colocando até três turmas de operadores nas CCLs, dormindo em colchões no chão e em ambiente fechado, hoje a refinaria não estaria vivendo um surto de Covid.

Esperamos que a gerência da RLAM dê continuidade à prevenção durante a greve da categoria que foi retomada nesta sexta(5), pois o Sindipetro recebeu denúncias de que muitos trabalhadores estão sendo mantidos dentro da refinaria mesmo após o seu turno de trabalho. Esperamos que não haja aglomeração nos dormitórios e refeitórios como da outra vez.

[Da imprensa do Sindipetro BA]

Publicado em Sistema Petrobrás
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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.