Sindicalista palestino denuncia genocídio israelense e cobra apoio dos petroleiros

Sexta, 15 Agosto 2014 16:33

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Um dos destaques deste XVI Confup, Mohammed Jadallah, presidente do Sindicato Geral dos Trabalhadores de Petróleo, Minas e Produtos Químicos da Palestina, foi aplaudido de pé pelos cerca de 400 trabalhadores que lotaram a cerimônia de abertura do Congresso, na noite de quinta-feira, 14. Ele se emocionou com os gritos de “Palestina livre” que eclodiram do plenário, quando seu nome foi anunciado para ocupar a mesa principal do evento. Saudado pelas lideranças sindicais brasileiras e pelas delegações internacionais presentes neste XVI Confup, Mohammed denunciou as atrocidades do governo israelense, que desde o início de julho vem bombardeando a Faixa de Gaza, em contínuos ataques que já resultaram na morte de mais de dois mil civis, sendo 430 crianças, 243 mulheres, 79 idosos e 10 mil feridos, segundo o sindicalista.

O coordenador da FUP, João Antônio de Moraes - assim como o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, o secretário de Relações Internacionais da CTB, Divanilton Pereira, e demais sindicalistas que integraram a mesa de abertura do XVI Confup - condenou o massacre promovido pelo governo israelense e manifestou total apoio e solidariedade ao povo palestino. “Estamos diante de um genocídio apoiado pela direita internacional”, criticou. Ele quebrou o protocolo dos últimos congressos da FUP e convidou o petroleiro palestino para fechar a mesa de abertura com o seu pronunciamento.

Mohammed agradeceu a solidariedade, ressaltando que a classe trabalhadora palestina tem muita admiração pelos sindicatos brasileiros e pela FUP. “Vemos as suas conquistas sindicais como honra para a classe trabalhadora em todo o mundo”, destacou. Ele relatou a situação de calamidade e caos que vivem as famílias palestinas na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. “Neste momento não há água, não há remédios, nem alimentos, nem leite, nem roupas para as crianças, pois a destruição provocada por Israel foi pior do que terremotos e tornados”, revelou, informando que dez mil casas foram completamente destruídas pelos ataques israelenses e outras 20 mil danificadas.

“A punição coletiva, como bloqueios de cidades, destruição de casas, construção de colônias, construção do muro da separação, prisão de milhares de palestinos, são práticas que levam o mundo inteiro a acreditar que o governo de Israel não tem interesse na estabilidade e nem na paz”, explicou Mohammed. O sindicalista ressaltou que “o único caminho que garante a paz e a estabilidade na região” é a desocupação completa de todas as terras palestinas tomadas em 1967, o direito da auto-determinação e soberania e a criação do Estado Palestino e sua capital Jerusalém Oriental.

Ao final de seu pronunciamento, Mohammed entregou ao coordenador da FUP uma placa simbolizando a aliança internacional classista e a solidariedade entre os povos. Nesta sexta-feira, 15, pela manhã, o palestino voltou a ocupar a mesa do plenário do Confup para mais protesto contra os ataques de Israel. Após assistiram a um vídeo com imagens da destruição e horrores vividos pelo povo palestino em Gaza, os petroleiros condenaram a violência do estado israelense e exigiram liberdade, soberania e autonomia para a Palestina.

 

Leia abaixo a íntegra do discurso de Mohammed Jadallah na solenidade de Confup:

 

“Companheiro João Antônio de Moraes, companheiros da CUT e da CTB, companheiros presentes a este XVI CONFUP, permitam-me transmitir a vocês as saudações do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, desejando sucesso a todos.

E também transmito as saudações dos trabalhadores palestinos, demonstrando a nossa enorme felicidade pela presença hoje com vocês, na celebração dos 21 anos de fundação da FUP nesta terra amiga, que é o Brasil.

Nós admiramos muito a experiência dos sindicatos brasileiros e da Federação Única dos Petroleiros. E vemos as suas conquistas sindicais como honra para a classe trabalhadora em todo o mundo.

Amigos aqui presentes, agradecemos a vocês, trabalhadores e povo brasileiro, e agradecemos ao governo pela firme posição a favor do povo palestino e contra as recorrentes práticas desumanas de Israel, que rasgam corpos de inocentes crianças, pois essas práticas nazistas, cheias de ódio e de maldade e contra a paz na região, causaram os atuais crimes contra os palestinos na Faixa de Gaza e Cisjordânia. Resultaram até agora na morte de dois mil civis, sendo 430 crianças, 243 mulheres, 79 idosos e 10 mil feridos. Além de dez mil casas completamente destruídas e 20 mil danificadas.

Caros amigos, neste momento não há água, não há remédios, nem alimentos, nem leite, nem roupas para as crianças, pois a destruição provocada por Israel foi pior do que terremotos e tornados.

Companheiros e companheiras, o povo palestino, seus trabalhadores, agricultores e intelectuais estão seriamente comprometidos com o processo de paz, que é baseado na desocupação completa de todas as terras palestinas tomadas em 1967, no direito da auto-determinação e soberania e na criação do Estado Palestino e sua capital Jerusalém Oriental.

Pois este é o único caminho que garante a paz e a estabilidade na região.

Amigos, a construção de colônias na Palestina viola a legislação internacional e a quarta Convenção de Genebra, pois esta invasão das terras palestinas torna impossível o acesso à água e à agricultura, que gera desemprego e pobreza.

Companheiros e companheiras, a recusa do governo de Israel em desocupar as terras palestinas tomadas em 1967 é o verdadeiro motivo do fracasso do processo de paz.

A punição coletiva, como bloqueios de cidades, destruição de casas, construção de colônias, construção do muro da separação, prisão de milhares de palestinos, são práticas que levam o mundo inteiro a acreditar que o governo de Israel não tem interesse na estabilidade e nem na paz.

Nós esperamos e queremos paz, que garanta a retirada completa dos territórios ocupados em 1967, a criação do Estado Palestino, com Jerusalém Oriental como capital, conforme as decisões das Nações Unidas, a libertação de todos os presos políticos dos presídios de Israel, a solução justa para os refugiados.

Enfim, peço a esse congresso de petroleiros da FUP ver a possibilidade de nos apoiar financeiramente para podermos alegrar nossas crianças e suas famílias, atingidas pelos ataques de Israel.

Obrigado e sucesso para o Congressso”

Mohammed Jadallah, presidente do Sindicato Geral dos Trabalhadores de Petróleo, Minas e Produtos Químicos da Palestina.

Última modificação em Domingo, 17 Agosto 2014 17:47

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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