Petroleiros encerram assembléias e rejeitam contraproposta da Petrobrás

Domingo, 20 Novembro 2011 22:00
Bases de Pernambuco, Ceará, Espírito Santo, Caxias e São Paulo encerraram as assembléias que ocorreram durante uma semana em todo o Sistema Petrobrás.

Imprensa da FUP

Nesta segunda-feira, 21, as assembléias com os trabalhadores do Sistema Petrobrás foram encerradas. Durante uma semana, os sindicatos filiados à FUP levaram a segunda contraproposta apresentada pela Petrobrás no dia 14 aos trabalhadores, que por unanimidade, seguiram o indicativo de rejeição.

As assembléias nas unidades operacionais e administrativas da empresa foram iniciadas na última terça-feira, 15, conforme o calendário definido pelo Conselho Deliberativo da FUP. Nas bases de Minas Gerais, Ceará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Amazonas, os trabalhadores foram ouvidos até a última sexta, 18. Hoje, as assembléias foram encerradas em Pernambuco, na Refinaria Abreu e Lima, onde a proposta também foi rejeitada por ampla maioria dos petroleiros. No total, foram 135 votos, sendo 101 de aprovação do indicativo da FUP e seus sindicatos, 17 contra e 14 abstenções. Na semana passada, os trabalhadores de turno e do setor administrativo do Terminal de Suape, do Terninal de Cabedelo, do Gasoduto Jaboatão e da sede administrativa da Petrobrás, em Recife, também foram ouvidos.

Nas unidades da Petrobrás no Espírito Santo, as assembléias também foram encerradas. Hoje, a rejeição da contraproposta da empresa foi feita pelos trabalhadores dos terminais da Transpetro, em Vitória. No total, 470 trabalhadores rejeitaram, 148 aceitaram e 33 optaram pela abstenção. As assembléias foram realizadas nas Unidades de Tratamento de Gás de Cacimbas (UTGC), em Linhares, na UTG-Sul, em Guarapari, nos terminais da Transpetro, na sede administrativa da Petrobrás, em Vitória, no campo operacional Base 61, em São Mateus e na Companhia Portuária de Vila Velha, onde ocorre o apoio logístico às unidades de plataformas marítimas da empresa no Espírito Santo.

Nas bases do Sindipetro Unificado de São Paulo, os trabalhadores do grupo 3 e 5 da Replan, do grupo E da Recap, do terminal da Transpetro em São Caetano do Sul e da Usina Termelétrica Luis Carlos Prestes, na cidade de Três Lagos, no MS, foram os que encerraram as assembléias. Contando todos os trabalhadores ouvidos ao longo da última semana, até hoje, a contraproposta da Petrobrás foi rejeitada com 605 votos. Houve 146 votos a favor e 24 abstenções. No total, foram 775 votos. As assembléias foram realizadas nas unidades operacionais e administrativas da Recap, da Replan, nos terminais da Transpetro em Guarulhos, Barueri, Guararema, São Caetano do Sul e na Usina Termelétrica Luis Carlos Prestes, em Três Lagoas, no MS, que também é base do Unificado de São Paulo.

Em Duque de Caixas, o fim das assembléias ocorreu com os trabalhadores de turno e do setor administrativo da Reduc e do Terminal Campos Elíseos. A contraproposta da empresa foi rejeitada com 603 votos. O indicativo da FUP e seus sindicatos não foi seguido por apenas 52 trabalhadores. Também houve 28 abstenções. No total, foram 655 votos.

No Ceará, foram os trabalhadores da Usina de Biodisesel de Quixadá, das plataformas marítimas, e dos terminais da Transpetro de Mucuripe que encerraram as assembléias. Na semana passada, foram ouvidos os petroleiros de turno e do administrativo da Lubnor, da sede administrativa do E&P, da base off shore de Paracuru e dos terminais da Transpetro de Maracanau e Pecem. Ao todo, foram 175 votos de rejeição da contraproposta, 31 contra e 12 abstenções.

Nas bases do Norte Fluminense, o sindicato optou por não realizar as assembléias nas plataformas da Bacia de Campos e no Terminal de Cabiúnas (Tecab), como forma de protesto à tentativa da Petrobrás e da Transpetro de impedir o exercício do direito de greve dos trabalhadores. Ao longo da semana, a empresa e sua subsidiária enviaram diversas equipes de contingências às plataformas e ao Tecab. Tendo como base as informações de diversas plataformas, até ontem, o Sindipetro NF informou a presença de aproximadamente 700 furagreves. No inicio da noite deste domingo, o Coordenador Geral do sindicato, José Maria Rangel, fez um pronunciamento através da Rádio NF, comunicando aos trabalhadores do Norte Fluminense o adiamento da greve marcada para começar no primeiro minuto desta segunda, 21. O sindicalista explicou detalhadamente a estratégia dos trabalhadores, que buscaram e conseguiram caracterizar todas as ações típicas da Petrobrás em um momento como este, que antecede a um anunciado movimento grevista. "A nossa estratégia foi atrair a Petrobrás para cometer todos os abusos que ela está acostumada e ela atendeu a todos. Fez exatamente aquilo que nós queríamos que ela fizesse. Não nos surpreendeu em nada", disse José Maria. O coordenador listou, entre estas práticas antissindicais, a mobilização de aproximadamente 700 integrantes de equipes de contingência, a expulsão de trabalhadores do Tecab dos seus locais de trabalho e a utilização do recurso do interdito proibitório.

A data para início da greve dos petroleiros será marcada pelo Conselho Deliberativo da FUP, que se reúne nesta terça, 22, no Rio. Nesta segunda, em Brasília, a Federação estará reunida mais uma vez com o Ministério Público do Trabalho, para denunciar todos os atos antissindicais da empresa.

Nas bases do Paraná e Santa Catarina, as assembléias também foram suspensas em protesto contra as ações antissindicais da Petrobrás. A decisão  foi motivada pela truculência da Petrobrás ao embarcar o contingente pelego nas plataformas das bases do Norte Fluminense, ao realizar vistorias ofensivas nos ônibus de turno na Repar, ao impedir o acesso dos dirigentes sindicais das bases do Paraná e Santa Catarina às unidades e às reuniões das CIPA’s, ao assediar trabalhadores para que não participem das mobilizações e da greve, e ao retirar o parágrafo que garante a continuidade das negociações acerca dos efetivos próprios na contraproposta do ACT 2011/2013 e se negar a tratar o nível de terceirização na companhia.

Na Bahia, o sindicato realizou assembléia neste sábado, 19, quando foi decidida a suspensão da greve deflagrada pelos petroleiros baianos na última terça-feira, 16. O comando grevista na Bahia informou que agora vai aguardar a próxima reunião do Conselho Deliberativo da Federação Única dos Petroleiros (FUP), dia 22, no Rio de Janeiro.

O Sindipetro Bahia decidiu também solicitar “habeas corpus” para os trabalhadores que estão confinados nas unidades operacionais da Petrobras, Transpetro e Petrobras Biocombustível (RLAM, Temadre, Fafen, campos terrestres da UOBA em todo o Recôncavo, usina de Candeias) sob imposição da empresa, como “equipe de contigência”. 

A assessoria jurídica do sindicato vai recorrer da decisão judicial que decretou o interdito proibitório nas áreas onde o sindicato faz piquetes de convencimento. Quanto ao comportamento dos gerentes da Petrobrás, que intimidam os trabalhadores e fazem ameaças à integridade dos militantes, a assembléia decidiu encaminhar à direção e ao conselho de ética a abertura de processo contra a prática antissindical e ilegal dos gerentes sindicalizados.

Data da greve nacional será definida pelo Conselho Deliberativo

A greve por tempo indeterminado, com controle e parada de produção, será iniciada na data que for definida pela FUP e seus sindicatos na reunião do Conselho Deliberativo, que acontece na amanhã, no Rio de Janeiro. Formado por representantes de cada um dos 12 sindicatos filiados, além da diretoria executiva da FUP, o Conselho se reunirá pela quinta vez nesta campanha para avaliar o quadro nacional das assembléias e definir os próximos encaminhamentos que serão divulgados aos trabalhadores da Petrobrás e subsidiárias.

 

 

 

 

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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