Combustíveis têm preços elevados pela 6ª vez no ano, o que afeta toda a economia, a inflação e o crescimento do país. Brasil paga “preço de escolha política dos governos Temer e Bolsonaro”, diz o Dieese

[Da Rede Brasil Atual | Foto: Guilherme Santos/Sul21]

Pela sexta vez no ano, a Petrobras elevou nesta terça-feira (9) os preços dos combustíveis, o que agrava em especial a sobrevivência de trabalhadores precarizados. A medida, mais uma vez, coloca em questão o acesso ao gás de cozinha e aperta a margem de sobrevivência econômica de caminhoneirosmotoristas de aplicativos e entregadores. E todos aqueles que têm no deslocamento pela cidade sua fonte de renda. É o que alerta o diretor técnico do Dieese, Fausto Augusto Júnior, em sua coluna na Rádio Brasil Atual

De acordo com o especialista, os reajustes progressivos, anunciados pela Petrobras, estão “retirando a renda de setores muito precarizados em que o preço dos combustíveis interferem na sua remuneração”. Em pouco mais de dois meses, os reajustes acumulados no ano nas refinarias já chegaram a 54% na gasolina, ultrapassando a casa dos R$ 5 na maioria dos postos, e de 41,6% no óleo diesel. Nesta terça-feira (9), a gasolina e o diesel sofreram novo aumento de 8,8% e 5,5%, respectivamente. 

O impacto dos aumentos

Tudo isso para “garantir a taxa de retorno dos acionistas da Petrobras, dos importadores de combustível e dos grandes produtores de etanol”, aponta o Dieese. O “preço de uma escolha” que o Brasil paga desde o governo de Michel Temer ao atual de Jair Bolsonaro com uma política de preços atrelada ao mercado internacional e ao dólar. “Mas teoricamente, porque na prática normalmente ela tem flutuado para cima. Todas as vezes que o preço do petróleo e do câmbio se reduz, de alguma forma, essa redução acaba ficando com o distribuidor”, ressalta. 

“E isso traz impactos diretos na vida das pessoas, cotidianamente elas estão com muita dificuldade. Primeiro para lidar com a alta do preço de um botijão de gás, passando da casa dos R$ 80, em alguns lugares chegando a quase R$ 90. E de alguma forma isso vai afetando diversos setores. No caso dos trabalhadores, em geral, estamos vendo um impacto grande nos trabalhadores de aplicativo, do transporte, taxistas”, explica. 

“Essa forma como a Petrobras escolhe de organizar o preço está de algum modo ligada ao aumento da desigualdade e da concentração de renda”, completa. 

Política de preços intocável 

Os reajustes ainda provocam impactos mais gerais, prejudicando toda a economia, contribuindo para a inflação e impedindo o crescimento econômico. O país, segundo Fausto, está num “looping” em que o preço dos combustíveis aumenta por conta do câmbio. Que por sua vez varia de acordo com o “humor do mercado” que “estressado” contribui para elevar o dólar e em sequência o preço da gasolina. “E isso não faz o menor sentido”, pontua o diretor técnico. 

A solução, define o Dieese, passa por enfrentar o sistema de preços da Petrobras. Mas o que o país está vendo é uma “lambança”, destaca, com relação às medidas de redução dos impostos federais anunciada na semana passada por Bolsonaro. A proposta, comenta Fausto, retira os recursos de arrecadação do próprio Estado e não impacta no bolso do consumidor. A tendência, ainda segundo ele, é que com a venda das refinarias da Petrobras, a dependência do mercado internacional e essa oscilação de preços para cima se torne ainda pior. 

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Associação vê com cautela nomes indicados pelo governo e afirma que novos conselheiros devem pautar sua atuação pela defesa intransigente dos interesses da Petrobras, com foco não somente na rentabilidade do curto prazo, mas no crescimento da companhia em médio e longo prazos, com geração de emprego e renda e compromisso social

Leia a íntegra da nota:

[Comunicado da Anapetro]

A Associação Nacional dos Petroleiros Acionistas Minoritários da Petrobras (Anapetro) vê com cautela os nomes indicados nessa segunda-feira (8/3) pelo governo federal para compor o Conselho de Administração (CA) da companhia. Por isso, a entidade vai acompanhar de perto a atuação dos novos integrantes, caso sejam eleitos na Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de acionistas, ainda sem data definida.

“Pelo perfil dos indicados, a princípio o presidente Jair Bolsonaro parece querer acalmar o mercado após o ‘furacão’ que ele provocou no anúncio das mudanças na Petrobras. Mas a atuação do novo CA é uma incógnita. Seguirá com a política de venda de ativos a preços abaixo do mercado, como no caso da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), colocada em prática por Roberto Castello Branco, ou vai parar o processo? Vai investigar as denúncias de corrupção que chegaram ao Conselho? Vai analisar os duvidosos acordos que a empresa firmou com o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) sem exigência por parte do órgão regulador? Vai cobrar da nova direção da empresa a definição de uma nova política de preços dos derivados?”, questiona o presidente da Anapetro, Mario Dal Zot.

A Anapetro reforça que os novos conselheiros devem pautar sua atuação pela defesa intransigente dos interesses da Petrobras, com foco não somente na rentabilidade do curto prazo, mas no crescimento da companhia em médio e longo prazos, com geração de emprego e renda e compromisso social. São fatores que marcaram a Petrobras em seus quase 70 anos de história.

“O Conselho de Administração anterior, onde os representantes da União foram escolhidos a dedo pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e Roberto Castello Branco, aprovou a saída da empresa de setores estratégicos, com a venda de vários ativos, na contramão do observado nas maiores empresas de petróleo internacionais, privadas ou públicas, que buscam integrar as atividades e investir em energias renováveis. Tudo o que a Petrobras deixou de fazer”, avalia Dal Zot. 

PERFIL DOS INDICADOS

Dos seis nomes indicados, um já faz parte do atual CA da companhia, Eduardo Bacellar Ferreira, militar aposentado e atual presidente do conselho.

Joaquim Silva e Luna, militar aposentado e atual presidente da parte brasileira da Itaipu Binacional, que o governo indicou para substituir Roberto Castello Branco na presidência da Petrobras, é outro dentre os seis nomes.

Dois novos conselheiros são ex-funcionários da Petrobras que há décadas saíram da empresa e foram trabalhar na iniciativa privada em empresas concorrentes e/ou que prestavam serviços para a estatal: Marcio Andrada Weber e Murilo Marroquim de Souza, engenheiro e geólogo, respectivamente.

O militar aposentado e ex-professor de engenharia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, Ruy Schneider, tem passagens nos conselhos de administração de diversas empresas, inclusive bancos de investimento, tendo atuado, inclusive, como consultor do Banco Central. Atualmente é o presidente do CA da Eletrobras.

Por fim, Sonia Júlia Villalobos foi a única mulher indicada e esteve no CA da Petrobras até junho de 2000, quando renunciou ao cargo. Eleita na AGE de abril de 2018 com o apoio dos acionistas preferencialistas, pediu para sair antes do término do mandato. Sua volta após a demissão de Castelo Branco pode explicar um pouco o motivo de sua renúncia. Sonia é uma representante do capital financeiro, que pode encontrar em Ruy Schneider um parceiro nessa representação. Dessa vez, ela foi indicada pelo Ministério da Economia.

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De 08 a 12 de março a diretoria do SINDIPETRO-RN está promovendo uma ação na mídia de Mossoró sobre o preço justo dos combustíveis. A capital do oeste potiguar é a primeira cidade do Rio Grande do Norte a receber a campanha publicitária. Neste primeiro momento a ação está sendo veiculada em duas rádios (93 FM e 95 FM), jornal impresso (Jornal De Fato), outdoor e redes sociais.

A campanha tem como prerrogativa conscientizar a população sobre o preço justo no diesel, gasolina e gás de cozinha em todo território nacional. O aumento quase que semanal nos preços dos combustíveis segue a política de preços em que o valor do barril de petróleo é baseado no preço do dólar, aumentando deliberadamente o preço nas refinarias da Petrobrás.

Essa política de preços absurda beneficia majoritariamente os acionistas privados, pois o Estado Brasileiro detém cada vez menos participação na Estatal brasileira (deteve algo em torno de 50% e hoje apenas 36,75% das ações totais). O modelo atual de precificação foi instaurada no governo Michel Temer em 2016, e segue com aval do atual presidente da República.

Para o Diretor da FUP e secretário-geral do SINDIPETRO-RN, Pedro Lúcio, o presidente tem em suas mãos o poder de mudar esse cenário abusivos dos combustíveis. “Com algumas canetadas Bolsonaro pode baixar o preço do diesel, gasolina e gás de cozinha. O presidente precisa alterar a atual política de preços da Petrobrás, que está cobrando em dólar. Se nosso salário é em real porque compramos a gasolina em dólar?”.

O dirigente continua, “retornar imediatamente o funcionamento das refinarias do país para 100%. Hoje o funcionamento das refinarias foi reduzido para 60 a 70% da capacidade. Refinando mais no Brasil, o valor dos combustíveis vai cair. E por fim, cancelar as privatizações das refinarias e a venda dos campos terrestres da Petrobrás. As multinacionais querem a privatização para abocanhar nossas riquezas e cobrar mais caro pelos combustíveis”, explica Pedro.

A ação midiática do SINDIPETRO-RN já está na rua e pode ser vista em outdoor’s na Avenida João da Escóssia, no Nova Bethânia, e na Avenida Leste Oeste, no Centro da cidade.

Nas rádios o sindicato está veiculando spot’s sobre o assunto e fazendo sorteios de voucheres de gasolina no valor de R$50,00. Para participar do sorteio na 95 FM, ligue 3315 – 0733. Na 93 FM a participação para concorrer ao brinde pode ser no 3315-3200.

[Da imprensa do Sindipetro-RN]

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O Sindipetro-NF vai fornecer alimentação aos petroleiros e petroleiras que chegam para quarentena pré-embarque em hotéis de Campos dos Goytacazes e de Macaé. Como publicado na última sexta, 5, a categoria denuncia que a gestão da companhia está orientando os hotéis a não fornecerem almoço no dia do check in.

O sindicato denuncia que, além de mesquinha para uma empresa do porte da Petrobrás, a medida prejudica a própria quarentena, na medida em que os trabalhadores e trabalhadoras precisam circular no entorno dos hotéis para comprar alimentação.

A diretoria do NF estará em contato com a categoria nos hotéis para monitorar a necessidade dos almoços e fazer o fornecimento. A entidade também cobra da companhia a solução definitiva para o problema.

É muito importante que todos os petroleiros e petroleiras mantenham o sindicato informado sobre as condições de saúde, habitabilidade e segurança, por meio de envio de e-mails para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. O sigilo sobre a identidade do denunciante é mantido pelo NF.

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

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Nesta segunda-feira, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a conselheira da Petrobrás Rosangela Buzanelli é uma das convidadas da live que vai debater a atuação de mulheres em cargos da alta administração. O evento online terá a participação de quatro conselheiras em empresas pública e estatal, que vão falar sobre suas trajetórias, conquistas, desafios e enfrentamentos no cargo ocupado, especialmente na atual conjuntura política.

A ideia de promover um debate reunindo quatro mulheres que integram Conselhos de Administração de grandes empresas nacionais foi da conselheira da Caixa, Rita Serrano. Além dela e de Rosangela, também estarão presentes no evento as conselheiras administrativas Selma Beltrão, da Embrapa, e Débora Fonseca, do Banco do Brasil. Todas elas eleitas pelos trabalhadores para representá-los no Conselho de Administração

Segundo levantamento realizado pela gestão da conselheira Rita Serrano, a participação de mulheres nesses espaços ainda é muito pequena, não ultrapassando 12% no país, mas ela é um pouco maior nas estatais federais, chegando a 16%. Entre os eleitos por trabalhadores, a presença feminina sobre para 28%.

A live com as conselheiras será transmitida segunda-feira, às19h, pelo Facebook, nas páginas de Rita Serrano, de Rosangela Buzanelli e do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas.

[Do Face da Rosângela]

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Os impactos da pandemia e do desmonte no dia a dia das mulheres petroleiras

[Da edição especial da FUP]

A pandemia da Covid-19 está impactando de forma desigual os trabalhadores brasileiros. Além de escancarar as desigualdades social, racial e de gênero, ela também ampliou problemas estruturais da sociedade, como a violência e o desemprego. As mulheres têm sido as mais impactadas. Seja em casa, com o acúmulo de tarefas da tripla jornada e o aumento dos índices de violência doméstica, seja nas questões trabalhistas.

No caso do Sistema Petrobrás, a imposição do trabalho remoto e o fechamento das escolas deixaram as petroleiras muito mais sobrecarregadas. Nas unidades operacionais, a situação é ainda mais complexa, principalmente, em função das pressões psicológicas e da pouca efetividade dos protocolos de segurança, que não têm se mostrado suficientes para evitar o contágio, o que aumenta o medo constante de levar o vírus para casa. 

Como a indústria petrolífera é um setor prioritário, as mulheres petroleiras também estão atuando na linha de frente, seja em alto mar ou em terra, produzindo os combustíveis que abastecem as ambulâncias, as casas dos brasileiros e toda a cadeia de transportes e de petroquímica, que movimenta o país. Mas, não tem sido nada fácil para a categoria manter a saúde física e emocional com tanta pressão e insegurança. Além da complexidade das relações de trabalho e pessoais, que foram fortemente impactadas pela pandemia, as trabalhadoras e trabalhadores petroleiros ainda enfrentam o desgaste psicológico causado pelas privatizações e fechamento de unidades.

É o caso da técnica de Administração e Controle da Transpetro, Cristiane Fogaça, 34 anos, que foi deslocada para o home office em março do ano passado e, menos de dois meses depois, foi informada de que a unidade onde trabalhava, o Edifício Administrativo em Joinville (Ediville), havia sido fechada. Até agora, os trabalhadores ainda não sabem se serão transferidos após a pandemia ou se permanecerão definitivamente em teletrabalho. “Essa incerteza é mais um fator de estresse, pois, se formos deslocados para São Francisco do Sul (onde ainda há outra unidade da Transpetro em Santa Catarina), vai afetar totalmente a nossa rotina e, no meu caso, vai impactar também financeiramente, pois eu teria que pagar alguém para ficar com o meu filho”, revela Cristiane, que é mãe solo de um menino de 7 anos.

Para ela, o teletrabalho tem sido algo positivo, pois teve mais tempo para reorganizar a rotina pessoal, com a casa e com o filho. “Eu sempre fui muito impactada com a rotina de trabalho por ser mãe solo. Antes (do home office), eu já precisava, por exemplo, cozinhar à noite para ter almoço pronto para o dia seguinte. Hoje, eu tenho mais tempo para essa tarefa, estando em casa, pois não perco tempo em deslocamentos e esse tempo pode ser dedicado a dar atenção a meu filho ou realizar uma atividade física”, explica.

Já a petroleira Carla Cristina de Almeida, 45 anos, viu sua rotina de trabalho piorar consideravelmente com o teletrabalho, principalmente, por conta da pesada agenda de reuniões e o “aumento da jornada refletida em metas que precisam ser cumpridas mesmo após o horário”.  Divorciada e mãe de duas filhas pré-adolescentes, ela trabalha no Centro Empresarial da Petrobrás no Rio de Janeiro, o Edisen, mas está em home office desde 16 de março de 2020. Apesar da facilidade de estar mais próxima da família, a mudança para o teletrabalho impactou “no planejamento das atividades e na continuidade das tarefas diárias”, muito em função da “necessidade de se resolver tudo por reunião”, o que, segundo ela, “cria uma burocracia e aumenta a tensão dos prazos sempre bem apertados”.

Não tem sido fácil para Carla essa sobrecarga de trabalho, acrescida das atividades diárias de cuidado com as filhas na pandemia. “Levanto as 04h30 da manhã, de segunda a sexta, e o dia passa rápido entre trabalho, consultas, ajuda nos estudos, organizar compras e a casa”, explica. “O segundo trimestre de 2020, bem no auge da pandemia, foi um dos mais complicados, quando explodiu uma série de sentimentos e cheguei a apresentar quadros depressivos e de síndrome do pânico”, revela. Hoje, ela já está melhor, com uma rotina de exercícios físicos que a ajudaram a superar as crises de ansiedade.

A técnica de segurança, Jessica Mayra Oliveira, 34 anos, está trabalhando presencialmente desde o início da pandemia. “Eu embarquei no dia 10 de março e a vida estava normal. Desembarquei no dia 31, sem ter como voltar pra casa, pois ônibus e aviões não estavam circulando. Meu marido dirigiu de Curitiba até Macaé pra me buscar”, lembra. Ela trabalha embarcada na P-07, na Bacia de Campos, uma das plataformas da Petrobrás que está em processo de descomissionamento, após ter sido vendida pela atual gestão da empresa.

Jéssica explica que o clima da plataforma é de muita apreensão, tanto por conta da pandemia, quanto devido à privatização. “Todos estão muito tensos, é uma incerteza tão assustadora que as pessoas mal falam disso. Tudo isso é muito deprimente”, afirma. Com dois filhos pequenos e a vida completamente desestruturada pela pandemia, ela sofre ainda hoje as consequências psicológicas das mudanças que ocorreram em sua rotina. “O meu período a bordo foi aumentado de 14 para 21 dias. Foi um choque, um desespero, pois sempre planejei muito bem meus embarques e folgas por causa das crianças. Desde então, eu não consigo descrever a loucura que a minha vida virou. Toda a tensão envolvida nas viagens do trabalho para casa, a deficiência de transporte, pois a quantidade de voos diminuiu drasticamente, as crianças sem escola... não tem sido fácil”, declara.

O desgaste físico e emocional é uma realidade que a petroleira e diretora do Sindipetro Minas Gerais, Márcia Nazaré de Lima, 46 anos, também enfrenta diariamente. Ela é técnica em enfermagem do trabalho na Refinaria Gabriel Passos (Regap), uma das oito refinarias da Petrobrás que foram colocadas à venda no governo Bolsonaro.  “A pandemia alterou completamente a rotina na refinaria. Todos os dias era tudo muito novo. Muitas incertezas. Fui me adaptando, pois preciso prestar cuidados aos empregados, tanto no aspecto físico quanto emocional”, declara.

“Os empregados sintomáticos precisam se ausentar por apresentarem sintomas ou terem tido contato com familiares. Mas, ao mesmo tempo, ficam receosos de se afastarem por causa da escala escassa. Vejo muita angústia por parte deles”, explica Márcia, que está há 11 anos na Regap e precisa também lidar com suas questões pessoais e o impacto emocional de viver sob a insegurança de privatização da refinaria. “No meu caso, tenho dois filhos e sou responsável também pelos cuidados com a minha mãe, que está com 80 anos. Além disso, por ser diretora sindical, muitos empregados me procuram. Tento ajudar de alguma forma, porque percebo como eles se sentem sendo chefes de família. O acolhimento é fundamental e a única maneira de enfrentarmos tudo isso é de forma coletiva”, afirma.


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Manifesto das mulheres em defesa da vida

O protagonismo das mulheres no movimento sindical petroleiro e no cenário político


 

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Domingo, 07 Março 2021 19:30

Greve dos petroleiros entra no terceiro dia

Os sindicatos dos petroleiros do Amazonas, Bahia, Espírito Santo e São Paulo, entram neste dia 07 no terceiro dia de greve. Os sindicatos de Pernambuco e Minas Gerais já aprovaram a greve em suas bases e devem fortalecer a luta nos próximos dias. Os demais sindicatos filiados ainda estão em processo de assembleia. 

Com pautas de reivindicações diversas, os sindicatos denunciam os impactos das privatizações nas relações de trabalho, em função das transferências compulsórias feitas pela gestão da Petrobrás, da redução drástica de efetivos e do sucateamento das unidades, principalmente as que estão sendo vendidas. O resultado desse desmonte é o risco diário de acidentes, sobrecarga de trabalho, assédio moral e descumprimento rotineiro do Acordo Coletivo de Trabalho.

O coordenador da FUP, Deyvid Bacelar, está acompanhando a greve de sua base na Bahia. Assista ao vídeo com o Coord. Geral da FUP e veja como está o movimento. 

 

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A greve que teve início ontem, entra em seu segundo dia de paralização. Os petroleiros da Bahia, Espirito Santo, Amazonas e São Paulo (Mauá e Campinas), seguem em greve neste sábado, 06. 

A categoria reivindica a implementação de política efetiva de combate ao assédio moral nas unidades da Petrobrás; incorporação dos trabalhadores concursados da PBIO à Petrobrás, caso a Usina de Biocombustíveis de Candeias seja realmente vendida; fim das dobras de turno e das prorrogações de jornada; rever a política do efetivo mínimo do O&M (Organização e Método) nos diversos setores da estatal.

Além da implantação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico da jornada de 12 (doze) horas diárias, já praticada desde 2020 e aprovada pela categoria em assembleia e o fim da exigência de quitação do passivo trabalhista anterior a fevereiro/2020 para firmar esse documento; iniciar discussão e tratamento para a situação das empresas contratadas, em especial dos contratos de trabalhos e direitos dos empregados terceirizados; apresentação pela Companhia, do passivo ambiental, dos acidentes de trabalho (tudo que envolva agentes de riscos aos trabalhadores, seus compromissos de pagamentos e de seus sucessores).

Filiados à Federação Única dos Petroleiros (FUP), esses sindicatos também estavam negociando suas pautas reivindicatórias regionais diretamente com a Companhia. Os demais Sindipetros estão realizando assembleias com as suas bases, e, em breve, decidem se também vão aderir à greve.

Greve na Bahia 

A greve, que é por tempo indeterminado, inicialmente, acontece apenas na RLAM, onde há uma extensa pauta de reivindicações dos trabalhadores. Entre outras coisas, os petroleiros reivindicam que a Petrobrás envie ao Sindipetro Bahia, a cópia do contrato de venda da Refinaria Landulpho Alves para o fundo Árabe Mubadala ou apresente e coloque em discussão o cronograma de transição da operação da unidade, os prazos de transferências de trabalhadores, seus critérios e prioridades, além das regras que utilizará para indenizar as transferências desses trabalhadores. Eles querem a garantia da permanência dos postos de trabalho dos trabalhadores próprios e terceirizados e também de que não haverá redução salarial, retirada de direitos, de benefícios e vantagens.

A Refinaria Landulpho Alves, localizada no município de São Francisco do Conde (Recôncavo baiano),tem cerca de 900 trabalhadores concursados e 1.700 terceirizados.

No dia 18/02, o Sindipetro Bahia resolveu suspender a greve, que seria iniciada nessa data, para dar continuidade às negociações com o RH Corporativo da Petrobrás, uma vez que a estatal demonstrou publicamente o seu desejo de seguir com o processo negocial.

Após a suspensão da greve, aconteceram mais duas rodadas de negociação (já haviam ocorrido duas anteriormente) sem nenhum avanço, até que o Sindipetro foi surpreendido com a decisão da estatal de encerrar a mesa de negociação, não restando outro caminho a não ser o de retomar o movimento paredista.

A entidade sindical reafirma a sua disposição para a negociação, mas rechaça e denuncia o que vem acontecendo nas unidades da estatal em todo o Brasil: “assédio moral, pressão, ameaças e política antissindical viraram ferramenta de gestão da atual diretoria da Petrobrás e isso não podemos tolerar”.

 

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Nesta quinta-feira (4), atividade organizada pelo Sindipetro-SP ofereceu cinco mil litros do combustível por valor subsidiado a trabalhadores de aplicativos

[Da imprensa do Sindipetro Unificado de SP]

Em um primeiro momento, alguns trabalhadores demoraram para acreditar na “promoção” que estava sendo oferecida no Auto Posto Cidade, localizado no bairro da Sé, na região central de São Paulo (SP).

“Se você é trabalhador de aplicativo, pode chegar junto que hoje seu bolso não vai sangrar pra abastecer como tem acontecido nos últimos anos”, anuncia no microfone o diretor do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP) e mecânico na Refinaria de Paulínia (Replan), Gustavo Marsaioli.

Desde o início da tarde desta quinta-feira (4), os petroleiros iniciaram a venda de cinco mil litros de gasolina “a preço justo” para trabalhadores de aplicativos – motoboys, motoristas e taxistas. Foram oferecidos 10 litros por moto e 20 litros por carro, pelo valor de R$ 3,50 para cada litro. Atualmente, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), a gasolina tem sido comercializada no país pelo valor médio de R$ 5,17.  

“Ninguém melhor do que os petroleiros, que conhecem a Petrobrás e sabem como ela funciona, para explicar que essa política de preços, aplicada pelo [presidente Jair] Bolsonaro [sem partido] e pelo [ministro da Economia] Paulo Guedes, não é benéfica nem para a Petrobrás, e muito menos para a povo brasileiro”, afirma o diretor do Sindipetro-SP e trabalhador da Refinaria de Capuava (Recap), Auzélio Alves.

Motoristas de app relataram as dificuldades em continuar trabalhando com os reajustes constantes da gasolina (Foto Eric Gonçalves/Sindipetro-SP)

No dia de hoje, em todo o Brasil, diversas ações semelhantes têm ocorrido com o objetivo de denunciar a atual política de preços da Petrobrás. Desde 2016, durante a gestão de Pedro Parente no comando da estatal, foi instaurado o preço de paridade de importação (PPI), que vincula os reajustes de combustíveis nas refinarias às variações do dólar e do barril no mercado internacional.

“Bom, pelo pouco que eu entendo, o combustível é produzido no Brasil. Ele vai para fora, e volta mais caro. Por que não deixar o combustível aqui e oferecer por um preço mais justo para gente? Por que não oferecer combustível mais barato para gente poder viver um pouco melhor?”, questiona o taxista Elvis Freitas.

Com atuação na área de transporte de passageiros há seis anos, desde que chegou à maioridade, Freitas afirma que tem ficado cada vez mais difícil sobreviver aos aumentos constantes dos combustíveis. “Normalmente, a gente tem pagado para trabalhar. Eu costumo colocar R$ 100, que dá 20 litros hoje em dia. Com isso, eu tenho tido um lucro de aproximadamente R$ 30. Se meu pneu furar, por exemplo, eu não consigo tirar praticamente nada para mim e para a minha família, que hoje é minha esposa e meu filho”, relata.

Uberização

Quem também esteve presente na atividade foi o entregador Paulo Lima, mais conhecido como Galo, que tem liderado os “breques dos apps” em busca de mais direitos para a categoria. “Se deixar o mercado se autorregular, ele vai se autorregular nas minhas costas. Então se o combustível aumentou, como o aplicativo vai lidar com isso? Ele vai tirar do bolso dele? Não, ele vai tirar do coro do entregador. Ele vai tirar do coro do ‘uber’, do entregador, do caminhoneiro, sempre vai tirar do coro do trabalhador”, opina.

Paulo Lima, mais conhecido como Galo, denunciou que os aumentos dos combustíveis recaem todos nas costas dos entregadores (Foto Eric Gonçalves/Sindipetro-SP)

Diante desse cenário, Galo reforça a importância da luta pela manutenção dos direitos historicamente conquistados pelos trabalhadores. “Nós estamos em um processo de uberização, de perder direitos. E nós não temos um Estado para chegar lá e bancar. O próprio sindicato vai depender de algumas coisas do Estado para conseguir atuar. O Estado não cortou a contribuição obrigatória?  Tudo que nós temos nós conquistamos”, aponta.

Além disso, o entregador saudou a união entre categorias na atual conjuntura de precarização do trabalho. “Nós conquistamos férias, décimo terceiro, salário-mínimo, mas eles estão tomando tudo de volta. Por isso, temos que juntar entregadores, petroleiros, bancários, metroviários, para impedir que eles tomem os direitos que nós conquistamos historicamente”, reforça Galo.

Mobilização nacional

O ex-deputado estadual e atual diretor do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Luiz Cláudio Marcolino, reforçou a necessidade de envolver toda a população na defesa das estatais.

Atividade fez parte de uma mobilização nacional em defesa das estatais (Foto Eric Gonçalves/Sindipetro-SP)

“Nós estamos realizando mobilizações em todos os estados em defesa das estatais, que tem contado com uma grande receptividade da população. A Caixa Econômica, o Banco do Brasil, os Correios e a Petrobrás são empresas públicas fundamentais para o nosso país. O desenvolvimento do nosso país depende muito delas, e é por isso que estamos na rua”, explica Marcolino.

Pela manhã, também na região central de São Paulo, o Sindicato dos Bancários distribuiu alimentos produzidos pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), além de realizar atos simbólicos em frente a agências do Banco do Brasil que estão na lista do governo para serem fechadas. 

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CUT, MAB, MST e outras entidades fortaleceram as ações solidárias da FUP e de seus sindicatos para levar combustíveis a preço justo para a população em 11 cidades do país. Mobilização integrou o dia nacional de luta em defesa das estatais, do serviço público, do auxílio emergencial e por Vacina Já

[Da imprensa da FUP, com informações dos sindicatos |Foto: Pedro Henrique Caldas]

Em mais uma mobilização nacional contra a política de Preços de Paridade de Importação (PPI) praticada pela gestão da Petrobrás, a FUP e seus sindicatos distribuíram nesta quinta-feira, 04, cerca de 22 mil litros de gasolina, 10 mil litros de óleo diesel e 450 botijões de gás a preços justos. A ação foi realizada em 10 cidades, em oito estados do país.

Os combustíveis foram subsidiados e vendidos a R$ 3,50 o litro da gasolina, a R$ 3,09, o litro do diesel e a R$ 40,00, o botijão de gás de 13 kg, ou seja, quase metade do preço praticado no mercado. Esses valores foram definidos a partir de estudos elaborados por técnicos e economistas, levando em consideração os preços e custos da Petrobrás e a garantia de lucratividade de empresas produtoras, distribuidoras e revendedores.

As ações de gasolina e diesel a preços justos priorizaram motoristas de aplicativos, entregadores, taxistas, motoboys e caminhoneiros. Já a venda de botijão de gás pela metade do preço foi realizada em comunidades da periferia, como Padre Miguel, no Rio de Janeiro, e os bairros da Pedreira, Águas Linda, Marambaia e Guamá, em Belém, no Pará, onde a ação foi feita exclusivamente para mulheres chefes de família.

As mobilizações integraram o Dia Nacional de Luta convocado pelas centais sindicais em defesa das estatais, do serviço público, do auxílio emergencial e por Vacina Já. As ações pelo preço justo para os combustíveis têm sido realizadas pela FUP e seus sindicatos desde novembro de 2019 e pela primeira vez contaram com a participação da CUT e de movimentos sociais, como o MAB e MST. 

Em Recife, por exemplo, a ação do Sindipetro-PE/PB, em parceria com o MST, doou 50 botijões de gás e uma tonelada e meia de produtos agroecológicos para famílias em situação de vulnerabilidade. Em Belém, a ação foi realizada também em parceria com a CUT e o MAB.


Leia também: Mulheres da periferia de Belém compram gás pela metade do preço, em ação solidária da FUP, MAB e CUT


Além de protestar contra os preços abusivos dos combustíveis, os trabalhadores irão denunciar o impacto das privatizações para a população. No caso do Sistema Petrobrás, o desmonte da empresa está diretamente relacionado à política de preços dos derivados de petróleo, implantada pelo governo Temer, em 2016, quando a gestão da petrolífera passou a reajustar os produtos nas refinarias, com base no Preço de Paridade de Importação (PPI)

Desde então, a FUP e seus sindicatos vêm mobilizando os trabalhadores e dialogando com a sociedade, mostrando que é possível a Petrobrás voltar a cumprir o seu papel social, não só em relação a garantir o abastecimento nacional com preços justos para a população, como também através de investimentos no país e da integração da empresa. O governo Bolsonaro, no entanto, intensificou o desmonte e as privatizações iniciadas no governo Temer, colocando à venda oito refinarias, terminais, redes de gasodutos e subsidiárias, como a BR Distribuidora e a Liquigás, que já foram privatizadas. 

O resultado desta política é o aumento do desemprego, avanço da desindustrialização e desnacionalização, além de preços abusivos para o consumidor. Somente neste ano de 2021, os reajustes dos derivados nas refinarias da Petrobrás chegam a 41,5% para a gasolina; 34,1% para o diesel; e a 17,1% no gás de cozinha. Só a gasolina já aumentou cinco vezes em dois meses. 

A ação solidária dos petroleiros por preços justos para os combustíveis continua na próxima semana, com venda subsidiada de mais 2 mil litros de gasolina em Mossoró, no Rio Grande do Norte, promovida pelo Sindipetro-RN: de 3 mil litros de gasolina em Vitória, no Espírito Santo, e de 50 botijões de gás no próximo dia 15, em Porto Alegre, numa ação conjunta do Sindipetro-RS e do MAB.

Veja como foram as ações desta semana 

Manaus – foram vendidos 2 mil litros de gasolina a R$ 3,50 o litro para os taxistas

Belém – foram vendidos 100 botijões de gás a R$ 40,00 para mulheres da periferia

Recife – foram doados 50 botijões de gás e 1,5 tonelada de alimentos

Simões Filho (BA) – foram vendidos 10 mil litros de diesel a R$ 3,09 para caminhoneiros

Feira de Santana (BA) – foram vendidos 2.800 litros de gasolina a R$ 3,50 o litro

Linhares (ES) – foram vendidos 3.000 litros de gasolina, com R$ 2,00 de desconto por litro [ação aconteceu na quarta, 03/03]

São Mateus (ES) - foram vendidos 3.000 litros de gasolina, com R$ 2,00 de desconto por litro [ação aconteceu na terça, 02/03]

Belo Horizonte – foram vendidos 6.000 litros de gasolina a R$ 3,50 o litro exclusivamente para entregadores e motoristas de aplicativo

Rio de Janeiro – foram vendidos 300 botijões de gás a R$ 40,00

São Paulo – foram vendidos 5.000 litros de gasolina a R$ 3,50 o litro exclusivamente para motoristas de aplicativo e entregadores

* Fortaleza - a venda de 1.700 litros de gasolina que estava prevista para acontecer hoje foi cancelada devido ao lockdown decretado pela prefeitura

Próximas ações

Mossoró (RN) – serão vendidos 2.000 litros de gasolina entre os dias 08 e 12/03

Vitória (ES) – serão vendidos 3.000 litros de gasolina no dia 17/03

Porto Alegre (RS) – serão vendidos 50 botijões de gás no dia 15/03

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Publicado em Sistema Petrobrás
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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.