Petros nega prorrogação da suspensão do pagamento dos empréstimos

Quinta, 28 Outubro 2021 12:09

FUP e sindicatos reivindicaram que a cobrança dos empréstimos voltasse a ser feita só a partir de 2022, para minimizar o impacto dos altos descontos que estão ocorrendo nos salários e benefícios dos participantes e assistidos. Petros não aceitou, reafirmando que o período de suspensão provisória do pagamento será encerrado em outubro

[Da imprensa do Sindipetro Bahia]

Apesar das inúmeras solicitações da FUP, dos sindicatos, dos Conselheiros Deliberativos eleitos e dos participantes e assistidos, a Petros informou que não irá prorrogar o prazo da suspensão do pagamento dos empréstimos, deixando a categoria petroleira em uma situação difícil em meio a uma inflação galopante e perdas de receitas com a cobrança abusiva da AMS (que ainda persiste) e o pagamento do equacionamento.

A Petros informou sua decisão – ratificando que o período de suspensão será encerrado em outubro – ao responder a um ofício enviado pelo Sindipetro Bahia à Fundação solicitando a prorrogação do prazo de suspensão do empréstimo até janeiro de 2022.

Ao tentar se justificar, a Fundação destacou que “a incorporação mensal de juros e correção gera um incremento dos saldos devedores nos contratos no período de suspensão e, que, portanto, tal ação é requerido ser utilizada com parcimônia”. 

Acontece que a suspensão do pagamento não é compulsória, mas sim individual e cabe aos participantes e assistidos fazer esta opção, arcando futuramente com o aumento do saldo devedor. Esta decisão não cabe à Petros que ainda ignora o fato de muitos petroleiros, especialmente os aposentados e pensionistas – estarem passando por uma situação financeira muito complicada, recorrendo a bancos e até a agiotas. Alguns estão sustentando filhos e netos desempregados, devido à crise econômica, e sem condições de pagar, neste momento, mais uma prestação, no caso a dos empréstimos da Petros.

É importante lembrar que os aposentados e pensionistas não vão receber o 13º salário, pois já tiveram as parcelas adiantadas, o que complica ainda mais a situação deste segmento da categoria.


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Para o Diretor de Comunicação do Sindipetro Bahia, Radiovaldo Costa, “a situação causa ainda mais revolta pelo fato desta suspensão não trazer nenhum prejuízo para a Petros, pelo contrário, ajuda o plano a alcançar a sua meta atuarial. Então, não atender é pura falta de empatia e de sensibilidade”.

Para ele é urgente mudar a lógica que predomina hoje nos fundos de pensão fechados como a Petros, “onde o patrocinador faz a gestão absoluta do plano, que é o caso da Petrobrás, com a indicação de toda a diretoria, além do voto de minerva no Conselho Deliberativo, e os participantes não têm nenhum poder de interferência na gestão e nem sequer conseguem que seus pleitos sejam atendidos junto à direção da Fundação mesmo sendo estes pedidos tecnicamente corretos, sem impedimento de ordem legal para ser executado. É um absurdo que mesmo o dinheiro sendo dos participantes e assistidos eles sejam tutelados pelo patrocinador”, conclui.

Clique aqui para ler o ofício enviado à Petros

Clique aqui para ler a resposta da Petros

 

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