updated 4:34 PM BRST, Jan 23, 2018
Terça-Feira, 23 de Janeiro de 2018

Petrobras: Os resultados recentes da “nova” política de conteúdo internacional

Notícias sobre aquisição de plataformas e equipamentos no exterior, integração das cadeias produtivas estrangeiras aproveitando-se do pré-sal e desinvestimentos no setor produtivo nacional a partir da Petrobras tendem a ser cada vez mais frequentes

Por Rodrigo Leão* publicado na Revista Fórum

Estudos recentes tem apontado que as medidas recentemente adotadas no setor petróleo, tanto pela Petrobras, como pelo governo brasileiro significariam uma progressiva substituição da política de conteúdo nacional pela de conteúdo internacional. As mudanças regulatórias – como o esvaziamento da política de conteúdo nacional –, o abandono das políticas públicas favoráveis ao desenvolvimento da cadeia de fornecedores e os desinvestimentos da Petrobras redirecionariam a forma de atuação das operadoras de petróleo no Brasil.

Essa hipótese se baseava em duas premissas: por um lado, no próprio direcionamento de curto e médio prazo de esvaziamento da política industrial coordenada pelo governo e pela Petrobras e, por outro, na crescente ocupação das grandes operadoras estrangeiras de petróleo e de suas fornecedores de origem no mercado brasileiro. No entanto, tal hipótese carecia ainda de fatos e ações mais concretas a fim de comprová-la. Pois bem: uma análise mais detalhada dos eventos ocorridos nas ultimas duas semanas atestam esse movimento mais geral de fim da politica de conteúdo nacional e promoção de uma de conteúdo internacional.Em primeiro lugar, no dia 05 de janeiro, a Petrobras acertou a venda de duas unidades de perfuração, a P-59 e a P-60, construídas nacionalmente pelo consórcio Odebrecht/UTC/Queiroz Galvão por um valor de US$ 77 milhões ante um valor de construção de US$ 700 milhões, segundo informações da Brasil Energia. Coincidência ou não, no mesmo dia, a Petrobras e a Diamond Offshore fecharam um acordo judicial para a empresa americana encerrar a ação que movia contra a estatal brasileira. Em contrapartida, a Diamond Offshore viu seu contrato para afretamento de unidades de perfuração com a Petrobras ser renovado e estendido por mais dois anos (até 2020) pelo regime de stand-by por um valor diário de US$ 289, com a Petrobras antecipando à companhia americana um valor de US$ 20 milhões. Caso esse valor não seja utilizado até o fim do contrato, a Diamond deverá recompensar a estatal brasileira.

Numa avaliação realizada pela Brasil Energia com consultores e especialistas do setor, os termos do acordo favoreceram amplamente a Diamond Offshore uma vez que garantiu “a renovação do contrato quando o mercado de sondas está em baixa”, além de fornecer um considerável aporte financeiro à empresa americana a priori.

Em segundo lugar, no dia 08 de janeiro, a PetroRio – empresa contratada pela HRT O&G para operar no campo de Polvo – renovou o contrato com a BW Offshore para utilização da sua FPSO Polvo (floating production, storage and offloading) por mais um ano com possibilidade de extensão por mais três, ou seja, o novo acordo poderá vigorar até 2021. Cabe ressaltar que, diferente do que muitas vezes se argumenta para a utilização de equipamentos estrangeiras, a FPSO Polvo é um equipamento bastante antigo – fabricado em 1981 no Japão – e tem sido utilizado há muito tempo na operação deste campo.

Em terceiro lugar, no dia 09 de janeiro, a Queiroz Galvão Exploração e Produção (QGEP) informou a chegada da FPSO Petrojarl I responsável pela exploração e produção no campo de Atlanta da Bacia de Santos. Embora a QGEP seja proprietário de 30% do campo e responsável pela operação do campo, a plataforma construída no estaleiro holandês Damen Shiprepair Rotterdam será terceirizada para que a norueguesa Teekay administre sua exploração e produção.

Em quarto lugar, no dia 15 de janeiro, quando anunciou a assinatura de novos contratos com a empresa norueguesa DOF para fornecimento de ROVs (robôs submarinos remotamente operados), a Petrobras informou que não deve realizar até nos próximos anos novos contratos para a realização deste serviço, a despeito do crescimento das operações no campo do pré-sal. E mais: que os contratos assinados são para substituir equipamentos nacionais. Segundo matéria da Brasil Energia, “a frota de ROVs utilizados pela área submarina da Petrobras (cerca de 75 equipamentos) não deve crescer nos próximos anos. (…) as licitações para adquirir RSVs (embarcações de apoio equipadas com ROVs), (…) são basicamente voltados a repor contratos existentes, como de barcos estrangeiros substituídos por similares de bandeira nacional”.

Esses eventos refletem a postura estratégica da Petrobras no segmento de exploração e produção: a crescente substituição de equipamentos e unidades nacionais por estrangeiros, mesmo no caso de unidades prontas para utilização. Além disso, mostra que, a despeito das oportunidades abertas pelo pré-sal, as compras de bens e serviços da Petrobras não devem se expandir a taxas muito elevadas no curto prazo, pelo menos observando as notícias mais recentes.

Em contrapartida, as operadoras privadas e/ou estrangeiras tem feito um movimento agressivo de contratação de equipamentos e unidades estrangeiras para operação no Brasil, inclusive empresas privadas nacionais. Nesse caso, vale lembrar que as grandes operadoras estrangeiras, como a Statoil e a Total, tem feito contratações de bens e serviços, para sua atuação no Brasil, em seus países de origem.

No caso francês, por exemplo, um matéria recente assinada por Diana Viola no Oil&Gas Financial Journal, sugere que a internacionalização das empresas francesas se caracterizou como um eixo estratégico do desenvolvimento do setor energético francês por três razões: 1) garantir o suprimento de óleo e gás num país em que o volume de reservas é relativamente baixo para atender sua demanda; 2) aproveitar novas oportunidades no mundo no segmento de energia; 3) permitir a expansão da cadeia de fornecedores, inclusive de menor porte, em termos globais.

Essas são apenas alguns exemplos de informações que devem ser corriqueiras no mercado brasileiro de petróleo e gás daqui em diante. Notícias sobre aquisição de plataformas e equipamentos no exterior, integração das cadeias produtivas estrangeiras aproveitando-se do pré-sal e desinvestimentos no setor produtivo nacional a partir da Petrobras tendem a ser cada vez mais frequentes. A lenta recuperação do emprego do setor de petróleo e gás brasileiro, bem como a eliminação de várias indústrias locais completam um cenário desolador frente as imensas oportunidades e expectativas trazidas pela descoberta do pré-sal para a indústria brasileira.

*Rodrigo Leão é Economista (FACAMP) e mestre em desenvolvimento econômico (IE/UNICAMP). Atualmente, é um dos coordenadores do Grupo de Estudos Estratégicos e Propostas (GEEP) da FUP e pesquisador visitante do NEC-UFBA

  • Publicado em OPINIÃO

Statoil, Petrobras e o papel do Estado na economia

por William Nozaki e Rodrigo Pimentel Ferreira Leão em Carta Capital

Enquanto o Brasil desmonta suas estatais, a Noruega usa o País como plataforma para internacionalizar as suas companhias
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A plataforma P-54 FPSO no campo de Roncador, que agora tem participação norueguesa (Foto: Geraldo Falcão / Petrobras)

O negócio, fechado em Oslo no último dia 18 de dezembro, passou a valer a partir de segunda-feira 1º e faz com que, no ranking brasileiro, a empresa norueguesa seja a terceira maior exploradora e produtora de petróleo no Brasil, atrás apenas da Petrobras e da anglo-holandesa Shell.

Embora a aquisição de Roncador seja emblemática, entre outros motivos, por se tratar da maior descoberta de petróleo offshore no Brasil da década de 1990 e por possibilitar à Statoil triplicar sua produção no Brasil, esse processo reflete uma estratégia de longo prazo não da Statoil, mas da política industrial do Estado norueguês.

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Até meados dos anos 1990, a política industrial da Noruega no segmento de petróleo e gás era fortemente protecionista e focada no desenvolvimento das forças produtivas internas, seja no elo operação, seja no de fornecedores de petróleo e gás.

Três fatores forçaram, no entanto, uma transição dessa estratégia protecionista rumo à internacionalização da cadeia produtiva de petróleo e gás da Noruega: 1) a entrada, em 1993, do país nórdico no Mercado Comum Europeu, que obrigou a remoção de uma série de instrumentos protecionistas utilizados para subsidiar as empresas locais do setor de petróleo e gás; 2) a manutenção do preço do petróleo a valores relativamente baixos, desde o final dos anos 1980; e 3) a dificuldade de encontrar novas grandes áreas de exploração de petróleo e gás em território local, como ocorreu nas décadas anteriores quando foram descobertos os campos de Statfjord e Gullfaks com elevado volume de reservas.

Aproveitando-se das políticas realizadas entre os anos 1970 e 1980, que permitiram o desenvolvimento de competitivos fornecedores e operadores de petróleo, a Noruega substituiu gradualmente sua politica de favorecimento ao conteúdo nacional pela promoção da internacionalização de suas empresas.

 
Neste sentido, o governo norueguês articulou uma série de medidas visando aumentar a competitividade das empresas nacionais, estimular seus investimentos no mercado internacional e reorganizar suas instituições a fim de promover uma internacionalização competitiva coordenada pelo Estado. Entre essas medidas, cabe citar o fim das cláusulas que obrigavam as companhias estrangeiras a demonstrar – durante o processo de licitação de novos blocos – intenção de contratar fornecedores noruegueses, a criação de dois institutos para, respectivamente, apoiar a internacionalização das empresas e a melhora de competitividade do segmento de petróleo e gás, o INTSOK e o Topplederforum.

Foi na esteira dessas medidas que a gestão das operadoras e fornecedoras de petróleo norueguesas – entre elas, a Statoil – foi modificada visando realizar a sua internacionalização no final dos anos 1990.

Segundo um estudo coordenado pelas consultorias Bain & Company e Tozzini Freire Advogados, a partir do final da década de 1990, “foi um período de intensa consolidação com vistas à internacionalização competitiva. A Saga, terceira empresa de petróleo e gás da Noruega e de capital privado, foi dividida, em 1999, entre a Statoil e a Hydro, primeira e segunda maiores do setor, respectivamente. Em 2001, o governo decidiu abrir o capital de parte da Statoil e posteriormente, em 2007, as duas empresas se uniram para formar a StatoilHydro. (...) Ainda em 2001, a Aker e a Kvaerner fundiram-se e passaram a ser o maior fornecedor de serviços para a indústria de petróleo e gás norueguesa e aumentar sua competitividade global”.

Com os fortes investimentos realizados pela Petrobras na segunda metade dos anos 2000 e a descoberta do pré-sal, o Brasil se tornou um mercado prioritário na estratégia de internacionalização do governo e das empresas norueguesas. Com a janela de oportunidade criada a partir da abertura e liberalização do pré-sal desde 2016, não apenas a Statoil, como também outras empresas norueguesas do setor reforçaram seu ingresso no mercado brasileiro.

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O CEO da Statoil, Eldar Sætre, e Pedro Parente: entrega

No último ano, a Statoil intensificou seu apetite sobre as reservas brasileiras do pré-sal (com a compra do Norte de Carcará por 2,5 bilhões de dólares, cerca de 8,2 bilhões de reais), avançou sobre os campos e blocos offshore no Brasil, além de ter ampliado seu investimento em um projeto de energia solar no Nordeste do País em uma parceria com a também nórdica e estatal Statec.

Além disso, desde 2016, as fornecedoras Aker Solutions e a MH With, ambas norueguesas, abriram novas plantas produtivas, respectivamente, em São José dos Campos (SP) e em Macaé (RJ), totalizando investimentos superiores a 150 milhões de dólares.

Novamente deve-se reafirmar que esses investimentos não são ações isoladas de cada empresa, mas obedecem a uma diretriz estratégica do Estado norueguês de fortalecimento das suas cadeias produtivas em escala global. Um documento do Ministério de Comércio, Indústria e Pesca da Noruega de 2017, intitulado “Estratégia para exportação e internacionalização” destaca a importância do Brasil para a expansão do setor de petróleo e gás na Noruega: “O Brasil é estratégico na cooperação de campos de petróleo desde 2013 (...) e é também um dos maiores mercados para a indústria de fornecedores high-techda Noruega”.

É curioso observar: enquanto o Brasil desmonta suas empresas estatais, a Noruega possui uma estratégia nacional na qual as associações e joint ventures entre suas empresas públicas de energia e tecnologia no mercado brasileiro tem um papel central para o seu desenvolvimento industrial de longo prazo. Isso é exemplificado pela forma distinta como os presidentes da Petrobras e da Statoil tratam a questão do pré-sal.

Em uma de suas primeiras declarações como presidente da Petrobras, Pedro Parente afirmou ter havido “uma ideologização, um certo endeusamento do pré-sal”. A declaração contrastou com a avaliação feita pelo chefe de operações da Statoil no Brasil, Anders Opedal: “Estamos ansiosos para trabalhar com a Petrobras para maximizar o potencial do campo de Roncador. A combinação da experiência da Statoil em recuperação avançada de reservatórios e da Petrobras em águas profundas e pré-sal nos permitirá uma produção maior e mais duradoura”. 

A estratégia da companhia norueguesa tem como uma de suas diretrizes prioritárias reforçar sua presença no País (veja o quadro no final do texto). Isso se dá, pois, além da Statoil fazer parte de uma estratégia nacional de internacionalização produtiva, a companhia enxerga no plano de desinvestimentos da Petrobras uma oportunidade de consolidar sua posição estratégica no país do pré-sal.

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Esse fato é reforçado pela recente aprovação da Medida Provisória 795 (Repetro) que isenta de tributação petrolíferas estrangeiras que operam no Brasil e facilita a entrada de máquinas, equipamentos e engenheiros de fora do País. Prova disso é a contratação pela Statoil da estrangeira Seadrill para a construção de uma sonda de perfuração que deve servir à exploração das áreas do pré-sal.

Além disso, o negócio fechado neste mês de dezembro garantiu à Statoil o acesso ao Terminal de Cabiúnas (Tecab), o maior ponto de recebimento de gás natural produzido em campos marítimos, e até hoje utilizado exclusivamente pela Petrobras. O acesso a esse terminal, localizado em Macaé, passou recentemente por um processo de ampliação de sua capacidade produtiva, podendo processar até 25 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural e cerca de 70 mil baris por dia de gás natural condensado. Trata-se de mais um caso em que a empresa estatal brasileira amplia investimentos e absorve riscos para, na sequência, repassar seus ativos para terceiros.

O negócio fechado entre a Statoil e a Petrobras ainda precisa de validação do TCU, dado que o processo aconteceu sem a concorrência de outras petrolíferas, com a justificativa de que apenas a Statoil tem expertise e tecnologia para a recuperação de reservas em campos maduros e de produção declinante.

A negociação de mais esse ativo da Petrobras explicita como a empresa segue na contramão das grandes companhias do setor, enquanto empresas como Statoil buscam se transformar em grandes companhias de energia operando com múltiplas matrizes e potencializando a exploração e produção de óleo e gás.

E reflete também a existência, por um lado, de um politica estratégica de longo prazo no caso norueguês e, por outro, uma visão de curto prazo no Brasil que desorganiza os avanços setoriais realizados na última década e meia.

Exemplo disso é que, diferente do que ocorreu na abertura do setor de petróleo e gás na Noruega, a Petrobras paulatinamente vai se retirando de outros segmentos de energia e vai tornando cada vez mais tímido seu protagonismo na exploração e produção de petróleo, correndo o risco de condenar o País à importação de derivados. Sob o falso argumento de que empresas estatais são por natureza ineficientes abre-se o mercado brasileiro para a eficiência de empresas estatais estrangeiras, como a norueguesa Statoil. 

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*William Nozaki é professor de Ciência Política e Economia da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fesp-SP) e integrante do Grupo de Estudos Estratégicos e Propostas da Federação Única dos Petroleiros (Geep/FUP). Rodrigo Leão é economista e mestre em desenvolvimento econômico (Unicamp). Foi gerente executivo de planejamento da Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros). Atualmente, é um dos coordenadores do Geep/FUP e pesquisador da Cátedra Celso Furtado/FESP-SP.

Quando a Petrobrás obedece ao mercado

A Petrobrás divulgou hoje que fez um acordo com investidores americanos, acionistas e detentores de títulos da estatal, para acabar com uma ação coletiva contra a empresa. O que devemos questionar enquanto categoria petroleira e também como brasileiros, já que a Petrobrás é uma estatal, é:

1. Por que a Petrobrás está pagando um valor maior do que aquele que ela mesma reconheceu como desviado pela corrupção?

O dinheiro que a Petrobrás reconheceu como desviado pela corrupção, é menor do que está sendo pago aos investidores americanos que é a quantia de US$ 2,95 bilhões, o equivalente a R$ 10 bilhões.

2. E se a Petrobrás sofrer mais ações desse tipo?

O mercado está aproveitando o momento e usa a Lava-Jato que disfarçada com o combate à corrupção, dá oportunidade a esse tipo de extorsão.

3. Afinal a quem a atual gestão atende?

Ao mesmo tempo em que a atual gestão da Petrobrás paga fácil para o mercado americano valores questionáveis, tenta renegociar a dívida interna tributária com o governo federal, ou seja, deixa de pagar dinheiro ao governo para pagar ao mercado financeiro americano.

No geral, decisões como estas do Pedro Parente, prejudicam a indústria nacional e apoiam e beneficiam os fundos financeiros americanos.

O que aconteceu hoje reforça e fornece mais elementos que aumentam a percepção e geram desconfianças sobre a possibilidade de existência de conflitos de interesse e tráficos de influência na companhia e no seu plano de privatizações.

William Nozaki, professor de Ciência Política e Economia na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), salientou em texto publicado na revista Carta Capital que “a despeito de alardear a eficiência de seu novo programa de governança, compliance e de seus testes de integridade para a nomeação do alto escalão da companhia (background check), é no mínimo curioso notar que parte dos diretores e conselheiros da Petrobrás permanece atuando ou atuou em segmentos empresariais diretamente interessados no desmonte da Petrobrás, com destaque para conexões que deságuam no setor financeiro.”

Peça de 4 toneladas despenca e causa alerta na Repar

    Mais uma vez a sorte foi requisito básico de segurança na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar/Petrobrás), em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba. No dia 26 de dezembro, uma enorme peça de 4 toneladas da Unidade de Craqueamento Catalítico Fluidizado (U-2200) se rompeu e caiu.

Essa peça é um contrapeso da estrutura do reator da unidade. As causas ainda não foram identificadas, mas a suspeita é de falha no suporte. Ao cair, a peça atingiu a plataforma do reator, deformando-a.

O estrago poderia ter sido maior caso a peça atingisse alguma tubulação de produtos inflamáveis, tendo em vista que no momento do acidente a unidade estava em operação.

O Sindipetro Paraná e Santa Catarina acompanha o caso e vai participar da Comissão de Investigação do Acidente.

Rotina Macabra | Infelizmente os acidentes se tornaram rotina na Repar e este é mais um caso que aumenta as estatísticas recentes de sinistros na refinaria. No início de dezembro houve um incêndio na Unidade de Reforma Catalítica (U-2222) causada por corrosão na tubulação de hidrogênio. Nestes dois casos as consequências poderiam ser agravadas se algum trabalhador estivesse próximo dos locais. 

Peça de 4 toneladas despenca e causa alerta na Repar

A FUP avisou

O Instituto INEEP* ligado à FUP antecipou no início deste ano o que a agência MOODY`S descobriu agora: a Petrobrás não precisaria realizar desinvestimentos para reduzir sua dívida. Em 2015, nas discussões sobre a Pauta pelo Brasil, ficou claro para a FUP e para os trabalhadores que a venda de ativos da Petrobrás não seria necessária já que a companhia possuía outras saídas para resolver o problema de sua dívida.

E agora, Nymia Almeida, vice-presidente sênior de crédito da Moody’s afirmou que a perspectiva da agência é que a Petrobrás não precisa vender tantos ativos para atingir a meta de alavancagem.

Fica claro que a decisão de Pedro Parente escondia uma estratégia deliberada de venda de ativos, sem levar em conta os efeitos das perdas de caixa no médio e longo prazo com a venda de ativos operacionais lucrativos e da sua redução na participação da exploração do Pré-Sal. Na verdade, não há nenhuma preocupação com a Petrobrás e sim com o mercado.

Segundo o professor Eduardo Costa Pinto do Instituto de Economia da UFRJ e integrante do Grupo de Estudos Estratégicos e Propostas da Federação Única dos Petroleiros, "É preciso ressaltar que essa meta foi escolhida de forma discricionária pelo atual presidente da Petrobras, que afirmou em entrevista à revista Executivos Valor (maio de 2017): “antecipar a meta de desalavancagem […] de 2,5 vezes de 2020 para 2018, foi uma coisa [decisão] minha”. Ou seja, a estratégia de vender ativos foi imposta pela decisão pessoal do atual presidente da Petrobras.

Esclarecimentos sobre a dívida

A posição da FUP já discutida em outras oportunidades e divulgada em diversos momentos, é que dívida é consequência de investimentos em construção e readequações de refinarias objetivando abastecimento do mercado interno, de investimentos no Pré-Sal que foi a maior descoberta de petróleo do mundo, da transformação de uma empresa de energia integrada que não dependente somente do petróleo e cujo papel central é o desenvolvimento nacional e está aí a razão de seus investimentos.

Em 2015, na discussão da Pauta pelo Brasil, a FUP apontou para alternativas de resolução da dívida da empresa:

1. alongamento da dívida de curto prazo, para longo prazo

2. venda de petróleo ou outros produtos para serem entregues no futuro, em prazos pré-determinados; preço de derivados de petróleo em paridade com o mercado internacional, sem reajustes diários

3. negociação com o Governo Federal sobre revisão dos contratos de Cessão Onerosa

4. securitização da dívida da Eletrobrás, cerca de R$15 bilhões

Muitas destas saídas foram adotadas e a situação da dívida é melhor hoje, somente no segundo trimestre de 2017 o volume de endividamento de curto prazo caiu 20% e o prazo médio da dívida está em 7,88 anos e crescendo.

A meta de redução da relação Dívida Líquida/EBITDA, de 5,3% em 2015 para 2,5% em 2018 é muito rígida, não precisaria ser assim. Hoje já está em 3,23% e poderia chegar em 2021 com 2,5% sem vender nenhum ativo, pelo contrário, estes são fundamentais para geração de caixa da empresa.

* Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra

Pré-sal atrai para o Rio centros de pesquisa de multinacionais

Por Roberto Rockmann da Carta Capital - No Parque Tecnológico da UFRJ, investimentos da Schlumberger, FMC Technologies, Halliburton, BG Group e GE

Com reservatórios a até 5 mil metros abaixo do leito marinho, incluída uma camada de sal de 2 mil metros de espessura, perfurar poços exige pesquisas constantes. 

O desafio tecnológico de produzir óleo e gás na camada pré-sal estimula investimentos de uma série de empresas. Com reservatórios a até 5 mil metros abaixo do leito marinho, incluída uma camada de sal de aproximadamente 2 mil metros de espessura, perfurar poços na camada exige novos e mais resistentes materiais, tecnologias de sequestro de carbono e maior automação dos sistemas.

Na carteira de longo prazo da Petrobras, que lidera um dos maiores conjuntos de projetos de inovação na indústria de energia no mundo, há linhas de pesquisas sobre novas tecnologias de exploração, entre elas a perfuração a laser de rochas no fundo do mar. Há ainda estudos sobre nanotecnologia, com uso de nanomateriais em poços sob a água.

Esses minúsculos materiais poderiam funcionar como sensores indicativos dos esforços de cada material utilizado para a exploração de petróleo e a taxa de corrosão. Estão em curso também pesquisas sobre o uso em rochas de nanopartículas, que poderiam monitorar a produção de petróleo a partir da porosidade das rochas. A estatal estuda ainda modos de utilizar plataformas submersas de exploração de petróleo que possam cada vez mais ser controladas remotamente em centros na terra.

No Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Ilha do Fundão, próximo ao centro de tecnologia da Petrobras, fornecedoras da estatal têm investido em centros de inovação para buscar soluções. Schlumberger, FMC Technologies, Halliburton, BG Group e GE são algumas das empresas que investem no parque. A GE, que inaugurou um centro em 2014, deve aplicar até 1 bilhão de reais em 2020. Cerca de 60% dos 160 funcionários estão dedicados a soluções da área de óleo e gás, tanto para o pós-sal quanto para o pré-sal.

Em poços da Bacia de Campos, que começam a ficar maduros e menos produtivos, quando se extrai petróleo, aumenta a quantidade de água sugada, o que cria a necessidade do uso de grandes unidades de separação dos componentes nas plataformas. Isso reduz a vida útil dos campos.

“Estamos em fase de estudos de viabilidade de novas tecnologias nessa área e também analisamos as tecnologias de sequestro de gás carbônico, que está bastante presente no pré-sal, além da questão ambiental, pois ele é altamente corrosivo”, diz o líder da área de Sistemas Offshore & Submarinos do Centro de Pesquisas Global da GE no Brasil, Sérgio Sabedotti.

“O pré-sal vai requerer muita tecnologia, pois a pressão sobre os equipamentos a mais de 3 mil metros de profundidade é brutal. Um dos focos é analisar novos equipamentos mais compactos e que possam ter maior flexibilidade.”

 
 

FUP participa da posse da nova diretoria da UNE

Dirigentes da FUP e seus sindicatos participaram na tarde dessa terça-feira (14) da solenidade de posse da nova direção da União Nacional dos Estudantes (UNE), que ocorreu no Anexo II da Câmara dos Deputados, em Brasília. Estudante de economia da PUC/SP, Carina Vitral é a nova presidente da entidade e estará no cargo pelos próximos dois anos.

Na solenidade, o coordenador geral da FUP, José Maria Rangel, saudou a nova direção da entidade e a participação ativa dos estudantes na defesa da soberania nacional. "Saudamos a luta dos estudantes por um País soberano e por estarem conosco nessa frente em defesa do pré-sal, da Petrobrás e da democracia". José Maria convocou todos os petroleiros, trabalhadores e estudantes e todos os movimentos sociais organizados para entrarem nessa batalha em defesa da empresa e da atual Lei de Partilha, que garante o controle dessa riqueza pelos brasileiros. 

Na manhã de hoje, Carina Vitral e dezenas de estudantes também estiveram no Ato “Em Defesa da Petrobras e Democracia”, no auditório da Câmara, ao lado dos petroleiros e de outros movimentos sociais.

Fonte: Imprensa FUP

Lula critica projeto de Serra e convoca petroleiros e sociedade a defenderem a Petrobrás

Manuella Soares*

Durante a 5ª Plenafup, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou com os petroleiros sobre a situação da Petrobrás e a importância da categoria e da sociedade defender o pré-sal. Para Lula, o projeto do senador José Serra de mudança da Lei de Partilha atende aos interesses do capital internacional e das multinacionais que estão de olho nos bilhões em barris que serão produzidos nas áreas de exploração desse petróleo. “A troco de que Serra quer mudar a lei do pré-sal? Para trazer as multinacionais para fazer aquilo que nós temos competência para fazer”, disse Lula, ao defender o patrimônio tecnológico e o conhecimento produzido pelos petroleiros no desenvolvimento da exploração em áreas profundas.

Foto: Ricardo Stuckert

O PLS do tucano Serra (131/2015), que retira da Petrobrás a exclusividade na operação do pré-sal e o mínimo de 30% de exploração dos blocos concedidos, poderá ser posto em votação no Senado na próxima terça-feira (7) e só não foi votado ainda em função da resistência dos petroleiros. Lula destacou a importância da categoria petroleira na defesa desse recurso e afirmou que a os trabalhadores devem continuar a apresentar à empresa propostas para sua gestão.

Desinvestimentos
Em resposta a uma intervençãodo representante dos petroleiros no Conselho de Administração da FUP, Deyvid Bacelar, criticando o novo Plano de Negócios apresentado pelos gestores da Petrobrás, Lula reconheceu que o momento é difícil e que a categoria deve sim lutar por suas reivindicações. “É verdade, Deyvid, que o plano de negócios da Petrobrás está muito menor do que o original. Mas vocês devem continuar a propor soluções e apresentar as suas propostas para o desenvolvimento da empresa”.

Continuidade das políticas sociais depende do pré-sal
Lula apontou a necessidade da categoria petroleira de não só lutar pela Petrobrás, mas também de convencer a sociedade de que defender a empresa é garantir o pré-sal e os direitos sociais conquistados. Lula destacou a educação como prioridade do governo atual, através do Programa Pátria Educadora, que pretende, até 2024, ampliar a educação infantil, o ensino técnico e a formação superior, erradicar o analfabetismo e diminuir 50% do analfabetismo funcional entre os brasileiros.

O sucesso do projeto Pátria Educadora e da continuidade de políticas que levaram o Brasil a se manter como uma das economias mais importantes no cenário mundial depende da garantia dos recursos do pré-sal. “Eu sei o que foi a aprovação da Lei da Partilha. Sempre disse que esse petróleo é o passaporte do futuro. A gente não pode colocar o dinheiro do pré-sal no ralo comum da economia brasileira. Porque a gente vai fazer que nem outros países que são dependentes da compra de petróleo. Por isso criamos o Fundo Social. Por isso aprovamos a Lei de Partilha e também a lei (12.825/2013) que destina os 75% dos royalties do petróleo para a Educação”.

Lula reconheceu, ainda, que o País está vivendo um momento conjuntural difícil, mas acredita que a presidenteDilma está buscando soluções e que, num prazo de um ano e meio, a economia voltará a crescer. O ex-presidente lembrou que, no início de seu mandato em 2003 também precisou fazer um ajuste fiscal e foi extremante criticado pela população. “Mas, um ano depois, antecipamos nossas dívidas, mandamos o FMI embora, e passamos a ser uma das economias mais importantes internacionalmente”.

Mídia esconde os bons resultados
O ex-presidente também criticou a mídia como responsável pelo mau humor da população, que não tem acesso aos dados reais do governo, só às denúncias de corrupção na Petrobrás. Lula defendeu os petroleiros que vêm sofrendo com os ataques da grande imprensa e defendeu a punição de quem tiver lesado a empresa e seu patrimônio.“APetrobrás não é só corrupção. É muito mais que isso. O Brasil não é só miséria como querem mostrar. Não queremos que não mostrem as coisas ruins, mas queremos que mostrem a verdade".

Criminalização de adolescentes
O ex-presidente fez críticas à redução da maioridade penal e reconheceu que é responsabilidade do Estado oferecer condições para que a juventude não fique à mercê da violência.“Será que o Estado brasileiro cumpriu com as suas obrigações com os jovens de 16, 17 anos? Será que nós oferecemos a educação necessária e criamos oportunidades para esses jovens terem opção. Aí vêm eles e querem resolver o problema colocando os meninos na cadeia?”.

Luta não pode ser só econômica
O presidente chamou atenção dos petroleiros para que comecem a tratar de outras pautas que não sejam só sobre reivindicações econômicas. Chamou atenção para a importância de politizar os trabalhadores para que reivindiquem mais educação e mais direitos sociais. “A luta hoje dos trabalhadores não pode ser mais eminentemente econômica. A luta hoje dos sindicalistas não pode ser mais só para reivindicar aumento de salário. Esse País é muito rico temos que ampliar nossas consciências e desenvolver nosso potencial e conhecimento para construir nosso futuro”.

A 5ª Plenafup está sendo realizada em Guararema (SP), na Escola Nacional Florestan Fernandes. Os petroleiros continuam reunidos até domingo (5) e devem deliberar a pauta de reivindicaçãos da categoria para o próximo período. Acompanhe também pelo link http://www.fup.org.br/foruns/plena-fup/v-plena-fup

*Jornalista (Imprensa FUP)

 

Petroleiros protestam contra projeto de Serra que fragiliza Petrobrás

 

Uma caravana do Sindipetro Unificado de São Paulo, filiado à CUT foi nessa terça-feira (16) à capital federal para protestar contra o Projeto de Lei do Senado (PLS) 131, de 2015, do senador José Serra (PSDB-SP). Em Brasília, os senadores podem aprovar que a medida comece a ser votada imediatamente.

O texto altera a Lei de Partilha nº 12.351, de 2010, e revoga a participação obrigatória da Petrobras no modelo de exploração da produção de petróleo na camada pré-sal, que coloca a empresa como operadora única na gestão do pré-sal, além de garantir a participação mínima da companhia nos campos.

Caso seja aprovado no Senado
O PLS ainda tramitará na Câmara, antes de voltar a sua casa de origem –, o projeto será votado em regime de urgência sem passar por comissões. No trâmite normal, ele seria apreciado pelas comissões do Senado de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), de Assuntos Econômicos (CAE) e de Serviços de Infraestrutura (CI).

Coordenador Regional do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP), Verenissimo Barçante, explica que este afetará o atual modelo que coloca a Petrobras como operadora única na gestão do pré-sal com uma participação mínima de 30%. “Todo o fluxo de petróleo é acompanhado pela estatal, que opera e monitora. Isso [PLS 131/2015] representaria tirar o controle do governo diante dos recursos brasileiros, o que afetará a soberania”, destaca.

Também dirigente do Sindipetro-SP, Gustavo Marsaioli alerta que os investimentos em setores do Brasil poderá ser prejudicado. “Hoje, de todo o recurso explorado no pré-sal, há um fundo que vai para a educação e a saúde. Se esse projeto for votado, entre outras coisas isso significa menos recurso federal para essas áreas”, pontua.

Marsaioli observa que a conquista do regime de partilha ainda não é o modelo ideal, mas representa um avanço recente. Ele ressalta, contudo, que a luta maior se dá pelo monopólio estatal do petróleo e que o projeto de José Serra representa um golpe à democracia.

Serra recebeu recursos de petroleiras – “O PLS de Serra parece ser nada menos do que o pagamento de uma dívida de campanha eleitoral. Na campanha que disputou contra Dilma, em 2010, ele recebeu recursos de multinacionais de petróleo nas eleições”, conclui Marsaioli.

O projeto de entregar o petróleo brasileiro ao capital internacional não é novo. Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), em 1999, cumprindo acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional), um memorando de Política Econômica do Ministério da Fazenda aponta que estava mantida a intenção de vender “o restante das ações não votantes da empresa”.

Em 2000, o então presidente da empresa, Henri Reichstul, apresentou o projeto de mudar o nome para Petrobrax, numa maneira de torná-la mais atrativa para a compra no cenário internacional.

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